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quinta-feira, 19 de março de 2015

SAGRAÇÃO EPISCOPAL 2015: ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O REV. PE. FAURE

Publicamos a entrevista concedida pelo Rev. Pe. Jean-Michel Faure ao Blog Non Possumus, às vésperas de sua Sagração Episcopal pelas mãos de S.E.R. Mons. Richard Williamson. Acaba por ser também uma breve biografia, que esperamos torná-la mais detalhada, inclusive para complementar o verbete da Wikipédia a seu respeito. Os dados entre [colchetes] e os eventuais grifos são nossos.  

Que São José, Pai putativo de Nosso Senhor Jesus Cristo, Esposo da Santíssima Virgem e Protetor da Igreja, rogue por nós e especialmente pelo Reverendo Padre Jean-Michel Faure que, a partir de hoje, será S.E.R. Monsenhor Faure e continuará o combate pela Fé e a Tradição Católica. 

Uma breve explicação acerca da pronúncia do nome de Monsenhor Faure: pronuncia-se "fôr", pois "au", em francês se pronuncia "ô". E o "e" no final de uma palavra é mudo.



ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O REV. PE. FAURE





Um pouco de história para começar, Padre: como conheceu à Tradição e a Monsenhor Lefebvre?

Em 1968, estando na Argentina, visitei ao Arcebispo de Paraná, que me disse: “quer defender a Tradição? No Concílio, a defendi junto com um Bispo corajoso, meu amigo, Mons. Marcel Lefebvre”. Foi a primeira vez que ouvi falar de Mons. Lefebvre. Fui procurar Mons. Lefebvre na Suíça em 1972, por ocasião da Semana Santa, e então o conheci.


Onde o senhor nasceu? Por que estava vivendo na América do Sul?
  

Eu nasci na Argélia [1943], e minha família, depois da Independência, adquiriu uma terra na Argentina, perto de Paraná. Minha família foi expulsa da Argélia porque o governo francês entregou o poder aos combatentes muçulmanos, que realizaram massacres espantosos durante o processo de Independência. Meus avós, pais e tios eram agricultores lá, desde 1830.


Continuando com a história, como desenvolveu seu apostolado na FSSPX?
  

Fui ordenado por Mons. Lefebvre em 1977, em Ecône, e quinze dias depois o acompanhei em uma viagem pelo Sul dos Estados Unidos, México (onde o Governo nos impediu de entrar), Colômbia, Chile e Argentina. Monsenhor me encarregou de começar o apostolado nessa região. No primeiro ano, me ajudaram dois sacerdotes argentinos e, no ano seguinte, outro espanhol (da FSSPX). Criou-se, em seguida, o Distrito da América do Sul, sob minha responsabilidade, e comecei a pregar retiros até o México. Houve, no primeiro ano, por volta de 12 vocações, que se instalaram no Priorado de Buenos Aires, que estava alojado em uma casa muito grande. Em seguida, por volta de 1980, foi construído o Seminário de La Reja (Buenos Aires), do qual Mons. Lefebvre nomeou-me diretor. Lá fiquei até 1985, quando fui nomeado Superior do Distrito do México. Então, foram construídas as igrejas da Capital e de Guadalajara. Atendia, com os Padres Calderón, Anglés e Tam, diferentes localidades desse País. Depois, estive alguns anos na França. Posteriormente, fui nomeado no Seminário da Argentina como professor de História, e lá permaneci até a expulsão de Mons. Williamson da Argentina (2009).


Mons. Lefebvre confiava no senhor?
  

Monsenhor me deu livre acesso à sua correspondência e me encarregou de certos expedientes. Tinha certa confiança em mim: em 1977, ele me perguntou, em Albano, o que pensava sobre as sagrações. Em outra oportunidade, também em 1977, me confidenciou: “eles estão esperando por mim” (o diretor de Ecône e os professores). Eles sugeriam aceitar a Missa Nova e o Concílio para conservar a Missa Tridentina. Diziam-lhe: “Agora, estamos em confronto com Roma. Se quisermos conservar a Missa (Tridentina), devemos aceitar o Concílio”. Pretendiam que Monsenhor se aposentasse em uma bela casa na Alemanha, mas ele lhes respondeu que eles eram livres para sair se assim o desejassem. E os expulsou.


