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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Festa do Coração Eucarístico de Jesus

Festa Móvel: Quinta-feira depois da Festa do Sagrado Coração de Jesus 

FESTA DO CORAÇÃO EUCARÍSTICO DE JESUS 


A devoção ao Coração Eucarístico de Jesus foi promulgada em meados do século XIX. Papa Pio XII, na encíclica “Haurietis aquas” (Buscareis as águas), promoveu essa devoção com estas palavras:  
"Nem será fácil entender o ímpeto do amor com que Jesus Cristo se deu a nós por alimento espiritual se não é fomentando a devoção ao Coração eucarístico de Jesus".  
Este culto não difere, em linhas gerais, do culto que a Igreja tributa ao Sagrado Coração de Jesus. Ela venera com respeito, amor e gratidão, o símbolo do Amor supremo pelo qual Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco. Com todo o direito, há de ser venerado com culto especial esse adorável desígnio do Coração de Cristo, demonstração suprema de seu Amor.  

O Papa Bento XV aprovou a devoção ao Coração Eucarístico de Jesus que nos dá a Santíssima Eucaristia, como veremos abaixo.   

Mas como surgiu? Vamos voltar no tempo: 22 de janeiro de 1854. Oratório das irmã do Refúgio, enfermeiras do Hospital de São Tiago de Besançon, França. A senhorita Sofia Prouvier acabara de entrar no Oratório onde estava exposto o Santíssimo Sacramento. É seu o relato seguinte (tradução quase completa): 


PROUVIER - "Me encontrava em Besançon, em uma igrejinha onde estava exposto o SS. Sacramento... Havia entrado, impelida por uma força misteriosa... Fui tomada como por encanto por um profundo recolhimento... e vi Jesus que, me mostrando do fundo do Tabernáculo o Seu Coração, me dirigiu, claras e distintas, mas com tom de lamento, estas palavras:

JESUS - "Sou o Coração Eucarístico... Tenho sede de ser amado no SS. Sacramento... Quantas almas me rodeiam, mas não me consolam... O meu Coração pede o amor, como o pobre pede o pão...".  


PROUVIER - "O divin Coração, era como imerso em uma profunda desolação... mas tinha na face algo de indefinivelmente doce: uma expressão de bondade infinita, mesmo que conjunta a uma dor sem fim... pela ingratidão dos homens, até mesmo das almas mais favorecida com seus dons...". 

A piedosa confidente, meditou sobre o que ouvira e o confidenciou a seu Diretor Espiritual, que sabiamente lhe disse para ficar tranquila, porque o que não entendemos hoje, amanhã ficará claro. 

Alguns meses depois, a vidente estava novamente na igrejinha e Nosso Senhor lhe apareceu de novo: 

JESUS - "Sou o Coração Eucarístico... Tenho sede de ser amado... Faz-me ser conhecido, faz-me ser amado!... Difunda esta minha Devoção no mundo!...". 

Essas revelação particulares atraem a atenção da Igreja, mas não há deslumbre e correria. No mesmo ano da aparição, a devoção se difundiu na França. E logo alcançou a Europa toda.  

O nome - ainda que novo - exprimia uma doutrina antiga quanto a própria Eucaristia, por isso entusiasmo os fiéis, os sacerdotes e as almas consagradas.

Não haviam passado cinco anos e já a grande revista católica "Annali del SS. Sacramento" (Anais do SS. Sacramento) publicava um longo e magistral estudo no qual se precisava que a doutrina da Devoção eleita com os mesmos termos que 40 anos depois viria a usar a Igreja: uma Devoção não nova em seus conteúdos, florecida no tronco secular das Devoção à Eucaristia e ao Sagrado Coração; um culto especial de veneração e de gratidão ao Amor infinito do Coração de Jesus ao nos dar a Eucaristia...

