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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Para o último dia do ano: Devemos aproveitar o tempo!

Para ler, meditar e rezar diante de um Crucifixo. 



Para o último dia do Ano


Devemos aproveitar o tempo


Ecce breves anni transeunt, et semitam per qyuam non revertar ambulo – “Ve que passam os breves anos, e eu caminho por uma vereda pela qual não voltarei” (Jó 16, 23)

I. O tempo, sobre ser a coisa mais preciosa, porque é um tesouro que só neste mundo se acha, é ainda de mui curta duração. Ecce breves anni transeunt. Lembra-te de como se passaram depressa os doze meses do ano que hoje finda! – É, portanto, com razão que o Espírito Santo nos exorta a conservarmos o tempo, e não deixarmos se perder um só momento sem o aproveitarmos bem. Mas, ai de nós! Quão diversamente vão as coisas! Ó tempo desprezado! Tu serás a coisa que os mundanos desejarão mais na hora da morte, quando ouvirem dizer que para eles não haverá mais tempo: Tempus non erit amplius.

E tu, irmão meu, em que empregas o teu tempo? Deus te concedeu a graça de teres chegado até ao dia de hoje, com preferência a tantos milhares e milhões de pessoas, talvez da tua idade, ou mesmo mais novas, talvez fortes como tu ou ainda mais robustos, com a mesma compleição que tu, ou talvez mais sadias. Elas morreram, e tu estás vivo! Elas estão reduzidas à podridão e cinzas no túmulo, e tu estás aqui meditando! Elas na eternidade, e muitas infelizmente no inferno, e tu ainda no tempo! Mas como é que passas o tempo? Em que coisas o empregaste até hoje?

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Jejum e abstinência de carne no Brasil


JEJUM E ABSTINÊNCIA NO BRASIL


 
O mundo detesta a penitência e a mortificação, apregoando a necessidade de ser feliz a qualquer custo e de ser livre para aproveitar a vida. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo começou sua vida pública com um convite à penitência: “Fazei penitência” (Mt. 3,2); e nos fez uma advertência que é uma verdadeira ameaça: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc. 13,5). Aliás, o estado em que nos deixou o pecado original exige de nós a mortificação para conter as paixões e para que possamos nos submeter à vontade de Deus. Obrigando-nos ao jejum e à abstinência, a Igreja não cria nenhuma obrigação nova, apenas obriga ao cumprimento de um dever que está na doutrina de Cristo e nas nossas próprias necessidades, regulamentando-o apenas.  
 
A lei que disciplina o jejum e a abstinência de carne na Igreja Católica é, de maneira geral, o Código de Direito Canônico (1917), cujas disposições podem ser lidas aqui, mas o Brasil, assim como todo o Continente Americano, foi agraciado com diversos indultos, desde São Pio V até Pio XII, flexibilizando as normas sobre o jejum e a abstinência para os leigos de maneira geral e os Padres e Religiosos em missão. Assim, os Padre e Religiosos que não são missionários devem seguir o CDC, e os leigos e os Padres e Religiosos missionários devem seguir as normas dos indultos pontifícios. E onde estão estas normas? O que é um indulto? Tem "prazo de validade"? Apenas um Papa dá indultos? Um indulto pode invalidar outro? Vamos por parte. Comecemos com o que é o jejum e a abstinência.


*   *   *

DO JEJUM E DA ABSTINÊNCIA


O QUE É JEJUM


O jejum é uma penitência praticada em determinadas ocasiões pelo cristão por amor a Deus. A Igreja obriga ao jejum em determinados dias do ano, como em todas as quartas-feiras da Quaresma, a começar pela Quarta-feira de Cinzas; na Sexta-feira Santa e na Sexta-feira de Têmporas do Advento. A Igreja "obriga" significa que quem não fizer o jejum naquele dia está em pecado mortal; observadas as idades de obrigação e o estado de saúde.  

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Calendário 2022


Calendário 2022 segundo a Liturgia Católica de Trento 

Rubricas do Missal de 1957, com a última reforma católica de SS. Papa Pio XII

O tema este ano será o olhar da Virgem Maria em diversas expressões de arte sacra, como quadros e uma estátua.  

