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domingo, 19 de março de 2017

Pio XI sobre São José, ao falar das virtudes heroicas da Ven. Emília de Vialar

LEITURA DO DECRETO SOBRE AS VIRTUDES HEROICAS DA VEN. EMÍLIA DE VIALAR, FUNDADORA DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DA APARIÇÃO.


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“De outro lado, não podemos deixar de mencionar dois fatos, duas luzes que mais se impõem diante de tanta grandeza: de um lado, S. José bendito que vem com Sua festividade — cada vez mais cara às almas piedosas — para dividir esta alegria, para participar deste espiritual banquete; do outro, a própria Ven. Vialar que a S. José claramente remete com o mesmo nome que ela se deu, atribuindo-o à sua família religiosa: Irmãs de S. José da Aparição. Insuperáveis eleições. Eis porque, até para comprazer a Nossa particular devoção e piedade que sempre tivemos para com o caro Santo — e agora mais do que nunca, por termos sido colocados por Deus no altíssimo lugar, ao leme de Sua embarcação divina que é a Igreja, da qual S. José era destinado a ser o grande Protetor — eis porque, a tudo quanto pensamos durante a leitura do Decreto, queremos agora acrescentar alguma outra reflexão. Sobre a Ven. Vialar não faltará certamente ocasião — e virão ainda novas e sempre mais felizes — de falar: pensamos, portanto, que não deverá ser certamente desagradável à Venerável Serva de Deus se, colocando-a aparentemente de lado, nos ocuparmos, neste momento, de preferencia, de S. José, e a Ele olharmos e sobre Ele falarmos. Dizíamos aparentemente, uma vez que foi justamente a Venerável a nos remeter a S. José; por sua vez, o grande Santo remeteria à sua fiel e heroica devota. 

A ideia de falar de S. José, de nos entretermos por alguns instantes com o grande Patrono da Igreja Universal, em um momento dominado pela vida e pela glória incipiente da Ven. Vialar, essa ideia é recomendada pela circunstancia de que própria a própria Venerável convidava, com um aceno muito seguro e claro, a pensar, a celebrar as glórias e as grandezas de S. José, justamente pela via melhor, ou seja, pela via mais alta e, em si mesma, facunda, da intrínseca, esplêndida e incomparável eloquência das coisas. Notável é, sobretudo, o fato de que a Ven. Vialar, em ordem a S. José, se encontrou — conscientemente ou não, isso se ignora — com o primeiro e mais alto panegirista de S. José. Diz-se tudo quando é mencionado: Jacques Benine Bossuet[42], a águia de Meaux [França], que nunca foi tão verdadeiramente águia como quando falou de S. José. E de fato é sabido: ninguém nunca olhou para o incomparável Santo em tão esplendida luz, e ninguém jamais o considerou através de tão felizes pontos de vista. 



A reflexão que a Venerável Vialar nos sugere é a mesma que foi de Bossuet: as grandezas de S. José comportam uma imensa superioridade sobre todas as outras grandezas do gênero, levando em consideração as confidências e a confiança de que a Santíssima Trindade o coroou. O conteúdo da Aparição do Anjo a José é realmente assim: a Venerável Vialar nos fala da Aparição a S. José: mas não foi apenas este grande fenômeno que a tocou e que se lê limpidamente em seu pensamento; foi, sobretudo, o conteúdo daquilo que a Aparição quis dizer, e que se resume no anúncio do Anjo feito a José acerca da concepção do Espírito Santo que acontece em Maria, da próxima aparição de Jesus — Nome que ele irá impor, usando daquela autoridade paterna de que é investido, autoridade paterna à qual, especialmente naquela época, era inerente o ofício da imposição do nome — Jesus, isto é Salvador, com a Redenção do gênero humano. Agora, neste conteúdo da Aparição duas outras coisas devem ser consideradas. Antes de tudo, a confiança da Diviníssima Trindade, pela qual Esta confia, entrega, recomenda a José nada menos que a virgindade de Maria: “Quod enim in ea natum est de Spiritu Sancto est” [...o que nela foi gerado vem do Espírito Santo (S. Mat. 1,20). NdTª]. 

