Levei alguns dias para completar esta tarefa que, além da tradução (e revisão), implicava em fazer as notas necessárias (48) e encontrar os documentos citados, e isto me deu mais trabalho do que fazer a tradução!
Fiquei espantada em perceber que a própria Fraternidade não guarda nem divulga os escritos do Fundador, me fazendo lembrar – e já citei isso aqui – dos Salesianos de minha cidade que possuem uma Biblioteca riquíssima, mas a parte que conserva os escritos do Fundador não é acessível, nem aos simples mortais, nem aos padres salesianos, muito menos aos seminaristas... Sinal dos tempos?
Devem ter notado que ontem publiquei vários textos de uma só vez. A explicação é simples: quis “salvar” alguns dos textos citados no blog da fúria expurgatória que possa acometer os neo-fsspx que queiram “apagar o passado”, como faz o Agitprop, e é descrito magnificamente em “1984”, de Georges Orwell. Com a mudança de direção que tem distinguido a desafortunada obra de Mons. Lefebvre nos últimos tempos, achei prudente tomar essa providência, em conjunto com a Operação Memória, aquela que comecei com o intuito de registrar o “antes e depois” das afirmações de certos acordistas de memória lábil e ouvidos moucos.
Outra lacuna lamentável é a falta de biografias de muitos dos personagens importantes da História da Igreja, que é também a nossa História. É vergonhoso que uma Congregação como a FSSPX não use melhor das ferramentas digitais de que faz uso para divulgar não só a quantidade mas, sobretudo, a qualidade dos Sacerdotes que a servem e servem à Igreja!!! Menzingen quer estar dentro da Igreja conciliar (sic) para “implementar um melhor apostolado”, se fazer conhecida e bem vinda, mas não se mostra, não fala si, não “vende o peixe”... Para que servem afinal os sites que a FSSPX mantém pelo mundo afora? E isso me leva a outra pergunta: se os fieis não devem acessar a net – porque é “do mal” – para quem escrevem os Superiores da FSSPX na web? E – essa é mais atual – se é desaconselhado participar do Facebook, porque a FSSPX no Brasil acaba (03/11/2012) de lançar uma página nele? Perguntas meramente retóricas, pois as respostas são de conhecimento geral.
A carta que divulgo hoje é do Padre David Hewko, cuja biografia não encontrei; com muito custo encontrei a pequena foto que publico abaixo, e a informação de que assinou o documento de Vienna (EUA), junto com Pe. Chazal, o Pe. Pfeiffer, Pe. Ringrose e Pe. Voigt. O Pe. Hewko engrossa o coro dos que tiveram coragem de sair da zona de conforto e proclamar a verdade. Não foi uma decisão tomada em pé, às pressas; como ele mesmo afirma, antes rezou e meditou! Certamente, há mais padres rezando e meditando. E eu divulgo as cartas e públicas declarações dos que já se manifestaram, com o sincero e honesto intuito de que, de alguma forma, cheguem a esses padres que ainda não saíram à luz, para que tenham coragem, como a teve o Fundador, e não se intimidem pelas dificuldades que virão, pelas punições que os esperam, pelas críticas e falatórios vazios. Isto é palha!
Giulia d’Amore di Ugento
CARTA ABERTA A SUA EXCELÊNCIA DOM FELLAY, SACERDOTES DA FRATERNIDADE E FIÉIS – PELO PADRE DAVID HEWKO
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PAX
08 de Novembro de 2012
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| Pe. David Hewko |
Quando disseram aos Católicos, durante a revolução protestante: “Aceitem o Juramento de Supremacia ou morram”, a maioria dos Católicos fez o juramento, mas o Senhor Deus condescendeu em enviar um exército de mártires e santos e um Papa santo, que condenou os crescentes erros no Concílio de Trento.
