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sexta-feira, 7 de junho de 2013

CRISE NA FSSPX - CAPÍTULO V

Como prometido, publico a excelente conferência do Rev. Pe. Rioult em capítulos, para seres melhor refletidos e considerados, sobretudo por aqueles que tem preguiça de ler texto longo, ou textos mais complexos. Meus comentários iniciais não são imprescindíveis e, portanto, ficarão no texto completo. Os números em rosa são as notas de tradução; em verde, os comentários da tradutora. 



 
 

CAPÍTULO V



Graves sofismas


Um sofisma é um falso raciocínio que tem alguma aparência de verdade. Dois são particularmente graves. Mons. Fellay apresentou como vitórias da Tradição aquilo que, no fundo, não passava de manobras modernistas. Não devemos esquecer nunca que a revolução está pronta a fazer muitas concessões aparentes e superficiais para salvar o essencial: conservar seu princípio revolucionário: a liberdade religiosa dos direitos do homem: princípio maçônico.

Em 2007, foi-nos dito que a Missa Tridentina nunca “fora ab-rogada” [enquanto rito extraordinário, de igual santidade com o rito bastardo, que era o ordinário][40].

Em 2009, as “excomunhões” foram retiradas[41] [levantadas][42]

Mentiu-se por omissão; a estratégia revolucionária tem sido ignorada!

1) ela pode suportar a Missa extraordinária, contanto que a Missa bastarda permaneça norma ordinária e principal. [A influência perniciosa deste Motu Proprio se fez sentir entre nós, com os convites de matrimônio que anunciavam a Missa no rito extraordinário...].
 2) ela pode tentar um gesto de misericórdia para com os lefebvrianos, se isso pode enfraquecê-los e contanto que o Vaticano II continue a bússola da Igreja para o século XXI.

O próprio Bento XVI explicou sua estratégia aos modernistas idiotas:

“Pode ser totalmente errado empenhar-se para dissolver endurecimentos e restrições, de tal modo a dar espaço ao que há de positivo[43] e de recuperável no conjunto? Eu mesmo vi, nos anos posteriores a 1988, como, mediante o retorno de comunidades anteriormente separadas de Roma, tenha mudado a atmosfera interna deles; como o retorno à grande e ampla Igreja comum tenha feito superar posições unilaterais[44] e dissolvido endurecimentos de tal forma que, depois, disso emergiram forças positivas para o conjunto”. (4)[45]

Mons. Lefebvre, em 1988, havia denunciado esta estratégia vaticana e os seus perigos:
“A atmosfera desses contatos e dos colóquios nos mostra claramente que o desejo da Santa Sé é de nos aproximar do Concílio e das suas reformas, de nos inserir, dessa forma, no seio da Igreja conciliar[46] (...) A nossa reintegração parece ser um recurso político, diplomático para equilibrar os excessos dos outros”. (5)[47].

Bento XVI, que é um modernista inteligente, nada fez por causa de nossos belos olhos! Não fez o seu Motu Proprio para nós! Mas para salvar o Vaticano II; como modernista atento, ele compreendeu que, para salvar o Vaticano II, precisava de nós na “vasta Igreja”. A Fraternidade legitimamente integrada poderia aportar para a Igreja moderna o seu “carisma da Tradição”, porque, de facto, ela aceitaria o pluralismo do pensamento conciliar. É para salvar sua “hermenêutica da continuidade” que Bento XVI precisa de nós, que declaramos a ruptura doutrinal do Vaticano II. Este simples “viver juntos” manifestará a continuidade da “Tradição viva”, na “vasta Igreja”. Pela mesma razão, ele devia aceitar a existência da Missa tradicional [mas em segundo plano], para salvar a Missa de Paulo VI e sua pretensa continuidade litúrgica.

Ora, o bem da Igreja exige a recusa do Concílio, e não apenas a sua crítica. Não podemos mais nos contentar com o “deixar-nos fazer a experiência da Tradição”, com o “aceitai-nos pelo que somos”, pois isso significaria fazer o jogo da lógica modernista e salvar o concílio Vaticano II. Mons. Lefebvre compreendera isso:
“(...) ‘Eu acuso o Concílio’ me parece a resposta necessária ao ‘Eu escuso o Concílio’ do Cardeal Ratzinger!” (6)[48]. “Denunciar publicamente os procedimentos dos eclesiásticos que quiseram fazer deste Concílio a paz de Yalta da Igreja com seus piores inimigos, ou seja, na realidade, uma nova traição a nosso Senhor Jesus Cristo e a sua Igreja”, significa fazer “um imenso serviço à Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo e à salvação das almas”[49].

Seja como for, Mons. Fellay contradiz a batalha pela fé de Mons. Lefebvre.

