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domingo, 19 de julho de 2015

IGREJA CONCILIAR: Ecclesiae Unitatem - 2009 - BENTO XVI

Para entender a Igreja hoje, e o combate da USML, a verdadeira FSSPX.  


CARTA APOSTÓLICA "MOTU PROPRIO" 

ECCLESIAE UNITATEM

SOBRE A PONTIFÍCIA COMISSÃO ECCLESIA DEI

1. A tarefa de conservar a unidade da Igreja, com a solicitude de oferecer a todos a ajuda para responder nos modos oportunos a esta vocação e graça divina, compete de maneira particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro, que é o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade, tanto dos Bispos como dos fiéis [1]. A prioridade suprema e fundamental da Igreja, em todos os tempos, de conduzir os homens para o encontro com Deus, deve ser favorecida mediante o compromisso de chegar ao testemunho comum de fé de todos os cristãos.

2. Em fidelidade a este mandato, no dia seguinte ao ato com que ao Arcebispo Marcel Lefebvre, a 30 de Junho de 1988, conferiu ilicitamente a ordenação episcopal a quatro sacerdotes, o Papa João Paulo II, de veneranda memória, instituiu a 2 de Julho de 1988 a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, "com a tarefa de colaborar com os Bispos, com os Dicastérios da Cúria Romana e com os ambientes interessados, com a finalidade de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou religiosos e religiosas individualmente, até então de várias maneiras ligados à Fraternidade fundada por D. Lefebvre, que desejam permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja católica, conservando as suas tradições espirituais e litúrgicas, à luz do Protocolo assinado no passado dia 5 de Maio pelo Cardeal Ratzinger e por D. Lefebvre" [2].

3. Nesta linha, aderindo fielmente à mesma tarefa de servir a comunhão universal da Igreja na sua manifestação também visível e realizando todos os esforços para que a todos aqueles que têm verdadeiramente o desejo da unidade seja possível permanecer nela ou reencontrá-la, eu quis ampliar e actualizar, com o Motu Proprio Summorum Pontificum, a indicação geral já contida no Motu Proprio Ecclesia Dei, acerca da possibilidade de utilizar o Missale Romanum de 1962 através de normas mais exactas e pormenorizadas [3].

4. No mesmo espírito e com o mesmo compromisso de favorecer a superação de todas as rupturas e divisões na Igreja e de curar uma ferida sentida de modo cada vez mais doloroso no tecido eclesial, eu quis retirar a excomunhão aos quatro Bispos ordenados ilicitamente por D. Lefebvre. Com esta decisão, desejei tirar um impedimento que podia prejudicar a abertura de uma porta ao diálogo e convidar assim os Bispos e a "Fraternidade São Pio X" a reencontrar o caminho para a plena comunhão com a Igreja. Como expliquei na Carta aos Bispos católicos, do passado dia 10 de Março, a remissão da excomunhão foi uma providência no âmbito da disciplina eclesiástica para libertar as pessoas do peso de consciência representado pela censura eclesiástica mais grave. Mas obviamente as questões doutrinais permanecem e, enquanto não forem esclarecidas, a Fraternidade não dispõe de um estatuto canónico na Igreja e os seus ministros não podem exercer de modo legítimo qualquer ministério.

5. Precisamente porque os problemas que agora devem ser tratados com a Fraternidade são de natureza essencialmente doutrinal, decidi — a vinte anos do Motu Proprio Ecclesia Dei, e em conformidade com quanto me tinha reservado fazer [4] — de repensar a estrutura da Comissão Ecclesia Dei, unindo-a estreitamente à Congregação para a Doutrina da Fé.

6. Portanto, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei terá a seguinte configuração:

a) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
b) A Comissão dispõe de um seu organograma, composto pelo Secretário e por Oficiais.
c) Será tarefa do Presidente, coadjuvado pelo Secretário, submeter os principais casos e as questões de índole doutrinal ao estudo e ao discernimento das instâncias ordinárias da Congregação para a Doutrina da Fé, e também submeter os seus resultados às disposições superiores do Sumo Pontífice.

7. Com esta decisão eu quis, de maneira particular, mostrar solicitude paterna à "Fraternidade São Pio X", com a finalidade de reencontrar a plena comunhão [?????] com a Igreja.

Dirijo a todos um convite urgente a rezar incessantemente ao Senhor, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, "ut unum sint".

Dado em Roma, em São Pedro, no dia 2 de Julho de 2009, quinto ano do nosso Pontificado.

BENEDICTUS PP. XVI
 

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20090702_ecclesiae-unitatem_po.html

Notas: 

[1] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 23; Concílio Ecuménico Vaticano I, Constituição dogmática sobre a Igreja de Cristo Pastor aeternus, cap. 3: DS 3060. 
[2] João Paulo II, Litterae Apostolicae Motu Proprio datae Ecclesia Dei (2 de Julho de 1988), n. 6: AAS 80 (1988), 1498. 
[3] Bento XVI, Litterae Apostolicae Motu Proprio datae Summorum Pontificum (7 de Julho de 2007): aas 99 (2007), 777-781. 
[4]Cf. ibid., art. 11, 781
 



domingo, 22 de março de 2015

EDITORIAL: A SAGRAÇÃO EPISCOPAL E ROMA APÓSTATA. E O QUE DIZEM OS "IRMÃOS"...