Quando disseram aos Católicos, durante a Revolução Francesa: “Paz ao preço de um pouco de incenso para os ‘deuses’ liberdade, igualdade e fraternidade”, enquanto muitos claudicaram, Deus suscitou milhares de mártires e uma Resistência fervorosa na Vendetta. Depois, suscitou ao Cardeal Pie de Poitiers, que combateu as “implementações pacíficas” da Revolução da Era Napoleônica. Um século depois, os fiéis Católicos se uniram ao Syllabus de Pio IX, que condenou o Catolicismo liberal.
Quando disseram aos Católicos: “melhor vermelho do que morto”, para que cooperassem com o que Pio XI chamou de sistema econômico, político e ateu “intrinsecamente perverso”, muitos não fizeram nada, mas milhões de Católicos engrossaram as fileiras de mártires no Céu, e uma resistência heroica foi oferecida por parte dos Bispos, sacerdotes e leigos por toda a Rússia, Ucrânia, Polônia, China, Vietnã, Hungria, Espanha etc. Na Hungria, aos chamados “Sacerdotes da Paz” foi-lhes prometido a manutenção da Missa em latim e de suas igrejas, incensos e vestes sempre e enquanto permanecessem em silêncio sobre o assunto incomodo do Comunismo. O Cardeal Mindszenty, um dos poucos que não claudicou, se recusou firmemente e foi encarcerado por 14 anos.
Quando os Católicos do México foram obrigados a conformar-se com as leis anticatólicas do governo maçom de Calles, muitos foram apenas espectadores, mas surgiu a Resistência Cristera que resistiu bravamente ao governo, ao grito de “Viva Cristo Rei!”, em oposição ao grito dos federais: “Viva Satanás!”.
Quando disseram aos Católicos: “Obedeçam e submetam-se às reformas do Vaticano II”, Monsenhor Marcel Lefebvre, Monsenhor de Dom Castro Mayer e muitos sacerdotes preferiram ser considerados “desobedientes” a trair a Fé da Tradição. Infelizmente, a maioria do clero e dos leigos “obedeceu” falsamente e se uniu às imperativas diretrizes do Vaticano II.
De forma trágica, atualmente acontece que, 42 anos depois de ter sido fundado o “bote salva-vidas” da FSSPX, esta está sendo atraída enganosamente com doces e promessas para dentro do “porto” da Roma modernista, cheia de “barcos afundados” de muitas comunidades tradicionais que uma vez se opuseram publicamente contra os erros do Vaticano II.
A FSSPX sempre resistiu, aberta e corajosamente, com a graça de Deus, até o dia 14 de julho de 2012, quando uma nova orientação em direção a um acordo prático se converteu em um esforço “determinado” e “aprovado”. Esta mudança de princípios resultou em uma nova orientação na política da FSSPX em relação a Roma, e no afastamento oficial da postura inflexível de Monsenhor Lefebvre, expressa em sua Declaração de 1974 e nas Declarações de 1983 e 2006. Antes era sempre: “Não ao acordo prático sem acordo doutrinário”; agora é “acordo prático sem prévio acordo doutrinário”. Ousamos dizer: “Tudo bem, só para se dar bem?”. “Concordamos em discordar?” (Um pequeno erro nos princípios leva a uma conclusão desastrosa).
Monsenhor Lefebvre foi nosso santo Fundador. Ele não só tinha a graça de estado como Superior Geral, como tinha a graça de estado como Fundador de uma organização religiosa à qual procurou transmitir (1) o seu espírito, (2) seus princípios, (3) sua experiência. Estes foram o resultado de muitos anos de liderança em uma ampla variedade de pastos. Ele foi um teólogo de grande renome (cf. o testemunho e os elogios do canônico Padre Berto, o teólogo privado do Arcebispo durante o Vaticano II).
