Na segunda-feira seguinte à ignominiosa Parada Gay em São Paulo, eu li, pela manhã, que havia 100.000 pessoas no evento. Pelas imagens, eu ainda acho muito - e pela saúde das pobres almas também - mas é bem mais realista do que a espalhafatosa cifra de 4 ou 5 milhões de participantes, fato em que nunca acreditei. Ainda mais porque, logo depois, já surgia gente que se deu ao trabalho de medir a Avenida Paulista e calcular a quantidade de pessoas que caberia, ocupada de ponta a ponta, coisa que nunca alcançou mais do que algumas centenas de milhares de pessoas (pelo que me lembro, umas 200.000 no máximo). E pelas imagens dava para ver que nunca foi ocupada de ponta a ponta. Quando se fez aquela manifestação em comemoração à Intervenção Militar de 1964, em março, a mídia insistia em números irrisórios ("500" participantes, em alguns jornais, "1000 e pouco" nos jornais mais generosos), com algum tom de deboche, mas a Polícia Militar - sempre parcimoniosa com os números - falou em mais de 30.000 pessoas. Então, eu recebi este artigo por e-mail e achei por bem compartilhá-lo porque faz uma análise interessante das estatísticas.
* * *
Estávamos quatro amigos num carro, saindo de São Paulo para uma viagem. Parados no primeiro semáforo, observamos um menino fazendo papel de malabarista, com três bolas de tênis lançadas ao ar em sequência cíclica. No semáforo seguinte, outro menino lidando com quatro bolas deixou uma cair no chão, quando tentava a manobra de lançá-la por baixo da perna. Um dos amigos comentou:
— Se usasse ovos, ia chover dinheiro para recompor o instrumento de trabalho.
Mais adiante, outro menino lançava ao ar um bastão e o aparava com outro, mantendo-o no ar. Mais um semáforo, e outro menino equilibrava no queixo um bastão com um disco na ponta. Travou-se então este diálogo:
— Parece que a meninada de São Paulo virou malabarista de semáforo.
— Que exagero! Acabamos de passar em frente a um colégio cheio de meninos que não são malabaristas.