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segunda-feira, 20 de março de 2023

Modéstia dos olhos — A mortificação da vista



Modéstia dos olhos 

A mortificação da vista



As primeiras setas que ferem uma alma casta e, às vezes, a matam, entram pelos olhos. Por meio dos olhos entram os maus pensamentos.

“Não se deseja o que não se vê”, diz São Francisco de Sales. Não leias, por isso, nunca, livros proibidos ou perigosos. Renuncie, de vez em quando, ao prazer de ver coisas extraordinárias, ainda que sejam decorosas.

Segundo São Jerônimo [Ep. ad Fur.], é o rosto o espelho da alma; e os olhos castos dão testemunho da castidade do coração.

   

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Da modéstia e da humildade


DA MODÉSTIA E DA HUMILDADE 

VÍCIO OPOSTO: O ORGULHO — PECADO DOS NOSSOS PRIMEIROS PAIS — NATURALISMO E LAICISMO


Qual é a última virtude agregada à temperança?
A modéstia (CLX, CLXX).

Que entendeis por modéstia?
Uma virtude que serve para refrear e moderar o apetite em matérias mais fáceis do que as da temperança, da continência, da clemência e da mansidão (CLX, 1, 2).

Logo, sobre que coisas exerce o seu influxo?
Sobre o desejo imoderado de grandezas, de saber e aprender; sobre os ademanes e movimentos do corpo e a maneira de vestir (CLX, 2).

Que nomes têm as virtudes deputadas para regular os movimentos afetivos relacionados com cada uma destas matérias?
As de humildade, estudiosidade e modéstia (Ibid).

I - Que entendeis por humildade?
Uma virtude que inclina o homem a reprimir e disciplinar a ambição de honras e grandezas, de forma que não queira nem procure senão as correspondentes à hierarquia em que Deus o colocou (CLXI, 1, 2).

Que consequências práticas devemos tirar desta definição?
A convicção íntima de que, prescindindo dos dotes que Deus graciosamente nos concedeu, a nada temos direito, já que, de colheita própria, só recolhemos como frutos, pecados; e, pelo contrário, todas as honras e excelências pertencem aos outros, na proporção da medida com que a Deus aprouve fazê-los participantes das Suas perfeições; além disso, ao reconhecermos em nós mesmos as boas qualidades e dons de Deus, devemos procurar que os outros homens honrem em nós a Deus, como neles nós O honramos (CLXI, 3).

Logo, a humildade é inseparável da verdade, e apoiado na verdade, pode um homem considerar-se inferior a todos os outros?
Com as preditas delimitações, sim, senhor (Ibid).

Que nome tem o vício oposto à humildade?
O de soberba ou orgulho (CLXII).

I.1 - Que entendeis por soberba?
Um vício especial e, em certo modo, também geral, por cujo impulso, esquecendo e desprezando a Lei, o homem se inclina a dominar e submeter tudo ao seu capricho, considerando-se superior a tudo quanto o rodeia (CLXII, 1, 2).

Por que dizeis que, sendo um vício especial, também é de alguma maneira geral?
É especial porque tem como fim próprio o desejo de dominar e sobressair-se, sem levar em consideração a subordinação e o respeito devidos a Deus; e é geral, porque este mesmo desejo é aproveitado por todos os outros pecados.

É muito grave o pecado da soberba?
É o mais grave de todos os pecados, porque envolve desprezo direto de Deus e, neste conceito, aumenta a gravidade de todos os outros, qualquer que seja a que tenham por si mesmos (CLXII, 6).

É e tem sido sempre a soberba o primeiro pecado?
Sim, senhor; porque envolve primária e essencialmente desprezo, aversão e separação de Deus, que nos outros pecados não é elemento constitutivo, mas simplesmente resultado; portanto, não pode existir pecado mortal que não pressuponha o da soberba ainda que dele se distinga (CLXII, 7).

É pecado capital?
É mais do que pecado capital; é o chefe e rei de todos os vícios e pecados (CLXII, 8).

Qual foi o pecado dos nossos primeiros pais?
O da soberba, como antes o tinha sido dos anjos rebeldes (CLXIII, 1).