... e os sapos estão atentos!

Começo dizendo que não fui eu quem cunhou essa expressão "ROMA APÓSTATA", mas o Venerável Monsenhor Lefebvre, que também chamou aos seus interlocutores "romanos" de ANTICRISTOS. Lembrando que o principal interlocutor fora o Cardeal Joseph Ratzinger, futuro (e agora ex) Papa Bento XVI, que falava em nome do então Papa João Paulo II, cognominado agora de "o Grande". Também foi Mons. Lefebvre quem disse que guardássemos distância de Roma Apóstata até que ela se converta. Talvez parafraseando o Apóstolo, quando este disse que aos hereges não devemos dar nem bom dia, o Arcebispo mandou suspender qualquer contato com os "romanos", classificando-os de enganadores, pois o fizeram firmar um PROTOCOLO, do qual se arrependeu em tempo, mas que continua sendo usado até hoje contra ele. Resumo feito, vamos ao que interessa. 

De fato, Francisco ainda não se pronunciou, e é uma incógnita saber se irá fazê-lo ou se dar-se-á por satisfeito com a apressada (desinformada) manifestação pública do mais novo membro virtual da Ecclesia Dei, a neo-FSSPX de Fellay. Menzingen está se tornando parecida com Roma Apóstata na maneira de falar, de agir (nas trevas), de negociar e de enganar seus súditos! 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

REMOVIDA A EXCOMUNHÃO A QUATRO BISPOS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

OPERAÇÃO MEMÓRIA. DOCUMENTO DA IGREJA CONCILIAR QUE "LEVANTA" AS EXCOMUNHÕES DOS QUATRO BISPOS CONSAGRADOS POR MONS. LEFEBVRE E MONS. DE CASTRO MAYER. MAS NADA DIZ ACERCA DOS DOIS ARCEBISPOS. PUBLICAMOS PARA REGISTRO. ESTE NÃO É UM DOCUMENTO DA IGREJA CATÓLICA. 

* * * 
 CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

REMOVIDA A EXCOMUNHÃO A QUATRO BISPOS  DA FRATERNIDADE SÃO PIO X


DECRETO



Na sua carta de 15 de Dezembro de 2008, dirigida a Sua Eminência o Senhor Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão «Ecclesia Dei», D. Bernard Fellay solicitava de novo, em nome próprio e dos outros três Bispos consagrados no dia 30 de Junho de 1988, a remoção da excomunhão latae sententiae declarada formalmente através de um Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos com data de 1 de Julho de 1988. Na mencionada carta, entre outras coisas, afirma D. Fellay: «Continuamos firmemente determinados na nossa vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica romana. Com espírito filial, aceitamos os seus ensinamentos. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e nas suas prerrogativas, e por isso nos causa tanto sofrimento a situação atual».

Sua Santidade Bento XVI – paternalmente sensível ao mal-estar espiritual revelado pelos interessados por causa da sanção de excomunhão e confiado no empenho expresso na referida carta de que não poupariam qualquer esforço para aprofundar, nos colóquios que fossem necessários com as Autoridades da Santa Sé, as questões ainda abertas, a fim de se poder chegar depressa a uma solução plena e satisfatória do problema que está na sua origem – decidiu reconsiderar a situação canónica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, que se criou com a sua consagração episcopal.

Com este ato, deseja-se consolidar as recíprocas relações de confiança e intensificar e dar estabilidade à ligação da Fraternidade São Pio X com esta Sé Apostólica. Este dom de paz, no termo das celebrações natalícias, pretende também ser um sinal para se promover a unidade na caridade da Igreja universal e chegar à eliminação do escândalo da divisão.

Espera-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, dando assim testemunho de verdadeira fidelidade e de verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa com a prova da unidade visível.

Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto removo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988, enquanto declaro desprovido de efeitos jurídicos, a partir da data de hoje, o Decreto então emanado.

Roma - Congregação para os Bispos, 21 de Janeiro de 2009.

Card. Giovanni Battista Re
Prefeito da Congregação para os Bispos 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Adrien Loubier: Carta aberta a Monsenhor Fellay

Recebemos três textos traduzidos para o Português, por e-mail, de um nosso amigo na França. Vamos publicar por partes. 

O primeiro é uma carta aberta do sr. Adrien Loubier a DOM Fellay, expressando sua opinião acerca da sentença - e do processo - com que foi fulminado o padre Pinaud pelos cúmplices do Superior-Geral da Neo-FSSPX. Bom, poderia ser nossa opinião também se não fosse o fato de que fez mal o Pe. Pinaud em aceitar o processo e, depois, a sentença. Assim fazendo, está lhes conferindo um poder e uma autoridade que eles NÃO TÊM! 