Ele foi Bispo e depois Arcebispo (com vários Bispos sujeitos a ele). Ele foi o representante do Papa para toda a África de língua francesa. Ele foi o Superior Geral de uma grande Ordem Religiosa de Missionários. Ele era um visitante frequente dos Papas em Roma. Ele esteve na Comissão Preparatória do Concílio Vaticano II. Foi um membro chave do “Coetus Internationalis Patrum” durante o Concílio. Ele fez muitas intervenções durante o Concílio (cf. “Eu acuso o Concílio”, por Monsenhor Lefebvre). Ele não teve medo de desafiar e repreender tanto o Concílio como os papas do Concílio. Ele foi o homem de Igreja escolhido pela Divina Providência para lançar a FSSPX, apesar da tremenda pressão de dentro e de fora da Igreja. Seu papel de salvar a Igreja e o Sacerdócio foi profetizado pela Virgem Maria, no Equador, há quase 350 anos. De tal homem há muito que aprender.
Padre Ludovico Barrielle (tão reverenciado pelo Arcebispo) disse em 1982: “Escrevo isso para que sirva de lição para todos. O dia em que a FSSPX abandonar o espírito e as regras de seu Fundador, estará perdida. Além disso, todos os nossos irmãos que, no futuro, se permitam julgar e condenar ao Fundador e seus princípios não duvidarão de afastar a Fraternidade do ensinamento tradicional da Igreja e da Missa instituída por nosso Senhor Jesus Cristo”.
Seria correto dizer que o espírito, os princípios e a experiência de Monsenhor Lefebvre estão resumidos na seguinte resposta e advertência feita a seus filhos? Quando perguntado sobre reabrir o diálogo com Roma em 1988 (depois de ter admitido que a assinatura do protocolo fora um grave erro), respondeu:
“Nós não temos a mesma perspectiva sobre a reconciliação. Não temos a mesma maneira de entender a reconciliação. O Cardeal Ratzinger a vê no sentido de nos reduzir, de nos levar para o Vaticano II. Nos a vemos como um retorno de Roma à Tradição. Não nos entendemos. É um diálogo de surdos.
Não posso falar muito sobre o futuro, porque o meu está a meu encalço. No entanto, se eu viver mais um pouco, e supondo que dentro de um determinado período de tempo Roma nos chame, que queira voltar a nos ver, a retomar o diálogo, neste momento seria eu quem iria impor condições. Não aceitarei mais estar na situação em que nos encontramos durante as conversações. Isso acabou.
Eu apresentaria a questão em plano doutrinário: ‘Estais de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estais de acordo com a Quanta Cura de Pio IX, com a Inmmortale Dei e Libertas de Leão XIII, com a Pascendi de Pio X, com a Quas Primas de Pio XI, com a Humani Generis de Pio XII? Estais em plena comunhão com esses Papas e suas afirmações? Aceitais o Juramento Anti-Modernista? Sois a favor do Reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo?
Se não aceitais a doutrina de seus antecessores, é inútil falarmos. Enquanto não aceitais reformar o Concílio considerando a doutrina desses Papas que vos precederam, não há diálogo possível. É inútil. As posições restariam, deste modo, mais claras”. (Monsenhor Lefebvre, Fideliter n. 66, Novembro-Dezembro de 1988).
