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domingo, 25 de julho de 2021

Dia dos Avós – origem e comemoração legítima


Dia dos Avós – origem e comemoração legítima 


Por Giulia d'Amore para o Pale Ideas. 


Geralmente, as festas do mundo – dia do motorista, dia do pintor, dia da família etc. – têm origens profanas, via de regra maçônicas, para substituir, na lembrança dos cristãos, as festas dos Santos. O diabo é chamado “macaco de Deus” porque O imita sempre que pode, para confundir o homem, e é, de fato, a sua assinatura, onde pode ser reconhecido e desmascarado. Aqui, o diabo macaqueia a Igreja – que erradicou festas pagãs pelo bem das almas, criando (e não “substituindo”) novas festas, mais benfazejas aos cristãos para garantir que guardassem a Fé – e substitui as festas cristãs por outras similares – o dia do motorista, por exemplo, substitui a festa de São Cristóvão; e se vê até mesmo “padres” modernistas dando ênfase a esse detalhe secundário em detrimento do que realmente importa, a memória do Santo – e, às vezes, totalmente contrárias à fé católica, como o dia da mulher, ou o dia do orgulho (sic) LGBT... 

No caso do Dia dos Avós, não é assim, porque os Santos avós de Nosso Senhor Jesus Cristo são a motivação original da data em que se celebram e honram (ou se deveria) os avós porque é no dia de Santa Ana, ou Sant’Ana, que ocorre a festa. E isso porque Paulo VI/Montini juntou, na década de 1960, as festas em honra dos Santos avós de Jesus, celebradas sempre em separado, como se verá mais abaixo.  

Entre os vários mistérios sobre Jesus Cristo e sua família, está a figura da avó materna, com uma história pouco conhecida. Apesar disso, é no dia da Padroeira das grávidas – porque Santa Ana foi mãe tardiamente e Maria foi fruto de um milagre, ou melhor dizendo, de um mistério – que se celebra o Dia dos Avós, por causa da história da dedicação dos pais de Maria, que se mantiveram unidos mesmo nas adversidades.  


Breve Vita de Santa Ana e São Joaquim


Santa Ana era casada com São Joaquim, homem virtuoso e rico, da estirpe de Davi, e viviam em Jerusalém. Como era o costume da época, Santa Ana casou cedo, mas não teve filhos, mesmo após vinte anos de matrimônio. Por causa disso, São Joaquim foi censurado pelo sacerdote Rubén, que o impediu de sacrificar no Templo por não ter dado filhos a Israel, o que era visto como punição divina por causa de algum pecado. Homem justo, não repudiou a esposa, e juntos suportaram as humilhações, com resignada paciência, rezando e oferecendo mortificações. Um dia São Joaquim decidiu fazer penitência sozinho, no deserto, entre os pastores, onde ficou 40 dias isolado. Enquanto isso, um Anjo apareceu a Santa Ana, anunciando a iminente concepção. O mesmo Anjos apareceu em sonho a São Joaquim confirmando que as suas orações haviam sido enfim ouvidas, e ele voltou para casa. O casal se encontrou na Porta Áurea de Jerusalém; os pintores sacros medievais, como Giotto, viam no beijo casto desse reencontro o momento da concepção da Santíssima Virgem. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-nos ao prêmio de ter por filha Aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Assim, Santa Ana finalmente concebeu a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, que nasceu no dia 8 de setembro, quinze anos antes de conceber o Salvador. Ainda segundo a tradição, Santa Ana morreu logo que a Menina completou três anos de idade. 

Encontro na Porta Áurea
Giotto


Culto a Santa Ana e São Joaquim 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A DEFINITIVA PROMESSA LIGADA AO ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Salve Maria!

Prezados, seria interessante todos os membros de nossas Capelas terem o santo Escapulário, e terem devoção para com este privilégio que a Santíssima Virgem legou para os Católicos. 