Padre Pinaud, venha, apenas de batina mesmo, para a Resistência, volte para a Tradição e para a Igreja Católica. Será bem acolhido. 


* * *

Crise na Tradição

por Adrien Loubier

Carta aberta a Monsenhor Fellay



Monsenhor,

Por estar profundamente escandalizado pela iniquidade que cometeis contra o Senhor Padre Nicolas Pinaud na sentença que acabam de lhe comunicar os “paus mandados” por de trás dos quais Sua Excelência se esconde em vão, eu venho por meio desta carta lhe expressar a repugnância de centenas de fiéis e de numerosos clérigos.

E para que ninguém ignore o fato, eu relembro aqui os termos deste “julgamento” perpetrado pelos vossos executantes de obras indignas:

EM CONSEQUÊNCIA nós condenamos o Senhor Padre PINAUD a uma pena medicinal de suspensão de todos os atos que relevam do poder de jurisdição (can. 2278 ss. e 1333, CIC-83). O levantamento desta censura reservada deverá executar-se conforme o direito canónico (can.2245 CIC-17 e 1355 CIC-83).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quem foi o santo que intercedeu pelo levantamento das excomunhões?

Quem foi o santo que intercedeu pelo levantamento das excomunhões?



O "ingênuo" dom Fellay sempre afirmou sua gratidão a Bento XVI pelo "levantamento" das excomunhões e o atribui às incessantes orações dos fieis da FSSPX respondidas pela Divina Providência. Mas... do lado de lá o que pensam e o que dizem a respeito? 

Hoje, pesquisando sobre as heresias mais recentes perpetradas por elementos da seita de Menzingen - que os judeus não são deicidas - acabei por me deparar com esse artigo, em que Fellay pede "perdão ao Sumo Pontífice e a todos os homens de boa vontade pelas consequências dramáticas desse ato", referindo-se às declarações de Mons. Williamson que, "Em entrevista à televisão sueca, divulgada dois dias antes de levantada a excomunhão, o bispo inglês negou o Holocausto de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial; afirmou que "não existiram as câmaras de gás na Alemanha nazista" e que só morreram "200.000 a 300.000 judeus" não os seis milhões que se calcula"

segunda-feira, 22 de julho de 2013

“Momento Delicado”, por Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’Ana, FBMV.

Bom aqui está um exemplo do que é urgente publicar! O Irmão Joaquim praticamente desenha a coisa como ela é. Clara e cristalina. Esses indecisos me tiram do sério! Vivem sempre à espera da ação do outro, quando eles já têm a verdade! Que descuido com sua própria alma! Até parece que a encontraram no lixo! A salvação é assunto para este exato momento, porque nenhum de nós sabe se acordará amanhã, ou se estará vivo daqui a cinco minutos... Como podem esperar por dom Fellay se decidir em que Igreja ele quer estar? Ou Monsenhor Lefebvre mentiu quando disse que "aquela" NÃO É a Igreja Católica, porque "aquelas" autoridades eram (e continuam) apóstatas?! E se "aquela" não é a Igreja Católica... porque raios dom Fellay quer se "reintegrar" a ela e ser reconhecido por ela? Que permissão pode nos dar? Que reconhecimento? Erra dom Fellay, sem dúvida, mas erram muito mais os que estão "obedientemente" dependendo do próximo passo dele, nesse vai e volta de suas "boas intenções", nesse faniquito de estar em plena comunhão com a igreja do Vaticano II. Eu fico com Mons. Lefebvre: eu continuo excomungada da Igreja dos Ursinhos Carinhosos, à qual nunca pertenci e não pretendo pertencer agora. Eu não sai de lugar algum para precisar nele voltar e ser reconhecida e ter permissão disso ou daquilo! Estão de brincadeira??? 

Vamos ao texto. Grifos nossos. 

"Mas eles querem garantias de um papa modernista, servo da Roma conciliar, querem garantias de se opor publicamente aos erros e a seus autores, seja quem for. Então querem que o papa lhes conceda o direito de se opor publicamente aos erros do próprio papa? Seria a normalização canônica mais ridícula da história da Igreja".

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O equivocado levantamento das excomunhões indevidamente pedido pela própria FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Para refrescar a memória dos que sofrem de amnésia profunda e também para dar suporte a um texto que publicarei ainda hoje e que é uma bomba!!!



O equivocado levantamento das excomunhões indevidamente pedido pela própria FSSPX



24/01/2009 – Carta do Superior Geral sobre o levantamento das excomunhões
Publicado em set 19, 2009

Caríssimos fiéis,

Como anunciei no comunicado à imprensa, "a excomunhão dos bispos sagrados por S. E. R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988 que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1º de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do papa Bento XVI". Era a intenção de orações que eu lhes tinha confiado em Lourdes, no dia da festa de Cristo Rei de 2008. Os senhores responderam muito além de nossas esperanças, pois que um milhão setecentos e três mil terços foram recitados para obter pela intercessão de Nossa Senhora o fim do opróbrio que pesava, na pessoa dos bispos da Fraternidade, sobre todos aqueles que estão unidos de perto ou de longe à Tradição. Saibamos agradecer à Santíssima Virgem que inspirou ao Santo Padre este ato unilateral, bondoso e corajoso. Asseguremos-lhe nossa fervente oração.

