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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Deveres de estado x deveres da Religião

Lucio Massari: Sagrada Família (1675).

Deveres de estado x deveres da Religião

---------- Forwarded message ---------
De: Unknown <noreply-comment@blogger.com>
Date: seg., 11 de jan. de 2021 às 20:45
Subject: [Pale Ideas - Tradição Católica!] Novo comentário em Ofício Parvo de Nossa Senhora. 

Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ofício Parvo de Nossa Senhora":

Ela pode rezar de uma só toada, e sempre procurar ter tempo para as orações. Ainda que se leve em conta as obrigações de estado, o convívio com Deus deve ser priorizado sim. Estimule as pessoas a rezarem e não as desestimule com esses conselhos "se der reza, se não der não reza"...

Bom, não costumo responder a anônimos porque, geralmente, salvo raríssima exceções que confirmam a regra, se trata de gente ignorante (na acepção do dicionário) e soberba. Como esta pessoa, que nada sabe sobre Catolicismo, espiritualidade católica, deveres de estado etc., Se soubesse, teria compreendido perfeitamente a questão e trataria de fazer dar frutos de santidade em sua própria vida com toda a sabedoria que crê ter. Deus quer ver estes frutos e não mexericos e maledicências, por exemplo. Provavelmente é alguém que passa tempo demais fazendo o que não deve e tempo de menos não fazendo suas obrigações, como bom liberal, no melhor estilo: faça o que digo, mas não faça o que eu faço.  

Mas, desta vez, vou abrir uma exceção porque o assunto é útil para todos nós, pois muitos tem esta dúvida: o que é mais importante, os deveres de estado ou os da Religião? Qualquer criança com catecismo básico sabe a resposta, mas vejamos os exemplos de nossos modelos de santidade.

O anônimo talvez não conheça Santa Francisca Romana - Santa nos três estados de vida - canonizada pela Igreja e que, por isso, passou por crivos assaz rígidos, que vasculharam a sua vida atrás de erros que pudessem levar outros a erro. E não só não encontraram como a sua vida é exemplar para nós outros, simples católicos de banco de igreja. Quem não sabe, por exemplo, que ela, se o marido a chamasse enquanto estava a rezar, tudo deixava para ir atendê-lo?  

Se o anônimo se dedicasse mais ao que crê conhecer talvez soubesse disso e não passaria vergonha em público (este e-mail foi enviado como comentário a um post sobre o Ofício de Nossa Senhora, que eu moderei e joguei para SPAM), ou se deteria antes de falar sobre o que desconhece.  

Ops! Não passa vergonha publicamente porque, covardemente, preferiu não dizer o nome, mas Deus tudo vê, e estamos sempre na Sua santa presença. Portanto, a vergonha existe e está registrada, e se essa pessoinha tivesse o bom costume de se olhar no espelho da alma e fazer exame de consciência diário, se envergonharia de aconselhar asneiras e de comentar o que não sabe, e tentaria se esmeirar em se santificar, dar frutos. 
 
Devemos sempre fazer a vontade de Deus! Ao se escolher um estado de vida, supõe-se que Deus foi consultado e ouvido, então cada um segue a vida que Nosso Senhor designou, seja ela matrimonial, religiosa/sacerdotal ou celibatária. Enfim... Isso é catecismo básico. Logo, por obrigação de estado, quem deve se preocupar em "priorizar o convívio com Deus" são os religiosos, porque esta é a razão da vida deles, da vocação deles: o dever de estado deles. A rotina deles é toda feita nesse sentido, apesar de também possuírem certos momentos de trabalho manuais, mas eles têm a obrigação de cumprir uma rotina rigorosa de orações, mortificações e etc.

Quem seguiu a vocação matrimonial também fez a vontade de Deus e segue uma vocação que é vivida no mundo mesmo. E é assim que deve se santificar: deve dedicar-se primeiro aos deveres de estado e, depois, sobrando tempo, às coisas da Religião, porque é justamente nos deveres de estado que está a servir a Deus, pela obediência e sacrifício.  

Cada um no seu lugar. Isto é ordem. A desordem não é de Deus. E, no mundo atual, ela é fruto do pensamento liberal, que ensina erroneamente que o que as pessoas "acham" é uma verdade, e, assim, pensam que a Verdade pode ser relativizada, como se fosse apenas mais uma opinião. Lembrem-se que a Fé é a adesão da inteligência à Verdade revelada, e essa adesão é plena, sem poréns, sem espaço para opiniões. 

Outra coisa meio óbvia é que este anônimo não possui um manual de confissão ou um livreto qualquer sobre o tema, ou, se o tiver, não costuma o abrir com frequência ou nunca o leu, pois se o tivesse lido saberia que está a dizer bobagens.  Sim, bobagens.

