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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Castellani e Menvielle versus a Prefeita



Castellani e Menvielle versus a Prefeita

Judaísmo contemporâneo segundo a doutrina da Igreja.


(Vídeo de Alvarado falando sobre o tema. Pode vê-lo no link abaixo).


Maria Montserrat Alvarado[1],  Prefeita do Dicastério para a Comunicação, recentemente nomeada pelo Papa Leão XIV, afirmou: 
“Havia uma corrente subterrânea de críticas dirigidas ao Papa Francisco a respeito do supersessionismo[2].  É uma palavra muito longa, mas basicamente se refere à ideia de que o cristianismo anula ou substitui a fé judaica. Em vez de ver os judeus como nossos irmãos e irmãs, caminhando de mãos dadas conosco rumo à salvação, e reconhecê-los como o povo escolhido de Deus, o supersessionismo promove a ideia de que todos os judeus devem se converter ao cristianismo. Obviamente, isso está errado.” 
Recorremos aos padres Castellani e Menvielle para esclarecer o que a doutrina da Igreja diz sobre o judaísmo contemporâneo, incluindo trechos de áudio nos quais o primeiro aborda o tema:  
 
O judaísmo moderno não é a raiz sagrada nem o fundamento do cristianismo.  

O judaísmo moderno não é o judaísmo de Abraão, Moisés, da Virgem Maria ou de São Pedro. É uma heresia da verdadeira religião hebraica que já estava em curso na época de Cristo e impediu que os judeus corrompidos por ela O reconhecessem como o Messias e Salvador. 
 
É por isso que, quando o Senhor argumenta veementemente com seus adversários, no capítulo VIII do Evangelho de João, Ele lhes diz que não são filhos de Abraão, mas do Diabo, porque não seguiram a verdadeira religião, mas a heresia dos fariseus.  
“Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras de Abraão. Mas agora procuram me matar... Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar os desejos dele.” (João 8, 39-40 e 44). 
Os verdadeiros judeus daquela época reconheceram Cristo e entraram na Igreja, que preservou o que havia de bom naquele judaísmo: “a crença em um só Deus, nos Dez Mandamentos; a crença na criação do mundo e na vida após a morte”[3].  
 
Em contraste, a heresia farisaica e seus seguidores rejeitaram e mataram o Messias: “parte do povo se desviou e o negou, invocando o orgulho carnal da raça e nação judaica. Essa parte de Israel foi rejeitada e carrega em sua testa o sangue de Cristo como maldição”[4]. 
 
O judaísmo moderno “é uma heresia farisaica; foram os fariseus que continuaram a religião quando o cristianismo nasceu; eles continuaram à sua maneira. Eles fizeram um novo livro sagrado, que respeitam e seguem muito mais do que a Bíblia, chamado Talmude, que é um comentário sobre a Bíblia feito por todos os rabinos desde antes de Jesus Cristo até agora... Eles leem a Bíblia agora como se lê um romance, e acreditam que é uma espécie de romance, mas é ao Talmude que eles obedecem”[5].  
 
Àqueles que hoje afirmam que tanto o judaísmo quanto a Igreja preservam o Antigo Testamento, é preciso salientar que “enquanto para nós ele é uma figura de Cristo e contém a profecia e a prova de que o Messias veio, para eles é o oposto, a prova de que o Messias não veio”[6]. 
 
Portanto, a religião judaica, em seu estado atual, não pode ser a raiz do cristianismo de forma alguma, nem pode ser sua irmã mais velha, exceto talvez à maneira de Caim, que matou o inocente Abel porque seus sacrifícios agradavam a Deus; ou Esaú, que vendeu seu direito de primogenitura a Jacó; ou os irmãos de José, que o lançaram em um poço.
 
É uma religião “inteiramente diferente e contrária; a mais contrária e hostil ao cristianismo que existe, existiu e pode existir”[7].  Como, então, pode ser a raiz sagrada de nossa fé?
 
A falha em ensinar a diferença entre a religião de Moisés e o judaísmo contemporâneo, a tentativa de “nos fazer beijar uns aos outros”, levou à judaização do cristianismo que vemos hoje, e isso foi profetizado pelo Padre Castellani[8]. 
 

A Antiga Aliança foi superada.

A aliança que Deus fez com o povo de Israel era provisória, pois seria “quebrada e dissolvida (é mais preciso dizer substituída ou consumada) com a chegada de Cristo, o objeto e fim da Lei (Rm 10, 4), como o tutor que o conduziu (Gl 3, 24)”[9].  
 
Era também condicional porque estava “sujeita, por parte de Israel, a certas condições absolutamente indispensáveis que os israelitas tinham de aceitar e cumprir, sob pena da desaprovação de Deus”[10]. 
 
Mas, embora esta aliança devesse naturalmente encontrar a sua consumação, cumprimento e perfeição no Messias, foi quebrada quando, “tendo rejeitado definitivamente Cristo, matando-O na cruz, os israelitas terminaram de destruir e aniquilar a razão de toda a sua existência como povo de Deus”[11]. 
 
O próprio Jesus Cristo, ao instituir a Eucaristia, alude claramente ao fim da Antiga Aliança com estas palavras: “Este é o meu sangue da nova aliança” (Mt 26, 28).
 