Graças a este gesto, os católicos do mundo inteiro unidos à Tradição não serão mais injustamente estigmatizados e condenados por ter mantido a Fé de seus pais. A Tradição católica não está mais excomungada. Apesar de que ela nunca o esteve em si, ela muito freqüente e cruelmente o esteve de fato. Do mesmo modo que a missa tridentina jamais esteve ab-rogada em si, como foi felizmente lembrado pelo Santo Padre pelo Motu Proprio Summorum pontificum do dia 7 de julho de 2007.

O decreto do dia 21 de janeiro cita a carta do dia 15 de dezembro passado ao Cardeal Castrillón Hoyos na qual eu expressava nosso apego "à Igreja de N. S. Jesus Cristo que é a Igreja Católica" e reafirmando nossa aceitação de seu ensinamento bimilenar e nossa Fé na primazia de Pedro. Eu recordava como sofremos pela situação atual da Igreja onde este ensinamento e esta primazia são humilhados, e acrescentava: "Estamos prontos para escrever com nosso sangue o Credo, para assinar o juramento anti-modernista, a profissão de Fé de Pio IV, nós aceitamos e fazemos nossos todos os concílios até o Vaticano II a respeito do qual temos nossas reservas." Em tudo isso, temos a convicção de permanecer fiéis à linha de conduta traçada por nosso fundador, Dom Marcel Lefebvre, de quem esperamos uma próxima reabilitação.

Também desejamos abordar estas "conversações" que o decreto reconhecia como necessárias sobre as questões doutrinais que se opõem ao magistério de sempre. Não podemos senão verificar a crise sem precedentes que sacode a Igreja de hoje: crise de vocações, crise da prática religiosa, do catecismo, e da freqüência dos sacramentos… Antes de nós, Paulo VI falava de uma infiltração da "fumaça de satanás" e de uma "auto demolição" da Igreja. João Paulo II não hesitou em dizer que o catolicismo na Europa estava em estado de uma "apostasia silenciosa". Pouco antes de sua eleição ao Soberano Pontificado, Bento XVI, ele mesmo, comparava a Igreja a "uma barca na que entrava água por todos os lados". Também nós queremos, nestas "conversações" com as autoridades romanas, examinar as causas profundas da situação presente e, apresentando o remédio adequado, chegar a uma restauração sólida da Igreja.

Queridos fiéis, a Igreja está nas mãos de nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria. Nós nos confiamos a Ela. Nós lhe pedimos a liberdade da missa de sempre, em todos os lugares e para todos. Nós lhe pedimos o levantamento do decreto de excomunhão. Nós lhe pedimos em nossas orações, a Ela que é a Sede da Sabedoria, estes necessários esclarecimentos doutrinais que as almas atribuladas têm tanta necessidade.

Menzingen, 24 de janeiro de 2009
+Bernard Fellay

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

FSSXP: Comunicado de Menzingen sobre o levantamento das excomunhões

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Apareceu hoje, em meu Google Alerts, o seguinte comunicado de dom Fellay, do dia 24 de janeiro de 2009, publicado no site Zenit, em 25 de janeiro de 2009. Não pude não me maravilhar com esta estranha indicação, tendo em vista que não é um assunto atual, ou não parece ser! Mas como é útil à Operação Memória e para ajudar a montar esse quebra-cabeça que é a cabeça do superior-geral da Neo-FSSPX, vou publicar aqui, hoje

MENZINGEN, domingo, 24 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado que o superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Dom Bernard Fellay, emitiu nesse sábado, ao se fazer público o decreto da Congregação para os Bispos, assinado no dia 21 de janeiro pelo cardeal prefeito Giovanni Battista Re, com o qual Bento XVI acolhe o pedido de levantar a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre.
* * *

A excomunhão dos bispos sagrados por S. E. R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988, que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1º de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do Papa Bento XVI.

Expressamos nossa gratidão filial ao Santo Padre por este ato que, além da mesma Fraternidade, será um bem para toda a Igreja. Nossa Fraternidade deseja poder ajudar sempre mais o Papa a por remédio nesta crise sem precedentes que comove atualmente o mundo católico, e que o Papa João Paulo II tinha designado como um estado de “apostasia silenciosa”.

Além do nosso reconhecimento ao Santo Padre, e a todos aqueles que ajudaram a chegar a este ato corajoso, nos congratulamos de que o decreto do dia 21 preveja como necessário “conversações” com a Santa Sede, conversações que permitirão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X de expor suas razões doutrinais de fundo que ela considera como a origem das dificuldades atuais da Igreja.

Neste novo clima, nós temos a firme esperança de chegar logo a um reconhecimento dos direitos da Tradição católica.

Menzingen, 24 de janeiro de 2009

+ Bernard Fellay
   

Bom, deixando de lado tudo o que já se disse sobre esse "gracioso ato do Papa", já se passaram 4 anos desse comunicado, e o que temos? 