O nosso amado Fundador viu claramente “três rendições” ao fazer um mero acordo prático com a Roma modernista, independentemente do número de condições. As rendições são: 1ª. Rendição ao poder de Roma, que pode vetar as decisões mais importantes da Fraternidade; 2ª. Rendição ao poder de veto para qualquer futura eleição do Superior Geral; 3ª. Rendição ao poder de veto sobre os nomes dos candidatos propostos para futuros Bispos. Com esses poderes nas mãos dos inimigos de Jesus Cristo, eles “vão nos enlaçar longamente, pouco a pouco; eles vão tentar nos pegar em suas armadilhas, enquanto não tiverem abandonado suas falsas ideias”. (Monsenhor Lefebvre, 13 de dezembro de 1984, dirigindo-se aos Bispos do distrito da França). E mais: “É por isso que o que pode parecer uma concessão é, na verdade, uma mera manobra”. E ainda: “nós devemos absolutamente convencer os fiéis de que não é mais do que uma manobra, que é muito perigoso nos colocarmos nas mãos dos bispos conciliares e da Roma modernista. É o maior perigo que ameaça aos nossos fieis! Se nós temos lutado por 20 anos para evitar os erros Conciliares, não é agora que nos colocaremos nas mãos daqueles que os professam”. (Monsenhor Lefebvre, Fideliter, Julho-Agosto de 1989). “Eu lhe disse (ao Cardeal Ratzinger), mesmo se nos concedêsseis um bispo, mesmo se nos concedêsseis certa autonomia em relação aos bispos, mesmo se nos concedêsseis toda a liturgia vigente até 1962 e nos permitísseis continuar com os seminários e a Fraternidade tal como o fazemos atualmente, nós não poderíamos colaborar, é impossível, porque trabalhamos em direções diametralmente opostas: vocês trabalham pela descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja, enquanto nós trabalhamos pela cristianização. Não podemos, portanto, nos entender! Roma perdeu a fé, queridos amigos. Roma está na apostasia. Eu não estou falando palavras vazias! Essa é a verdade! Roma está na apostasia! Não podemos mais ter confiança nessas pessoas. Eles abandonaram a Igreja! Eles abandonaram a Igreja! É certo, certo” (Monsenhor Lefebvre, Biografia de Monsenhor Tissier de Mallerais, p. 548. Esta é uma tradução do vídeo do Youtube, pela própria voz do Arcebispo).
Podemos ouvir as objeções: “Isso é um exagero, padre, não há qualquer acordo e não haverá nenhum neste Pontificado, tudo voltou à normalidade”. Estas são as palavras. Mas por que tantas ações em sentido contrário? Por que, então, a Declaração do Capítulo Geral de 2012 não foi corrigida com as mencionadas Declarações anteriores da FSSPX? Porque se deixaram as seis condições sem correção? (Em outras palavras, porque tem uma placa de “vende-se” no jardim da frente?). Porque as expulsões, as ordens de silêncio, as negativas de receber a Santa Comunhão, as ameaças e as punições para aqueles que se opõem abertamente ao falso acordo?
Porque a expulsão de Monsenhor Williamson, que abertamente aderiu à linha de não-acordo de Monsenhor Lefebvre? Porque o suspiro de alívio expressado por um porta-voz da FSSPX em relação à expulsão de Monsenhor Williamson: “A decisão certamente facilitará as conversações [com a Roma]?” (Padre Andreas Steiner à agência alemã de notícias DPA).
Porque, no 50º aniversário do “maior desastre na história da Igreja” (Monsenhor Lefebvre): o Vaticano II, há um silêncio ensurdecedor nos sites oficiais (SSPX.org e DICI) acerca da condenação dos erros do Concílio feita por nosso Fundador, a menos que queiram evitar os ‘obstáculos polêmicos’ para um acordo? Porque o recente comunicado de “Ecclesia Dei” dizendo que as negociações continuam? Porque houve uma reação tão mínima comparada com a de Monsenhor Lefebvre em relação à violação do Primeiro Mandamento em Assis III? Porque as entrevistas ambíguas a CNS e DICI (claro, o senhor diz que foi editado!), que não foram corrigidas e nem ao menos esclarecidas? Por exemplo: “... vemos que muitas das coisas que temos condenados como derivadas do Concílio, na realidade não vêm dele, mas de uma compreensão comum do Concílio (...). Muita gente não compreende o Concílio (...). O Concílio apresenta uma liberdade religiosa muito, muito limitada” (Monsenhor Fellay, entrevista a CNS de 11 de maio de 2012). O que aconteceu com o “Eu acuso o Concílio” de Monsenhor Lefebvre?