Não seria antes o pecado da gula, da desobediência, da curiosidade ou da falta de fé na palavra de Deus?
Todos estes pecados, que, com efeito, acompanharam a primeira falta, foram consequência do pecado de soberba, antes do qual não podiam ter-se cometido (CLXIII, 1).

Por que dizeis que, antes de se ter cometido o pecado de soberba, não se podia cometer nenhum outro?
Porque o estado de inocência era acompanhado do dom da integridade, em virtude do qual todas as potências e faculdades guardavam perfeita subordinação, enquanto o espírito permanecesse sujeito a Deus; logo, para romper o equilíbrio foi necessário que a razão sacudisse o jugo divino, obtendo uma independência que não lhe pertencia, e nisto consiste o pecado da soberba (CLXIII, 1, 2).

Os pecados do naturalismo e laicismo, tão difundidos depois da reforma protestante, da renascença pagã e da revolução francesa, são pecados de soberba?
Sim, senhor; e daí provém a sua gravidade, por serem a reprodução do grito de rebelião que proferiram, primeiro, Satanás e os seus anjos, e, depois, os nossos primeiros pais.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Reações...

Aproveitando o início da Quaresma, quero tratar de algo em que medito há algum tempo.  #LeiaQuemQuiser #NinguémÉObrigado  




REAÇÕES


É curioso como alguns reagem às histórias que visam enaltecer alguma virtude, algum fato.  

A mais conhecida que me vem à mente é a Parábola do filho pródigo. A maioria das pessoas se reconhece nesta triste e miserável figura do filho pródigo que dissipa sua parte na herança curtindo a vida adoidado, e que, ao encarar a realidade dos fatos, o que tinha antes e o que tinha (ou não tinha) naquele momento, se arrepende do que fez e busca o perdão do pai. Há quem olhe para ele e se sinta representado porque se reconhece miserável e perdido, só, faminto e humilhado, podendo usufruir dos bens paternos e sendo obrigado a cuidar de porcos, os quais, diga-se, eram bem melhor alimentados do que ele... São todas metáforas que representam a vida de pecado que se leva longe do Pai.  

A maioria das pessoas se reconhece neste filho caçula dissipador das graças divinas. Mas, curiosamente, há quem se reconheça na figura do filho maior, daquele que sempre obedeceu ao pai e não lhe deu desgostos, o aparentemente servo fiel, mas que rumina em seu coração: "Como é possível que meu pai receba de volta esse ingrato que só lhe deu desgosto? E, ainda por cima, o recebe com festa!!! E lhe devolve a herança... E eu, que sempre estive aqui, sempre o servi, sempre o obedeci, para mim nunca fez um festa dessas!". Há pessoas que se reconhecem nele e se solidarizam com ele, nesta "injustiça" que supostamente lhe é feita. Na verdade, se solidarizam com consigo mesmos. Gritam à injustiça! Suas bocas falam do que seus corações estão cheios: ciúmes e/ou inveja. 

Os irmãos da parábola são duas figuras titânicas, nas quais cada um se espelha perfeitamente. Uns, os pecadores contritos e humilhados, que buscam o pai sem esperanças, mas cheios de sincero arrependimento pela dor causada, se espelham no caçula. Outros são os invejosos, os ciumentos. 

Sim, o irmão mais velho, o impoluto, o servo fiel, o pavão inflado, tem inveja/ciúmes do irmão perdoado. Não concebe a bondade paterna porque não sabe amar, por ter o coração cheio de rancor e de soberba. Será mesmo que quando fazia seu dever era para agradar ao pai?... ou não terá sido para obter favores? Será mesmo que quando o obedecia em tudo e só lhe dava alegrias era por amá-lo?... ou não terá sido porque guardava em si segundas intenções? Só Deus conhece o coração humano. Cada um de nós deveria pelo menos conhecer o próprio coração. 