Temos que a FSSPX dividiu-se entre os que permanecem fiéis ao projeto de Mons. Lefebvre e a esta "firme esperança" de dom Fellay, e os que preferem se juntar à igreja Conciliar, apesar das recomendações do Fundador de que se aguarde a conversão de Roma, antes de voltar ao diálogo. Recomendação, aliás, feita pelo próprio dom Fellay aos membros das comunidades Ecclesia Dei, de forma veemente e firme e que, agora, ele mesmo prefere ignorar, atraído por quiçá que quimera de vã-glória. Pelo visto, a firmeza não é uma de suas qualidades mais persistentes.

Temos que Roma jamais mudou o discurso, mantendo uma coerência que, infelizmente - e me desminta quem puder fazê-lo - não vemos nos comunicados oficiais (e extra-oficiais) da Neo-FSSPX.  

Temos que muitas almas se perderam, desiludidas (ou chocadas, ou escandalizadas, ou decepcionadas; escolham o verbo) pelas ações do superior-geral que as tem por "bagatelas", coisas de somenos importância. Sim, eu sei que não se referia estritamente às almas, mas quem sabe somar dois mais dois sabe o que isso significa. 

Temos que muitos bons padres, em nome de um obedientismo que já não tem justificativa alguma, e que eles sabem perfeitamente que está errado, muitos bons padres mantém-se à espera de um sinal prodigioso... Uma espera pela qual deverão prestar contas, tendo em vista todas as almas que se perdem neste ínterim. E que seja uma, não tem valor algum? Não custou ela o preço do Sangue de um Deus? Não deixou Ele noventa e nove no abrigo para correr atrás daquela até encontrá-la? E, agora, o "superior" simplesmente a abandona? Sinceramente, graça a Deus que eu não estou nos panos dele!

Eu sou uma dessas "bagatelas" que S.Exa. prefere contabilizar como "efeitos colaterais" nessas negociações sujas, que já ultrapassaram o limite de qualquer decência. Se não fosse a caridade de um bom padre fiel a seu Pai e à Tradição da Igreja, eu certamente estaria ao relento, longe do aprisco de Deus. Por isso, eu agradeço todo santo dia; isso e a graça de poder enxergar o que nem mesmo um superior-de-congregação, com graças de estado e tudo, consegue enxergar. Não pode. Não quer. 

Giulia d'Amore di Ugento

Os grifos no comunicado são nossos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

FSSPX: E agora?

Operação Memória: hoje, publicamos o Editorial n. 121, do Superior do Distrito da América do Sul, vindo à luz quando do "levantamento das excomunhões", em 2009. O texto foi traduzido de uma forma lastimável, mas serve para o fim a que se destina; contudo, tive que fazer umas correções necessárias. Notas no final; grifos em vermelho, nossos.


E AGORA?


Quantas coisas foram lidas ou escritas a propósito do decreto que Roma publicou no dia 21 de janeiro passado sobre a “excomunhão” que concernia ao quatro bispos da FSSPX desde 1988! A publicação deste documento, mesmo sendo imperfeito, constitui um ato valente do Papa Bento XVI, cujas consequências convêm analisar agora, depois que a tormenta da imprensa se acalmou um pouco.

Antes de tudo, há um fato histórico: no dia 1º de julho de 1099, o então Prefeito da Congregação para os Bispos publicou um decreto de excomunhão contra Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer e os quatro bispos da FSSPX que tinham sido sagrados por eles, difamando suas pessoas, a própria Fraternidade e suas obras.

Certamente, como dirá Dom Fellay, Superior Geral, esta censura era nula, tanto diante de Deus como para o Direito Canônico, de modo que não temos necessidade de sermos absolvidos dela, pois não existe. No entanto, o decreto do dia 21 de janeiro de 2009 é muito bem-vindo porque, nos fatos, a Tradição estava excomungada pelo antigo decreto.

Com efeito, quantas pessoas, sem terem as luzes necessárias, tiveram medo desta sentença e não tinham coragem de passar as portas de nossas capelas e igrejas, durante mais de 20 anos! O atual decreto é lamentável no sentido de que não declarou nulo o de 1988; mas, por outra parte, é compreensível que Roma deseje guardar certa compostura e não se desdizer, dando pé para abater ainda mais a autoridade que já está posta em discussão.

Nossa alegria, no entanto, não é completa, porque nosso Fundador, Dom Lefebvre, não foi explicitamente reabilitado; assim se expressava Dom Fellay na sua carta aos fiéis do dia 24 de janeiro passado, na qual desejava esta “sua próxima reabilitação”.

O desejo que este decreto expressa de abordar a questão doutrinal, isto é, o tema de fundo que nos opõe a Roma já faz 40 anos, é uma resposta à condição apresentada por Dom Lefebvre no dia seguinte das sagrações e que ele expressava neste termos: “Se querem que voltemos a falar, neste momento serei eu que porei as condições (…) Eu situarei a questão no nível doutrinal: Estão de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estão de acordo com Quanta Cura de Pio IX, Immortale Dei e Libertas de Leão XIII, Pascendi de Pio X, Quas Primas de Pio XI e Humani Generis de Pio XII? Estão em plena comunhão com estes papas e suas afirmações? Aceitam o juramento anti-modernista? Estão a favor do reinado social de N Senhor Jesus Cristo? Se não aceitam a doutrina dos seus predecessores será inútil falar”
[1].