A PROMESSA DA VIRGEM


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Um livro chamado “Viridarium”, escrito em 1389 por João Grossi, geral da Ordem do Carmo, narra o seguinte:

“O nono santo da Ordem é o sexto geral da mesma, chamado Simão Stock, ou Simão da Inglaterra, que suplicou à gloriosíssima Mãe de Deus que concedesse algum privilegio aos Carmelitas, que se regozijavam de ser especialmente conhecidos pelo nome da “Ordem da Virgem”. Um dia, acompanhada por uma multidão de Anjos e segurando em Suas mãos o Escapulário da Ordem, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e lhe disse: “ISTO SERÁ UM PRIVILÉGIO PARA TI E PARA TODOS OS CARMELITAS; QUEM MORRER REVESTIDO COM ISTO NÃO SOFRERÁ O FOGO ETERNO: E OS QUE A HORA DA MORTE, O TIVEREM SOBRE SI, SERÃO SALVOS.”

(...)

Poderosíssima ajuda para a salvação, o Escapulário pertence a uma categoria única. “O Escapulário é um dos maiores meios de Salvação, porque Maria ligou ao Escapulário uma promessa de salvação, e, portanto, também uma proteção especial, o que significa que Ela nos dá um meio muito poderoso para levarmos a bom termo a nossa peregrinação terrena.” (Padre Houdry.) 

(...)

O abuso dos Sacramentos de Nosso Senhor constitui pecado horrível de sacrilégio. O abuso do Escapulário de Maria é, de igual forma, uma grande ofensa. Seria rematada loucura aproveitar-se alguém da Promessa de Maria, usando o Escapulário como desculpa para poder levar uma vida de pecado! 

(...)

Acontece, às vezes, que uma pessoa é tentada a cometer uma falta grave, por exemplo de impureza ou de roubo, e vem-lhe ao pensamento: “Porque não o fazes? Usas o Escapulário, passado este momento, não há que ter receio da tua eterna salvação”. Temos aqui Satanás, servindo-se da promessa de Maria para arrastar uma alma ao pecado. É disto exemplo típico para nós, certo milagre do Escapulário, bem comprovado: 
Um homem desculpava abertamente sua perversa vida, jactando-se de usar o Escapulário; reivindicava para si a certeza da salvação, ao mesmo tempo em que desedificava o próximo com abomináveis excessos. Perseverou nesta presunçosa crença até que foi surpreendido pela morte. Então, aqueles a quem tinha escandalizado foram testemunhas de um acontecimento que não era raro nos anos em que os homens procuravam compenetrar-se do sentido da Promessa de Maria acerca do Escapulário. Ao avizinhar-se da morte, o infeliz pensou que o Escapulário era a causa da sua angustia. Chamou, dolorosamente, que o escapulário o estava a queimar. Num último e supremo esforço, arrancando-o, atirou-o para longe de si... Morrendo assim, sem o Escapulário, foi encontrar-se com o Juiz Divino... (pe. Huguet, “La devocion à Maria en exemples”, Tomo II).

(...)

Na última aparição de Fátima, a Santíssima Virgem apareceu no céu, trazendo nas mãos o Escapulário marrom, um sinal de consagração que nos pedia, sinal que é um dos auxílios para se levar uma fervorosa vida cristã. É um auxiliar importante, muito importante. Caso contrário, Nossa Senhora, ao aparecer pela última vez em Fátima, não o teria trazido nas mãos. O Escapulário não seria, então, juntamente com o Rosário, o mais privilegiado e indulgenciado sacramental que existe na Igreja? (...) Se o mundo não apreciar este profundo sentido das devoções do Escapulário e do Rosário, foi inútil a vinda de Nossa Senhora de Fátima até nós.(...) Se, do mesmo modo, não compreendermos que o Escapulário é um sinal de consagração a Nossa Senhora e a insígnia da fórmula “Maria, nosso caminho”, teremos trocado novamente a substancia pela aparência.

A única sobrevivente dos três pastorzinhos de Fátima, irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, foi interrogada no dia 15 de agosto de 1950, sobre a razão por que, na última aparição de Fátima, Nossa Senhora trazia em suas mãos o Escapulário. Ao que ela respondeu: “Porque Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”. 