Estas palavras estão incorporadas no Cânon da Missa da seguinte forma: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança…”[12];  isto é, o Novo Testamento, do qual o Antigo é uma figura, é perpétuo, ao contrário do Antigo, que teve o seu fim ou perfeição em Cristo.
 
Os profetas predisseram as inúmeras vezes em que o povo de Israel, por meio de suas infidelidades, quebrou os termos da Aliança.
 
Mas, acima de tudo isso, prevalece o testemunho de Jesus Cristo, que em várias parábolas profetizou o fim do Antigo Testamento por causa da rejeição do seu povo. A mais clara dessas comparações é a Parábola dos lavradores assassinos (Mt 21), aqueles lavradores insensatos que, para evitar o pagamento do aluguel, primeiro maltrataram os mensageiros e depois mataram o próprio Filho do dono. E o que Ele fez depois? Decretou que os lavradores perecessem miseravelmente e arrendou a vinha a outros para que lhe pagassem os frutos no tempo devido. 
 
E o Senhor conclui dizendo clara e terrivelmente: “Por isso, eu lhes digo que o Reino de Deus será tirado de vocês e entregue a um povo que produza os seus frutos” (Mt 21, 43). Estas palavras, seladas pela autoridade divina Daquele que as proferiu, confirmam o cumprimento exato da profecia de Daniel (9, 26): “Ninguém mais do seu povo O negará”[13]. 
 
Por isso, Pio XII pôde escrever em sua encíclica “Mystici Corporis Christi”, 12:  
“... com a morte do Redentor, a Antiga Lei abolida foi sucedida pelo Novo Testamento; então, no sangue de Jesus Cristo, e para o mundo inteiro, a Lei de Cristo foi sancionada com seus mistérios, leis, instituições e ritos sagrados. Pois, enquanto nosso Divino Salvador pregava em um território limitado, visto que fora enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel, a Lei e o Evangelho tinham valor simultâneo; mas na cruz de Sua morte, Jesus aboliu a Lei com seus decretos, pregou os escritos do Antigo Testamento na Cruz e estabeleceu o Novo em Seu Sangue, derramado por toda a humanidade. Pois, como diz São Leão Magno, falando da Cruz do Senhor, naquele momento ocorreu uma transição tão evidente da Lei para o Evangelho, da Sinagoga para a Igreja, de muitos sacrifícios para uma única hóstia, que, quando o Senhor expirou, o véu místico que cobria o segredo sagrado do templo foi imediatamente rasgado de cima a baixo.”  
Seja pelo cumprimento de seu propósito, a redenção da humanidade, ou porque a morte de Cristo significou a rejeição da principal condição que Israel devia cumprir, a Cruz representou uma ruptura total e completa da aliança estabelecida entre Deus e o povo da primeira Aliança, a qual, como já dissemos, encontrou sua perfeição na Igreja Católica. 
 
Portanto, somente os judeus que, em algum momento, receberam Cristo como Messias pertencem ao novo Povo de Deus. Os demais, na medida em que sua conversão seja possível, pertencem apenas potencialmente ou por designação e destino, mas não efetivamente.
 
Seguem três áudios com fragmentos de três sermões do Pe. Castellani. 

Notas:
1. Maria Montserrat Alvarado, jornalista e dirigente de empresa nomeada por Prevost para o Dicastério para a comunicação da Santa Sé. Mexicana de nascimento, tem nacionalidade estado-unidense, trabalhou na Becket Fund for Religious Liberty, organização norte-americana dedicada à liberdade religiosa; trabaçhou também na rede católica EWTN News; vai coordenar os principais organismos de comunicação vaticanos: Vatican News, Radio Vaticana, L’Osservatore Romano e Vatican Media. Alvarado fez parte do conselho administrativo e das organizações consultivas de várias organizações católicas e sem fins lucrativos, incluindo o Acton Institute, o Patients’ Rights Action Fund, o GIVEN Institute e o Benedictine College.
2. O supersessionismo (ou teologia da substituição) é uma interpretação teológica cristã que afirma que a Igreja do Novo Testamento substituiu a nação de Israel como o povo escolhido de Deus. Segundo essa visão, a Nova Aliança anula ou completa as promessas da Antiga Aliança, transferindo-as para os cristãos. Essa doutrina divide-se em três vertentes principais:
Substitucionismo: A Igreja passa a ser considerada o “verdadeiro Israel”.
Punitivo: Acredita que Israel perdeu o seu status divino por ter rejeitado e crucificado Jesus Cristo.
Econômico: Defende que o papel histórico de Israel como povo de Deus cumpriu o seu propósito e expirou naturalmente com a vinda de Cristo.
3. Castellani: sermón de la Asunción 15/08/1965. 
4. Menvielle: El Judío en el misterio de la historia. 
5. Castellani: idem (1). 
6. Castellani: sermón del Hijo Pródigo 16/06/1966. 
7. Castellani: idem (1). 
8. Castellani: idem (1).
9. P. David Nuñez: Los Deicidas. 
10. P. David Nuñez: Los Deicidas. 
11. P. David Nuñez: Los Deicidas. 
12. Santo Tomás de Aquino: Las adiciones de eterno y misterio de fe se derivan de la tradición del Señor, llegada a la Iglesia a través de los Apóstoles. S.T. q78, a3, v9. 
13. P. David Nuñez: Los Deicidas. 


Tradução: Giulia d’Amore. 


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