Perde-se o espírito, pensando e contemplando tudo isso, em um perder-se realmente delicioso, ao considerar, mesmo que apenas fugazmente, uma tal confiança dada, posta por Deus, pela Santíssima Trindade em um homem: e uma tal virgindade! Não apenas uma virgindade comum, que seria, de resto, ela própria, um tesouro inestimável, mas a Virgindade da Virgem das virgens, a Virgindade de Maria Santíssima confiada a José. O que era, foi e é no conceito da Santíssima Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — este homem, em que luz era visto, de qual confiança honrado, reputado digno e tornado digno? Ele foi o homem privilegiado por Deus, e foi tornado digno a força de graças, de todos os dons necessários, justamente, para receber tal confiança. Foi a grande liberalidade de Deus: trata-se de um daqueles casos em que Deus mede as Suas graças exatamente aos grandes favores que quer fazer. Deixemos de bom grado a estes Nossos diletíssimos filhos, à sua consideração mais tranquila, à sua meditação o adentrar-se naquele mundo de luz, de esplendores candidíssimos, onde a pureza infinita, os esplendores infinitos recobrem e tornam mais deslumbrantes a outra pureza: a pureza e a Virgindade de Maria, a pureza e a virgindade de José. Peregrinação magnífica, não só do espírito e do coração, mas também, pode-se dizer, da fantasia. Nada de mais belo, de mais encantador, de mais atraente! Sigamos. 

Meditação de S. José em Nazareth
À primeira confiança da Santíssima Trindade, outra se associa: e é também anunciada na Aparição do Anjo a S. José: “Quod enim in ea natum est de Spiritu Sancto est (...) et vocabis nomen eius Jesum”. O Santo, o Filho de Deus, o Redentor do gênero humano é confiado a José. O Filho de Deus! Eis a outra confiança, eis o outro tesouro confiado à custódia, ao cuidado, ao governo de S. José. E é mesmo com o anúncio deste pátrio poder, pelo qual Ele seria aquele que iria impor aquele Nome, que José guardará o tesouro da Divindade do próprio Jesus Cristo. Já era imensamente grande o segredo da virgindade de Maria, e parecia que algo mais precioso não pudesse ser confiado a um homem, e, no entanto, — é a simples, divina, gloriosa verdade — um ainda mais rico e vistoso tesouro vem a se acrescentar à virgindade de Maria, e é a própria Divindade de Jesus. Aqui não é apenas a luz de cândidos esplendores; aqui são vertigens de uma altura infinita, à qual apenas se ousa olhar e pensar: a Divindade de Jesus Cristo confiada, entregue, recomendada a S. José! É exatamente assim que o grande Santo aparecerá, diante do mundo todo: como Aquele que está no lugar do Pai Divino, tendo, por um lado, todos os atributos das solicitudes, dos cuidados, dos méritos e dos direitos paternos, e de outro, como outro termo, a própria Divindade de Jesus Cristo. Vertigens verdadeiras, incomensuráveis: e, no entanto, é a mais simples, grandiosa, pura, divina verdade. Dúplice inestimável tesouro. 