Sendo-lhe pedida uma explicação mais completa, ela continuou: “A razão disto é que o Escapulário é um sinal de consagração ao Coração Imaculado de Maria”. 

Depois lhe perguntaram se, para a realização dos pedidos de Nossa Senhora, o Escapulário é tão importante como o Rosário, a Irmã respondeu: “O escapulário e o Rosário são inseparáveis”. 

Tirado do livro “Maria na sua promessa do Escapulário”, 1954, John Haffert


domingo, 1 de julho de 2018

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O assunto é... o Preciosíssimo Sangue de Jesus

Recolhemos, aqui, as devoções ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que comprou nossa redenção.



SACRA GALERIA - IMAGENS PIEDOSAS
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O ASSUNTO É... O PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO 



Julho é o mês dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Dia 1º de Julho é o dia da Solenidade do Sangue de Cristo. 

No decurso dos séculos, a piedade cristã para com Nosso Senhor Jesus Cristo tem-se manifestado através de três devoções aprovadas pela Igreja intimamente ligadas entre si: ao Seu Santo Nome, ao Seu Coração Sagrado e ao Seu Preciosíssimo Sangue, derramado para a remissão dos pecados de todo o gênero humano,  por ocasião da Paixão e Morte de Jesus e atravessando a história até hoje com Sua presença real no Sacramento da Eucaristia.   

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Visitação de Nossa Senhora

2 DE JULHO

Visitação de Nossa Senhora

 

A Igreja recorda hoje a visita que Nossa Senhora fez à sua prima Santa Isabel, e os acontecimentos que se deram nesta ocasião. Maria é saudada como Mãe do Rei dos céus e da terra. A leitura de hoje, tirada do livro da Sabedoria (Cant. 2, 8-14), nos descreve em imagem poética o terno amor que uniu a Mãe ao Filho. 


"Salve, ó Santa Mãe, em cujo seio foi gerado o Rei que governa o céu e a terra, em todos os séculos" (Sl. 44,2).



EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS (1, 39-47)

Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

E Maria disse:  

Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 

Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.




  
Ajude o apostolado do Rev. Pe. Cardozo, adquirindo alguns dos itens do Edições Cristo Rei, encomendando Missas (consulte a espórtula diretamente com o rev. Padre), ou fazendo uma doação aqui:

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

02 DE JULHO: FESTA DA VISITAÇÃO


Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

E Maria disse:

terça-feira, 1 de julho de 2014

Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo - S. Ligório

I DE JULHO 

Festa do preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. 


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Redemisti nos, Domine, in sanguine tuo... et fecisti nos Deo nostro regnum — “Remiste-nos, Senhor, em teu sangue, e fizeste-nos reino para Deus” (Apoc. 5, 9).

Sumário. O Senhor não se contentou com pagar pela sua morte a pena a nós devida e anular com o seu sangue a sentença da nossa condenação eterna; quis ainda, no sacramento da penitência, preparar-nos um banho salutar de seu sangue, no qual pudéssemos, à vontade, lavar-nos das manchas do pecado. E nós não O amaremos de todo o coração?... Tomemos o belo hábito de oferecer freqüentemente este Sangue preciosíssimo ao Eterno Pai, para obtermos todas as graças de que precisamos.

I. O nosso amantíssimo Redentor não veio ao mundo para outro fim, senão para salvar os pecadores. Por isso não se contentou com pagar pela sua morte a pena a nós devida e anular com o seu sangue a sentença da nossa eterna condenação (1); mas com o mesmo sangue quis ainda preparar-nos um banho salutar para nos limparmos das manchas dos nossos pecados: Dilexit nos, et lavit nos in sanguine suo (2) — “Ele nos amou e lavou em seu sangue”. — E isso não somente uma vez, senão quantas quisermos; porquanto, prevendo que, depois do Batismo, tornaríamos a manchar-nos pelo pecado, estabeleceu, por meio do sacramento da penitência, que aquele banho durasse até à consumação dos séculos.


