Difícil para o imaginário coletivo - sobretudo para aqueles que ou não são cristãos ou não estudaram o Catecismo - juntar a Virgem e a espada, contudo, em uma bucólica igrejinha entre as Dolomites, e em outras partes da Terra agora, esta união existe, e traz à lembrança aqueles célebres versículos do Cântico dos Cânticos:
"Quem é esta que vai caminhando como a aurora quando se levanta, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército formado em batalha?" (Ct 6,9).Um versículo que, conquanto seja tradicionalmente aplicado à Virgem Maria, não é levado muito a sério pelo sentimentaloide homem moderno. Contudo, eis que nesta igrejinha, como em outros lugares do panorama da arte e da fé, uma Virgem verdadeiramente terrível e com a espada desembainhada.
A menção à espada não é incomum na Bíblia, e a própria Palavra de Deus é denominada como espada de dois gumes que Lhe sai da boca (Hebreus 4,12). O Cristo do Apocalipse sai de trás das nuvens com uma espada de dois gumes que Lhe sai da boca (Ap 2,12). Assim, Deus, com uma imagem simples e imediata educa o Seu povo à legítima defesa, a qual, como afirma o Catecismo, é um imperativo para o cristão. A legítima defesa, além de um direito, pode ser também um grave dever para quem é responsável pela vida de outros. A defesa do bem comum exige que se coloque o injusto agressor em estado de não causar dano. Mas o homem, se saber - e o afirma repetidas vezes o texto bíblico - é incapaz de conjugar justiça e misericórdia, verdade e amor. Oscila entre um justicialismo exacerbado e um bonismo sem juízo. E o mandamento de dar a outra face às ofensas pessoais não contradiz aquele, ordenado pelo próprio Cristo, que manda ter uma espada ou comprá-la quando não se a tem (Lucas 22,36).
Veja, na arte, as diferentes representações de Nossa Senhora com a espada em mão, com os títulos de Nossa Senhora da Defesa, Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora da das Milícias...
NOSSA SENHORA DA DEFESA
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| Nossa Senhora da Defesa de Cortina d'Ampezzo |
O título de Nossa Senhora da Defesa nasceu a partir de um episódio histórico, durante o rigoroso inverno de 572, quando um exército dos Longobardos, vindos do norte da Europa, instalou-se na Bacia de Ampezzano, no Vêneto (norte da Itália), onde se situa a cidade Cortina d'Ampezzo, famosa por sua estação de esqui.
Os habitantes da região logo começaram a se reunir para organizar uma defesa. Acontece que eram pobres, não tinham armas nem um exército treinado capaz de vencer inimigo tão poderoso. Por isso, começaram a se reunir para rezar, pedindo ajuda a Nossa Senhora. O povo permaneceu unido, em oração, pedindo e esperando auxílio do céu. Quando o exército Longobardo partiu para o ataque, o povo intensificou as orações. De repente, Ela, Nossa Senhora, apareceu sobre as nuvens. Empunhava uma espada de fogo na mão direita, segurando o Menino Jesus no braço esquerdo. Em seguida, Ela desceu sobre o local onde aconteceria o massacre. Nesse momento, nuvens espessas causaram enorme escuridão, de tal forma que os Longobardos nada podiam ver. Atordoados e confundidos, começaram a lutar contra eles mesmos até que, por fim, mataram-se uns aos outros. O povo italiano, emocionado e agradecido, a partir desse momento, passou a chamar a Virgem Maria de Nossa Senhora da Defesa.












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