Enquanto cardeais e bispos se apressavam em dar seu consentimento e a encorajar os apóstolos do Coração Eucarístico, do alto dos púlpitos oradores eminentes por santidade e doutrina, como o padre Hermann Choen, o convertido da Eucaristia, o padre Pierre-Julien Eymard, hoje santo, e o senhor Léon Dupont, chamado o santo de Tours, zelavam pela causa da Devoção, promovendo sua afirmação com riqueza de argumentos histórico-teológicos.

Em 1868, quando a Devoção já era largamente difundida na França e em boa parte da Europa, Papa Pio IX, rogado pelos Bispos e Superiores de Ordens religiosas, concedia a primeira preciosa indulgência pontifícia à bela invocação:

"Louvado, adorado, amado e agradecido seja a todo momento o Coração Eucarístico de Jesus, em todos os tabernáculos do mundo, até a consumação dos séculos".
Há mais. Em 1879, o papa Leão XIII, com um primeiro Breve Apostólico, abria o tesouro espiritual das indulgência em favor da Devoção, emitindo, a uma distância de algum ano entre um e outro, outros três Breves Apostólicos, nos quais sustentava que a Devoção centra nosso pensamento e os nossos afetos no ato de Amor que inspirou Jesus a imolar-se na Cruz e a perpetuar o seu sacrifício, em modo incruento, na Eucaristia.

No entanto, nos Congressos Eucarísticos Internacionais de Lilla (1881) e de Avinhão (1882), a Devoção andava suscitando entustiasmos tais que dobrava os congressistas, mesmo os mais céticos, a aprovar os votos de difundi-la em toda parte.

O Cardeal Guibert, jesuíta, arcebispo de Paris, e com ele outros bispos franceses, instituiram as primeiras Confrarias do Coração Eucarístico que, abençoadas por Leão XIII, se multiplicaram em modo extraordinário por toda parte: na Itália, Bélgica, Holanda e até mesmo em América e China.  


Mas as obras de Deus levam o selo da contradição... O Inferno não podia suporta uma Devoção tão funesta para seu reino e tão salutar para as almas! Para conseguir pará-la se serviu de pessoas sem dúvida bem intencionadas mas pouco informadas sobre a verdadeira natureza da Devoção.

Os assaltos, sempre mais abrasadores e não sem algumas ocorrências, começaram em 1901, com as arbitrárias acusações de ilegitimidade e inoportunidade de um culto que, por outro lado, não era diferente - segundo uma formal afirmação do Santo Ofício -  daquele do Sagrado Coração, que já vigia há dois séculos na Igreja.

As infundadas acusações cairam todas, uma depois da outra, como graveto que o vento dispersa...

Personalidades de forte cultura teológica e de profunda piedade responderam em termos de severa dogmática à acusação de paridade entre as duas Devoções, asserindo que entre as duas há uma grande diferença - e não fantasiosa ou simbólica - mas verdadeira e real.

Escrevia o padre Lepidi, Mestre dos Sacros Palácios (hoje diríamos: Proteólogo da Casa Pontifícia):  

LEPIDI - "A Devoção ao Sagrado Coração honra de modo geral o amor de Jesus, que oferece ao homem os benefícios da Redenção, desde a Encarnação até à Paixão e Ressurreição. 

A Devoção ao Coração Eucarístico - ao invés - honra de maneira particular e bem precisa o amor de Jesus que quis e instituiu a Eucaristia para permanecer sempre conosco, doando-se ao homem na realidade do Seu Corpo e do seu Sangue. 