Depois de ter esperado mais de 20 anos, é o próprio Papa quem convoca para estas discussões doutrinais: “Até que as questões relativas à doutrina não sejam esclarecidas, a Fraternidade não tem nenhum estado canônico na Igreja, e seus membros, apesar de terem sido liberados da sanção eclesiástica, não exercem legitimamente nenhum ministério na Igreja”[2]. Bento XVI lembra que “Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decorrer dos séculos e não pode cortar as raízes da qual a árvore vive”[3].

Deste modo, o problema foi proposto em toda sua exatidão. O Papa ensina que existe continuidade entre os Concílios de ontem e o Vaticano II, enquanto a Fraternidade afirma que este último concílio está em evidente ruptura com a Tradição.

Dom Fellay, como digno sucessor de Dom Lefebvre, deseja que os textos conciliares sejam passados pelo crivo da Tradição: “Longe de querer deter a Tradição em 1962, desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensinamento post-conciliar à luz da Tradição, que São Vicente de Lérins definiu como ‘o que foi crido sempre. Por todos e em todas partes’ (Comonitório), sem ruptura e conforme a um desenvolvimento perfeitamente homogêneo. Só assim poderemos contribuir eficazmente para a evangelização que pediu o Salvador”
[4]. Deste modo, sairão à luz todas as ambiguidades e erros de que estão cheios os textos conciliares.

Temos que estar convencidos de que o fim primeiro das discussões da Fraternidade São Pio X com Roma não é a obtenção de um estatuto canônico para ela mesma, mas sim realizar um serviço em favor da Igreja, ajudando as Autoridades eclesiásticas para que voltem à Tradição. A questão canônica, que tem sua importância, não será abordada a não ser quando tenham sido assentadas as bases desta restauração. A Fraternidade não trabalha para si mesma, mas para a Igreja!

Alguém poderia objetar o seguinte: “Por acaso não será utópico e ingênuo
[5] querer esperar esta reabilitação da Tradição na Igreja considerando quanto o Modernismo penetrou em Roma?

Raciocinar deste modo implicaria esquecer que a Igreja é divina, tanto na sua origem como na sua constituição. Podemos esperar, com efeito, que Deus recompensará a
inegável coragem que Bento XVI manifestou concedendo as duas premissas solicitadas pela FSSPX, e que lhe alcançará forças e luzes necessárias para concretizar uma restauração que parece impossível do ponto de vista humano. Quanto tempo levará isso? Só Deus sabe! Recordemos, no entanto, que, quando São Pedro tinha sido posto na prisão, “a Igreja rezava incessantemente por ele”[6] e que sua inesperada libertação encheu os seus discípulos “de assombro”,[7] precisamente porque era imprevisível.

É importante considerar também as reações furiosas dos que se opõem à Tradição como resultado da publicação do Motu Proprio que reabilita a Missa de São Pio V e o decreto sobre as excomunhões. Gerou uma indizível oposição, não só contra a Fraternidade São Pio X, mas também contra o Papado, e foi levada adiante por Episcopados inteiros, como é o caso do da Alemanha.

É claro que, quanto mais o Papa quiser
[8] afastar-se do espírito do mundo e dos seus princípios para aproximar-se da Tradição Católica, outro tanto terá que sofrer a perseguição que NSJC predisse aos seus Apóstolos, na Quinta feira Santa: “Se o mundo vos odeia, sabei que Me odiou a Mim antes que a vós”[9]. Os acontecimentos recentes põem luz sobre a profecia de Nª. Sra em Fátima: “O Papa terá muito que sofrer”. A Fraternidade conhece estas perseguições já faz 30 anos, e talvez ajude o Papa a pensar, agora que ele mesmo está no centro da tormenta.

O que acontecerá agora? Já veremos qual forma concreta tomarão estas discussões doutrinais. É evidente
[10] que a FSSPX guardará sua liberdade de palavra, a que não deixou de exercer desde sua fundação. Continuaremos defendendo a Tradição, seguiremos denunciando[11] os erros do Modernismo que corroem a Igreja no seu próprio interior e prosseguiremos trabalhando pelo restabelecimento do Reino de Cristo Rei.

Neste contexto cada um deve conservar o seu posto, convencido de que os superiores são os únicos
[12] que têm as graças de estado para guiar-nos nas inúmeras emboscadas que nos rodeiam. Saibamos que têm consciência diante de Deus dos deveres que lhes incumbem, no intuito de ajudar Roma a voltar à Tradição, graças a estas discussões doutrinais que se anunciam. Rezemos por eles, cooperemos com eles com nossos sacrifícios e renovemos nossa confiança. Deixemos de lado os rumores, e olhemos unicamente os textos oficiais publicados pela Fraternidade, em lugar de procurar comentários mais ou menos duvidosos que são publicados em Internet e noutras partes.