"O vosso olhar misericordioso a nós volvei", ó santa Mãe de Deus e concedei-nos, Corredentora nossa e Medianeira de todas as Graças, todas as graças de que necessitamos para nossa santificação, cura e proteção contra o Mal e os males


O ano de 2022 se abre com o olhar alegre e sorridente da Mãe de Deus nessa obra conhecida como "La Virgen Blanca" (A Virgem Branca), uma estátua de autor anônimo do século XIV, que está exposta para honra e culto na Catedral de Toledo. Um olhar cheio de júbilo e encantamento para com o Filho muito amado e que A enchia de alegria e pesar ao mesmo tempo. Como não deve ter sido a infância de Nosso Senhor em Nazaré, preenchendo aquele pobre e humilde lar de tanta glória e tanta felicidade!!! Que nos sirva de estímulo para que comecemos o novo ano animados no caminho de nossa santificação, suportando melhor os dissabores que porventura iremos enfrentar e carregando com leveza e alegria a nossa cruz salvadora!!! Viva a Mãe de Deus e nossa!!! 

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Editoras supostamente católicas a evitar I


Pretendia, fazer um único post a respeito, elencando as editoras que se dizem católicas que são retas e recomendáveis, mas infelizmente as poucas que eu recomendaria começaram a claudicar. 

De maneira geral, eu aconselho a comprar livros do tipo "fac-símile" porque supostamente seriam cópias do original nos quais aplicam uma capa bonitinha, enfeitadinha. Mas, recentemente, descobri que nem sempre é assim, e mesmo nos livros supostamente fac-símile é possível alterar a verdade sob o pretexto de que o original está em português arcaico. Foi desanimador descobrir que uma das editoras que eu inclusive já recomendei alterou esse tipo de livros, acrescentando os mistérios "luminosos" e até preces a neosantos hereges... 

Hoje vou comentar acerca de uma editora que começou bem, ou parecia isso. Refiro-me à Editora Cristoelivros. Hoje, lançou no Instagram a campanha com dois livros que vinha anunciando como uma bomba que desmascararia o "tradicionalismo" e, por óbvio, criticando os tradicionalistas. 



Os dois lançamentos são criticáveis e a seguir explico o por que.  
 

LIVRO SOBRE O SUPOSTO TRADICIONALISMO

O primeiro foi escrito por um tal padre Bernard Lucien, um ilustre desconhecido o qual, me dizem, questiona até... São Vicente de Lerins!!! Um consagrado escritor eclesiástico canonizado indiscutivelmente pela Igreja e sobre cujas eventuais falhas a Igreja já se manifestou (Bento XIV. Prestem atenção, 14, não 16!!!) e, como é sabido, Roma locuta causa finita. Ele retoma uma polêmica para criar fama. Mas um teólogo não nasce assim. 

Então, só por isso já não se deveria gastar dinheiro com uma obra onde verdade e mentira se misturam. Pode até ser que o "tradicionalismo" seja uma heresia nos moldes como esse suposto padre declara, mas quem pode afirmar isso é unicamente a Igreja, não um ilustre desconhecido em busca de fama e que distorce a verdade a seu bel prazer. Segundo, a heresia do tradicionalismo se refere aos que se opuseram ao Concílio Vaticano I e não tem relação alguma com os que defendem a Tradição bimilenar da Igreja, o que seria um contrassenso, porque seria afirmar que defender a Verdade é heresia. Entendem? 

Transcrevo porque conforme a verdade o que escreveu o finado professor Orlando Fedeli, em 01/09/2000, a respeito do tradicionalismo enquanto heresia reconhecida e declarada pela Igreja:
O chamado tradicionalismo filosófico tem raiz nos escritos de Joseph de Maistre, Lamennais e outros. Todos esses autores apresentam graves erros contra a Fé e a revelação. O Concílio Vaticano I condenou os erros dos tradicionalistas enquanto negavam capacidade à razão humana. Joseph de Maistre foi seguidor das teses de Jacob Boehme, além de maçom martinista.
Muitos católicos o julgam um autor ortodoxo porque ele escreveu o "Du Pape", defendendo a infalibilidade papal. Entretanto, ele defende que o Papa é infalível porque é soberano. Para ele, todo soberano é infalível quando pronuncia sentenças irrecorríveis. Ora, o Papa não é infalível porque é um soberano, e sim pelo poder dado por Cristo a São Pedro e seus sucessores.
Além disso, De Maistre tem inúmeros outros erros: por exemplo, é ecumenista. Sobre esses erros de Joseph de Miastre recomendo-lhe o livro "Joseph de Maistre Mystique de Dermenghem". Lamennais foi condenado por Gregório XVI na encíclica "Mirari vos". 
Evidentemente, a condenação desse tradicionalismo gnóstico procedente de Boehme e da Cabala nada tem a ver com a doutrina que defende a tradição apostólica, que é santa e de fé.
É preciso desenhar? Falar em libras? Mímica? Claro está, mesmo sem ler o que esse sujeito escreve, que está a condenar o que a Igreja mesma não condena, porque Ela não condenaria a Si própria.  