Excelência, por favor, volte a sua antiga pregação da “Verdade na Caridade”, quando abertamente advertiu aos padres de Campos, Brasil, para não fazerem um acordo prático com a Roma modernista. O senhor previu, uma vez, a caída de Campos, sob o Bispo Rifan, e agora um padrão semelhante está engolindo a nossa amada Fraternidade! O senhor disse uma vez: “No momento, contudo, as coisas ainda não estão nesse ponto (ou seja, a conversão de Roma à Tradição), e fomentar ilusões seria mortal para a Fraternidade São Pio X, como se pode ver, quando se segue o curso dos acontecimentos em Campos”. (Monsenhor Fellay, Carta aos Amigos e Benfeitores n. 63, 06 de janeiro de 2003).
O senhor nos disse uma vez: “Creio que a amabilidade de Roma em relação a nós se deve à sua mentalidade ecumênica. Certamente não é porque Roma está nos dizendo: ‘Claro, vocês têm razão’. Não, isso não é o que Roma pensa de nós. A ideia que tem é outra. A ideia é ecumênica. É a ideia do pluralismo, de pluriformidade”. (Carta aos Amigos e Benfeitores n. 65, de 08 de dezembro de 2003). Esta mentalidade ecumênica só tem aumentado com Bento XVI (os escândalos de Assis II, as visitas à mesquita ou às sinagogas, admissão dos anglicanos sem renunciar a seus erros etc.).
Quanto à conversa de que Roma está “mudando para a Tradição”, podemos lembrar que condições semelhantes foram prometidas a Le Barroux: pregar livremente contra o Modernismo, ter a verdadeira Missa etc. Mas, após o acordo, o compromisso ruiu, e acabaram aceitando a Missa Nova cinco anos mais tarde. Em Março passado, o Instituto Bom Pastor foi pressionado seriamente por Roma para ensinar o Vaticano II em seus seminários e adotar o novo catecismo. Os Redentoristas escoceses foram colocados sob o bispo diocesano, em 15 de agosto de 2012. Nosso amado Fundador explicou a razão pela qual mais de nove comunidades tradicionais cederam em seu compromisso com a Fé: por que “NÃO SÃO OS SÚDITOS QUE FORMAM OS SUPERIORES, MAS OS SUPERIORES QUE FORMAM OS SÚDITOS”. (Monsenhor Lefebvre, Entrevista de 1989: “Um Ano após as Sagrações”). (Quem julga estar de pé...).
Observando a dolorosa direção que está tomando a nossa amada FSSPX, só confirma, cada vez mais, que realmente está determinada a entrar em acordo com a Igreja conciliar sem uma resolução doutrinaria, e, como o provam as seis condições, de bom grado chegarão a um acordo que, de fato, vai sujeitar a FSSPX à Roma modernista. “Determinamos e aprovamos as condições necessárias para uma eventual normalização canônica” (Declaração do Capítulo Geral, de 14 de julho de 2012). Não são rumores, está lá, “gravado em pedra”.
Como é possível para um Sacerdote da FSSPX ser sincero em seu juramento anti-modernista, que o obriga a pregar contra o Modernismo, contra a Roma infectada de modernismo, e, ao mesmo tempo, aceitar a loucura de fazer um impossível acordo prático com a Roma modernista e, por conseguinte, ser continuamente silenciado?
Eventos recentes mostram como os sacerdotes são objeto de punições, seja pela imposição de silêncio, por transferências punitivas ou expulsões. Como é possível para um sacerdote pregar a Verdade “oportuna e importunamente” em tal atmosfera?
Assim sendo, eu desejo, com todo meu coração, manter meu juramento anti-modernista que fiz diante do Santíssimo Sacramento e tentar mantê-lo ao manter o mesmo sentido e significado da doutrina da Igreja de sempre. Ademais, não posso falar por outros Sacerdotes, mas não posso abandonar a claríssima posição do nosso Fundador, Monsenhor Lefebvre (que, sem lugar a dúvidas, teria se oposto ferozmente a esta nova direção que a Fraternidade está seguindo desde julho de 2012) e prefiro parecer “desobediente”, enquanto, na verdade, estou obedecendo verdadeiramente às diretrizes do nosso Fundador.