Certo dia, externou o Papa Leão XIII: 
LEÃO XIII - "A nossa Devoção não tem o que temer!... O Ato de supremo Amor, com o qual o Coração amantíssimo de Jesus nos doeu a Eucaristia merece uma Devoção especial, e a Devoção que o reconhece não pode que ser legítima e digna de um lugar indefectível na Igreja!... O vereis!...". 
As palavras do Papa anticiparam uma nova e resolutiva intervenção. De fato, no dia 16 de fevereiro de 1903, o venerando Pontífice emitia o célebre Breve com o qual, elevando a primeira Associação do Coração Eucarístico à dignidade de Arquiconfraria com sede na igreja de São Joaquim ai Prati, em Roma, confiada aos Redentoristas, definia pontualmente a natureza da Devoção:
LEÃO XIII - "Uma Devoção que honra com particular culto de gratidão e de amor o Ato de suprema dileção com o qual o nosso divin Redentor, prodigalizando todas as riquezas do Seu Coração, instituiu o adorável Sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco até a consumação dos séculos".
Assim, depois de anos de silenciosa operosidade, a Devoção alcançava o grau de culto público e tinha seu lugar na Sagrada Liturgia. Aos 9 de novembro de 1921, o Santo Padre Bento XV firmou o Decreto com o qual concedia a Missa e o Ofício próprios do Coração Eucarístico, depois de ter Ele mesmo revisto o texto sobre o qual haviam trabalhado eminentes teólogos e liturgistas.

O Decreto favoreceu a retomada da piedade eucarística. O próprio Papa, poucos dias antes de morrer afirmou:
BENTO XV - "A Devoção ao Coração Eucarístico de Jesus, esta gema da Devoção ao Sagrado Coração, será uma fonte de graças para as almas e se expandirá cada vez mais na Igreja...".

Hoje, a Devoção ao Coração Eucarístico costela a Terra de mais de 4.000 confrarias, nas quais milhões de almas marcam uníssonas o ritmo do mesmo definido programa: Adorar - agradecer - reparar e suplicar Aquele que nos amou a ponto de dar-nos em alimento e bebida o Seu Corpo imolado e o Seu Sangue derramado pela Redenção dos homens.
Fonte: "Acenos Históricos e Natureza da Devoção ao Coração Eucarístico de Jesus" - http://www.santalfonsoedintorni.it/audio/51CuoreEuc/StoriaCUOREUC.txt (Tradução: Giulia d'Amore).  

* * *

"Por decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, de 25 de janeiro de 1935, a celebração desta solenidade foi estendida para todo o Brasil, pois antes desta data era celebrada apenas em algumas dioceses. 

O decreto da instituição desta festividade delineia os seus fins particulares da seguinte maneira: 
'A razão particular desta instituição é comemorar o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo no mistério da Eucaristia. Por este meio a Igreja quer estimular os fiéis a se aproximarem com mais confiança deste augusto mistério pelo qual sempre mais se inflamam os corações nas chamas de amor do Coração Divino. No Santíssimo Sacramento, o Coração de Jesus protege e ama as almas, vivendo e permanecendo no meio delas, como elas por sua vez vivem e permanecem n'Ele. Neste Sacramento, Jesus se dá a nós como vítima, como companheiro, como alimento, como viático e como penhor de glória eterna'. 
E podemos nós acrescentar ao assistirmos e tomarmos parte ativa na Santa Missa: Ele nos dá um meio para nos tornarmos também seus companheiros, seus membros, suas vítimas. Dai-nos, Senhor, permanecermos e ainda crescermos em vosso amor até o fim (Postcommunio). 
Missal Quotidiano, D. Beda Keckeisen, OSB.  

Segue a liturgia: Intróito (Jo. 13,1 - Ps. 97,I); Epístola (Ef. 3,8-19); Graduale (Is. 12,6); Evangelho (S. Luc. 22,15-20). (vide abaixo também). 


* * *

O Coração Eucarístico de Jesus se faz adorável por ter se feito Deus prisioneiro na Eucaristia, na hóstia consagrada, o Sacramento do Amor por excelência, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia, junto com seus discípulos. Tem-se o coração como órgão sede do amor.  

O Coração Eucarístico de Jesus exprime o máximo do Amor de Deus para com os homens, após Sua Paixão e Morte na Cruz, pois deixou a Sua presença Real, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Eucaristia.