LIVRO SOBRE LUTERO

O segundo livro é interessante porque acaba expondo a HIPOCRISIA da editora em questão e de seus sequazes, uma vez que é contra, como se vê pelo título, as 95 testes luteranas. E por que expõe uma tão clara e evidente hipocrisia? Porque o "papa" que eles dizem reconhecer e seguir já reabilitou Lutero inúmeras vezes. Basta uma breve pesquisa no Google para refrescar a memória ou olhar aqui mesmo no Pale Ideas o que já publicamos a respeito. A sequência de fotos acima e logo abaixo é uma pá de cal no assunto: 

Esta foto já postei acima, mas é mais ampla e mostra um prelado tampando o nariz. Devia lá ter suas razões, mas me faz lembrar do cortejo fúnebre de Lutero quando, conforme registrado à época pelos próprios luteranos, o cadáver exalava um fedor nauseabundo, que permaneceu mesmo depois de sepultado e coberto de terra. 

V Centenário da Reforma Protestante, lê-se no topo do selo, apresentado em 31 de outubro deste ano pelo Departamento Filatélico do Vaticano. Segundo o comunicado oficial, o selo retrata “em primeiro plano, Jesus crucificado, tendo ao fundo um céu dourado sobre a cidade de Wittenberg, onde em 31 de outubro de 1517 foram fixadas pelo frei agostiniano as 95 teses. De joelhos, à esquerda, Martinho Lutero com uma Bíblia, enquanto à direita está seu amigo Felipe Melanchton – um dos maiores divulgadores da Reforma – tendo em mãos a Confissão de Augsburgo, o primeiro documento oficial dos princípios do protestantismo.”


Quanto ao livro em si, não posso dizer nada porque nunca lerei, mas expõe e denuncia a hipocrisia dos modernistas porque, se reconhecem e obedecem ao Papa, não deveriam publicar tal livro. Não lhes parece?  

Então, como confiar em uma editora dessas? Fala uma coisa e pratica outra!!! Critica os tradicionalistas chamando-os de sedevacantistas - como se isso fosse um xingamento -  mas NÃO OBEDECE ao "papa". Hipocrisia que chama, sim! 


CONCLUSÃO    

Exposto isto à vossa reflexão, pergunto: qual é a intenção de vender os dois livros ao mesmo tempo senão a de chamar os tradicionalistas - aqueles que são fiéis à Tradição bimilenar da Igreja, como São Pio X e todos os Papas pré-Conciliares e toda a Comunhão dos Santos - de hereges tal qual os protestantes? 

Eu escrevi algumas considerações no Instagram dessa editora, no sentido de ressaltar a hipocrisia deles e de perguntar se sabiam que seis pastores protestantes haviam sido convidados a participar por Paulo VI da comissão que fabricaria a missa Novus Ordo conciliar e que, por isso, o livro deles não fazia sentido. Também questionei o primeiro livro e o autor, que se deu ao desfrute de questionar um Santo da Igreja. O resultado? Fora alguns comentários ridículos de fãs da página - que obviamente nunca leram um documento da Igreja, nem mesmo os do Concílio que tanto defendem como dogmático e sacrossanto - os quais não refutaram meus argumentos, mas apenas me atacaram (típico dos burros), fora isso... fui bloqueada pela página. Claro! Não podem permitir que a verdade seja dita e que as vendas 💰💰💰 sejam prejudicadas... 

