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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Como escolher uma esposa


Como escolher uma esposa 

São João Crisóstomo 



Portanto, quando fordes escolher uma esposa, não examineis somente as leis do Estado, mas, antes, examineis as leis da Igreja. Deus não vos julgará no último dia segundo as leis do Estado, mas segundo Suas leis. Não é mesmo uma tolice? Quando estamos sob ameaça de perder dinheiro, tomamos todos os cuidados possíveis, mas quando nossa alma está sob risco de ser eternamente punida, nem ao menos prestamos atenção. Tu sabes que tem duas escolhas. Se tu escolheres uma má esposa, terás de enfrentar aborrecimentos. Se não aceitares enfrentá-los, serás culpado de adultério por divorciar-te dela. Se tivesses investigado as leis do Senhor e as conhecesse bem antes de te casares, terias tomado muito cuidado e escolhido uma esposa decente e compatível com teu caráter desde o início. Se tivesses te casado com uma esposa assim, terias ganhado não apenas o benefício de não te divorciares dela como o benefício de amá-la intensamente, conforme Paulo ordenou. Pois quando ele diz "Maridos, amem vossas esposas", ele não pára por aí, mas fornece a medida deste amor, "como Cristo amou a Igreja".

Vejamos, porém, se a beleza e a virtude da alma da noiva atraiu o Noivo. Não, ela não era atraente nem pura, conforme estas palavras de Paulo: "Ele se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a lavagem da água" (Efésios 5:25-26). [...] Apesar disso, Ele não abominou sua feiura, mas neutralizou sua repulsividade, remoldando-a, reformando-a e remitindo seus pecados. Tu deves imitá-Lo. Mesmo que tua esposa peque contra ti mais vezes do que podes contar, tu deves perdoá-la em tudo. Quando surge uma infecção em nossos corpos, não cortamos o membro fora, mas tentamos curar a doença. Devemos fazer o mesmo com uma esposa. Mesmo que ela não apresente melhoras em função de nossos ensinamentos, assim mesmo receberemos uma grande recompensa de Deus pela nossa paciência e por termos mostrado tanto auto-domínio em temor a Ele. Nós conseguimos suportar as maldades dela com nobreza, sem cortar o membro fora. Pois uma esposa é como se fosse um membro nosso, e por causa disso devemos amá-la. É precisamente isto que ensina Paulo: "Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos […] Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Cristo à Igreja; porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos" (Efésios 5:28-30).

quarta-feira, 9 de março de 2016

Caminhos para entrar na vida eterna



Caminhos para entrar na vida eterna


Sermão sobre o diabo tentador



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu.

O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5). 

Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...

 


Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... 


O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível... 

Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).


Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.



***

 Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

Fonte: http://judamore.blogspot.com/2016/03/caminhos-para-entrar-na-vida-eterna.html



COMENTARISTA, LEIA ANTES O 
  
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

São João Crisóstomo, Bispo, Confessor e Doutor

27 de janeiro 

São João Crisóstomo 

Bispo, Confessor e Doutor


São João Crisóstomo
Grande batalhador da Igreja no Oriente

 


 
Cognominado “Boca de Ouro”, pela força e beleza de sua eloqüência, com sua palavra desarmou os bárbaros, combateu o arianismo que infectava o Oriente e os desmandos da decadente Bizâncio 
 
João Crisóstomo nasceu em Antioquia por volta do ano 344, filho de Segundo, principal comandante das tropas do Império do Oriente. Sua mãe, Antusa, ficando viúva aos vinte anos, não quis contrair segundas núpcias, para dedicar-se inteiramente à educação de seus dois filhos e às boas obras.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

São João Crisóstomo

Hoje a Igreja comemora o dia de São João Crisóstomo. Aqui alguns trechos da Homilia sobre os Atos dos Apóstolos, de sua autoria:

"Que pode perturbar o santo? A morte? Não, porque a deseja como prêmio. As injurias? Não, porque Cristo ensinou a sofrê-las: 'Bem-aventu­rados sereis quando vos injuriarem e vos perseguirem' (Mt 5,11). A doen­ça? Também não, porque a Escritura aconselha: 'Aceita tudo o que Deus te mandar, e permanece em paz na tua dor, e no tempo da humilhação tem paciência; porque o ouro e a prata se provam no fogo e os homens amados de Deus no cadinho da tribulação' (Eclo 2,5). Que resta então que seja capaz de perturbar o santo? Nada. Na terra, até a alegria costuma aca­bar em tristeza; mas, para quem vive de acordo com Cristo, as próprias penas se transformam em alegria" (S. João Crisóstomo, Homilia sobre as Estátuas 19).

