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domingo, 19 de junho de 2016

Uma Comunhão bem feita é o maior auxílio das Almas do Purgatório

M. — Não há quem ignore a magnitude da obrigação e a suave necessidade que temos de ajudar as benditas almas do Purgatório.
Se neste instante você ouvisse o sinal de alarme e o grito de socorro: Fogo! Incêndio! E o fogo se alastrasse pela casa de seus parentes e amigos, onde houvesse crianças dormindo e velhos enfermos, que faria em tal emergência?

D. — Correria imediatamente a ajudá-los e socorrê-los.

M. — Pois bem, meu querido discípulo: naquela casa que se chama Purgatório existe sempre fogo que está purificando o ouro que amanhã deverá brilhar no céu.
Todas as penas e sofrimentos do mundo nada são em comparação com as penas do Purgatório. A inteligência humana nem sequer consegue imaginá-las e não há pena que possa descrever aqueles tormentos. É a hora da justiça divina.
Unidas às penas dos sentidos estão as penas do dano. . . Reparemos também que aquelas almas não se podem livrar por si mesmas, necessitam e esperam nosso auxílio. Nada podem merecer para o céu, pois que acabou para elas o tempo da misericórdia; tão pouco podem se ajudar reciprocamente, pois todas se encontram na mesma situação.
Somente nós podemos socorrê-las. Por isso elas se recomendam a nós que podemos alumiá-las e libertá-las. Seremos tão cruéis a ponto de permacermos surdos e indiferentes aos seus lamentos?

D. — Que poderemos fazer em favor delas?

M. — O catecismo no-lo diz expressamente. À pergunta: Como podemos ajudar as almas do Purgatório? Responde: Podemos ajudar as almas do Purgatório por meio de orações, jejuns, esmolas, indulgências mas, sobretudo mediante o Santo Sacrifício da Missa. E acrescento eu: Em modo mais fácil e eficaz com a Comunhão frequente e bem feita.



D. — Será certo, Padre? Por quê?

M. — Porque a Comunhão é o complemento natural da Santa Missa. Com a Comunhão fica consumida e destruída a Vítima Divina do Sacrifício. Quando comungamos operamos como concelebrantes da Missa e, por conseguinte podemos dispor da parte que nos toca e que unida à assistência à Santa Missa irá sufragar as almas do Purgatório. Disso resulta que aquele que comunga dispõe de um duplo merecimento em relação àquele que somente ouve a Santa Missa.

D. — Nunca pensei nisso, Padre. Permita mais uma pergunta: Em muitos lugares é costume dar-se a bênção eucarística, logo após a Missa de Réquiem, que acha disso?

M. — Que é ótimo costume, mas diga-me: Qual trono prefere Jesus? O de ouro que está sobre o altar, ou o trono vivo e ansioso de nosso coração?

D. — É claro que Ele prefere o trono de nosso coração.

M. — Você mesmo, agora poderá julgar como a Comunhão é muito mais excelente do que a benção eucarística, para sufragar as almas do Purgatório.
Santa Teresa no-lo assegura que depois da Comunhão Jesus fica assentado sobre o nosso coração como sobre um trono de graças e nos diz: Que favores quereis de mim?
E se nós lhe respondermos: Ó Jesus, que a luz perpétua brilhe para as almas do Purgatório, certamente Ele não deixará de nos ouvir; e embora sem querer, seria obrigado a libertá-las, pois aquelas almas lhe são muito queridas e uma só gota de Seu Divino Sangue seria suficiente para abrir de par em par todas as portas do Purgatório.

D. — Obrigado, Padre. Sendo portanto, a Comunhão o meio mais seguro para auxiliar as almas do Purgatório é coisa evidente que devemos comungar com a maior frequência, não é verdade?

M. — Quem não vê que a Comunhão frequente revela um amor mais intenso para com Jesus Cristo e, por conseguinte é mais provável que Jesus Cristo ouça mais depressa as nossas orações? Acrescentemos a isso também o tesouro de indulgências que a Igreja prodigaliza aos que comungam frequentemente.

D. — Que quer dizer isso?

M. — Quer dizer que o Santo Padre o Papa Pio X concedeu indulgência plenária e parciais a todos aqueles que comungam cotidianamente, ao menos cinco vezes na semana. E para lucrá-las não é preciso confessar-se vez por vez, mas basta conservar o estado de graça habitual. 
Veja só quantos méritos estão à disposição de todos aqueles que querem auxiliar e libertar as almas do Purgatório, mediante a Comunhão frequente. O ato heroico em favor das almas do Purgatório é muito louvável, no entanto não pode ser comparado à Comunhão frequente; como também não podem ser comparáveis com a Comunhão todas as orações, jejuns, esmolas e outras boas obras que podemos fazer.

D. — Então, Padre, quem comunga frequentemente fica dispensado de todas as outras boas obras com que se pode auxiliar as almas do Purgatório?

M. — Não, absolutamente não quero dizer isso, pois do contrário qual seria a nossa caridade  e justiça?
Talvez por nossa culpa, muitas almas estão ainda sofrendo e nós somos causadores daquelas lágrimas e daqueles suspiros!
Ajudemo-las, portanto, em tudo; usemos de todos os meios; sobretudo perseveremos na prática da Comunhão frequente e bem feita. Recebamos todos os dias Aquele que tem as chaves daquela horrenda prisão.

D. — Padre, é verdade que essas comunhões também redundam em nosso proveito?

M. — Certamente. É o Espírito Santo que no-lo assegura: "Bem-aventurados os que lavam as suas estolas no sangue do Cordeiro"; bem-aventurados os que lavam suas almas no sangue de Jesus Cristo que é a Eucaristia. Se depois de nossa morte tivermos que passar pelo Purgatório, Nosso Senhor nos devolverá tudo quanto tivermos feito em prol das almas do Purgatório. A caridade que tivermos usado reverterá em nosso proveito. Então veremos que não serão lágrimas inúteis nem falazes aromas de flores, nem vela de cera que cairão sobre nós para nos libertar, mas sim, rios de sangue divino, a única coisa capaz de amortecer aquele fogo purificador, aquele que é a porta para a felicidade eterna.

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Trecho do livro - Comungai Bem - Pe. Luíz Chiavarino - Edições Paulinas, 3a. Edição,1947
Fonte: http://imeldaeucaristia.blogspot.com.br
  
     
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