Por isso resolvi escrever aqui, pois, queiram ou não, gostem ou não, o Pale Ideas continua uma blog de referência na Tradição Católica verdadeira, tem um alcance muito amplo e uma participação "ecumênica", pois é lido inclusive por modernistas. Mas não é só para eles o alerta! É sobretudo para os que querem permanecer fiéis à Igreja de Cristo, porque não devemos dar nosso suado dinheirinho para os hereges. Comprar qualquer livro dessa editora é o mesmo que comprar os livros do Edir Macedo. A diferença é que todos sabem quem é Edir Macedo, mas quando se compra e se lê um livro de uma editora supostamente católica, sem conhecer todos os Dogmas, todas as heresias, toda a Doutrina da Igreja, nem sequer direito os Dez Mandamentos, está se expondo a alma a risco de perdição eterna. Nem eu mesma conheço todas as heresias. Prefiro seguir o que a Igreja ensina e evitar livros editados por quem é hipócrita. 

Pretendo seguir publicando esse tipo de post, denunciando as falsas editoras católicas. Fiquem atentos! 

domingo, 25 de julho de 2021

Dia dos Avós – origem e comemoração legítima


Dia dos Avós – origem e comemoração legítima 


Por Giulia d'Amore para o Pale Ideas. 


Geralmente, as festas do mundo – dia do motorista, dia do pintor, dia da família etc. – têm origens profanas, via de regra maçônicas, para substituir, na lembrança dos cristãos, as festas dos Santos. O diabo é chamado “macaco de Deus” porque O imita sempre que pode, para confundir o homem, e é, de fato, a sua assinatura, onde pode ser reconhecido e desmascarado. Aqui, o diabo macaqueia a Igreja – que erradicou festas pagãs pelo bem das almas, criando (e não “substituindo”) novas festas, mais benfazejas aos cristãos para garantir que guardassem a Fé – e substitui as festas cristãs por outras similares – o dia do motorista, por exemplo, substitui a festa de São Cristóvão; e se vê até mesmo “padres” modernistas dando ênfase a esse detalhe secundário em detrimento do que realmente importa, a memória do Santo – e, às vezes, totalmente contrárias à fé católica, como o dia da mulher, ou o dia do orgulho (sic) LGBT... 

No caso do Dia dos Avós, não é assim, porque os Santos avós de Nosso Senhor Jesus Cristo são a motivação original da data em que se celebram e honram (ou se deveria) os avós porque é no dia de Santa Ana, ou Sant’Ana, que ocorre a festa. E isso porque Paulo VI/Montini juntou, na década de 1960, as festas em honra dos Santos avós de Jesus, celebradas sempre em separado, como se verá mais abaixo.  

Entre os vários mistérios sobre Jesus Cristo e sua família, está a figura da avó materna, com uma história pouco conhecida. Apesar disso, é no dia da Padroeira das grávidas – porque Santa Ana foi mãe tardiamente e Maria foi fruto de um milagre, ou melhor dizendo, de um mistério – que se celebra o Dia dos Avós, por causa da história da dedicação dos pais de Maria, que se mantiveram unidos mesmo nas adversidades.  


Breve Vita de Santa Ana e São Joaquim


Santa Ana era casada com São Joaquim, homem virtuoso e rico, da estirpe de Davi, e viviam em Jerusalém. Como era o costume da época, Santa Ana casou cedo, mas não teve filhos, mesmo após vinte anos de matrimônio. Por causa disso, São Joaquim foi censurado pelo sacerdote Rubén, que o impediu de sacrificar no Templo por não ter dado filhos a Israel, o que era visto como punição divina por causa de algum pecado. Homem justo, não repudiou a esposa, e juntos suportaram as humilhações, com resignada paciência, rezando e oferecendo mortificações. Um dia São Joaquim decidiu fazer penitência sozinho, no deserto, entre os pastores, onde ficou 40 dias isolado. Enquanto isso, um Anjo apareceu a Santa Ana, anunciando a iminente concepção. O mesmo Anjos apareceu em sonho a São Joaquim confirmando que as suas orações haviam sido enfim ouvidas, e ele voltou para casa. O casal se encontrou na Porta Áurea de Jerusalém; os pintores sacros medievais, como Giotto, viam no beijo casto desse reencontro o momento da concepção da Santíssima Virgem. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-nos ao prêmio de ter por filha Aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Assim, Santa Ana finalmente concebeu a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, que nasceu no dia 8 de setembro, quinze anos antes de conceber o Salvador. Ainda segundo a tradição, Santa Ana morreu logo que a Menina completou três anos de idade. 

