Este é o nome dado à Novena pelo Apóstolo das Índias, São Francisco Xavier, ao venerável Padre Marcelo Mastrilli, da Companhia de Jesus e mártir do Japão, a quem, estando em perigo de morte, apareceu curando-o instantaneamente, e a quem predisse que iria pregar aos índios e morrer entre eles.
Essa Novena a São Francisco Xavier surgiu de um fato histórico acontecido em 11 de dezembro de 1633. No final de uma festa no Palácio Real de Nápoles (Itália), seis operários estavam desmontando um altar projetado pelo Padre Jesuíta Marcelo Mastrilli. Um destes operários, que trabalhava numa escada muito comprida, deixou escapar um martelo que acabou atingindo a cabeça do Pe. Mastrilli. Socorrido e transportado ao Colégio Jesuíta, o religioso recebeu todas as curas possíveis dos médicos, mas em vão. Pe. Mastrilli agravou-se ao ponto que, depois de 21 dias, em 2 de janeiro de 1634, agonizava. No entanto, na manhã de quarta-feira, 4 de janeiro, Pe. Mastrilli já estava no altar celebrando a Santa Missa.
O que havia acontecido? O próprio Padre explica que, antes de receber o sacramento da Extrema Unção, tinha feito um voto diante do superior, o Padre Carlo Di Sangro, de partir como missionário para o Oriente caso se recuperasse. Em seguida, pediu ao seu Confessor para trazer ao quarto uma imagem de São Francisco Xavier. Colocando na altura da garganta uma pequena relíquia do Santo, rezou para que lhe concedesse a Comunhão antes de morrer. Com efeito, ele pôde receber a Comunhão, rodeado pelos confrades. Depois de alguns instantes ouviu chamar: “Marcelo! Marcelo!”. Dirigindo o olhar para a imagem de São Francisco Xavier, viu uma pessoa vestida como um romeiro, com as aparências do Santo, que lhe disse: “Pois bem, o que você quer fazer? Quer morrer ou partir como missionário para a Índia?”. Pe. Mastrilli respondeu que desejava cumprir com a vontade de Deus. “Não lembra” – prosseguiu, então, o Santo – “que ontem, com a permissão do seu superior, você fez voto de ir para o Oriente, se Deus o curasse?”. Com a sua resposta afirmativa, o Santo continuou: “Portanto, com alegria, repita comigo essas palavras...”. O Santo lhe fez repetir a fórmula dos votos religiosos, acrescentando a promessa de partir como missionário e o pedido do martírio. Enfim acrescentou: “Agora sarou. Agradeça a Deus por um dom tão grande, e, como sinal de adoração, beije as Cinco Chagas do Crucifixo”. São Francisco Xavier fez esta promessa para quem rezasse esta novena: “Todos aqueles que implorarem a minha ajuda durante nove dias consecutivos, do 4º ao 12º dia de março, e receber dignamente os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia em um dos nove dias, vai experimentar minha proteção e ter esperança, com toda certeza, de obter de Deus qualquer graça que peça para o bem de suas almas e a glória de Deus”.
Todos puderam constatar que Padre Mastrilli estava completamente curado. Partiu para o Oriente e três anos depois, em 1637, e morreu mártir em Nagasaki, no Japão. Tinha 34 anos.
Grato pela cura obtida, conservou por São Francisco Xavier uma grande devoção, que procurou difundir entre aqueles que encontrava. Muitos testemunharam as graças recebidas por São Francisco Xavier e assim se difundiu esta devoção da “Novena da Graça”.
O Papa Urbano VIII e Filipe IV rei de Espanha, quiseram vê-lo e ouvir da sua boca a narração daquele milagre, e Padre Mastrilli satisfez os seus desejos. Depois embarcou para Goa, na Índia, e, tendo feito ao grande Xavier o presente de um magnífico túmulo, em reconhecimento da graça que havia recebido, partiu com a maior satisfação dos seus superiores, para ir conquistar a coroa que lhe havia sido prometida.
Chegado ao Japão, escreveu a seu pai: “Eu espero que S. Francisco Xavier acabará a sua obra. Por um milagre, ele me restituiu a vida; por um milagre, me conduziu às Filipinas; por um milagre, me abriu a entrada deste Japão tão desejado. Espero, pois, que, por um milagre, também me verei um dia no meio dos verdugos”.
Teve, com efeito, a felicidade de ser martirizado no Japão a 17 de Outubro de 1637. A cura tão pronta do Padre Mastrilli, as circunstâncias maravilhosas que a haviam precedido e seguido, causaram mais impressão porque a família de Saint-Marzan, à qual ele pertencia, era da mais alta nobreza napolitana.
A Novena a S. Francisco Xavier tornou-se, em pouco tempo, uma devoção popular tão viva, tão ardente, que, em 1652, os calabreses fizeram publicar um grosso volume com as graças extraordinárias que tinham obtido pela intercessão do Apóstolo das Índias. Este volume contém 142 narrações de fatos milagrosos devidos à sua proteção. A novena da Graça se reza, particularmente, de 4 a 12 de março. Padre Mastrilli prometeu ajuda especial do Santo para todos aqueles que você convidar e recomendar de fazer a novena.
Mais tarde, em 1658, o Padre Alejandro Filipucci também foi curado pelo Santo e pôs por escrito a Novena. Definiu uma data para a sua realização — de 4 a 12 de Março (aniversário da sua canonização) — embora isso possa ser feito em qualquer época do ano. Desde então, esta devoção foi rapidamente disseminada em todos os lugares. Ela é conhecida pelo nome de Novena da Graça “por sua grande e comprovada graça nas necessidades da vida presente” (São Pio X). Os frequentes milagres e curas obtidos mostram a eficácia desta novena, chamada “da graça” porque São Francisco garantiu ao Padre Mastrilli que todos aqueles que implorassem sua intercessão para com Deus e confessassem e recebessem a Comunhão em algum dos dias da novena, conseguiriam, se fosse conveniente à sua salvação, a graça que pedissem.
Os Romanos Pontífices concederam 300 dias de Indulgência para cada dia da novena, e uma Indulgência Plenária no final, se, em qualquer um desses dias o fiel se confessou, comungou e rezou pelas intenções do Papa — Quais são as intenções objetivas do Papa? São sempre estas: Rezar pela exaltação da Santa Madre Igreja; pela santificação do clero; a extirpação das heresias; pela paz e concórdia entre os Príncipes cristãos; pela conversão de todos os infiéis, hereges e pecadores; pelos agonizantes; pelas benditas Almas do Purgatório.
TESTEMUNHO DE DEVOÇÃO POR SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS
Um episódio, envolvendo Santa Teresinha do Menino Jesus reforça a convicção em favor da “Novena da Graça”. A irmã dela, Maria Luisa, no processo de beatificação da Santa carmelita, fez esta declaração: “A caridade fazia-lhe desejar fazer o bem também depois da sua morte. Esse pensamento a preocupava. Em 1896 (a santa morreu um ano depois), de 4 a 12 de março, fez a novena a São Francisco Xavier. Ela me disse: ‘Pedi a graça de fazer o bem também depois da minha morte, e agora estou certa de tê-la obtida porque, com essa novena, obtém-se tudo o que se deseja’”. Essa oração tem um significado muito profundo: a graça obtida por intercessão de São Francisco Xavier se “paga” com o compromisso missionário. O dom recebido por Deus deixa de ser uma graça para si e se torna, por sua vez, um dom para os outros e para o mundo.
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Fontes: