Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Cartuxa interior. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cartuxa interior. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de agosto de 2018

Buscas o deserto para servir a Deus?...

Retirar-se para o deserto para passar ali a inteira existência é uma decisão que só se pode tomar quando no coração arde a íntima certeza, mais ou menos bem formulada, de que no seio da solidão se esconde um AMOR incomparável, que não pode ser igualado por nenhum outro amor.

A solidão eremita não pode corresponder a uma fuga ou confundir-se com esta, senão que é a resposta a esse Amor, tão grande, que tende a fazer-se absorvente até ocupar a inteira existência.

A vocação eremita e monástica não é "um circuito fechado com Deus".

Ao chamar-nos ao deserto, Deus pensa em sua Igreja e em todos os homens de boa vontade, e a nossa resposta a damos enquanto membros do Corpo de Cristo e como representantes da inteira Família Humana. Desejamos ser o coração adorador da Igreja e o coração amante da Humanidade.

Por isso, dia e noite, desde nossa solidão, elevamos ao Céu o louvor a Deus, e em nome de todos apresentamos a Deus o grito de nossos irmãos, os homens. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Sobre a Vida Solitária

A um amigo sobre a Vida Solitária



Carta de Guigo I


Ao Reverendo…, Guigo, o menor dos servos da Cruz que estão em Chartreuse: «Viver e morrer por Cristo» (Cf. Fl 1,21).

Um imagina feliz o outro. A meu ver, aquele que o é verdadeiramente não é o ambicioso que luta para conseguir honras altivas num palácio, mas aquele que escolhe levar uma vida simples e pobre no deserto, que gosta de aplicar-se à sabedoria no repouso 1, e deseja com ardor permanecer sentado e solitário no silêncio (Cf. Lm 3,28).

Porque, brilhar nas honras, estar elevado em dignidade, é, a meu ver, coisa pouco tranquila, exposta a perigos, sujeita a cuidados, suspeita para muitos, e para ninguém segura. Alegre no princípio, equívoca com a prática, é triste no seu termo. Aplaude os indignos, indigna-se contra os bons, e na maioria das vezes, zomba de uns e de outros. Fazendo muitos infelizes, não faz ninguém feliz, nem satisfeito.

Em compensação, a vida pobre e solitária, pesada no começo, fácil no seu curso, torna-se no fim celeste. Está firme nas provas, confiante nas incertezas, modesta no êxito. É frugal na alimentação, simples no vestir, reservada nas palavras, casta nos costumes, e objeto dos maiores desejos porque não deseja absolutamente nada. Sente muitas vezes o aguilhão do arrependimento pelos seus pecados passados, evita-os no presente e previne-se contra eles no futuro. Espera na Misericórdia, mas não conta com os seus (próprios) méritos. Aspirando vivamente aos bens celestiais, rejeita os da terra. Esforça-se por adquirir uma conduta provada, mantém-se nela com perseverança, e guarda-a para sempre. Entrega-se aos jejuns pelo hábito da Cruz, mas aceita alimentos por exigência do corpo. Dispõe uma e outra coisa com a mais perfeita medida; com efeito, domina a gula sempre que decide comer, e o orgulho, sempre que quer jejuar. Dedica-se ao estudo, mas sobretudo das Escrituras e de obras religiosas nas quais o miolo do sentido a mantém mais ocupada que a escuma das palavras. E, o que é mais surpreendente e mais admirável, permanece sem cessar no repouso, e, ao mesmo tempo, nunca está ociosa 2. Multiplica as suas ocupações, de modo a faltar-lhe a maioria das vezes o tempo mais que atividades diversas. E lamenta-se mais frequentemente da falta de tempo que do aborrecimento do trabalho.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A Escada do Claustro - a busca de Deus!

A Escada do claustro 



Carta de Dom Guigo[1], Cartuxo, ao Ir. Gervásio, sobre a vida contemplativa


I - Ao seu dileto irmão Gervásio, o Ir. Guigo: o Senhor seja o seu deleite.

Amar-te, irmão, é para mim uma dívida, pois foste tu que, primeiro, começaste a me amar. E sou obrigado a te responder, porque, anterior, tua carta me convida a escrever-te.

Proponho-me, assim, a te transmitir certas coisas que pensei sobre o exercício espiritual dos monges, a fim de que possas julgar e corrigir meus pensamentos a propósito de um assunto que tu melhor conheces por experiência, do que eu pela reflexão.

É justo que eu te ofereça, em primeira mão, as primícias do meu trabalho. Pois convém que colhas os primeiros frutos da recente plantação que, em louvável furto, subtraíste à servidão do Faraó e à mole servidão, e colocaste no exército em ordem de batalha, enxertando sabiamente na oliveira o ramo habilmente cortado da oliveira selvagem (cf. 81144,2; Ex 13,14; Ct 6,3.9 e Rm 11,17.24).


II - Os quatro degraus 

clique na imagem abaixo

Leitores