A Festa do Coração Eucarístico de Jesus é uma festa móvel e se realiza se na quinta-feira depois da Festa do Sagrado Coração de Jesus (cf. Missal Quotidiano e Vesperal, Dom Gaspar Lefebvre, Desclée de Brouwer e Cie-Bruges - Bélgica, 1951, p. 39). A quinta-feira, aliás, ficou sendo considerada como o dia da comemoração da Eucaristia.


O decreto da Santa Sé que institui a solenidade evidencia os vínculos existentes entre o Coração de Jesus e o culto da Eucaristia: 

"A razão particular dessa instituição é comemorar o amor de Nosso Senhior Jesus Cristo no mistério da Eucaristia. Por este meio, a Igreja quer estimular os fiéis a se aproximarem com mais confiança deste augusto Mistério, pelo qual sempre mais se inflamam os corações nas chamas do Coração Divino.

No SSmo. Sacramento, o Coração de Jesus protege e ama as almas, vivendo e permanecendo no meio delas, como elas por sua vez vivem e permanecem nEle. Neste Sacramento, Jesus se dá a nós como vítimas, como companheiro, como alimento, como viático e como penhor de glória eterna".
Por decreto da S. Congregação dos Ritos, de 25 de janeiro de 1935, a celebração da Festa do Coração Eucarístico foi estendida a todo o Brasil, pois antes era celebrada apenas em algumas dioceses.

Em ambas as devoções — Coração de Jesus e Coração Eucarístico — aparece com bastante nitidez a ideia de Cristo como companheiro do homem em sua trajetória sobre a Terra, um dos fundamentos da tradicional devoção ao Bom Jesus. Agora, porém, acentua-se que o lugar onde se evidenciam mais esses vínculos de amizade entre Cristo e o fiel é no recinto dos templos, junto do altar onde se celebra ritualmente o mistério cristão da Paixão e Morte de Cristo.

Essa devoção, evidentemente, encontrou grande acolhida entre clérigos e religiosos. Apenas dois exemplos elucidativos: em Belo Horizonte, o seminário arquidiocesano foi dedicado ao Coração Eucarístico, e o noviciado salesiano erigido em Pindamonhangaba já nos anos 40 recebeu o título de Instituto do Coração Eucarístico de Jesus.

Missa da Festa do Coração Eucarístico de Jesus


INTROITO. SCIENS Jesus quia venit hora ejus ut transeat ex hoc mundo ad Patrem: cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos. Alleluia, alleluia. Ps. 97. 1. Cantate Domino canticum novum: quia mirabilia fecit. Gloria Patri.

ORATIO. DOMINE Jesu Christe, qui divitias amoris tui erga homines effundens Eucharistiæ Sacramentum condidisti: da nobis, quæsumus; ut amantissimum Cor tuum diligere, et tanto Sacramento digne semper uti valeamus: Qui vivis

EPISTOLA. Efésios 3,8-12, 14-19.

GRADUAL. EXSULTA et lauda, habitatio Sion, quia magnus in medio tui Sanctus Israel. Notas facite in populis adinventiones ejus.

ALLELUIA. ALLELUIA, alleluia. V. Quid bonum ejus est, et quid pulchrum ejus, nisi frumentum electorum, et vinum germinans virgines. Alleluia.

EVANGELIUM. S. Lucas 22,15-20. 

Fontes:
  1. Do Bom Jesus Sofredor ao Cristo Libertador, de Riolando Azzi, p. 11. 
  2. Festas litúrgicas de Jesus e Maria, por Francisco Adail Martins Moreira. Edições Loyola, SP, 2003, pp. 119-120.
  3. http://www.esserecristiani.com/index.php?option=com_content&view=article&id=475:cuore-eucaristico-di-gesu&catid=69:articoli&Itemid=91 
  4. Missal Quotidiano de Dom Beda Keckeisen, OSB: Edição A. Mosteiro São Bento/BA. 1947. p. 579. 
  5. Missal Quotidiano e Vesperal, Dom Gaspar Lefebvre, Desclée de Brouwer e Cie-Bruges - Bélgica, 1951, p. 39. 
Eventuais traduções: Giulia d'Amore. 

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