O católico conhece a Doutrina e tem convicção de que aderiu à Fé Católica, e, sem ficar se justificando, dando desculpas e oferecendo empecilhos à ação da divina Graça, diz a si mesmo: sou católico e basta!  

É preciso extirpar o pensamento liberal dos ambientes católicos, pois é ele que causa esse tipo de comportamento e de confusão, faz com que as pessoas não compreendam as coisas objetivamente, enfraquece o caráter, a fibra cristã, e causa desordem. Com a convicção renovada com os Sacramentos e os constantes atos de Fé, Esperança e Caridade, é possível restaurar e reordenar tudo em Cristo.

Nada impede, certamente, que ao cumprir deveres de estado que o permitam não se possa estar com a mente e o coração voltados para Deus. Por exemplo, quando a mulher lava a louça ou faz qualquer outro trabalho manual que não exija concentração; ou quando o homem está dirigindo ou ocupado com atividades estritamente manuais. Mas, quando alguém está trabalhando com a mente, é impossível que possa fazê-lo, a menos que tenha a graça de um dom especial. Deixar as obrigações de estado de lado para rezar... Não! Eu mesma tenho o hábito de ocupar a mente, quando não a estou ocupando com algum trabalho intelectual, com preces curtas e jaculatórias, para não desperdiçar o tempo.  

Alguém poderia arguir que, depois cumprir os deveres de estado, não sobra tempo ou está cansado demais para rezar... Bom, então, acorde mais cedo ou durma mais tarde. Terá a eternidade para descansar.  

O cerne da questão, aqui, é saber ordenar o dia para que sobre tempo para ambas as coisas, na justa medida, hierarquicamente. 

Resumindo, primeiro as obrigações de estado, depois as da Religião. Ordem. Simples assim. 

Caro anônimo, se tiver a tentação de comentar novamente com suas tolices, respire fundo e... vá lavar aquela pilha de louça dobrando na pia (ou vá carpir um lote, porque esse anônimo tem toda pinta de ser um varão desocupado: esto vir)!!!

Giulia d'Amore 

PS. Gostaria de saber quando foi que eu desestimulei alguém a rezar!  😏 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Caminhos para entrar na vida eterna



Caminhos para entrar na vida eterna


Sermão sobre o diabo tentador



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu.

O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5). 

Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...

 


Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... 


O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível... 

Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).


Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.



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 Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

Fonte: http://judamore.blogspot.com/2016/03/caminhos-para-entrar-na-vida-eterna.html



COMENTARISTA, LEIA ANTES O 
  
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Os 12 graus do Silêncio - Sor Amada de Jesús

Um belo texto de Sor Amada de Jesús acerca da vida espiritual, a vida de oração. Nada melhor do que o silêncio para falar com Deus. E essa era de trevas em que vivemos, onde tudo contribui para evitarmos "falar com Deus", é preciso um pouco de inspiração. 



A vida interior poderia consistir só nesta palavra: Silêncio! O silêncio prepara os santos; ele os começa, os continua e os acaba. Deus, que é eterno, não diz mais que uma só palavra, que é o Verbo. Do mesmo modo, seria desejável que todas as nossas palavras digam Jesus direta ou indiretamente. Esta palavra: silêncio, quão formosa é!

1º Falar pouco às criaturas e muito a Deus.
Este é o primeiro passo, mas indispensável, nas vias solitárias do silêncio. Nesta escola é onde se ensinam os elementos que dispõem à união divina. Aqui a alma estuda e aprofunda esta virtude, no espírito do Evangelho, no espírito da Regra que abraçou, respeitando os lugares consagrados, as pessoas, e sobretudo esta língua na qual tão frequentemente descansa o Verbo ou a Palavra do Pai, o Verbo feito carne. Silêncio ao mundo, silêncio às notícias, silêncio com as almas mais justas: a voz de um Anjo turbou Maria...

2º Silêncio no trabalho, nos movimentos.
Silêncio no porte; silêncio dos olhos, dos ouvidos, da voz; silêncio de todo o ser exterior, que prepara a alma para passar a Deus. A alma merece tanto quanto pode, por estes primeiros esforços em escutar a voz do Senhor. Que bem recompensado é este primeiro passo! Deus a chama ao deserto, e por isso, neste segundo estado, a alma aparta tudo o que poderia distraí-la; se distancia do ruído, e foge sozinha Àquele que somente é. Ali ela saboreará as primícias da união divina e o zelo de seu Deus. É o silêncio do recolhimento, ou o recolhimento do silêncio.


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