Acabamos de assistir à Semana Santa, na qual seguimos de perto N. Senhor na sua Paixão, Morte e sepultura até sua gloriosa Ressurreição. A Igreja, que é “Cristo continuado”, também sofre, tem seu Calvário e é crucificada pelos inimigos que a querem levar ao sepulcro. Devemos convencer-nos de que esta Paixão também chegará ao seu fim. Isso dependerá de Deus. Ele saberá acolher nossas orações e sacrifícios. Rezemos pelo Papa e pelos Superiores da FSSPX. Não convém aos católicos o desespero! Afastemos a suspeita, os rumores mortificantes, lembrando que Cristo está junto da sua Igreja e especialmente junto do seu Vigário, até o fim dos tempos, posto que rezou por ele “para que sua fé não desfaleça”
[13]. Isso é de Fé.

Que Deus os abençoe! 

Padre Christian Bouchacourt
Superior de Distrito América del Sur


[1] Dom Lefebvre, “Fideliter”, nº 66. – Do Blog: Ler trechos aqui.
[2] Carta de Bento XVI aos bispos da Igreja Católica, 10 de março de 2009. – Do Blog: Remissão da Excomunhão aos Quatro Bispos da FSSPX.
[3] Ibidem.
[4] Comunicado de Dom Fellay, 12 de março de 2009. – Do Blog: ler aqui.
[5] Do Blog: os adjetivo não são estes. Claramente, é o mesmo que querer entrar em um chiqueiro e não se sujar. Então, alguns adjetivos vem à mente rapidamente...
[6] Atos 12, 5.
[7] Ibidem, 12, 16.
[8] Do Blog: Bom, depois de Assis III, das visitas a mesquitas e sinagogas, de rezar junto com o Arcebispo de Canterbury (reconhecendo nele um Arcebispo), de colocar papeizinhos com orações no Muro das Lamentações, de se reunir com protestantes e hereges de todo tipo, de continuamente ufanear o ecumenismo como coisa boa, depois disso tudo e de todas os demais escritos, ações, manifestações etc. de BXVI que mostram claramente que ele está caminhando cada vez mais longe da Tradição e da Fé Católica, podemos concluir que ele não quer se afastar do espírito do mundo e dos seus princípios para aproximar-se da Tradição Católica... e mais adjetivos me vêm à mente!
[9] Mt, 15, 18-20.
[10] Do Blog: Well, não aprece tão evidente assim, agora.
[11] Do Blog: como será feito isso, reverendo, quando Roma exige que se aceite o CVII?
[12] Do Blog: Se os Superiores são os únicos que “têm as graças de estado para guiar-nos nas inúmeras emboscadas que nos rodeiam”, porque não confiar cegamente e obedecer cegamente ao Papa, que, me parece, é superior a qualquer Superior dentro da Igreja?
[13] Lc, 22, 32.

FSSPX: Comunicado-resposta à 'explicação' do Papa sobre a remissão das excomunhões em 2009

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Publicamos o comunicado abaixo, que é uma resposta à "explicação" que BXVI se sentiu na obrigação de dar à remoção das excomunhões de 2009. Neste comunicado, já exsurgem algumas "mudanças" na orientação que o Superior de Menzingen quis imprimir à obra de Monsenhor Lefebvre. Notas do blog, no final. Grifos nossos.

Comunicado do Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Dom Bernard Fellay.


O Papa Bento XVI dirigiu uma carta aos bispos da Igreja católica, em data de 10 de março de 2009, na qual lhes faz saber as intenções que o guiaram neste passo importante que constitui o Decreto de 21 de janeiro de 2009.

Após recente “desencadeamento de uma onda de protestos”, nós agradecemos vivamente o Santo Padre por ter colocado o debate à altura de onde deve se realizar, a da Fé. Nós compartilhamos plenamente sua preocupação prioritária da pregação “à nossa época onde em vastas regiões da terra a Fé corre risco de se apagar como uma chama que não encontra mais com o que se alimentar”.

A Igreja atravessa, com efeito, uma crise essencial que poderá ser resolvida apenas por um regresso integral à pureza da Fé. Com Santo Atanásio, nós professamos que “todo aquele que quer se salvar, deve sobretudo ter a Fé Católica: o que não a guarda íntegra e inviolada irá, indubitavelmente, à sua perda eterna” (Símbolo Quicumque¹).

Longe de querer parar a Tradição em 1962, nós desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensino pós-conciliar à luz desta Tradição que São Vicente de Lérins definiu como “o que foi crido sempre, por toda a parte e por todos” (Commonitorium²), sem ruptura e num desenvolvimento perfeitamente homogêneo³. É assim que nós poderemos contribuir eficazmente à evangelização pedida pelo Salvador. (cf. Mateus 28,19-20.)