Não queremos nos deter sobre esse argumento por mais tempo, pois, justo quanto se crê de haver chegado ao clímax, percebe-se que muitíssimas coisas ainda haveria a considerar, visto que a graça e a glória de S. José levam ainda mais para o alto. Queremos apenas manifestar um pensamento: o que mais se poderia acrescentar a estas duas confianças, a esses dois depósitos de valor infinito? No entanto, sim, pode-se acrescentar ainda alguma coisa, e isso seria o conjunto de um e do outro tesouro. É algo que o próprio Bossuet tratou com a santidade de José; é algo, em termos de confiança e de confidência que ultrapassa todo o restante, e que não há preciosidade de depósito ao qual este não venha a acrescentar uma nova luz: é a confiança que fia um segredo. Em todas as humanas relações não há nada que possa se comparar à confiança, à prova de um segredo, especialmente quando se trata de um segredo íntimo, que está mesmo no âmago do coração e da alma, e exprima as suas mais altas aspirações. Nenhum tesouro pode ser comparado àquela riqueza moral que é constituída pelo segredo. Este tem tanto mais valor quanto mais indica uma alma que passa para outra alma, um coração que se transfunde em outro coração, revelando aquilo que pode haver nele de mais guardado e de mais íntimo. Qual, portanto, não seria o valor do segredo que é confidenciado por uma parte altíssima! 

Aqui o segredo é começado pela Santíssima Trindade, aqui se contém o segredo de Deus escondido nas profundidades da divindade, da Trindade, nos infinitos e impenetráveis mistérios do Pai, do Filho e do Espírito Santo: é o mistério, o segredo da Divina Encarnação e da Redenção, que a Divina Trindade revela ao homem. Realmente mais alto não se pode ir. Estamos na ordem da Redenção, da Encarnação, na ordem da União Hipostática, da União Pessoal de Deus com o homem! É neste instante que o aceno de Deus nos convida a considerar o humilde e grande Santo, é nesse instante que Ele dita a palavra que explica tudo na relação entre S. José e todos os grandes Profetas e todos os outros grandes Santos, mesmo aqueles que tiveram altos ofícios públicos como os Apóstolos: nenhuma outra celebridade pode superar aquela de ter tido a Revelação da União Hipostática do Verbo Divino

S. José e a Santíssima Trindade
E eis-nos ao ponto em que S. José nos leva de volta a sua heroica devota. A Venerável Vialar viu, intuiu estas grandezas contemplando e considerando a Aparição a S. José, e não apenas — o temos inclusive mencionado — o fenômeno em si, mas o conteúdo daquele grande acontecimento, a saber: a Divina Encarnação, a Redenção, a União hipostática do Homem-Deus, que deveria dirigir a Humanidade redimida. Confiança em uma intercessão excepcional. A partir desta consideração, é óbvia também alguma dedução prática: é o momento de nos perguntarmos qual seria a nossa devoção, qual o nosso conceito por este Santo tão sublime, no lugar em que a mão de Deus o colocou. De fato, nada mais do que a supramencionada consideração demonstra e pede a veneração, a confiança que nós devemos ter na intercessão de S. José. Fonte de toda a graça é o Redentor Divino; a seu lado está Maria Santíssima, dispensadora dos divinos favores. Mas se há algo que deve suscitar uma confiança ainda maior de nossa parte é, de alguma maneira, a reflexão de que é S. José aquele que “comanda” a Um e à Outra; aquele que tudo pode junto do Divino Redentor e junto da Mãe Divina, de uma forma e de um poder não apenas de custodia solícita. Certamente, Maria e o próprio Divino Redentor tiveram não apenas um Anjo da Guarda, mas todo um séquito de Espíritos celestes, colocado a seu serviço: isso é dito pelo Evangelho quando, falando de Jesus depois do jejum de 40 dias, fala dos Anjos que ministrabant ei: “Os Anjos O serviam”. E o Anjo da Anunciação, entre todos os Anjos que serviram Maria, é retratado em humilde e devota atitude junto dEla. 

Mas a S. José é confiada a custódia de Jesus com uma tarefa motivada na mente paterna: Ele é o lugar-tenente do Pai Celeste. Para nós, os Anjos da guarda são os protetores especiais, e a eles devemos honra e devoção, como diz a bela palavra de S. Bernardo: venerationem pro praesentia. Por Jesus, ao invés, e por Maria são os anjos que têm respeito e veneração. Mas, por sua vez, Jesus e Maria obedecem e obsequiam a José: são Eles a reverenciar aquilo que a mão de Deus havia nEle constituído: a autoridade de Esposo, a autoridade de Pai. Portanto, grandíssima deve ser a confiança que nós deemos ter para com o Santo que está em tão prolongadas, aliás, únicas relações com as próprias fontes da graça e da vida, a Santíssima Trindade”[43].