DICI-Lorans:
“2012 não é 1988 [e 1970?], ano de sua [de Mons. Fellay] consagração episcopal. A recusa a priori de um reconhecimento canônico é devida aos 40 anos de uma situação excepcional que comportou certa incompreensão do que seja a submissão à autoridade?[50]

Mons. Fellay:
“O que acontece nesse período mostra claramente algumas das nossas fraquezas diante dos perigos gerados pela situação na qual nos encontramos. (...) Alguns pretendem que seja necessário que Roma se converta antes de qualquer acordo[51], ou que os erros devem primeiro ser suprimidos para que se possa trabalhar. Mas não é esta a realidade. (...) os santos reformadores não deixaram a Igreja[52] para combater esses erros”.[53] [Mons. Fellay percebe que esta frase condena Mons. Lefebvre e todos os outros, Coache, Calmel, Barbara, ... Guillou, que, para não deixar a Igreja Católica, se separaram da Igreja conciliar?[54]]

Mons. Fellay inventou um novo princípio que permitirá justificar ajustamentos comprometedores[55]: “Nós não podemos aceitar de sermos acusados injustamente de uma ruptura com Roma”.

Ora, Mons. Lefebvre, em 1976 e em 1988, ele aceitou, por duas vezes, ser condenado, para continuar sua luta pela fé[56].

Mons. Fellay descreve a Fraternidade como “falha” de algo fundamental em relação à “visibilidade” da Igreja. Ele fala frequentemente da Fraternidade, que estaria em uma situação “irregular”, “anormal”, “ilegal”, enquanto Mons. Lefebvre afirmava:
“O que nos interessa, antes de tudo, é manter a fé católica. Esta é a nossa batalha. Então, a questão canônica, puramente exterior, pública, na Igreja, é secundária”. [57]

E hoje, pelo contrário, só se fala disso.
 
Continua... CAPÍTULO VI (10/06/2013).


Fonte: Non Possumus.
Tradução (do Italiano): Giulia d'Amore di Ugento.
Sem revisão final.

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NOTAS (ORIGINAIS)
4 - Carta de Bento XVI aos bispos, de 10 de Março de 2009[98], sobre o levantamento da excomunhão.
5 - Apresentação da situação relativa ao que Roma chama “Reconciliação”, 30 de maio de 1988 em Notre-Dame du Pointet.
6 - Mons. Marcel Lefebvre, Ils l’ont découronné, ed. Fideliter, p. 233 - (Eles o destronaram, ed. Amicizia Cristiana, Chieti, 2009, p 241).