Que pode perturbar o santo? A morte? Não, porque a deseja como prêmio. As injúrias? Não, porque Cristo ensinou a sofrê-las: Bem-aventurados sereis quando vos injuriarem e vos perseguirem (Mt 5, 11). A doença? Também não, porque a Escritura aconselha: Aceita tudo o que Deus te mandar, e permanece em paz na tua dor, e no tempo da humilhação tem paciência; porque o ouro e a prata se provam no fogo, e os homens amados de Deus, no cadinho da tribulação (Ecl 2, 5). Que resta então, que seja capaz de perturbar o santo? Nada. Na terra, até a alegria costuma acabar em tristeza; mas, para quem vive de acordo com Cristo, as próprias penas se transformam em alegria. (Homilias sobre as estátuas, 18)

"Nada há de mais frio do que um cristão despreocupado da salvação alheia. Não podes aduzir como pretexto a tua pobreza econômica; acusar-te-á a velhinha que deu as suas moedas no Templo. O próprio Pedro disse: 'Não tenho ouro nem prata' (At 3,6). E Paulo era tão pobre que muitas vezes passava fome e não tinha o necessário para viver. Não podes pretex­tar a tua origem humilde; eles também eram pessoas humildes, de condi­ção modesta. Nem a ignorância te servirá de desculpa; todos eles eram ho­mens sem letras. Sejas escravo ou fugitivo, podes cumprir o que depende de ti; assim foi Onósimo, e vê qual foi a sua vocação... Não invoques a do­ença como pretexto, pois Timóteo estava submetido a freqüentes indispo­sições. Não digas; não posso ajudá-los, porque, se és cristão de verdade, é impossível que não o possas fazer... Cada um pode ser útil ao seu próximo, se quiser fazer o que está ao seu alcance".

Não há nada mais frio que um cristão despreocupado da salvação alheia. Não podes aduzir como pretexto a tua pobreza econômica. Acusar-te-á a velhinha que deu as suas moedas no Templo. O próprio Pedro disse: Não tenho ouro nem prata (At 3, 6). E Paulo era tão pobre que muitas vezes passava fome e não tinha o necessário para viver. Não podes pretextar a tua origem humilde: eles também eram pessoas humildes, de condição modesta. Nem a ignorância te servirá de desculpa: todos eles eram homens sem letras. Sejas escravo ou fugitivo, podes cumprir o que depende de ti; assim foi Onésimo, e vê qual foi a sua vocação [...]. Não invoques a doença como pretexto, pois Timóteo estava submetido a freqüentes indisposições. Não digas: não posso ajudá-los, porque, se és cristão de verdade, é impossível que não o possas fazer. Não há maneira de negar as propriedades das coisas naturais; o mesmo acontece com isto que agora afirmamos, pois está na natureza do cristão agir dessa forma [...]. É mais fácil o sol deixar de iluminar ou de aquecer do que um cristão deixar de dar luz; mais fácil do que isso seria que a luz fosse trevas. Não digas que é impossível; impossível é o contrário [...]. Se orientarmos bem a nossa conduta, o resto sairá como conseqüência natural. Não se pode ocultar a luz dos cristãos, não se pode ocultar uma lâmpada que brilha tanto [00']' Cada um pode ser útil ao seu próximo, se quiser fazer o que está ao seu alcance.


(S. João Crisóstomo, Homilia sobre os Atos dos Apóstolos 20).




São João Crisóstomo, rogai por nós!


Leia aqui uma bela biografia sobre São João Crisóstomo.