PIO XI, em 19 de março de 1935.


Fonte primária: Livres mystiques.
Fonte para tradução: Pro Missa Antiqua.
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

NOTAS

[1] Sermo in nativitatem Virginis Mariae, IV Consideratio.
[2] Sermo I de S. Joseph, c. 3, Opera, Lyon, 1650, t. IV, p. 254.
[3] In Summam S. Thomae, III, q. 29, disp. 8, sect. 1.
[4] S. Alfonso Maria de Ligório, Settenario di meditazioni in onore di S. Giuseppe nei sette mercoledì che precedono la sua festa, Nápoles, 1758. [Ler aqui. NdTª.]
[5] Cf. Isodoro Isolani, O.P., Summa de donis S. Joseph, nova ed. de P. Berthier, Roma, 1807. — Ch. Sauvé, Saint Joseph intime, Paris, 1920. — Card. Lépicier, Tractatus de S. Joseph, Paris (s.d.) 1908. — Artigo Saint Joseph de M.A. Michel, em Dictionnaire de Théologie Catholique. — Sobretudo, Mons. Giacomo Sinibaldi, La Grandezza di San Giuseppe, Roma, 1937, p. 36 e ss.
[6] Leão XIII, Enc. Quamquam pluries de 15 de agosto 1899: “Certe matris Dei tam in excelso dignitas est, ut nihil fieri majus queat. Sed tamen quia intercessit Josepho cum Virgine beatissima maritale vinculum, ad illam praestantissimam dignitatem, qua naturis creatis omnibus longissime Deipara antecellit, non est dubium quia accesserit ipse, ut nemo magis. Est enim conjugium societas necessitudoque omnium maxima, quae natura sua adjunctam habet bonorum unius cum altero communicationem. Quocirca si sponsum Virgini Deus Josephum dedit, dedit profecto non modo vitae socium, virginitatis testem, tutorem honestatis, sed etiam excelsae dignitatis ejus ipso conjugali foedere participem[Texto oficial em espanhol, no site do Vaticano. Não oficial, em português. NdTª.]
[7] Cf. S. Tomás de Aquino, Ia, q. 94, a. 3.
[8] Cf. S. Tomás de Aquino, IIIa, q. 7, a. 9: “Christus habuit gratiae plenitudinem quia habuit eam in summo, secundumn perfectissimum modum quo haberi potest. Et hoc quidem apparet primo ex propinquitate animae Christi ad causam gratiae. Dictum est enim (a. 1) quod quanto aliquod receptivum propinquius est causae influenti, tanto abundantius recipit. Et ideo Christi anima, quae propinquius conjungitur Deo inter omnes creaturas rationales, maximam recipit influentiam gratiae ejus. Secundo ex comparatione ejus ad effectum. Sic enim recipiebat anima Christi gratiam, ut ex ea quodammodo transfunderetur in alios… Conferebatur ei gratia, tanquam cuidam universali principio in genere habentium gratiam”.
— IIIa, q. 9, a. 2: “Illud quod est in potentia, reducitur in actum per id quod est in actu, oportet enim esse calidum id per quod alia calefiunt. Homo autem est in potentia ad scientiam beatorum quae in Dei visione consistit et ad eam ordinatur sicut ad finem… Ad hunc autem finem beatitudinis homines reducuntur per Christi humanitatem… Et ideo oportuit quod cognitio beata, in Dei visione consistens, excellentissime Christo homini conveniret: quia semper causam oportet esse potiorem causato”.
[9] Cf. S. Tomás de Aquino, IIIa, q. 27, a. 5: “Quanto aliquid magis appropinquat principio in quolibet genere, tanto magis participat effectum illius principii… Christus autem est principium gratiae, secundum divinitatem quidem auctoritative, secundum humanitatem vero instrumentaliter… Beata autem Virgo Maria propinquissima fuit Christo secundum humanitatem, quia ex ea accepit humanam naturam. Et ideo prae caeteris majorem debuit a Christo gratiae plenitudinem obtinere”. — Ibid., ad 3: “non est dubitandum, quin B. Virgo acceperit excellenter donum sapientiae et gratiam virtutum et etiam gratiam prophetiae… secundum quod conveniebat conditioni ipsius”.
