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domingo, 5 de agosto de 2018

Buscas o deserto para servir a Deus?...

Retirar-se para o deserto para passar ali a inteira existência é uma decisão que só se pode tomar quando no coração arde a íntima certeza, mais ou menos bem formulada, de que no seio da solidão se esconde um AMOR incomparável, que não pode ser igualado por nenhum outro amor.

A solidão eremita não pode corresponder a uma fuga ou confundir-se com esta, senão que é a resposta a esse Amor, tão grande, que tende a fazer-se absorvente até ocupar a inteira existência.

A vocação eremita e monástica não é "um circuito fechado com Deus".

Ao chamar-nos ao deserto, Deus pensa em sua Igreja e em todos os homens de boa vontade, e a nossa resposta a damos enquanto membros do Corpo de Cristo e como representantes da inteira Família Humana. Desejamos ser o coração adorador da Igreja e o coração amante da Humanidade.

Por isso, dia e noite, desde nossa solidão, elevamos ao Céu o louvor a Deus, e em nome de todos apresentamos a Deus o grito de nossos irmãos, os homens. 


Abraçar a vida solitária não supõe separar-se da Família Humana, senão que, separadas de todos, permanecemos unidas a todos, e em nome de todos estamos em presença do Deus vivo. Em nosso silêncio e solidão, arrastamos a todos os que procuram a Deus e a todos os que Deus procura: nada escapa à influência da oração... 

No Corpo Místico de Cristo cumprimos a missão de artérias que, silenciosas e escondidas, transmitem incessantemente o sangue vivificante aos demais membros.

Ainda que não entre diretamente em nossa vocação ser testemunhas ante o mundo, nossa mesma existência é, em certo sentido, um verdadeiro depoimento.

Ao orientar-nos para Aquele que É, somos em nossa sociedade como testemunhas de Deus, de Sua existência, de Sua presença no meio dos homens. Nossa vida mesma tenta expressar que Deus pode conquistar completamente um coração humano e liberá-lo dos condicionamentos da sociedade de consumo, e assim somos, em certo modo, sinais da existência dos bens eternos.

Não estará fora de lugar assinalar que a existência de uma monja, um monge, uma eremita ou um eremita é uma experiência de alegria divina. Não necessariamente uma alegria que se faz exterior, senão a que brota espontaneamente ante a certeza de saber que o Amor de Deus está realmente presente em nossa vida; alegria ante a certeza de saber que a nossa é uma existência bem empregada, pois une num mesmo abraço a Deus e a todos os irmãos.

Cartuxa Santa María de Benifaça, 2001 - IX centenário da morte de S.Bruno. 

       

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