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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Humildade

Anunciação: Fiat!
A grande Humildade de Nossa Senhora

Antologia de São João Crisóstomo


Humildade


A paz foi para o Céu. E, se quisermos, podemos fazê-la voltar. Basta que expulsemos de nós a soberba e a arrogância [...] e sejamos humildes. (Homilias sobre São Mateus, 10, 6)

[A vanglória:] Foi ela que os afastou de Deus, foi ela que os fez procurar outra arena para as suas lutas e os perdeu. Porque, como se procura agradar aos espectadores que cada qual tem, conforme forem os espectadores, tais serão os combates que se realizam. (HomiZias sobre São Mateus, 72, 2)

Com essa disposição da tua alma, com o teu amor à vanglória, mesmo que vivas num ermo, ermo estarás tu de toda a virtude. (Homilias sobre São Mateus, 20, 2)

Que te parece, dentre as coisas do mundo, mais desejável e digna de inveja? O poder, dir-me-ás sem dúvida, a riqueza e a glória entre os homens. Mas, que pode ser mais miserável do que tudo isso, se o compararmos com a liberdade do cristão? Aquele que manda está sujeito ao furor dos povos, aos impulsos irracionais da multidão, ao medo dos que por sua vez mandam nele, às preocupações dos seus subordinados. E aquele que ontem mandava, hoje é um homem privado. A vida presente em nada se diferencia de um teatro. Ali um é rei, outro general, outro ainda faz o papel de soldado raso. Chegada a tarde, nem o rei é rei, nem aquele que manda manda, nem égeneral o general. Assim, no dia do juízo, cada um receberá o que tiver merecido, não pelo papel que tiver representado, mas pelas obras que tiver realizado. Será então digna de estima a glória que cai como a flor do feno? A riqueza, cujos possuidores o Senhor maldiz? Ai de vós, ricos!, diz (Lc 6, 24). E o salmista: Ai dos que confiam no seu poder e se orgulham da multidão das suas riquezas! (SI 48, 7). O cristão, em contrapartida, nunca passa de homem que manda a homem privado, de rico a pobre, de glorioso a obscuro. Continua rico quando mendiga e é exaltado quando se esforça por humilhar-se. Não manda sobre homens, mas sobre os príncipes submetidos ao poder do príncipe das trevas deste mundo, e esse império ninguém lho pode arrebatar. (Exortação 2 a Teodoro, 3)

O que é que receias?, parece dizer-te o Senhor. Ficar rebaixado pela humildade? Olha para Mim. Considera o exemplo que Eu vos dei, e verás então, com toda a evidência, a grandeza da humildade. (Homilias sobre São Mateus, 38, 3)

Por muito que te humilhes, nunca poderás chegar tão baixo como chegou o teu Senhor. [...] Não temas, portanto, como se, ao humilhar-te, te fosse tirada a honra, pois com isso não fazes senão aumentá-la [...]. Por que ambicionas os primeiros lugares? Para ficar acima dos outros? Escolhe o último lugar, e então obterás o primeiro. Se queres ser grande, não procures ser grande, e assim serás grande. Porque o contrário disso é ser pequeno. (Homilias sobre São Mateus, 65, 4)

[Que não nos aconteça como ao navio que] realizou muitas viagens e escapou de muitas tempestades, mas no porto de chegada choca-se contra uma rocha e caem pela borda todos os tesouros que carregava; assim, todo aquele que, depois de muitos trabalhos, não repele o desejo de louvores, naufraga no próprio porto. (Homilia sobre a perfeição evangélica)
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Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Amor à Pobreza

Matrimônio de S. Francisco com Irmã Pobreza

Antologia de São João Crisóstomo


Amor à Pobreza


Como não ter por suma loucura acumular tudo lá onde o que se deposita se perde e se corrompe, e não deixar nem a mais ínfima parte ali onde há de permanecer intacto e até crescer? E onde, além disso, havemos de viver por toda a eternidade! É por isso que os gentios não crêem no que lhes dizemos, pois querem que lhes demonstremos a nossa doutrina, não pelas nossas palavras, mas pelas nossas obras. Quando nos vêem construir magníficas casas e plantar jardins e construir termas e comprar campos, não conseguem persuadir-se de que estamos a preparar a nossa viagem para outra cidade. Se assim fosse, argumentam, [os cristãos] venderiam tudo o que possuem aqui e o depositariam ali, e assim pensam em função do que costuma acontecer na vida. Com efeito, podemos observar que os grandes ricaços adquirem casas, campos e tudo o mais principalmente nas cidades onde pretendem passar a vida. Nós, porém, fazemos o contrário: a terra que havemos de abandonar dentro de pouco, matamo-nos por possuí-Ia, e por umas braças a mais, ou por umas construções, não somente entregamos o nosso dinheiro, mas até o nosso sangue; mas para comprar o céu, custa-nos imenso desprender-nos até do supérfluo, e isso quando poderíamos comprá-lo a preço muito baixo e, uma vez comprado, possuí-lo eternamente. Portanto, se ali aparecermos nus, sofreremos o suplício definitivo, e o sofreremos não apenas por causa da nossa pobreza, mas por termos empobrecido os outros. Porque, quando os pagãos vêem que aqueles que foram iniciados em tão altos mistérios põem todo o seu afã no que é terreno, também eles o abraçam com redobrado ardor, com o que não fazem senão acumular brasas sobre a nossa cabeça. Se nós, que deveríamos ensiná-los a desprezar tudo o que é visível, somos os primeiros a excitar-lhes a cobiça, como poderemos salvar-nos, réus que somos da perdição dos outros? (Homilias sobre São Mateus, 12, 5)