Para os nossos jovens: “sejam fortes, deixem que a Palavra de Deus permaneça em vós, e vencerão o maligno” (I João 2,14). O Arcebispo disse uma vez: “Algumas pessoas me chamam de ‘dissidente’ e ‘rebelde’, e se isso significa que é contra o Vaticano II e as reformas liberais, então sim, sou um dissidente e um rebelde”. E, humildemente, acrescento que se, por me opor a esta orientação pela qual se quer sujeitar a Tradição Católica aos modernistas que não professam a Fé Católica integral (e que, assim, põem em risco a salvação eterna das inúmeras almas), eu seria um dissidente, então sim, seguindo Monsenhor Lefebvre, eu também sou um dissidente e um rebelde.
Mas ao contrário, a verdade parece ser que a “rebelião” foi cometida pelos membros da FSSPX que favorecem um acordo e, portanto, se rebelam contra os princípios e a tradição da Fraternidade. Em sã consciência, não posso seguir tal orientação.
Além disso, após vários meses de muita oração e reflexão, me parece claro que a vontade de Deus é que eu ajude a Resistência contra o desmantelamento da obra de Monsenhor Lefebvre, dando assistência aos sacerdotes que querem manter seus princípios. Meu endereço atual é: Our Lady of Mount Carmel, 1730 N. Stillwell Rd., Boston, Kentucky 40107, USA. (Aviso: Não creiam muito facilmente nos cyber-rumores do tipo que “isto é uma repetição dos ‘9’ de 1983”. Fiquem com os documentos reais, cartas e feitos. Assistam, especialmente, ao trabalho tão bem documentado de Stephen Fox: “Is This Operation Suicide?”).
Pareço certamente atrevido ao me expressar desta maneira! Mas eu redijo estas linhas com amor ardente, amor à glória de Deus, amor a Jesus Cristo Rei, amor a Maria, às almas, à FSSPX, à Igreja, ao Papa! Da mesma forma que a FSSPX sempre continuou a obra do Arcebispo, até que Roma regressasse à Tradição, assim também os Sacerdotes da Resistência continuarão seu trabalho, com a graça de Deus “sem amargura ou ressentimento”, até que os líderes da FSSPX retornem aos princípios de seu Fundador.
Excelência, eu gostaria de vê-lo quando vier por aqui.
Queira dignar-se Sua Excelência de aceitar a minha gratidão e a certeza de minha mais respeitosa devoção a Nosso Senhor.
Padre David Hewko
“O maior serviço que podemos prestar à Igreja Católica, ao sucessor de Pedro, à salvação das almas e à nossa própria é dizer NÃO à Igreja Liberal reformada, porque nós acreditamos em Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem, Que não é nem liberal nem reformável”. Arcebispo Marcel Lefebvre (Carta aos Amigos e Benfeitores n. 9, 3 de Setembro de 1975.)
“Ademais, os sacerdotes que querem permanecer Católicos, têm o estrito dever de separar-se dessa Igreja Conciliar, até que ela recupere a tradição do Magistério da Igreja e da Fé Católica”. (Monsenhor Lefebvre, Itinerário Espiritual).
DO TEXTO EM INGLÊS:
LEITURAS ADICIONAIS OBRIGATÓRIAS (dentro do possível oportunizamos os textos em Português ou, pelo menos, Espanhol):
*Livros
By Archbishop Lefebvre
- I Accuse the Council! (oddly out of print at Angelus Press)
- A Bishop Speaks
- Against the Heresies
- The Mass of All Time
- They Have Uncrowned Him
*Marcel Lefebvre, by Bishop Tissier de Mallerais
*The Works of Fr. Denis Fahey
*The Apparition of Our Lady of Good Fortune, Quito, Ecuador (1634), Archbishop Lefebvre and The Vatican, p. 230
Tradução e notas: Giulia d’Amore di Ugento.