Encontro na Porta Áurea
Giotto


Culto a Santa Ana e São Joaquim 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Santa Maria Rainha, Medianeira e Corredentora e a Medalha reveladora


 

SANTA MARIA RAINHA, MEDIANEIRA E CORREDENTORA 

 
Essas são as três gemas fúlgidas que tornam soberanamente bela e poderosa a Imaculada Mãe de Deus. Que a Medalha Milagrosa, que apressou a solene proclamação de Fé da Imaculada Conceição, possa fazer apressar também a definição dos Dogmas Marianos de Rainha, Medianeira e Corredentora.

Não é por acaso que a Medalha Milagrosa faz brilhar essas Verdades. Cabe-nos não negligenciar a lição e o chamamento tão doce e consolador que esta nos dá: a Minha Celeste Mãe Imaculada também é minha Celeste Medianeira, Corredentora e Rainha


Toda a graça vem d’Ela!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A Virgindade Perpétua de Maria Santíssima


Virgindade de Maria antes, 

durante e depois do parto


Dia 2 de fevereiro são comemoradas a Festa de Nossa Senhora da Candelária, quando se abençoam as velas, a Festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo e a Festa da Purificação da Virgem. Vamos falar desta última festa, ou melhor deste assunto. 

Tendo nascido sem pecado originalDogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, declarado em 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus” – a Virgem Maria não precisava purificar-se após o parto, mas o fez em obediência à lei e para não causar escândalo desnecessário. 

Além de ter nascido sem pecado original, Nossa Senhora foi Virgem antes, durante e depois do parto.  

A Virgindade perpétua da Mãe de Deus também é Dogma de fé, e foi definido pelo Primeiro Concílio de Latrão (649) e confirmado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla (680), e está incluído no Credo Niceno-Constantinopolitano: “se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”, e no Símbolo dos Apóstolos: “nasceu de Maria Virgem”, que rezamos diariamente do Rosário. 

Quero falar disso porque chegou a meu conhecimento que há católicos, e católicos da Tradição, que andam propalando uma blasfêmia contra a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora. Segundo esses blasfemadores hereges, Nossa Senhora (1) teve as dores do parto e (2) teve parto comum, como toda mulher, e depois do parto, magicamente, voltou a ser virgem. SIC!


1. As dores do parto. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Santo Peregrino e Santa Peregrina

Há bem nove "Peregrinos" e três "Peregrinas", entre Santos e Beatos da Igreja Católica:
  1. São Peregrino de Triocala (I secolo), bispo, consagrado por São pedro, e mártir: memória, 30 de janeiro;
  2. São Peregrino de Roma (†192), mártir da Via Aurélia, com os Santos Eusébio, Ponciano e Vicente sob o imperador Comodo; memória, 25 de agosto;
  3. São Peregrino de Auxerre (V séc.), bispo e mártir; memória, 16 de maio;
  4. São Peregrino Bispo, também conhecido como São Ceteo (†597), bispo é mártir, padroeiro da cidade de Pescara; memória, 13 de junho;
  5. São Pelegrino Laziosi (†1345), também conhecido como São Pelegrino de Forli, prior e servita, patrono dos doentes de câncer; memória, 1º de maio.
  6. Beato Peregrino de Falerone (†1233), padre franciscano e um dos primeiros discípulos de São Francisco de Assis; memória, 27 de março.
  7. Beato confessor Peregrino de Verona, lembrado junto com o confessor Evangelista; memória, 26 de julho.
  8. São Peregrino, eremita, lembrado junto com Guilherme; memória, 26 de abril.
  9. São Peregrino, mártir em Apolônia, junto com Isauro, Inocêncio, Felix, Ermia e Basílio; memória, 17 de junho
  10. Santa Peregrina, mártir em Nicomedia; memória, 22 de fevereiro.
  11. Santa Peregrina, mártir em Tarso; memória, 10 de maio.
  12. Santa Peregrina, mártir em Roma; memória, 5 de outubro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Da eficácia e alcance das orações dos pecadores