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X assegura a Bento XVI sua vontade de abordar as questões doutrinais reconhecidas como “necessárias” pelo Decreto de 21 de janeiro, com o desejo servir à Verdade revelada que é a primeira caridade a manifestar a respeito de todos os homens, Cristãos ou não. Ela lhe assegura sua oração, a fim de que sua Fé não desfaleça e que ele possa confirmar todos os seus irmãos. (cf. Luc. 22,32.)

Colocamos estas questões doutrinais sob a proteção de Nossa Senhora de Toda Confiança, com segurança de que ela nos obterá a graça de transmitir fielmente o que recebemos, “tradidi quod et accepi” (I Cor. 15,3).

+ Bernard Fellay

Fonte: DICI - http://www.dici.org/accueil.php (link quebrado)


Fonte: http://fratresinunum.com/2009/03/12/comunicado-do-superior-geral-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x-2


² São Vicente de Lérins - Commonitorio - PDF em Espanhol.  
³ Se o trecho em vermelho não for a melhor interpretação da Hermêutica da Continuidade de BXVI... o que mais será? 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

História: Decreto de Excomunhão Dominus Marcellus Lefebvre

Não encontrei o decreto de excomunhão no site do Vaticano, ou em versão em língua portuguesa em qualquer outro lugar na web. Portanto, resolvi traduzi-lo, porque faz parte de nossa história. Na sequência o decreto de remoção da excomunhão.

Operação Sobrevivência e seus mártires:
(da direita para a esquerda)
Mons. Alfonso De Galarreta, Mons. Bernard Tissier de Mallerais, Mons. Antônio de Castro Mayer
Mons. Marcel Lefebvre, Mons. Richard Williamson e Mons. Bernard Fellay

DECRETO DE EXCOMUNHÃO

"Dominus Marcellus Lefebvre"


Da Sede da
Congregação para os Bispos
01 de julho de 1988


Monsenhor Marcel Lefebvre, Arcebispo-Bispo Emérito de Tulle, não obstante a advertência canônica formal de 17 de Junho último e os repetidos apelos para que renuncie a sua intenção, realizou um ato cismático através da consagração episcopal de quatro sacerdotes, sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice, e, portanto, incorreu na pena prevista pelo Cânone 1364, § 1, e pelo Cânone 1382 do Código de Direito Canônico.

Tendo em conta todos os efeitos jurídicos, eu declaro que o acima mencionado Monsenhor Marcel Lefebvre, e Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta incorreram ipso facto em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

Além disso, eu declaro que Monsenhor Antonio de Castro Mayer, Bispo Emérito de Campos, já que ele participou diretamente da celebração litúrgica como co-consagrador e aderiu publicamente ao ato cismático, incorreu em excomunhão latae sententiae, prevista pelo Cânone 1364, §1.

Os sacerdotes e fiéis são advertidos para não apoiar o cisma de Monsenhor Lefebvre, caso contrário, incorrerão, ipso facto, na gravíssima pena de excomunhão.

Da Sede da Congregação para os Bispos, 1 de Julho de 1988.


+ BERNARDINUS Card. GANTIN
Prefeito da Congregação para os Bispos

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento



CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS


REMOVIDA A EXCOMUNHÃO A QUATRO BISPOS
 DA FRATERNIDADE SÃO PIO X


DECRETO


Na sua carta de 15 de Dezembro de 2008, dirigida a Sua Eminência o Senhor Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão «Ecclesia Dei», D. Bernard Fellay solicitava de novo, em nome próprio e dos outros três Bispos consagrados no dia 30 de Junho de 1988, a remoção da excomunhão latae sententiae declarada formalmente através de um Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos com data de 1 de Julho de 1988. Na mencionada carta, entre outras coisas, afirma D. Fellay: «Continuamos firmemente determinados na nossa vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica romana. Com espírito filial, aceitamos os seus ensinamentos. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e nas suas prerrogativas, e por isso nos causa tanto sofrimento a situação actual».

Sua Santidade Bento XVI – paternamente sensível ao mal-estar espiritual revelado pelos interessados por causa da sanção de excomunhão e confiado no empenho expresso na referida carta de que não poupariam qualquer esforço para aprofundar, nos colóquios que fossem necessários com as Autoridades da Santa Sé, as questões ainda abertas, a fim de se poder chegar depressa a uma solução plena e satisfatória do problema que está na sua origem – decidiu reconsiderar a situação canónica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, que se criou com a sua consagração episcopal.

Com este acto, deseja-se consolidar as recíprocas relações de confiança e intensificar e dar estabilidade à ligação da Fraternidade São Pio X com esta Sé Apostólica. Este dom de paz, no termo das celebrações natalícias, pretende também ser um sinal para se promover a unidade na caridade da Igreja universal e chegar à eliminação do escândalo da divisão.

Espera-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, dando assim testemunho de verdadeira fidelidade e de verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa com a prova da unidade visível.

Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto removo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988, enquanto declaro desprovido de efeitos jurídicos, a partir da data de hoje, o Decreto então emanado. 

Roma - Congregação para os Bispos, 21 de Janeiro de 2009.

Card. Giovanni Battista Re
Prefeito da Congregação para os Bispos

Fonte

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