É verdade que Mons. Lefebvre pediu ao senhor que aceitasse ser sagrado [Bispo]?
  

Em 1986, estando de visita em Ecône, me chamou de lado, depois de uma refeição, e me perguntou se eu aceitaria ser sagrado Bispo. Conhecendo o que se seguiu, talvez eu devesse ter aceitado.


Então, o senhor não aceitou?
  

Eu lhe disse que me parecia que Mons. de Galarreta seria mais indicado.


Pode resumir o que aconteceu em 2012?
  

Naquele ano, estivemos a muito poucos passos do acordo, e fracassou no último momento, provavelmente, pelo caso Williamson. O acordo fracassou por esse assunto e pela carta dos três Bispos. Ambas as coisas fizeram fracassar o acordo.


Diz-se que a chave da estratégia ad intra de Monsenhor Fellay está em ter o apoio do Capítulo Geral. O senhor pode nos dizer algo sobre isso?
  

O Capítulo Geral foi muito bem preparado por Mons. Fellay, e eles (os acordistas) alcançaram os seus objetivos. Ali entendi o que aconteceu com Monsenhor Lefebvre e seus amigos no Concílio Vaticano II. Ele (Mons. Fellay) havia tomado a decisão de uma política de aproximação a Roma e ajeitou as coisas para obter o apoio geral do capítulo, expulsando a Mons. Williamson, que era o único capaz de impedir essa política.


Quais, em sua opinião, devem ser as condições necessárias para fazer um acordo com a Roma?
  

Mons. Lefebvre nos disse que, enquanto não houver nenhuma mudança radical em Roma, um acordo é impossível, porque essas pessoas não são leais, e não se pode pretender transformar aos superiores. É o gato que come o rato, e não o rato que come o gato. Um acordo equivaleria a entregar-se nas mãos dos modernistas; por conseguinte, deve ser rejeitado absolutamente. É impossível. Temos que esperar que Deus intervenha.


O senhor pode nos dizer o que pensa das visitas de avaliação de diversos prelados modernistas aos seminários da Fraternidade? É verdade que algumas vezes Mons. Lefebvre recebeu alguns prelados. Qual é a diferença agora?
  

Tratava-se de visitas excepcionais [11/11/1987], durante as quais o Card. Gagnon nunca teve a oportunidade de defender o Concílio, enquanto que, agora, trata-se dos primeiros passos para a reintegração (da FSSPX) à igreja conciliar.


O que acha de um eventual reconhecimento unilateral da FSSPX por parte de Roma?
 
 

É uma armadilha.


Entre o Capítulo de 2006 e a crise iniciada em 2012, observa-se uma mudança de atitude por parte das autoridades da FSSPX em relação a Roma. A que se deve essa a mudança?
  

Deve-se à decisão dos superiores de reintegrar-se à igreja conciliar. Desde 1994 ou 1995, foram realizados os contatos do GREC, que foram passos significativos no sentido da reconciliação, como o havia previsto o embaixador Pérol (representante da França na Itália), que é o inventor do levantamento das excomunhões (2009) e do Motu Proprio (2007). Isso devia ter como contrapartida o reconhecimento do Concílio.


O que faria Mons. Lefebvre na situação atual?

Seguiria na linha que nos indicou depois das Sagrações [de 1988], descartando absolutamente a possibilidade de um acordo.


Se, no futuro, o senhor fosse convidado para ir a Roma para falar com o Papa, iria? O que diria?
  

Em primeiro lugar, consultaria a todos os nossos amigos na Resistência. Eu iria com Mons. Williamson e outros excelentes sacerdotes que levam adiante o combate da Resistência com muito valor. E manteria informados a todos os nossos amigos, com toda transparência.