Muitos já me perguntaram sobre este tema, se adianta a um pecador rezar, se Deus o ouve, se atende as suas preces por alguma necessidade que esteja a precisar. E eu aprendi que não, mas não tinha um subsídio escrito, uma "fonte" para oferecer, apenas os costumeiros bons conselhos e sermões (nem todos estão registrados, infelizmente) de meu Diretor espiritual, o Rev. Padre Ernesto Cardozo. Um dia desses, a Divina Providência me fez encontrar este texto, enquanto fazia uma tradução para um novo livro da Editora (spoiler: de um grande pregador que foi recentemente censurado por "tradicionalistas"), e resolvi dedicar um post especialmente para ele no Pale Ideas. Demandou pesquisa para encontrar as fontes que o próprio texto cita - e não foi fácil porque, de fato, até onde sei, não temos em português essa homilia de São João Crisóstomo, preciosa!, nem mesmo, até onde sei também, os retumbantes sermões do Padre Paulo Segneri S.J., um dos grandes pregadores da Igreja, e tão desconhecido... Quiçá Deus permita que possam ainda ser traduzidos. Até lá, espero que este breve trecho seja útil a quem dele precise - e a tradução, de um italiano um pouco arcaico, mas que ainda domino muito bem, entremeado por trechos em latim. Uma joia! E a ofereço Àquela que é a única que tem o direito de chamar todo um Deus de Filho, Mãe de Cristo e minha, a Santíssima Virgem Maria. 

Sugestão prática: Seja antes das orações diárias costumeiras como de todas as outras, eu costumo rezar o Confiteor, para melhor me predispor à oração. Contudo, é aconselhável estar sempre "confessado", ou seja, em estado de graça, não apenas para ser atendido nas orações, mas principalmente porque não sabemos quando Deus, nosso Senhor e Criador, vai nos chamar à Sua presença para prestarmos conta de nossos pensamentos, palavras e ações. Nunca é prudente dormir sobre nossos pecados. Caso não tenha um Padre por perto, lance mão da Contrição Perfeita e do Exame de Consciência diário, até poder encontrar um confessionário católico para se limpar de suas celaredezes (pecados, impiedades, crimes...). Boa leitura. 





Da eficácia e alcance das orações dos pecadores


Nem pode vos beneficiar, em semelhantes perigos, recorrer à oração; pois não sabeis vós que, por estarem nesse estado (de pecado), em nada, quanto a isso, são aceitas as vossas súplicas? Ouvi como Deus vo-lo denuncia desde o primeiro capítulo de Isaías: “cum multiplicaveritis orationem, non exaudiam[1]. E vejam como bem o provou a suas custas o ímpio Antíoco[2], o qual, caído em uma horrenda enfermidade [3], recorreu logo ao Céu com grande empenho, mas tudo em vão! “Oravat scelestus Dominum, a quo non erat misericordiam consecuturus[4]. Visto que em um caso apenas são infalivelmente atendidas as preces dos que ainda são pecadores, e é quando pedem, sinceramente, o perdão de suas culpas. Em todas as outras situações, Deus não costuma atendê-las, se não, talvez, para aumentar a miséria deles; e, contudo, como explica o doutíssimo Suaréz (3 p. qu. 86, § 2, n. 18), para Antíoco não havia misericórdia, porque ele não pedia a remissão de suas celeradezes, mas a recuperação da saúde física. Se, portanto, enquanto haveis afeição ao pecado não agradam ao Céu nem mesmo as vossas mais fervorosas preces – mais ainda, lhe são odiosas; mais ainda, lhe são execrandas, segundo aquele horrível dito dos Provérbios: “qui declinat aures suas, ne audiat legem, oratio ejus erit execrabilis[5] – que estado mais desafortunado do vosso se poderá encontrar? Onde podereis vos voltar para obter socorro nas vossas calamidades, conforto em vossas preocupações, felicidade em vossos negócios, proteção nos perigos que vos rodeiam? Vos poreis com David a louvar a Deus? Mas não percebeis que Ele não vos quer em seu coro (louvor)? “Non est speciosa laus in ore peccatoris[6]. Bem que o Crisóstomo[7] nota, com agudeza, que aquele grande Rei convidou a cantar com ele os seus salmos todas as criaturas mais horríveis que há no mundo... Convidou os escorpiões, convidou as serpentes, convidou os mais ferozes dragões; mas não convidou os pecadores. Disse bem ele, “laudade Dominum, dracones[8]; mas nunca disse, “laudade Dominum, peccatores”: tanto é verdade que nem os próprios louvores que os pecadores possam render a Deus lhe são caros: “Scorpii, serpentes, dracones”... Ouvi as próprias palavras do Santo, “scorpii, serpentes, dracones invitantur ad laudandum Deum[9]. Quem foi excluído? “Solus peccator, solus peccator[10], pobre dele!, “solus peccator ab hac sacra chorea excluditur[11]. Que fareis, então? Oferecereis grandes esmolas? Deus abomina, neste momento, o vosso ouro. Fareis longas peregrinações? Deus desdenha, neste momento, as vossas visitas. Empreendereis rígidas austeridades? Não agradam a Deus, neste momento, os vossos jejuns. Fazei quanto quiserdes o bem; enquanto estiverdes em pecado, nenhuma de vossas obras é meritória: “Incensum abominatio est mihi[12], assim mesmo reclama Deus a Isaías, “calendas vestras et solemnitates vestras odivit anima mea (...), laboravi sustinens[13]. Sim!, “laboravi sustinens[14]. Não é meritório para vós nem assistir à missa, nem ouvir a pregação, nem vestir os nus, nem socorrer os enfermos, nem acolher os peregrinos, nem usar qualquer outra obra de piedade; e, ainda que, notais bem, ainda que seja muito melhor continuar a fazer tais obras, mesmo depois do pecado, que deixar de fazê-las – porque Deus, por sua gratuita misericórdia, tende ordinariamente, a respeito delas, como ensinam os teólogos, a nos tolerar com maior magnanimidade; por isso, “laborat[15], é verdade, mas também “sustinet[16] – com tudo isso, é preciso bem dizer a verdade, coisa certa é que todas essas obras são mortas. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Deveres de estado x deveres da Religião