Pelo que o Apóstolo nos anima dizendo: Accessistis... ad mediatorem Iesum, et sanguinis aspersionem, melius loquentem quam Abel (3) — “Chegastes... ao mediador Jesus, e à aspersão do sangue, que fala melhor que o de Abel”. Meus irmãos, assim parece dizer-nos, por mais pecadores que sejais, não percais a coragem; pois tendes de tratar, não com um mediador qualquer, mas com Jesus Cristo. Se o sangue dos bodes e dos touros sacrificados tirava aos Hebreus as manchas corporais exteriores, a fim de que pudessem ser admitidos aos ministérios sagrados; quanto mais o sangue de Jesus Cristo, que por amor se ofereceu a pagar por nós, tirará das nossas almas os pecados para podermos servir ao nosso Deus? (4)

Ah! Quanto melhor, conclui São Paulo, o sangue do Redentor implora por nós a divina misericórdia, do que o sangue de Abel bradava por vingança contra Caim! — É o que o Senhor mesmo disse também a Santa Maria Madalena de Pazzi: “A minha justiça converteu-se em clemência pela vingança tomada no corpo inocente de Jesus Cristo. O sangue deste meu Filho não pede vingança, como o sangue de Abel, mas somente misericórdia e piedade, e à tal voz a minha justiça fica necessariamente aplacada. Este sangue liga-me, por assim dizer, as mãos, de modo que não posso mais movê-las para tomar vingança dos pecados, como antes tomavam.”

II. Como fruto da presente meditação nutramos uma terna devoção ao sangue divino. Cada vez que meditares na Paixão de Jesus Cristo, chega-te a Ele em espírito e pede-Lhe que te purpureie todo com o seu preciosíssimo sangue. No tribunal da penitência, afigura-te ver no Confessor a própria pessoa do Redentor, que na absolvição derrama sobre ti o seu sangue; e quando fores comungar, imagina que chegas teus lábios ao lado sagrado de Jesus. Sobretudo habitua-te a oferecer muitas vezes ao Eterno Pai o sangue preciosíssimo de Jesus Cristo, em satisfação pelos teus pecados, pelas necessidades da santa Igreja, pela conversão dos pecadores e em sufrágio das almas do purgatório.

† “Ó Sangue preciosíssimo de vida eterna, mercê e resgate de todo o universo, bebida e lavacro de nossas almas, que defendeis continuamente a causa dos homens junto ao trono da suprema misericórdia, adoro-vos profundamente, e quisera, quanto me é possível, desagravar-vos de todas as injúrias e desprezos que continuais a receber da parte dos homens, e particularmente daqueles que temerariamente se atrevem a blasfemar contra vós. Quem não bendirá esse Sangue de infinito valor: quem não se sentirá abrasado de amor a Jesus, que o derramou? Que seria de mim, se não fora remido por esse Sangue divino? Quem vos fez correr até à última gota das veias de meu Senhor? Ah! Foi certamente o amor. Ó amor imenso que nos deu este bálsamo tão salutar! Ó bálsamo inestimável, brotado da fonte de um amor imenso! Fazei, ah! Fazei que todos os corações, todas as línguas vos louvem, exaltem e agradeçam agora e sempre, até ao dia da eternidade.” (5)

“E Vós, Eterno Pai, que destinastes para Redentor do mundo vosso Filho unigênito e quisestes ser aplacado pelo seu sangue: suplico-Vos, concedei-me que, enquanto estiver aqui na terra, eu venere solenemente esse preço de nossa salvação, e seja por ele de tal modo livrado de todos os males da vida presente, que mereça gozar eternamente os seus frutos no céu.” (6) Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria Santíssima. (*I 587.)

FESTA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

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FESTA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


Traduções e organização: Giulia d’Amore.  

  
Se passamos o mês de Maio no Coração Imaculado de Maria, e mergulhamos no mês de Junho no Sacratíssimo Coração de Seu Filho Jesus, o mês de Julho é tradicionalmente dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

No terço, a Ladainha de nossa Senhora é substituída pela do Preciosíssimo Sangue.