Tem outra historinha que ilustra bem o espelho das almas. Perdoem porque não recordo detalhadamente a história, a ouvi há tanto tempo de um bom Padre, e me ficou isto: 

Havia um mosteiro de eremitas que viviam em grutas e se reuniam apenas em determinadas ocasiões. Havia entre eles um monge humilíssimo, que quase nada tinha de seu em sua paupérrima gruta: um pouco de palha seca onde encostava seu velho corpo cansado e mortificado por penitências e disciplinas e uma pedra para encostar a cabeça para dormir, um caneco velho com um gole d'água do riacho, alguns poucos livros de oração e meditação e... um tapetinho, sabe?, daqueles persas, ricamente bordado, antigo, meio desbotado, mas que, apesar disso, ainda guardava sua original estonteante beleza. Dava para ver que não era um tapete barato comprado na feira. Vamos chamar este monge de "João". Certo dia, outro monge, vamos chamá-lo de "Monge", procurou o superior para se queixar, pois achava inconveniente que um eremita ostentasse um tapete tão rico! Como poderia ser desprendido, humilde e virtuoso com tanto luxo na gruta dele?! E, ademais, o tapete poderia ter sido vendido há tanto tempo, quando ainda era novo e bonito, para benefício de todos. Claro, Monge fez questão de precisar que não se queixava das necessidades que passava (imagina se se queixasse!), mas visava o bem comum, e depois a caridade começa em casa, blá blá blá... O superior, pacientemente, ouviu tudo e resolveu contar a Monge, embora não fosse da conta dele, a gloriosa e extraordinária vida de João, um nobre e riquíssimo cavalheiro que vivia em um luxo que para o pobre Monge era inimaginável, cercado de serviçais e de confortos que só se podem sonhar. Não era má pessoa, mas era um "espírito livre", vivia longe de Deus e da Igreja, a qual benevolentemente até ajudava com certa caridade. Era feliz assim, e assim viveu um certo tempo até que deu de cara com a Cruz, ou melhor, com o Crucificado! Arrependido, resolveu segui-lO e tudo abandonou. Levou consigo apenas aquele tapetinho, não por ostentação, mas para se lembrar de tudo o que poderia ter perdido se continuasse naquela vida, naquele caminho: o Céu! O tapetinho era um açoite perpétuo, um lembrete para ele nunca mais pecar contra Deus. Era o espinho na carne que melhor e mais lhe causaria dor, porque foi por amor ao que é terreno que ele deixara de lado, por tanto tempo, por muito tempo, o que é celestial. E que, pior, muito pior!, poderia ter morrido assim!!! Monge ouviu tudo e nada disse, foi embora calado, mas em seu coração repetia: "não é justo! Eu deixei tudo!"... 

Caros amigos, é a voz da inveja/ciúme que ouvis reverberar na boca desta pobre alma. E o curioso é como a palavra "justiça" nasce facilmente em tais bocas. E com que temeridade! Só um ciumento, um invejoso não compreende o "tapetinho". Seja pelo que representa (lembrete dos pecados da vida passada para nunca mais pecar) seja pelo que vale (deixou TUDO tendo MIL VEZES MAIS que Monge. É fácil deixar o pouco que se tem, descer um ou dois degraus. Aquilatem o que é descer 50 andares de escadas! Descer das glórias de uma vida de luxo para viver da caridade alheia. Conseguem?). 

As duas histórias têm em comum as mesmas virtudes e os mesmos vícios. E as mesmas reações de quem as ouve ou lê. Lembrem-se, "o hábito não faz o monge", é sua vida espiritual interior que faz. O hábito só cobre o corpo por pudor e o distingue dos demais. 

Sem vida espiritual INTERIOR não há progresso na santificação, na conversão, que só será plena naquele dia em que fecharemos pela última vez os nossos olhos nesta vida para abri-los na outra, a eterna, Deus mediante! 

Sem vida espiritual INTERIOR, não há avanço no exercício das virtudes ou da piedade. Arrastam-se as saias, desgranam-se os rosários e... nada muda. Sepulcros caiados e nada mais. 

Alguns se aprofundam nos estudos temerariamente, sem cultivar uma vida espiritual INTERIOR, e, cheios de soberba e orgulho, não percebem que apenas sabem um pouquinho mais que os outros, mas, no fim e ao cabo, nada mais é do que vaidade. Estes "espíritos livres", se por ventura têm um diretor espiritual, dificilmente o consultam, e se o consultam dificilmente lhe obedecem. Sempre sabem mais do que ele... Sepulcros caiados e nada mais.  

