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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O Pai Nosso e a Ave Maria - São Tomás de Aquino - II

Publicaremos, em capítulos, este texto sobre o Pai Nosso e a Ave Maria. Hoje publicaremos a introdução e o prólogo do capítulo sobre o Pai Nosso. 


O Pai Nosso e a Ave Maria por São Tomás de Aquino


São Tomás de Aquino,
protetor da Universidade de Cusco
Anônimo da Escola de Cusco
2. A Oração Dominical  

Pai Nosso

11. — Perguntamos: como é que Deus é Pai? E quais são nossas obrigações para com Ele devido à sua paternidade?

Chamamo-lo Pai, por causa do modo especial com que nos criou. Criou-nos à sua imagem e semelhança, imagem e semelhanças estas, que não imprimiu em nenhuma outra criatura inferior ao homem. Não é ele teu Pai, teu Criador que te estabeleceu? (Dt 32, 6).

Deus merece também o nome de Pai, por causa da solicitude particular que tem para com os homens no governo do universo. Nada escapa ao seu governo, sendo este exercido de modo diferente em relação a nós e em relação às criaturas inferiores a nós. Os seres inferiores são governados como escravos e nós como senhores. Ó Pai, diz o livro da Sabedoria (14, 3), vossa providência rege e conduz todas as coisas; e (12, 18) a nós governa com indulgência.

Deus, enfim, tem direito ao nome de Pai, porque nos adotou. Enquanto não deu, às outras criaturas, senão pequenas dádivas, a nós fez o dom de sua herança, e isso porque somos seus filhos. São Paulo diz (Rm 8, 17): Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros, e ainda (vers. 15): Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba, Pai.

12. — Em primeiro lugar, devemos honrá-lo. Se sou Pai, diz o Senhor, por Malaquias, (1,6) onde está a minha honra?

Esta honra consiste em três coisas: a primeira em relação aos nossos deveres para com Deus; a segunda, nossos deveres para conosco mesmos; a terceira, nossos deveres para com o próximo.

A honra devida ao Senhor consiste, primeiramente, em oferecer a Deus o dom do louvor, seguindo o que está escrito (Sl 49, 23): O sacrifício de louvor me honrará. Este louvor deve estar não só nos lábios, como no coração. Está escrito em Isaías (29,13): Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.

A honra devida a Deus, em segundo lugar, consiste na pureza de nossos corpos, pois o Apóstolo escreveu: (1 Cor 6, 20) Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo.

Consiste, enfim, esta honra, na equidade de nossos julgamentos para com o próximo. O Salmo 98, 4 diz: Honrar o rei é amar a justiça.

13. — Em segundo lugar, devemos imitar Deus, porque ele é nosso Pai. Diz o Senhor, em Jeremias: (3, 9) chamar-me-eis Pai, e não deixareis de andar atrás de mim.

A imitação para ser perfeita requer três coisas.

A primeira é o amor. Diz São Paulo (Ef 5, 1-2): Sede imitadores de Deus, como filhos bem amados, e caminhai no amor. Este amor deve ser encontrado em nosso coração.

A segunda é a misericórdia. O amor deve ser acompanhado da misericórdia, segundo a recomendação de Jesus (Lc 6, 36): sede misericordiosos. E essa misericórdia deve mostrar-se nas obras.

A terceira é a perfeição, porque o amor e a misericórdia devem ser perfeitos. Foi, com efeito, depois de falar da disposição e das obras servis, que o Senhor diz, no Sermão da Montanha, (Mt 5, 48) Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

14. — Em terceiro lugar, devemos obediência a nosso Pai. Se nossos pais segundo a carne nos castigam e nós os respeitamos, por mais forte razão devemos submeter-nos ao Pai dos espíritos, diz São Paulo (Heb 12,9).

A obediência é devida ao Pai celeste por causa de seu domínio soberano, sendo Ele o Senhor por excelência. Já os Hebreus, ao pé do monte Sinai, declararam a Moisés (Ex 24, 7): Tudo o que disse o Senhor nós o faremos e obedeceremos.

Nossa obediência está também fundada no exemplo de Cristo que, sendo o verdadeiro Filho de Deus, se fez obediente até à morte (Fp 2, 8).

Por fim obedecemos por interesse próprio. David dizia de Deus: Tocarei diante do Senhor que me escolheu (2 Rs 6,12).

15. — Em quarto lugar e sempre, porque Deus é nosso Pai, devemos ser pacientes, quando ele nos castiga. Meu filho, dizem os Provérbios (3, 11-12), não rejeites a correção do Senhor; nem desanimes, quando Ele te corrige. O Senhor castiga àquele que ama e se compraz nele como um Pai com seu filho.

16. — O Senhor nos prescreveu dirigirmo-nos a seu Pai, na Oração Dominical, não somente como “Pai”, mas também como “Pai nosso”, Fazendo isto, mostrou quais são nossos deveres para com nossos próximos.

A nossos próximos, devemos primeiramente o amor, porque são nossos irmãos; todos somos filhos de Deus. Quem não ama seu irmão a quem vê, diz São João (I, 4,20), como pode amar a Deus a quem não vê?

Em segundo lugar, devemos respeito a nossos semelhantes. Temos um único Pai, diz Malaquias (2, 10). Não foi um só Deus que nos criou? Por que haverás de desprezar teu irmão? E São Paulo escreve aos Romanos (12-10): Cuidai de respeitar-vos uns aos outros.

A realização desde duplo dever nos proporciona os mais desejáveis frutos, pois o Cristo, nos escreve São Paulo (Heb 5,9) é, para todos os que lhe obedecem, princípio de salvação eterna.


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Fonte e tradução: http://permanencia.org.br.   

 
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