Lucio Massari: Sagrada Família (1675).

Deveres de estado x deveres da Religião

---------- Forwarded message ---------
De: Unknown <noreply-comment@blogger.com>
Date: seg., 11 de jan. de 2021 às 20:45
Subject: [Pale Ideas - Tradição Católica!] Novo comentário em Ofício Parvo de Nossa Senhora. 

Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ofício Parvo de Nossa Senhora":

Ela pode rezar de uma só toada, e sempre procurar ter tempo para as orações. Ainda que se leve em conta as obrigações de estado, o convívio com Deus deve ser priorizado sim. Estimule as pessoas a rezarem e não as desestimule com esses conselhos "se der reza, se não der não reza"...

Bom, não costumo responder a anônimos porque, geralmente, salvo raríssima exceções que confirmam a regra, se trata de gente ignorante (na acepção do dicionário) e soberba. Como esta pessoa, que nada sabe sobre Catolicismo, espiritualidade católica, deveres de estado etc., Se soubesse, teria compreendido perfeitamente a questão e trataria de fazer dar frutos de santidade em sua própria vida com toda a sabedoria que crê ter. Deus quer ver estes frutos e não mexericos e maledicências, por exemplo. Provavelmente é alguém que passa tempo demais fazendo o que não deve e tempo de menos não fazendo suas obrigações, como bom liberal, no melhor estilo: faça o que digo, mas não faça o que eu faço.  

Mas, desta vez, vou abrir uma exceção porque o assunto é útil para todos nós, pois muitos tem esta dúvida: o que é mais importante, os deveres de estado ou os da Religião? Qualquer criança com catecismo básico sabe a resposta, mas vejamos os exemplos de nossos modelos de santidade.

O anônimo talvez não conheça Santa Francisca Romana - Santa nos três estados de vida - canonizada pela Igreja e que, por isso, passou por crivos assaz rígidos, que vasculharam a sua vida atrás de erros que pudessem levar outros a erro. E não só não encontraram como a sua vida é exemplar para nós outros, simples católicos de banco de igreja. Quem não sabe, por exemplo, que ela, se o marido a chamasse enquanto estava a rezar, tudo deixava para ir atendê-lo?  

Se o anônimo se dedicasse mais ao que crê conhecer talvez soubesse disso e não passaria vergonha em público (este e-mail foi enviado como comentário a um post sobre o Ofício de Nossa Senhora, que eu moderei e joguei para SPAM), ou se deteria antes de falar sobre o que desconhece.  