[10] Cf. IIa IIae, q. 1, a. 7, ad 4: “Illi qui fuerunt propinquiores Christo, vel ante, sicut Joannes Baptista, vel post, sicut Apostoli, plenius mysteria fidei cognoverunt”.
[11] Em Ep. ad Rom., VIII, 23, circa haec verba: “Nos ipsi primitias Spiritus habentes”: “Spiritum Sanctum et tempore prius et caeteris abundantius Apostoli habuerunt”. Item in Ep. ad Ephes., IV, 11, circa haec verba: “Et ipse dedit quosdam quidem apostolos, quosdam autem prophetas, alios vero evangelistas, alios autem pastores et doctores”.
[12] S. Tomás, em Mattheum, XI, 11escreve: “Si (Joannes Baptista) dicitur major omnibus patribus veteris Testamenti, non est inconveniens. Ille enim major et excellentior est, qui ad maius officium est assumptus: Abraham enim major est inter patres quoad probationem fidei: Moyses vero quoad officium prophetiae, ut habetur in Deut., XXXIV, 10: Non surrexit propheta ultra in Israel sicut Moyses. Omnes isti praecursores Domini fuerunt; nullus autem fuit in tanta excellentia et favore; ideo ad majus officium est assumptus. Cf. Luc, I, 15Erit enim magnus coram Domino. Ver a favor desta interpretação do texto de S. Mateus XI,11: Lagrange, Évangile selon S. Matt., p. 222; Évan. selon S. Luc, P. 221; Knabenbauer, Evangelium secundum Mattheum, t. 1, pp. 429-431.
[13] S. Tomás, em Mattheum, XI, 11, diz a respeito: “Potest haec locutio ‘qui autem minor est in regno coelorum, major est illo’ exponi tripliciter. — Primo, ut per regnum coelorum ordo beatorum intelligatur: et qui inter illos est minor, major est quolibet viatore… Et hoc verum est intelligendo de majoritate actuali: actu enim major est qui comprehensor est. Secus de majoritate virtuali, sicut una parva herba major dicitur virtute, licet alia major sit quantitale. — Aliter potest exponi, ita quod per regnum coelorum praesens Ecclesia designetur: et hoc est, quod minor non dicitur universaliter, sed minor tempore… Unde ille qui minor est, major est illo. — Vel aliter potest exponi, quod aliquis dicitur rnajor dupliciter: vel quantum ad meritum, et sic multi Patriarchae sunt majores aliquibus novi Testamenti…, aut comparando statum ad statum, sicut virgines meliores sunt conjugatis; non tamen quaelibet virgo melior quolibet conjugale”.
[14] Cf. O artigo de M. A. Michel sobre S. José, no Dictionnaire de Théologie catholique, col. 1515, onde são citados muitos autores a respeito, p.ex. Fillion, Évangile selon S. Matthieu, p. 222, e D. Busy, Saint Jean Baptiste, Paris, 1922, part. 3, c. 3.
[15] Cf. S. Tomás de Aquino, Ia IIae, q. 66, a. 2: “Omnes virtutes unius hominis sunt aequales quadam aequalitate proportionis, in quantum aequaliter crescunt in homine; sicut digiti manus sunt inaequales secundum quantitatem, seul sunt aequales secundum proportionem, cum proportionaliter augeantur”.
[16] S. Bernardo, Homil. 2, super Missus est, prope finem: “Fidelis, inquam, servus et prudens, quem constituit Dominus suae Matris solatium, suae carnis nutritium, solum denique in terris magni consilii coadjutorem fidelissimum”.