Porque usei ciúme/inveja? Porque usar dois termos que parecem sinônimos? Porque não são. Há o ciúme e há a inveja. Nenhum dos dois é uma virtude. As pessoas têm essa ideia equivocada de que o invejoso deseja ter o que o outro tem - esse é o ciumento - podendo ou não tê-lo, tendo ou não as mesmas capacidades. O invejoso simplesmente odeia o outro e deseja a sua morte. Caim foi invejoso. Ele não queria nada do que Abel possuía. Ele queria a morte de Abel. Acho que já falei disto aqui no Pale Ideas, então não vou me delongar. Apenas cuidado ao usarem esses termos. Pois bem, eu usei os dois termos porque alguém que se espelha no filho mais velho ou em Monge se espelha ou porque é ciumento ou porque é invejoso. Ou quer ter o que o outro tem ou quer vê-lo morto. Ou os dois. Cada qual escolha sua arma... 

Para encerrar, voltando à parábola do filho pródigo e dessas duas figuras antagônicas... ainda bem que ninguém se reconhece no pai! Já imaginou o tamanho desse ego?!?    

No mais, como diz o Presidente do Brasil: boa sorte em seus caminhos, sucesso e um forte abraço!

Fiquem com Deus!

Giulia d'Amore  

domingo, 15 de julho de 2018

Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações




Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações 


(...) Magnífica também a história do combate de Santa Catarina de Sena, sempre sobre o mesmo tema. Eis-la aqui, brevemente: 

O espírito maligno recebera de Deus a licença para atacar a castidade daquela santa virgem com toda a raiva que quisesse, contanto que não a tocasse. Se pôs, então, à obra, insinuando-lhe no coração todo tipo de obscenidades e, para criar nela uma emoção ainda mais forte, se-lhe apresentou, com todos os seus diabos com aparência de homens e mulheres, os quais se exibiam diante dela, em todo tipo de obscenidade e de indecências, e com palavras e convites indecentes; não obstante todas aquelas manifestações fossem exteriores, contudo, por meio dos sentidos, penetravam muito profundamente no coração da jovem mulher; o coração estava saturado daquilo. Livre dessa tormenta de obscenidades e de prazeres carnais, lhe restava apenas a sutil e pura vontade superior.  

Isso tudo durou por muito tempo; até que um dia lhe apareceu Nosso Senhor. Logo lhe perguntou: “Onde estavas, meu doce Senhor, quando o meu coração estava tão cheio de trevas e de feiuras?”. Respondeu o Senhor: “Filha minha, Eu estava em teu coração”. “E como”, replicou ela, “podias habitar em meu coração, onde havia tantas obscenidades? Tu habitas em lugares tão vergonhosos?”. Respondeu-lhe Nosso Senhor: “Me diga, aqueles pensamentos sujos do teu coração te davam prazer ou tristeza, amargura ou deleite?”. E ela: “Grande amargura e tristeza”. Replicou-lhe o Senhor: “Quem colocava aquela grande tristeza e amargura no teu coração se não eu que me mantinha escondido na profundeza de tua alma? Creia-me, filha minha, se Eu não estivesse presente, aqueles pensamentos que premiam ao redor de tua vontade sem a poder dobrar, sem mim a teriam vencido e nela teriam penetrado, e o teu livre arbítrio os teria acolhido com prazer, e assim teria dado à morte a tua alma; mas, como Eu estava nela, inculcava desgosto e resistência ao teu coração, de modo que com todas as forças não cedesse à tentação. Não podendo aniquilar a tentação, como teria gostado, provava um desgosto ainda maior e um ódio mais profundo contra ela e contra si mesma; e assim aqueles tormentos eram um grande mérito e uma grande vitória para ti, um grande crescimento de tua virtude e de tua força”. 