Ops! Não passa vergonha publicamente porque, covardemente, preferiu não dizer o nome, mas Deus tudo vê, e estamos sempre na Sua santa presença. Portanto, a vergonha existe e está registrada, e se essa pessoinha tivesse o bom costume de se olhar no espelho da alma e fazer exame de consciência diário, se envergonharia de aconselhar asneiras e de comentar o que não sabe, e tentaria se esmeirar em se santificar, dar frutos. 
 
Devemos sempre fazer a vontade de Deus! Ao se escolher um estado de vida, supõe-se que Deus foi consultado e ouvido, então cada um segue a vida que Nosso Senhor designou, seja ela matrimonial, religiosa/sacerdotal ou celibatária. Enfim... Isso é catecismo básico. Logo, por obrigação de estado, quem deve se preocupar em "priorizar o convívio com Deus" são os religiosos, porque esta é a razão da vida deles, da vocação deles: o dever de estado deles. A rotina deles é toda feita nesse sentido, apesar de também possuírem certos momentos de trabalho manuais, mas eles têm a obrigação de cumprir uma rotina rigorosa de orações, mortificações e etc.

Quem seguiu a vocação matrimonial também fez a vontade de Deus e segue uma vocação que é vivida no mundo mesmo. E é assim que deve se santificar: deve dedicar-se primeiro aos deveres de estado e, depois, sobrando tempo, às coisas da Religião, porque é justamente nos deveres de estado que está a servir a Deus, pela obediência e sacrifício.  

Cada um no seu lugar. Isto é ordem. A desordem não é de Deus. E, no mundo atual, ela é fruto do pensamento liberal, que ensina erroneamente que o que as pessoas "acham" é uma verdade, e, assim, pensam que a Verdade pode ser relativizada, como se fosse apenas mais uma opinião. Lembrem-se que a Fé é a adesão da inteligência à Verdade revelada, e essa adesão é plena, sem poréns, sem espaço para opiniões. 

Outra coisa meio óbvia é que este anônimo não possui um manual de confissão ou um livreto qualquer sobre o tema, ou, se o tiver, não costuma o abrir com frequência ou nunca o leu, pois se o tivesse lido saberia que está a dizer bobagens.  Sim, bobagens.

O católico conhece a Doutrina e tem convicção de que aderiu à Fé Católica, e, sem ficar se justificando, dando desculpas e oferecendo empecilhos à ação da divina Graça, diz a si mesmo: sou católico e basta!  

É preciso extirpar o pensamento liberal dos ambientes católicos, pois é ele que causa esse tipo de comportamento e de confusão, faz com que as pessoas não compreendam as coisas objetivamente, enfraquece o caráter, a fibra cristã, e causa desordem. Com a convicção renovada com os Sacramentos e os constantes atos de Fé, Esperança e Caridade, é possível restaurar e reordenar tudo em Cristo.

Nada impede, certamente, que ao cumprir deveres de estado que o permitam não se possa estar com a mente e o coração voltados para Deus. Por exemplo, quando a mulher lava a louça ou faz qualquer outro trabalho manual que não exija concentração; ou quando o homem está dirigindo ou ocupado com atividades estritamente manuais. Mas, quando alguém está trabalhando com a mente, é impossível que possa fazê-lo, a menos que tenha a graça de um dom especial. Deixar as obrigações de estado de lado para rezar... Não! Eu mesma tenho o hábito de ocupar a mente, quando não a estou ocupando com algum trabalho intelectual, com preces curtas e jaculatórias, para não desperdiçar o tempo.  

Alguém poderia arguir que, depois cumprir os deveres de estado, não sobra tempo ou está cansado demais para rezar... Bom, então, acorde mais cedo ou durma mais tarde. Terá a eternidade para descansar.  

O cerne da questão, aqui, é saber ordenar o dia para que sobre tempo para ambas as coisas, na justa medida, hierarquicamente. 

Resumindo, primeiro as obrigações de estado, depois as da Religião. Ordem. Simples assim. 

Caro anônimo, se tiver a tentação de comentar novamente com suas tolices, respire fundo e... vá lavar aquela pilha de louça dobrando na pia (ou vá carpir um lote, porque esse anônimo tem toda pinta de ser um varão desocupado: esto vir)!!!

Giulia d'Amore 

PS. Gostaria de saber quando foi que eu desestimulei alguém a rezar!  😏 

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