[17] S. Bernardino di Sena, Serm. 1 de S. Joseph: “Omnium singularium gratiarum, alicui rationabili creaturae communicatarum, generalis regula est: quod quandocumque divina gratia eligit aliquem ad aliquam gratiam singularem, seu ad aliquem sublimiorem statum, omnia charismata donet, quae illi personae sic electae et ejus officio necessariae sunt atque illam copiose decorant. Quod maxime verificatum est in sancto Joseph, putativo Patre Domini nostri Jesu Christi, et vero Sponso Reginae mundi et Dominae angelorum, qui ab aeterno electus et fidelis nutritius atque custos principalium thesaurorum suorum scilicet Filii ejus et Sponsae suae: quod officium fidelissime prosecutus est… Si compares eum ad totam Ecclesiam Christinonne iste est homo electus et specialis, per quem et sub quo Christus est ordinater et honeste introductus in mundum ? Si ergo Virgini Matri tota Ecclesia sancta debitrix est, quia per eam Christum suscipere digna facta est; sic profecto, post eam, huic debet gratiam et reverentiam singularem… Omnibus electis Panem de coelo, qui coelestem vitam tribuit, cura et multa solertia enutrivit”.
[18] Em 1522, Isidoro de Isolanis, O.P., na obra muito elogiada por Bento XIV: Summa de donis sancti Joseph, escreveu, Pars IIIa, cap. XVIII “Sunt quatuor proprietates apostolicae dignitatisannunciatio (Matthaei ultimo: Euntes praedicate Evangelium omni creaturae), illuminatio (Matthaei, 5: Vos estis lux mundi), reconciliatio (Quorum remiseritis peccata, remittuntur eis. Marci, ultimo), et per Spiritum Sanctum locutio (Jean., 15: Non vos estis qui loquimini, sed Spiritus Patris mei qui loquitur in vobis). Hae autem proprietates dignissimae sunt, quia sunt immediate a et sub et propter Christum. - Proprietates vero sancti Joseph fuere desponsatio Reginae coelorum, nominatio patris Regis angelorum, defensio Messiae promissi in Lege Judoeorum, educatio Salvatoris omnium. Et hae proprietates sunt immediate super, ad et propter Christum. Quisquis ergo ingenio pollens, rerum divinarum praemissa veritate discurre, argue, conclude ab apostolicae comparatione majestatis ad coelestem Joseph dignitatem, quanta sit illius praestantia, dignitas, sanctitudo, ac virtutum inexplicabilis perfectio. Accede ad cor altum et non deprimetur aut humilior erit apud te majestas apostolici culminis; sed exaltabitur Deus in latentibus donis patris sui putativi Joseph”. — Cf. ibid., cap. XVII: De dono plenitudinis gratiae (in S. Joseph), et Ia Pars, cap. IV: De donis admirabilium virtutum cognitarum in sancto Joseph propter conjugium beatissimae Virginis; — cap. V: De dono praestantissimae justitiae; — cap. IX: De dono privilegii amoris quo Joseph dilectus fuit a beata Virgine super caeteros mortales.
[19] SUAREZ, em Summam Theologicam, III, q. 29, disp. VIII, sect. 1.
[20] Mons. Sinibaldi, op. cit., p.36 sq.
[21] Cf. S. Tomás de Aquino, IIIa, q. 29, a. 2.
[22] Cf. S. Tomás de Aquino, in IV Sent., dist. 30, q. 2, a. 2, ad 4: “Proles non dicitur bonum matrimonii, solum in quantum per matrimonium generatur, sed in quantum in matrimonio suscipitur et educatur, et sic bonum illius matrimonii fuit proles illa, et non primo modo. Nec tamen de adulterio natus, nec filius adoptivus qui in matrimonio educatur, est bonum matrirnonii, quia matrimonium non ordinatur ad educationem illorum, sicut hoc matrinionium (Mariae et Joseph) fuit ad hoc ordinatum specialiter quod proles illa susciperetur in eo et educaretur”.