"Como é possível isto [fugir da tirania do dinheiro]?", dir-me-eis. Metendo no vosso coração outro amor diferente: o amor dos céus. Aquele que aspira à realeza, despreza a avareza. (Homilias sobre São Mateus, 12, 6)

Por que queres que aconteça contigo o mesmo que aconteceu com Nabucodonosor? Este levantou uma estátua a si mesmo, e da madeira, da forma insensível, esperava que lhe adviria um acréscimo de fama. O vivo queria receber novo brilho daquilo que não tem vida: compreendes o excesso da sua loucura? Porque, crendo que iria honrar-se a si mesmo, cobriu-se de ignomínia. Efetivamente, como não considerar ridículo um homem que tem mais confiança num objeto inanimado que em si mesmo e na alma viva que há nele, e por isso exalta a tal grau de preeminência a madeira e procura ser glorificado não pelos seus costumes, mas por algumas peças reunidas? É exatamente como aqueles que pretendem brilhar pelo pavimento da sua casa, ou por uma bela escadaria, ao invés de brilharem pela sua condição de homens. Nabucodonosor tem hoje muitos imitadores entre nós. Ele quis ser admirado pela sua famosa estátua; outros querem agora ser admirados pelas suas vestes, pela sua casa, pelas suas mulas, pelos seus carros, pelas colunas que sustentam os seus palácios. E, como perderam o seu ser de homens, andam de cá para lá, buscando por toda a parte uma glória que é o cúmulo do ridículo. (Homilias sobre São Mateus, 4, 10)
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Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Luta Interior

Antologia de São João Crisóstomo


Luta Interior



Mal somos atingidos por uma doença corporal, não deixamos de tentar nada, até nos vermos livres da moléstia; estando, no entanto, a nossa alma doente, às vezes, tudo são vacilações e atrasos [...]: fazemos do necessário acessório, e do acessório necessário. Deixamos aberta a fonte dos males e desejamos secar os arroios. (Homilias sobre São Mateus, 14, 3)





segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Penitência e Conversão

Antologia de São João Crisóstomo


Penitência e Conversão



O mais grave é que, encontrando-nos neste estado [de pecado], não pensamos na deformidade da nossa alma nem nos damos conta do seu aspecto horrível. Quando te sentas numa barbearia para cortar o cabelo, imediatamente tomas na mão um espelho e olhas e voltas a olhar como vai ficando o corte e perguntas aos presentes e ao próprio barbeiro se ficou bem o topete da frente. E, mesmo que já sejas um velho, muitas vezes não te envergonhas da mania de imitar a gente jovem. Mas de que a nossa alma esteja deformada, e até de que tenha assumido o aspecto de uma fera [...], nem sequer nos damos conta. No entanto, também aqui dispomos de um espelho espiritual, muito melhor e mais proveitoso que o outro, material. Este espelho não somente põe diante de nós a nossa deformidade, mas até, se o quisermos, pode transformá-la em beleza incomparável. Este espelho é a memória dos homens santos, as histórias da sua vida bem-aventurada, a lição das Escrituras, as leis que por Deus nos foram dadas. Se alguma vez decidires olhar para as imagens desses santos, não somente verás a deformidade da tua própria alma, mas, assim que a vires, não precisarás de mais nada para libertar-te dessa fealdade. Tão proveitoso é para nós esse espelho e com tal facilidade realiza a transformação. (Homilias sobre São Mateus, 4, 9)

sábado, 30 de novembro de 2013

Caridade

Antologia de São João Crisóstomo


Caridade



Se a simples circunstância de serem de uma mesma cidade é suficiente para que muitos se façam amigos, como não terá de ser o amor entre nós, que temos a mesma casa, a mesma mesa, o mesmo caminho, a mesma porta, idêntica vida, idêntica cabeça, o mesmo pastor e rei e mestre e juiz e criador e Pai? (Homilias sobre São Mateus, 32, 7)