São Francisco de Sales, Filotéia ou a Introdução à Vida Devota, Parte IV, Capítulo 4: Avisos necessários contra as tentações mais comuns: Dois belos exemplos sobre este assunto (tentação). 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Bastilha e a Cruz

Esses dias de retiro foram formidáveis. Para reflexões pessoais, para troca de informações, para formação... Por vezes, você fica vendo as coisas só por seu prisma e de repente descobre que, para algumas coisas, sem ser relativista, há outros possíveis prismas, sobretudo se forem mais cultos, experientes e/ou capazes do que o nosso desconhecido e diminuto prisma. Além de ser uma aula de humildade e de reordenar as coisas nas devidas perspectivas. Nada sou. Nada sei.  

Tive várias boas conversas com a Reverenda Irmã Cristiana, que me foram muito úteis, não apenas para o assunto em si que estava sendo tratado naquele momento, mas para outros que super-vieram. Uma dessas conversas tratou da cruz, ou melhor, de como as pessoas recusam a cruz. E o que a Bastilha tem a ver com isso? Já chego lá. 

Bom, me peguei pensando com meus botões, depois que voltei para Campo Grande, sobre como as pessoas recusam a cruz apesar de exteriormente procurar (até) sinceramente por ela. Pedem orações e conselhos para melhor aceitar as cruzes, me falam das dificuldades que encontram e também do desejo sincero - e não duvido - de aceitar resignadamente e até com alegria a bendita cruz, mas também logo a seguir, sem perceberem, começam as reclamações. Sem querer. Inadvertidamente.  

Daí que estava refletindo sobre isso e me ocorreu que durante a Revolução Francesa, enquanto os eventos iam se desenrolando, as pessoas passaram por sofrimentos atrozes, eram arrastadas para a prisão só por serem católicas, lá eram torturadas e por fim mortas. Desoladas, acompanharam pelas pequenas janelas de suas prisões a queda da Bastilha e tudo que esses dias terríveis e sangrentos representavam. O fim de uma era. O fim da monarquia. O rei e a rainha arrastados como malfeitores e, por fim, guilhotinados. Eu me imaginei estar na época, como uma visitante no tempo. Imagino que desolação não deve ter sido, que falta de esperança! Como alguém poderia pensar que aqueles dias passariam e que a França voltaria à liberdade? No calor do momento... não sei se alguém manteve a esperança em dias melhores, em justiça de verdade, em um libertador... É da natureza humana ter medo, duvidar. Mas a Bastilha caiu. Independentemente de todas as orações e de todas as esperanças que ainda haviam. Caiu sem ligar para a verdade e a justiça. Caiu e esmagou os sonhos e o futuro, as virtudes... 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Dez Conselhos para alcançar a Santidade

1. Dedicar um tempo à oração pessoal todos os dias

Temos que falar com Jesus para descobrirmos a Sua santíssima vontade. Na oração, conhecemos melhor a Deus e a nós mesmos. Devemos ser generosos com Deus e Lhe dedicar 30 ou 15 minutos de diálogo, contemplação ou meditação ("si avvicina la Morte dopo la quale è finito il tempo di meritare": "se aproxima a Morte, depois da qual acabou o tempo de merecer". Cf. aqui). A oração bem feita nos ajuda a começarmos o dia alegres e dispostos a reavivar a fé e o amor. 


2. Escolher uma intenção para cada dia (*)

Oferecer nossas orações, nossos esforços e nossos trabalhos do dia. Podem ser intenções particulares, como por uma pessoa doente, pela conversão dos pecadores ou pela santificação dos sacerdotes e seminaristas etc. Quando nos concentramos numa intenção concreta, se torna mais fácil rezar. 
(*) Os associados do Apostolado da Oração podem seguir a intenção mensal indicada pelo Diretor Espiritual. 

3. Rezar o Rosário ou o Terço todos os dias 

Ao rezarmos o Terço ou o Rosário todos os dias, confiamos mais diretamente na presença e no auxilio de Nossa Senhora em nossas vidas, em nossas decisões e em nossos problemas e desafios de cada dia. Assim, no Rosário meditamos os principais mistérios de nossa Fé. Os frutos de nossas orações: alegria espiritual, paz, iluminação de nossa mente, dependem do modo como rezamos. Devemos rezar bem. 