[23] Cf. S. Tomás de Aquino, IIIa, q. 2, a. 11, ad 3: “Beata Virgo… meruit ex gratia sibi data illum puritatis et sanctitatis gradum ut congrue posset esse mater Dei”. — Ibid: “Ex congruo meruerunt sancti Patres (Veteris Test.) incarnationem, desiderando et petendo”.
[24] Primo penerigico di San Giuseppe, p. 1.
[25] Cf. IV Sent., loc. cit.
[26] Podemos afirmar que José foi confirmado na graça desde o momento do seu matrimônio com a Santíssima Virgem. Cf. Dictionnaire de Théologie catholique, artigo citado, c. 1518.  
[27] Cf. La Grandezza di San Giuseppe, por Mons. G. Sinibaldi, Bispo titular de Tiberíades, Secretário da S. Congregação dos Seminários e das Universidades, Roma, 1927, p. 36 ss: “Il ministero di San Giuseppe e l’ordine della Unione ipostatica… Per ministero… si deve intendere un officio, una funzione, che impone e produce una serie di atti diretti a raggiungere une scopo determinato… Maria è nata per essere la Madre di Dio… Ma lo sposalizio verginale di Maria dipende da Giuseppe… Laonde il ministero di Giuseppe ha une stretto rapporte con la costituzione dell’ordine della Unione ipostatica… Celebrando il sue connubio verginale con Maria, Giuseppe prepara la Madre di Dio, come Dio la vuole ; e in ciò consiste la sua cooperazione nell’attuazione del grande mistero. - Da ciò appare che la cooperazione di Giuseppe non uguaglia quella di Maria. Mentre la cooperazione di Maria è intrinseca, fisica, immediata, quella di Giuseppe è estrinseca, morale, mediata (per Maria) ; ma è vera cooperazione”.
[28] Cf. S. Tomás de Aquino, C. Gentes, l. IV, c. 45: “Toute coopération physique, même instrumentale, est exclue du côté de Joseph ; les paroles du Credo : ‘conceptus est de Spiritu Sancto’, ont toujours été entendues de solo Spiritu Sancto”.
[29] Refere-se ao censo. Texto italiano: “ma con quello di José fu censito”. NdTª.
[30] S. Efrem da Síria, citado por P. J.-M. Bover, S. J., em Ephemerides lheologicae Lovanienses, abril 1928: “Filius David, Joseph, davidicam sibi desponsavit filiam, ex qua prolem sine semine habuit… Turpe profecto erat Christum ex viri semine procreari, nec honestum, ut idem ex femina titra conjugium nasceretur. Edidit Maria infantem, qui non sub ipsius, sed sub Josephi nomine scriptus est, licet ex hujus semine non derivatus. Ortus est sine Josepho Josephi filius, qui Davidis filius simul et parens exstitit”. (édit. de Rome, 1732-1746, syr.-lat. III, 601). “Evangelium illam (Mariam) matrem appellat et non nutricem. Sed et Joseplium quoque patrem vocat, cura nullarn in ea generatione partem haberet Non appellatio naturam tribuit; nam et nos crebro patres nuncupamus, non quidem genitores, verum senio conspicuos. Porro ipsi Joseph natura appellationem indidit…: quoniam Virginis et Joseph sponsorum arrhabones, ut hoc nomine vocaretur, effecerunt; patrem autem, qui non genuerit”. Ibid., grec.-lat. II, 276-277.
[31] S. Agostinho: “Non ergo de semine Joseph Dominus, quamvis hoc putaretur: et tamen pietati et caritati Joseph natus est de Maria virgine filius”. (M. L., 38, 351). – La vraie pensée de l’Église est admirablement exprimée par saint François de Sales, sous un symbole qui se trouve déjà chez saint Ephrem (lot. cit., gr.-lat. II, 277) : Saint Joseph donc fut comme un palmier, lequel ne portant point de fruit, n’est pas toutefois infructueux…, non que saint Joseph eût contribué aucune chose pour ceste sainte et glorieuse production, sinon la seule ombre du mariage, qui empêchait Nostre Dame et glorieuse Maîtresse de toutes sortes de calomnies’. Em Œuvres de saint François de Sales, t. VI, Annecy, 1895, p. 354 ss.