Procuremos aquelas virtudes que, além de nos darem a salvação, aproveitam principalmente ao próximo. [...] Nas coisas terrenas, ninguém vive para si mesmo. O artesão, o soldado, o lavrador, o comerciante, todos sem exceção contribuem para o bem comum e para o proveito do próximo. Por maioria de razão nas coisas espirituais, porque isto, acima de tudo, é que é viver. Aquele que vive só para si, e despreza os outros, é um ser inútil, não é um homem, não pertence à nossa linhagem.

Também nós seremos chamados a prestar contas dos mandamentos que nos foram dados, e, por mais que façamos, não teremos com que pagar. Por isso Deus nos deu um caminho chão e fácil para pagar, um meio simples de saldar toda a nossa divida: não guardar nunca rancor ao nosso próximo. (Homilias sobre São Mateus, 61, 3)

Nada nos assemelha tanto a Deus como o estarmos sempre dispostos a perdoar. (Homilias sobre São Mateus, 19, 3)

Deus a ninguém aborrece e rejeita tanto como ao homem que se lembra da injúria, ao coração endurecido, ao ânimo que conserva o ressentimento. (Homilia sobre a traição de Judas, 2, 6)

Quem é humilde é útil a si e aos outros. (Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 6).

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fé e Oração

Antologia de São João Crisóstomo


Fé e Oração



Abrir os olhos é coisa de Deus, escutar atentamente é coisa nossa; a fé é simultaneamente obra divina e obra humana. (Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 35)

Deus chamou [os Magos] servindo-se daquilo que lhes era mais familiar e mostrou-lhes uma grande e maravilhosa estrela para que lhes chamasse a atenção pela sua própria grandeza e formosura [...]. Enquanto os Magos estavam na Pérsia, não viam senão uma estrela; mas, depois que deixaram a sua pátria, viram o próprio Sol da justiça. (Homilias sobre São Mateus, 6, 3-6)

Quando digo a alguém: "Roga a Deus, pede-lhe, suplica-lhe", responde-me: "Já pedi uma vez, duas, três, dez, vinte vezes, e nada recebi". Não cesses, irmão, enquanto não tiveres recebido; a petição termina quando se recebe o que se pediu. Cessa quando tiveres alcançado; melhor ainda, nem então cesses. Persevera ainda. Enquanto não receberes, pede para conseguir; e quando tiveres recebido, dá graças. (Homilia sobre a rejeição da cananéia, 10)

A necessidade obriga-nos a rogar por nós mesmos, e a caridade fraterna a pedir pelos outros; mas é mais aceitável a Deus a oração recomendada pela caridade do que aquela que é motivada pela necessidade. (em Catena aurea, vol. I, pág. 354) (Homilias sobre a primeira Epístola aos Coríntios, 5, 7-8)

Na verdade, entras no coro dos anjos, és companheiro dos arcanjos e cantas junto dos serafins [...]. Não fazes oração aos homens, mas a Deus. (Homilias sobre São Mateus, 19, 3).

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da Alegria

Antologia de São João Crisóstomo


Alegria



Podeis acaso não estar em festa contínua durante os dias da vossa vida terrena? Longe de nós qualquer abatimento pela pobreza, doença ou perseguição que nos aflige. A vida presente é um tempo de festa. (Homilias sobre São Mateus, 19, 3)

Que pode perturbar o santo? A morte? Não, porque a deseja como prêmio. As injúrias? Não, porque Cristo ensinou a sofrê-las: Bem-aventurados sereis quando vos injuriarem e vos perseguirem (Mt 5, 11). A doença? Também não, porque a Escritura aconselha: Aceita tudo o que Deus te mandar, e permanece em paz na tua dor, e no tempo da humilhação tem paciência; porque o ouro e a prata se provam no fogo, e os homens amados de Deus, no cadinho da tribulação (Ecl 2, 5). Que resta então, que seja capaz de perturbar o santo? Nada. Na terra, até a alegria costuma acabar em tristeza; mas, para quem vive de acordo com Cristo, as próprias penas se transformam em alegria. (Homilias sobre as estátuas, 18).