O culto ao Preciosíssimo Sangue, remetendo-se à transmutação do vinho no Sangue de Cristo durante a Missa, está estritamente ligado à devoção eucarística. O costume de venerar relíquias e o poder destas foram reafirmados pelo Concílio de Trento, em 1545, como dogma de fé. O Sangue Sagrado do Filho de Deus se tornou uma relíquia particularmente preciosa. E isso se confirmou ainda mais através das palavras que Cristo pronunciou na Escritura durante a última ceia: "Isto é meu sangue...", e se tornou fundamento da Eucaristia (Mt. 26,26-29; MC. 14,22-25; Lc. 22,15-20; 1Co. 11,23-25)


A devoção ao Preciosíssimo Sangue teve em São Gaspar del Búfalo(1) o maior divulgador através de uma grande campanha para sua propagação, cujo êxito lhe valeu o reconhecimento pela Sé Apostólica que permitiu a composição da Missa e Ofício próprios, por ordem do Papa Bento XIV. Por isso, até hoje São Gaspar é reconhecido pela Igreja Católica como o “Apóstolo do Preciosíssimo Sangue”. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nossa Senhora de Chiquinquirá

Ecce Homo
de Elías García Martínez
que foi recentemente alvo de vandalismo no
Santuário da Misericórdia em Borja, Espanha
Enquanto uns destroem o belo, a mão da Beleza age para a glória de Deus:


“Um dos primeiros dentre os muitos títulos de glória e nobreza da Colômbia, que não inutilmente foi um dia a porta para a Fé e a civilização, está o de ser um povo ardentemente mariano. Seu solo rico e formoso, tanto nos cumes imponentes de suas cordilheiras como nas risonhas e fecundas terras baixas, se nos apresenta como um manto precioso onde os incontáveis santuários da Mãe de Deus se parecem com pérolas e rubis: desde Nossa Senhora da Penha, em Bogotá, até a Virgem da Popa, em Cartagena; desde a do Rosário, em Tunja, ou a de Monguí ou a da Candelária, em Medellín, até a devotíssima Nossa Senhora de las Lajas; dominando sobre todas estas invocações, como o sol entre as estrelas, Nossa Senhora de Chiquinquirá” (Pio XII, Alocução de encerramento do II Congresso Mariano Nacional, em 16 de julho de 1946).

Nossa Senhora de Chiquinquirá

Rainha e Padroeira da Colômbia





Nossa Senhora de Chiquinquirá - detalhe
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Por volta do ano de 1562, o curador da cidade de Suta, Antonio de Santana,encarregou Alonso de Narváez, um especialista em prata de Tunja, de pintar um quadro da Virgem do Rosário, a fim de ser venerada em sua capela. O artista utilizou como tinta misturas de terra de diferentes cores, junto com o sumo de algumas ervas e flores; e como tela, uma manta de algodão, mais larga que longa. Para não deixar vazios os espaços nas laterais da Mãe de Deus, pintou à sua direita Santo Antônio de Pádua, e à esquerda Santo André Apóstolo –– o primeiro em honra do curador, e o outro em agradecimento ao irmão leigo dominicano Frei André de Jadraque, que presumivelmente atuou como intermediário.

Concluída a pintura e paga a conta, foi ela exposta à veneração de espanhóis e índios no altar da capela de Suta.


Paulatinamente, por uma disposição superior, os dominicanos deixaram as missões, sendo substituídos pelo clero secular, que em 1574 encarregaram-se delas. Quando chovia, entrava muita água pelo teto mal vedado, e com o tempo o quadro foi se deteriorando, seja por relaxamento do curador, ancião atacado por doenças, seja por negligência do pároco, que não se fixou na cidade e foi substituído.


Em 1578, assumiu esse cargo o presbítero Juan Alemán de Lequizamón, que removeu o quadro da capela de Suta, por considerá-la pouco digna, e o devolveu a seu dono, que o destinou à sua fazenda em Chiquinquirá. Com a morte do curador Antonio Santana, em 1582, sua viúva, Catalina García de Irlos, passou a residir naquela fazenda. Anos depois, Maria Ramos Hernández, parenta do falecido, chegou a Chiquinquirá e descobriu a pintura, totalmente descolorida, suja e gasta. Sua piedade levou-a a limpá-la, emoldurá-la e pendurá-la no lugar mais apropriado da fazenda, que servia como capela. Diariamente ela lhe oferecia suas orações e dirigia-lhe as seguintes palavras: “Até quando, Rosa do Céu? Até quando haveis de estar tão escondida? Quando chegará o dia em que vos manifestareis?”.