[32] Œuvres de saint François de Sales, t. VI, Annecy, 1895, p. 354 ss.
[33] [Por causa disso, foi cunhado o termo protodulia para o culto devido a S. José. NDT original].
[34] Mons. G. Sinibaldi, op. cit., p. 242; Card. Lépicier, opcit., p. 287.
[35] Na oração “A cunctis” – “A cunctis nos quæsumus Dómine mentis et córporis defénde perículis: et intercedénte beáta et gloriósa semper Vírgine Dei Genitrice María, cum beáto Joseph, beátis Apóstolis tuis Petro et Paulo, et ómnibus Sanctis, salútem nobis tríbue benígnus et pacem; ut destrúctis adversitátibus et erróribus univérsis, Ecclésia tua secúra tibi sérviat libertáte. Per Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, Per omnia saecula saeculorum. R. Amen , Pio VII havia especificado que, quando fosse o caso, S. José deveria seguir os Anjos e S. João Batista, como foi o caso na Ladainha dos Santos. Em Inclytum Patriarcham, Pius IX repetiu isto, como também o fez S. Pio X, em 1911, estabelecendo a ordem de precedência a ser seguida na celebração das festas litúrgicas, e como ainda ocorre na ordem dos Prefácios do Missal Romano atual (Pio V). Em todos os casos acima, São José precede os apóstolos, mártires e todos os outros santos; ocorrem algumas exceções, quando a ele foi dada precedência sobre João Batista ou o arcanjo Miguel. Em 1922, a fórmula Marista de votos foi aprovada, colocando São José depois de Maria e antes do Arcanjo Miguel e outros anjos e santos. Nesse mesmo ano e novamente em 1925 e 1926, quando Pio XI celebrava solenes missas pontificais na Basílica de São Pedro, as invocações colocavam S. José depois de Maria e antes de São Miguel e todos os outros. VideNdTª.
– E também na oração “Deus, refugium nostrum et virtus” – “Deus, refugium nostrum et virtus, populum ad te clamantem propitius respice; et intercedente gloriosa, et immaculata Virgine Dei Genitrice Maria, cum beato Joseph, ejus Sponso, ac beatis Apostolis tuis Petro et Paulo, et omnibus Sanctis, quas pro conversione peccatorum, pro libertate et exaltatione sanctae Matris Ecclesiae, preces effundimus, misericors et benignus exaudi. Per eundum Christum Dominum nostrum. Amen” –, de Leão XIII, que se recita depois do Salve Regina, na Missa Tridentina. NdTª.].
[36] Isso ocorre apenas na Missa Nova, e consta do Missal posterior a 1962. NdTª.
[37] Discorsi di Pio XI - Bertetto, SEI, vol. I, 780. Decreto da heroicidade das virtudes da Beata Jeanne-Elisabeth Bichier des Ages.
[38] Discorsi di Pio XI, Bertetto, SEI, vol. I, 574.  
[39] Cf. S. Tomás de Aquino, Ia IIae, q. 66, a. 2.
[40] Cf. S. Tomás de Aquino, IV Sent., dist. 30, q. 2, a. 2, ad 5: “Joseph noluit Mariam dimittere quasi aliam ducturus vel propter aliquam suspicionem, sed quia timebat tantae sanctitati cohabitare propter reverentiam, unde dictum est ei: Noli timere, Matth., I, 20”.
[41] S. Tomás de Aquino, Ia q. 20, a. 2.
[43] Publicado em “L’Osservatore Romano”, 20-21 março de 1935.    


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