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quarta-feira, 5 de junho de 2013

CRISE NA FSSPX - CAPÍTULO III

Como prometido, publico a excelente conferência do Rev. Pe. Rioult em capítulos, para seres melhor refletidos e considerados, sobretudo por aqueles que tem preguiça de ler texto longo, ou textos mais complexos. Meus comentários iniciais não são imprescindíveis e, portanto, ficarão no texto completo. Os números em rosa são as notas de tradução; em verde, os comentários da tradutora. 




 

CAPÍTULO III



Em 2011, a propósito da beatificação de João Paulo II, Mons. Fellay declarava que aquela representava “um grave problema”.
“O de um pontificado que avançou a grandes passos no sentido errado, na direção do progressismo e de tudo aquilo que se chama ‘espírito’ do Vaticano II. Trata-se, portanto, de uma consagração, não só da pessoa de João Paulo II, mas também do Concílio e de todo o espírito que o acompanhou”. [18]

Parece claro, não? Não há o que temer: Mons. Fellay pensa corretamente!

Mas não! Ele se contradiz[19], pois escreve que Bento XVI, que está para beatificar João Paulo II, é um papa que “retorna às ideias tradicionais[20].

Em uma entrevista ao “Les Nouvelles Calédoniennes[21], ouvimos Mons. Fellay dizer: 
“E o balanço [do Vaticano II] é devastador. ... [Mas] o Papa retorna às ideias tradicionais[22]. Ele vê perfeitamente bem que há um desvio, e que é preciso corrigi-lo. Estamos, talvez, muito mais próximos do Papa do que parece. (...) Por outro lado, (...) basta um ato de Roma para dizer que tudo acabou e nós regressaremos à Igreja[23]. Isso vai acontecer. Eu estou muito otimista[24]”. (27 de Dezembro de 2010).

Ainda em 2010, na Carta aos Amigos e Benfeitores n. 76[25], de 7 de maio de 2010, ele pensava que:
Após a ascensão ao Pontificado de Bento XVI” tem “aparecido uma nova onda” (...) “Contra todas as expectativas, esta parece estar indo na direção oposta à primeira. Os indícios são suficientemente variados e numerosos[26] para afirmar que este novo movimento de reforma ou restauração é real”.

Eis o retrato de Bento XVI que Mons. Fellay traça em 2010 no Brasil[27]
“Bento XVI é uma mistura de bom e mau. O que é mau é a cabeça, sede do modernismo. Por exemplo, o ecumenismo, as relações com os Hebreus. Ele tem dito coisas inacreditáveis sobre o Inferno. Por este lado, Bento XVI é muito moderno[28] [não católico, herético – a palavra não é pronunciada, mas a pensamos – e a verdade diminuiu]. Mas há também um outro lado, que é conservador: a sua cabeça é moderna, seu coração[29] é conservador [a liturgia??]. Mas eu ignoro como uma e o outro caminhem juntos”. (3).

Para compreender o ridículo dessa afirmação, é preciso deixar o discurso e ir aos fatos.

Eis os atos principais desse coração conservador, entre 2007 (data do Motu Proprio sobre a Missa[30]) e 2011:

Reunião inter-religiosa de Nápoles; visita à sinagoga de Nova York; Dia Mundial da Juventude em Sydney, com sua liturgia inculturada e seus rituais pagãos; visita à mesquita de Jerusalém; ritual judaico no Muro das Lamentações; visita à Sinagoga de Roma; participação ativa no culto luterano em Roma; beatificação de João Paulo II; reiteração do escândalo de Assis.

O pensamento é confuso, a linguagem é ambígua, oportunista e também manipuladora.


Continua... CAPÍTULO IV


Fonte: Non Possumus.
Tradução (do Italiano): Giulia d'Amore di Ugento.
Sem revisão final.

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NOTAS (ORIGINAIS)
3 - Bahia, 8 de julho de 2010; retomada, depois, Domingo, 18 de julho, na homilia e na conferência em Buenos Aires.

NOTAS DE TRADUÇÃO
[18] Entrevista de Mons. Fellay ao Distrito Norte-Americano. 2 de fevereiro de 2011. PDF aqui.
[19] Isto não é nenhuma surpresa. Basta ler as idas e voltas nos pensamentos doutrinários de Sua Excelência para compreender claramente isso.
[20] Ele declara isso na entrevista ao Nouvelles Caledoniennes. Vide a nota abaixo.
[21] Cuja página também desapareceu (leia no campo de endereço o título do artigo), mas foi salva a tempo pelos sempre atentos tradicionalistas franceses aqui, aqui e aqui. Mas eu achei por bem salvar em PDF, just in case. Aqui alguns trechos em italiano.
[22] SIC! Onde, Excelência, o senhor percebeu isso? Na teatralidade das missas que celebra? Ou no gosto pelas vestes litúrgicas mais “carnavalescas” de bergogliana aversão?
[23] Qual Igreja, Excelência, pois, pelo que eu havia entendido, quem deixou a Igreja não fomos nós! Não foi isso que disse Monsenhor Lefebvre, quando das “excomunhões”? Que não poderia ser excluído de uma Igreja à qual nunca havia pertencido? Portanto – e mais uma vez – porque fazemos questão de “regressar” a uma Igreja da qual nunca saímos?
[24] Bom, este é dom Fellay: um otimista de pai, mãe e parteira, muito além da prudência e do bom senso.
[25] DICI: “Carta aos amigos e benfeitores No. 76”. E o PDF respectivo.
[26] O que será que monsenhor tem visto de tão variado e numeroso no sentido de uma volta à Tradição? Terão sido as inúmeras missas sacrílegas realizadas ao redor do mundo? Ou terá sido Assis III? Ou, talvez, todos os novos movimentos heréticos que têm surgido como “fruto” do Vaticano II, como a RCC ou o Neocatecumenato ou a “renascida” Teologia da Libertação? Ou as “surpreendentes” nomeações para os cargos-chave da administração da Igreja?
[27] Áudio da conferência de D. Bernard Fellay para os religiosos e fiéis do Mosteiro de Nossa Senhora da Fé, 8 de julho de 2010. Não tenho conhecimento de que alguém tenha transcrito essa conferência.
[28] Qual é nível de modernismo aceitável em um Papa?
[29] Eu quase apostei -brincadeirinha, eu nunca aposto! - que iria dizer isso, enquanto traduzia. Nada mais hippie de que contrapor o coração à razão. Modernista, Excelência, é a sua conversa. O que os modernistas meio conservadores apreciam no “passado” é a teatralidade dos rituais, não a essência, pois se “apreciassem” (amassem, acreditassem e compreendessem) a essência não seriam modernistas meio conservadores, mas tradicionalistas. Like us.
[30] Aquele Motu Proprio que, ao mesmo tempo em que repristinava a Missa Tridentina, a colocava em um nível inferior em relação à missa bastarda, com o pomposo título de “rito extraordinário”. Para bom entendedor, é fácil compreender que a missa bastarda seria, portanto, a de “rito ordinário”. E dom Fellay ainda mandou cantar o Te Deum em todas as igrejas e capelas da FSSPX!!!





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