NOTAS DE TRADUÇÃO
[40] Motu Proprio Summorum Pontificum: “Por isso é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962, que não foi ab-rogado nunca, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja”.
[41] Decreto de Remoção de Excomunhão: “Na sua carta de 15 de Dezembro de 2008, dirigida a Sua Eminência o Senhor Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão «Ecclesia Dei», D. Bernard Fellay solicitava de novo, em nome próprio e dos outros três Bispos consagrados no dia 30 de Junho de 1988, a remoção da excomunhão latae sententiae declarada formalmente através de um Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos com data de 1 de Julho de 1988. Na mencionada carta, entre outras coisas, afirma D. Fellay: «Continuamos firmemente determinados na nossa vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica romana. Com espírito filial, aceitamos os seus ensinamentos. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e nas suas prerrogativas, e por isso nos causa tanto sofrimento a situação atual (...) Com base nas faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre Bento XVI, em virtude do presente Decreto removo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988, enquanto declaro desprovido de efeitos jurídicos, a partir da data de hoje, o Decreto então emanado”.
[42] Pois é, levantadas, remissas, perdoadas, anuladas, retiradas... A verdade não está em que palavra seria mais adequado usar para explicar o que houve com o bondoso gesto do Papa. A verdade está no fato de que as excomunhões de João Paulo II valem tanto quanto as do Dalai Lama. Pelo menos, foi isso que pareceu dizer Monsenhor Lefebvre quando disse, me repito, que não poderia ser excluído de uma Igreja à qual nunca havia pertencido. Ou algo assim. O pior nisso tudo é que foi o próprio dom Fellay quem pediu a retirada das excomunhões – ele mesmo tem se gabado disso, aqui e ali – o que corresponde dizer que, para dom Fellay, as excomunhões eram realmente válidas – contrapondo-se ao pensamento de Monsenhor Lefebvre – e delas tinha medo. O ex-Superior do Distrito Alemão parece ainda ter medo disso, e o tem dito, aqui e ali.
[43] Tremendamente modernista: focar no que nos une, não no que nos separa.
[44] Doutrina, dogma, Tradição, Depósito da Fé... agora são posições unilaterais, endurecimentos, subjetivismos.
[45] Carta de Bento XVI aos bispos, de 10 de março de 2009, q propósito da remissão das excomunhões.  Vide nota n. 98.
[46] Isso parece bem claro. Qual é a dificuldade de compreender o que Monsenhor Lefebvre disse aqui? O que Roma quer de nós é “nos inserir, dessa forma, no seio da Igreja conciliar” e não nos chamar “para ajudar a levar aos outros o tesouro da Tradição”! Será que é preciso desenhar?
[47] Apresentação da situação relativa ao que Roma chamava de “reconciliação”, em 30 de maio de 1988, em Notre-Dame du Pointet: Pode ser lido em Breve Histórico do Caso SSPX: “No mesmo dia, 30 de maio, no priorado da Fraternidade em Notre Dame du Pointet (em Broût-Vernet), perto de Vichy), Lefebvre reuniu representantes da Fraternidade e de todas as comunidades amigas que seriam afetadas por sua decisão, incluindo Dom Gerard Calvet de Lê Barroux e muitas irmãs. Muitos dos presentes eram favoráveis ao acordo, mas parecia haver uma maioria contra ele. Na Festa de Corpus Christi, 2 de junho, Lefebvre escreveu sua carta final ao Papa”.
[48] Do liberalismo à Apostasia. Página 139 do PDF.
[49] Prefácio do livro “Acuso o Concílio”. Éditions Saint-Gabriel, Première édition, Outubro de 1976. PDF do livro.
[50] DICI 256. Vide nota n. 8.
[51] “Alguns” não, Excelência, o próprio Monsenhor Lefebvre disse isso, claramente, em várias ocasiões; e as razões por pensar assim não só permanecem como se mostram mais necessárias ainda diante de, por exemplo, um Assis III convocado e mantido em plenos colóquios doutrinários com a FSSPX! E o que mais me espanta é que há padres que até hoje juram que isso não é verdade, que dom Fellay jamais faria um acordo prático, inventando eufemismos os mais variados para justificar a traição do Superior e aplacar as suas consciências vendidas por 30 moedas sujas e uma cama quentinha! Que dirão agora esses padres? Que dirão ao saber que, para dom Fellay. eles não passam de “alguns pretensiosos” que esperam pela conversão de Roma antes de qualquer acordo? Com que cara virão até nós para defender o indefensável? Talvez com a mesma cara de alívio com que dizem que o “acordo” (então, admitem!) não foi firmado! Acorde, reverendo! O acordo só não foi assinado porque Bento VI não quis. A Mont Blanc de dom Fellay estava se coçando de vontade de “correr” e assinar!!! Como conseguem conciliar o sono à noite? Como conseguem se olhar no espelho pela manhã sabendo que houve, sim, a traição não só ao Fundador, mas, principalmente, à missão de defender a Fé e a Tradição? O que mais precisam ver, ouvir e ler? Nem é a Resistência quem fala, é o próprio dom Fellay!!! O rei está nu! E isso é sujo. Mas mais suja está a consciência dos que fingem que não veem, nem sabem. Quem usa os óculos cor-de-rosa aqui?
[52] E quem foi o santo que deixou “a” Igreja dessa vez? Vamos ter que repetir mais uma vez a resposta de Monsenhor Lefebvre à notícia sobre as excomunhões? Com que Roma dom Fellay pensa que está tratando? Ou – pior – está chamando ao Fundador e seu pai espiritual de Lutero? A fantasia que pulula em sua mente “ingênua” tirou-lhe o juízo? Como pode uma pessoa que não sabe distinguir entre a fantasia e a realidade pretender permanecer à frente de uma instituição que tem a gloriosa e impávida missão de, nada mais nada menos, defender a Fé Católica? Como dizem os jovens: alguém avisa ele?
[53] DICI 256. Vide nota n. 8.
[54] Eu diria, aqui, modestamente, que nem se tratou de uma separação, mas de uma precisa e objetiva tomada de distância, para deixar claro que “aquela” não é a Igreja Católica.
[55] Excelência, e quem de nós rompeu com a Roma Católica? Com justiça, nos rompemos foi com o Concílio Vaticano II e a Roma Conciliar, apóstata, herética. Isto sim! Disso temos orgulhos, e pretendemos morrer rompidos com ela. A outra igreja, aquela Conciliar. Porque somos Católicos e amamos a Igreja Católica, e por Ela morreremos, se a isso formos chamados!
[56] Onde estavam dom Fellay & companhia que não presenciaram isso? Será que a ambição pelo episcopado cegou-o a tal ponto que, mesmo discordando, preferiu se calar temporariamente? Se discordava disso, porque não o manifestou ao Superior? Se concordava, porque mudou agora de “opinião”? Pensa que somos nós os idiotas?
[57] Retiro espiritual em Ecône, em 21 de dezembro de 1984. 
[98] A carta em Português





"A verdade pede fundamentalmente uma coisa para ser julgada: é ser ouvida". - Bossuet
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