Mons. Fellay disse que a FSSPX está de acordo com 95% do Concílio Vaticano II. O que o senhor acha disso?
  

Mons. Lefebvre respondeu que todo o Concílio está invadido de um espírito subjetivista que não é católico.


Francisco, sendo eficaz demolidor da Igreja e destruidor da Fé, é verdadeiro Papa?
  

Em minha opinião, não se pode dizer que Francisco seja pior do que Paulo VI, que foi quem pôs a Igreja em outro caminho; e, então, devemos conservar a atitude que foi a de Mons. Lefebvre, atitude prudencial que exclui o sedevacantismo. Mons. Lefebvre sempre se recusou a ordenar um seminarista que fosse sedevacantista. E essa foi a política da FSSPX até sua morte. Portanto, não nos venham com essa que Monsenhor disse isso ou aquilo.


Qual é o estado de seu processo de expulsão da FSSPX?
  

As últimas notícias foram que encontrei, no e-mail, por acaso, uma segunda admoestação. A partir de amanhã, então, a FSSPX terá novamente quatro Bispos. Deverão me expulsar rapidamente!, Deo Gratias!


Esta decisão de sagrá-lo Bispo deve ter sido muito sopesada e meditada durante muito tempo. Como Mons. Lefebvre, também o senhor, Mons. Williamson e os Sacerdotes da Resistência não quiseram ser colaboradores da destruição da Igreja. É para conservar a Fé intacta que foram perseguidos, condenados e caluniados muitas vezes. Sua sagração episcopal poderá lhe acarretar uma pretensa excomunhão. Quais foram as razões principais para levar a cabo esta sagração?

A razão principal é que não podemos deixar a Resistência sem Bispos. Como o disse Mons. Lefebvre, são indispensáveis Bispos católicos para a conservação da verdadeira doutrina da Fé e dos Sacramentos.


Mons. Lefebvre pensou no senhor para ser sagrado Bispo, e agora Mons. Williamson pôde cumprir esse desejo. Qual será a sua principal preocupação?
  

Esforçar-me para manter a Obra de Mons. Lefebvre no caminho que ele havia traçado, não desviando nem para a direita nem para a esquerda.


Onde será seu lugar de residência?
  

Na França, onde pretendemos abrir um seminário perto dos Dominicanos de Avrillé.


O senhor gostaria de dizer algumas palavras aos Sacerdotes e fiéis que ainda estão sob a estrutura da Fraternidade, mas que estão inquietos por causa de seu desvio liberal nos últimos anos?
  

Que voltem a ler e meditar os textos de seu Fundador.


O senhor pode nos explicar a essência de seu brasão?
  

No centro, está o Cordeiro do Apocalipse, o Alfa e Ômega, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, anunciado por Isaías. Os corações recordam a Vendeia mártir da Revolução (Francesa); e a Flor-de-Lis é emblema da França católica. O lema, ipsa cónteret (Ela te esmagará) é tomado da Vulgata, Gênesis 3,15, onde Deus promete a vitória da Virgem Maria sobre o dragão.


Há algo que gostaria de acrescentar?
  

Conservemos a Fé, a Esperança e a Caridade. Não há que duvidar, e é preciso pedir isso a Deus e a Nossa Senhora, que nos mantenham nessas virtudes.


Padre, agradecemos profundamente a Deus, a Sua Santíssima Mãe e a São José, Protetor da Igreja, por esta graça tão grande. Pedimos pelo senhor, para que Deus o conserve e o guarde. Agradecemos-lhe por ter aceito tão tremendo encargo, e a Monsenhor Williamson por tê-lo sagrado como sucessor dos Apóstolos. Deo Gratias!


Fonte: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2015/03/entrevista-exclusiva-al-rp-faure.html.

Traduzido por Carla d’Amore



Vide índice relativo a Monsenhor Faure e à Sagração Episcopal 2015: http://farfalline.blogspot.com/2015/03/a-igreja-falara-os-sinos-dobram.html.
 
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