Chegamos assim à sexta-feira, 26 de dezembro de 1586. Por volta das nove horas da manhã, passava por ali a índia cristã Isabel conduzindo seu filho, o menino mestiço Miguel, de quatro anos, que disse: “Mãe, olhe a Mãe de Deus que está no chão”. Ela viu então a Santíssima Virgem espargindo um resplendor celestial que enchia toda a capela. Dirigindo-se a Maria Ramos, disse-lhe em voz alta: “Olhe, olhe, senhora, que a Mãe de Deus desceu de seu lugar e está ali, de pé sobre o teu assento, e parece que está se queimando”. Dona Maria voltou o rosto para o altar, e viu com assombro a transformação que se havia operado na pintura, “tão lúcida e renovada de cores alegres e celestiais, que era uma glória vê-la”.


A notícia correu como rastilho de pólvora 


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O fato prodigioso espalhou-se pela vizinhança, e logo chegou a Suta. Começou a afluir gente de todas as partes, uns atraídos pela curiosidade, outros em busca de algum milagre. A informação não tardou a chegar aos ouvidos da autoridade eclesiástica, que ordenou primeiro uma informação em Chiquinquirá, e depois um processo em Tunja.

Enquanto aumentava a devoção popular, operavam-se as primeiras curas. Ao mesmo tempo, começou a propagar-se em Tunja uma fatídica peste, que ia dizimando seus habitantes. Quando os recursos humanos se mostraram inúteis, uma delegação partiu para Chiquinquirá, a fim de implorar que lhes “emprestassem” o quadro por alguns dias. Assim, no primeiro ano de sua milagrosa renovação, o quadro milagroso esteve em Tunja e venceu a peste.


Entre as pessoas que se aproximaram para venerar a imagem, figurava o velho pároco de Leguizamón, que havia retirado a pintura da capela de Suta “por achá-la excessivamente desfigurada e estragada”. Admirado pelo fato miraculoso, exclamou: “Virgem e Mãe de Deus, se em alguma coisa vos ofendi por tirar-vos do altar no qual estáveis, suplico-vos que me perdoeis”.


A 14 de agosto de 1588 chegou a Chiquinquirá, recentemente elevada a paróquia, o próprio arcebispo de Santa Fé de Bogotá, Frei Luís Zapata de Cárdenas, acompanhado do comissário do Santo Ofício e do presidente encarregado da Real Audiência. Queriam ver pessoalmente a pintura, as pessoas favorecidas com a sua transformação, e investigar o prodígio. Dissipadas as dúvidas e caracterizado o acontecimento como extraordinário, foi ordenada a construção do primeiro templo digno desse nome. Mais tarde, em 1636, os padres dominicanos voltaram para tomar definitivamente posse do lugar.


A tela de Alonso de Narváez mede 1,10 m de altura por 1,25 de largura. O rosto da Virgem é de cor branco-pérola. Tem os olhos quase fechados e o rosto voltado para seu Divino Filho, sustentado amorosamente em seu braço esquerdo. Ambos ostentam esplêndidas coroas. Cobre sua cabeça um véu branco, que cai formando pregas e se recolhe sobre o peito. Na mão direita segura um cetro, e na outra o rosário. O Menino sustenta com a direita um fio atado ao pé de um passarinho colorido, representado sobre o peito de sua Mãe; na mão esquerda carrega também seu rosário. A túnica é de cor rosa claro, e o manto azul celeste. Os pés da Virgem pisam o crescente.