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.


Jesus, Alegria dos Homens - Bach

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Confiança em Deus

Antologia de São João Crisóstomo


Confiança em Deus



Não somos nós, mas a Providência divina que faz tudo, mesmo nas coisas que aparentemente somos nós que fazemos. (Homilias sobre São Mateus, 21, 4)

Não é possível falar de não receber em se tratando de Deus, porque, tanto quanto a bondade supera a maldade, assim o seu amor supera o de todos os pais. (Homilias sobre São Mateus, 23, 5)

Além do que já nos disse, o Senhor dá-nos ainda mais um motivo para que tenhamos confiança: Procurai antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo (Mt 6, 33). Depois de ter livrado a alma de toda a inquietação, Cristo recorda-lhe o Céu. Com efeito, Ele veio destruir o que era antigo e chamar-nos a uma pátria melhor. Por isso não poupa esforços para nos livrar do cuidado do supérfluo e para nos desprender do desordenado amor à terra [...]. Não nascemos para comer, beber e vestir-nos luxuosamente, mas para agradar a Deus e alcançar os bens eternos. E já que essas coisas devem ser secundárias no nosso empenho, sê-lo-ão também na nossa oração. (Homilias sobre São Mateus, 22, 3)

Mesmo ofendido, Deus continua a ser nosso Pai; mesmo irritado, continua a amar-nos como a filhos. Só uma coisa procura: não ter de castigar-nos pelas nossas ofensas, ver que nos convertemos e lhe pedimos perdão. (Homilias sobre São Mateus, 22, 5).



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Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Seguimento de Cristo

Antologia de São João Crisóstomo


Seguimento de Cristo



1. Cristo deu-te o poder de ser como Ele segundo as tuas forças. Não te assustes ao ouvires isto. O que deve espantar-te é não seres como Ele. (Homilias sobre São Mateus, 78, 4)

2. Daniel era jovem; José, escravo; Áquila exercia uma profissão manual; a vendedora de púrpura encarregava-se de uma loja; outro era guarda de uma prisão; outro centurião, como Cornélio; outro estava doente, como Timóteo; outro era um escravo fugitivo, como Onésimo. E, no entanto, nada disso foi obstáculo para nenhum deles, e todos brilharam pela sua virtude: homens e mulheres, jovens e velhos, escravos e livres; soldados e civis. (Homilias sobre São Marcos, 43, 5)

3. Não é absurdo pores tanto cuidado nas coisas do corpo, a ponto de já desde muitos dias antes da festa preparares uma roupa belíssima, e te adornares e embelezares de todas as maneiras possíveis, e, no entanto, não tomares nenhum cuidado com a tua alma, abandonada, suja, esquálida, consumida de fome...? (Homilias sobre as estátuas, 6)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Carnaval: A ABOLIÇÃO DAS FESTAS CARNAVALESCAS

A ABOLIÇÃO DAS FESTAS CARNAVALESCAS

O COSTUME E O PECADO


São João Crisóstomo, na homilia “Sobre as prostituições”, diz algo que cabe muito bem aplicarmos a certos costumes, tais como o carnaval, que leva muitos para o caminho do pecado:

“Que não me diga alguém que é costume; onde o pecado ousa aparecer, não te lembres do costume, mas, se suspeitos os eventos, mesmo que sejam antigo costume, elimina-os; mas, se não forem frutos da malícia, mesmo que não sejam costumeiros, introduza-os e plante-os bem fundo.” (S. João Crisóstomo, Sobre as prostituições, 2, PG 51, 210.)  

Comentário: Muitos veem o carnaval como a festa da alegria. Nós, dizem-nos os pagãos, somos gente tola, que rejeita as coisas alegres da vida. Ora, meus irmãos, não é nada disso como pensam os pagãos; nós cristãos não repudiamos a alegria, sabemos que a alegria constitui, é claro, um anseio e uma expectativa de nossa santa e divina Religião Católica. Não, porém, a alegria mundana, essa que nos oferece o mundo, alegria sem relação com o Cristo e a sua Igreja. São Paulo, concebendo a alegria, não falou sobre alegria simplesmente, mas acerca da alegria no Senhor, acerca da duradoura alegria que existe mesmo nas tristezas, a qual a união com o Cristo cria. 

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