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

AS OLIMPÍADAS, UMA CELEBRAÇÃO PAGÃ

Deus Apolo é invocado no ensaio final de cerimônia 
da tocha olímpica na Grécia
(clique para ler)


de Ammonio


Era o dia de Natal de 393 d.C.: Teodósio, Imperador cristianíssimo (e por isso vituperado pelos modernos), sob conselho de Santo Ambrósio, emanava uma constituição (que não chegou até nós no original, mas citada pelo historiador bizantino Giorgio Cedreno, em sua História Universal) pela qual proibia as Olimpíadas, por serem uma celebração pagã. A periculosidade da manifestação para as almas era tal que, quando o prefeito de Constantinopla, Leonzio (434-435), propôs – celeradamente – de restaurá-la na Nova Roma, o asceta Hipácio se opôs com todas as próprias forças, para não fazer cair novamente o povo sob o tremendo domínio dos deuses pagãos (rectius, dei demoni). 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ó, cegueira humana! - a tolerância com os pequenos defeitos é perniciosa!




Ó, cegueira humana! Até quando continuaremos com os olhos cheios de terra? (...) entre nós [entre as religiosas] vejo minúsculos argueiros, pequenos defeitos, embora a terra não seja tanta a ponto de nos cegar totalmente. Entretanto, se deixarmos que cresçam, bastarão para nos causar grande dano (...) Aproveitemo-nos de nossas faltas para conhecermos a nossa miséria. Dessa forma, elas nos darão melhor visão, como a lama com que [Ele] curou o cego. (...) vendo-nos tão imperfeitas, redobremos nossas súplicas ao Senhor para que Ele tire de nossas misérias a Sua glória, a fim de contentarmos em tudo a Sua Majestade.

Santa Teresa D'Ávila 




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quarta-feira, 9 de março de 2016

Caminhos para entrar na vida eterna



Caminhos para entrar na vida eterna


Sermão sobre o diabo tentador



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu.

O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5). 

Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...

 


Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... 


O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível... 

Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).


Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.



***

 Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

Fonte: http://judamore.blogspot.com/2016/03/caminhos-para-entrar-na-vida-eterna.html. 



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sábado, 16 de janeiro de 2016

O respeito humano

“Meu Deus, eu Vos agradeço por ser filha da Vossa Igreja”
(Santa Teresa)

 
Distinta e rica dama desejava adotar uma filha de Maria cujo procedimento lhe agradava sobremaneira. Mas estabeleceu como condição que se retirasse da associação mariana e depusesse a medalha da Mãe de Deus. Firme e resoluta, embora gentil e cortês, respondeu a donzela que a esta exigência não satisfaria por nenhum preço: preferia ser filha de Maria, a se tornar rica e notável.

A dama encontrou nesta franqueza e firmeza tanta satisfação que tomou consigo a jovem e – o que é mais notável – adotou-a para sua própria santificação.

O bom exemplo da moça reconduziu-a à piedade e à virtude. Se esta filha de Maria, no seu covarde respeito humano, tivesse satisfeito à exigência da rica dama, mui provavelmente, não voltaria esta para Deus, mas cairia na indiferença religiosa.

Eu desejaria animar-te, jovem cristã, a imitares a firmeza desta filha de Maria, e a jamais te tornares infiel a Deus e aos teus deveres, por causa do respeito humano. 


1º – Contentar a Deus há de ser sempre tua principal preocupação.

“Teme a Deus e observa os Seus mandamentos, porque nisto está o homem todo” (Ecl. 12,13).

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Os Remédios Contra o Orgulho

Os Remédios Contra o Orgulho 


Já dissemos em outro lugar que o melhor remédio contra o orgulho é de reconhecer que Deus é o autor de todo o bem, e que, por consequência, a Ele só pertence toda honra e toda glória. De nós mesmos, não somos mais que nada e pecado, e não merecemos senão o esquecimento e o desprezo.

1º - Não somos mais que nada. Os principiantes devem estar convencidos na meditação, ruminado lentamente, à luz divina, os pensamentos seguintes: não sou nada, não posso nada, não valho nada.

A)   Eu não sou nada: sem dúvida, quis a bondade divina me escolher entre milhões de possibilidades para me dar a existência, a vida, uma alma espiritual e imortal, e eu O devo agradecer todos os dias por isso.  