No início do ano 1796, resolveu-se edificar em Chiquinquirá um templo de maiores proporções. Era aquela uma época difícil, de lutas políticas e enfrentamentos ideológicos. Os contendores reclamaram a proteção da Virgem. Em 1815 a imagem foi despojada de suas jóias para sustentar os gastos da independência. Um general colombiano — em temerária atitude, e apesar da oposição dos religiosos — subtraiu o venerável quadro, visando atrair o povo para sua causa. Perseguido pelos realistas, fugiu e abandonou a pintura em Sáname. A tela foi conduzida em júbilo a Santa Fé de Bogotá e devolvida a seu santuário. Finalmente, em 11 de setembro de 1823, o novo templo foi consagrado por Mons. Rafael Lasso de la Vega, então bispo de Mérida (Venezuela) e senador da República, “único prelado que subsistia naquela época em Nova Granada”.

Basílica de Nossa Senhora de Chiquinquirá
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Mediante um decreto de 18 de julho de 1829, a Santa Sé proclamou a Virgem do Rosário de Chiquinquirá Padroeira da Colômbia.

Contudo, com a instauração da República, as dificuldades começaram. Ao relaxamento da disciplina eclesiástica somaram-se leis anticlericais, como a que ordenou a supressão dos conventos menores. Em 1835 o presidente Santander confirmou a dissolução e expropriação do convento. Os frades que perseveraram no culto a Nossa Senhora refugiaram-se num local contíguo ao templo. Clérigos apóstatas e políticos inescrupulosos confabularam então para que a paróquia passasse para o domínio do clero diocesano. Em 1861, numa atitude de autoritarismo e ambição, o general Mosquera decretou o desterro dos frades e o confisco de seus bens.


Com a morte sucessiva dos religiosos, restou apenas Frei Buenaventura García Saavedra, que enfrentou as ameaças, estando disposto a sofrer o martírio. Através dele, aos pés da Virgem de Chiquinquirá, ocorreu em 1881 a restauração da Ordem Dominicana na Colômbia. 

O enfrentamento entre conservadores e liberais tornou-se cada vez mais agudo, surgindo novo auge de violência: a Guerra dos Mil Dias (1899-1902). Após essa sangrenta guerra civil que tumultuou o país inteiro, voltou a almejada paz. E com ela subiu ao Trono de São Pedro uma súplica para que fosse coroada a Virgem de Chiquinquirá. O Papa reinante, São Pio X, atendeu ao ardente pedido em 9 de janeiro de 1910.

A pintura de Nossa Senhora de Chiquinquirá foi coroada solene e canonicamente no dia 9 de julho de 1919 na catedral de Bogotá, na presença do presidente da República, de autoridades eclesiásticas, civis e militares, bem como de multidão incalculável de fiéis. Em 1927, Pio XI concedeu ao santuário o título e os privilégios de Basílica Menor. Em 1977 a Sé Apostólica erigiu a cidade de Chiquinquirá como diocese. Em 1986 o Papa João Paulo II esteve na Colômbia, ocasião em que visitou o santuário como peregrino.

Como observa o Pe. Vargas Ugarte, o culto a Nossa Senhora de Chiquinquirá estendeu-se não somente na Colômbia, mas em toda a América Latina. Passaram-se, pois, mais de quatro séculos desde que se operou o prodígio da renovação. Como observa José Manuel Groot em sua Historia de la Nueva Granada, um dos maiores milagres da Virgem de Chiquinquirá constitui a sua conservação, apesar do tecido tosco no qual se encontra estampada e de a pintura ter sido tocada por uma infinidade de objetos.


A devoção à Padroeira da Colômbia sofreu altos e baixos, devido às perseguições, às guerras e até aos terremotos. Mas o que lhe causou maior dano foi a indiferença, o abandono e a negligência de seus próprios fiéis.
 

Ao longo da história, muitas pessoas testemunharam resplendores e luminosidades, como as que em 1586 originaram a devoção a ela votada. Contudo, nenhum deles foi devidamente reconhecido e registrado. Outros viram-na empalidecer. São reflexos no miraculoso quadro, de momentos de fervor e de desânimo que viveu a nação irmã.

Pablo Luis Fandiño

Fonte ou esta.


Representações surgidas ao longo do tempo

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