Mais:  
a) eu saí do nada, e meu próprio peso ma arrasta ao nada, e eu aí cairei infalivelmente se meu Criador não me conservar por Sua ação incessante; meu ser não me pertence, mas todo e inteiro a Deus, e é a Ele que devo render homenagem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Diante dos sofrimentos, injúrias, humilhações...

Diante dos sofrimentos, injúrias, humilhações...


"Justamente quando nos sobrevier algum dissabor, digamos: 'Meu Deus, eu suporto essa mágoa por ser Vossa vontade que eu sofra alguma coisa e, renunciando a mim mesmo, acompanhe a Jesus no caminho da cruz'. Mormente quando temos que sofrer do mau procedimento de outros, convém dizer: 'Meu Deus, Vós não quereis que eles pequem, mas, sim, que eu suporte as penas por eles causadas; por isso, nestes dolorosos incidentes, quero adorar e cumprir Vossa santa vontade'."

(O Exercício da Presença de Deus, por um zeloso Sacerdote. Vozes. Petrópolis. 1938. 2a. ed., p. 28).


domingo, 11 de janeiro de 2015

Uma perna bem empregada nos levará mais depressa ao Céu do que a mais sã do mundo!!!

Da paciência nas operações dolorosas.


Conceda-vos Nosso Senhor o Seu Santo Espírito para sofrerdes tudo segundo a Sua santa vontade. 


Refiro-me à vossa perna doente, que convém operar, e não será sem grandes dores. Mas, meu Deus!, que provas que nos dá a Vossa vontade nestas ocasiões! Oh! Coragem! Pertencemos a Jesus Cristo; eis que Ele nos envia a Sua vestimenta. Suponde que o ferro que atravessará as vossas carnes é um dos cravos que trespassou os pés de Nosso Senhor. Oh! Que felicidade! Escolheu para Si estes favores e amou-os tanto que os levou ao Paraíso e eis que agora vos faz deles participante.  

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A importância das amizades virtuosas na infância. E o mal que representam as mãs companhias!

Trata de como foi perdendo essas virtudes e de quanto importa, na infância, tratar com pessoas virtuosas.


1. Parece-me que começou a me prejudicar muito o que agora vou dizer. Considero algumas vezes o mal que fazem os pais em não procurar que seus filhos vejam sempre, e de todas as maneiras, coisas virtuosas. Porque, sendo minha mãe, como eu disse, tão virtuosa, ao chegar ao uso da razão não aproveitei tanto do bem, enquanto o mal muitos prejuízos me trouxe. Ela gostava de livros de cavalaria, e esse passatempo não lhe fazia tão mal quanto a mim, porque ela não deixava de lado seu labor, somente nos dava liberdade para lê-los. E é possível que o fizesse para não pensar nos grandes sofrimentos que tinha, e para ocupar seus filhos, evitando que se perdessem em outras coisas. Isso pesava tanto a meu pai, que era preciso ter cuidado para que ele não o visse. Acostumei-me a lê-los; e aquela pequena falta que nela eu via [ela considerava uma falta quando era pequena, nde] fez esfriar em mim os desejos, levando-me a me descuidar das outras coisas; e não me parecia ruim passar muitas horas do dia e da noite em exercício tão vão, escondida de meu pai. Era tamanha a minha absorção que, se não tivesse um livro novo, em mais nada encontrava contentamento.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Três peneiras para uma língua só!

​Todos temos boas intenções, até mesmo para justificar nossa falta de virtudes! Lhes proponho hoje uma reflexão sobre "as três peneiras", para melhor conduzirmos daqui para frente nossas palavras e nossas ações. Inclusive as minhas.

É notório que, para o bem dos demais, não é pecado falar do pecado (ou da vida) de alguém. Mas esta é uma responsabilidade muito grande e não deve ser assumida levianamente. Também não é uma ferramenta que se deva usar costumeiramente. É uma exceção!!!

Assim, se não tivermos nada de bom ou virtuoso para falar de alguém, fiquemos calados!  


Eu olho com desconfiança quem vem me falar de outra pessoa. Como diz minha tia Delminha, se fala "para" mim, certamente fala "de" mim também...

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