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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Orações pelos Sacerdotes

Orações pelos Sacerdotes



Nosso Senhor Jesus Cristo, Eterno Sumo Pontífice, resguardai os vossos Sacerdotes ao abrigo do vosso Sacratíssimo Coração, onde nada lhes poderá fazer mal.

As suas mãos consagradas, que todos os dias tocam no Vosso Sacratíssimo Corpo, guardai-­as sem mácula.

Os seus lábios, que todos os dias estão em contacto com o Vosso Preciosíssimo Sangue, guardai­-os puros.

Os seus corações, selados com a marca sublime do Vosso Gloriosíssimo Sacerdócio, guardai­-os puros e desligados do mundo.

Fazei com que que progridam no amor e na confiança em Vós e protegei­-os do contágio do mundo.

Com o poder de transformar o pão e o vinho, dai­-lhes também o poder de transformar os corações.

Abençoai os seus trabalhos com abundantes frutos e dai­-lhes, no final de suas vidas, a coroa da vida eterna.

Amém. 



Senhor, dai-nos sacerdotes. 

Senhor, dai-nos santos sacerdotes. 

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes. 

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas.

São Pio X, orai por nós.


*

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

HUGO DE SÃO VÍTOR: Aos Sacerdotes reunidos em Sínodo

OS MAIS BELOS SERMÕES DE HUGO DE SÃO VÍTOR

Hugo de São Vitor
(1096 - 11 fev. 1141)

SERMONES CENTUM


Prólogo

Irmãos caríssimos, a Escritura nos testemunha que a palavra de Deus é "lâmpada para os nossos passos e luz para os nossos caminhos". Salmo 118, 105.

Devemos, pois, entregar-nos todos ao estudo das Sagradas Escrituras por todos os meios que nos forem possíveis, pela leitura, pela meditação, pela escuta, pelo ensino e pela escrita, e isto principalmente nós, que somos companheiros de claustro, que renunciamos ao tumulto dos negócios e para cá viemos para atender apenas à tranquilidade da contemplação. De sua virtude a bem aventurada Maria, irmã de Marta, nos oferece um exemplo muitíssimo evidente, pois dela, sentada aos pés do Senhor com os ouvidos atentos, bem diversamente de sua irmã muito ocupada com uma diversidade de afazeres, lemos que, em sua sede pelas palavras que lhe dizia, o próprio Senhor foi testemunha de haver escolhido a melhor parte, exemplo louvável e admirável de virtude que muitos desprezam. Entre estes encontramos alguns que em outro tempo foram capazes de compreender a alegria que emana das Escrituras por um entendimento que lhes havia sido dado do Céu; no entanto, agora ouvimos terem caído em uma tal enormidade de vícios e imundície de costumes que as suas almas desgostaram-se da Palavra de Deus a ponto de abominar este alimento espiritual, aproximando-se assim das portas da morte. Estes devem ser considerados hoje mais como estando entre os Egípcios do que entre os Israelitas, e mais entre os cidadãos de Babilônia do que entre os de Jerusalém. Vemos, porém, a outros que, pelo empenho de seu estudo, com o auxílio da graça de Cristo, abandonaram uma vida de depravação e alcançaram tanta bondade na virtude e tão grande honestidade nos costumes que em sua luz podemos conhecer mais claramente ter sido realizado o que estava escrito no Salmo: "Enviou o Senhor a sua Palavra,  e os curou,  e os livrou de sua ruína". Salmo 106, 20.

Que todos nós, portanto, sejamos exortados ao estudo da Palavra de Deus. Sejam exortados também, aqueles que a conhecem mais profundamente, ao seu ensino. Aqueles que a conhecem menos sejam exortados à sua escuta, mas que em todos nós se verifique o que havia sido profetizado por Isaías, quando disse: "Será varejada a oliveira, e ficarão umas poucas azeitonas, e alguns rabiscos. Estes, porém, levantarão a sua voz, e cantarão louvores. Por isto, glorificai ao Senhor em sua doutrina". Is. 24, 13-15.

Em outra ocasião já tive a oportunidade de reunir para vós alguns dos ensinamentos que florescem no verdejante campo das divinas escrituras. Nos sermões que se seguem desejo agora propor-vos algo através do que possais exercitar o vosso entendimento. Deveis, porém, saber que não devemos entregar-nos em todo o nosso tempo apenas ao estudo, pois, segundo Salomão, "Todas as coisas tem o seu tempo, e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito". Ec. 3,1.

Há, portanto, um tempo para estudar, e há um tempo para meditar. Há um tempo para investigar a verdade para que se enriqueça o entendimento, há um tempo para exercitar a virtude para sanar os nossos afetos, e há também um tempo para praticar a boa obra para que se auxilie o próximo. Há um tempo para orar e um tempo para cantar, há um tempo para assistir ao ofício divino e um tempo para dedicarmos a qualquer outra coisa necessária. De todas estas coisas, como uma abelha que retira o seu mel de flores diversas, devemos colher para nós a doçura de uma suavidade interior, para que possamos consumar, através de uma vida santa, o favo de uma melíflua justiça. 



SERMO XXIII

Aos Sacerdotes reunidos em Sínodo.


"Ide, anjos velozes,
a uma gente desolada e dilacerada,
a um povo terrível,
após o qual não há outro,
uma gente que espera e é pisada,
cujos rios destroçaram sua terra".

Is. 18, 2


Eis, irmãos caríssimos, o divino ofício que nos foi confiado. Eis o cuidado, a solicitude e o trabalho dos sacerdotes. Eis a piedosa, mas perigosa responsabilidade que lhes foi imposta: "Ide, anjos velozes".

A palavra profética, ou melhor, a palavra divina, nos admoesta nesta passagem que não desprezemos o ministério que nos foi divinamente confiado, nem que abandonemos esta santa responsabilidade, para que não ocorra que os homens, formados à imagem e semelhança de Deus, redimidos pelo precioso sangue de Cristo, por nossa negligência deslizem para a condenação eterna por suas culpas temporais. E que não venha a ocorrer que não somente neles se encontre o pecado por causa de seus próprios delitos, mas que também em nós, além dos nossos próprios, se acrescentem os pecados alheios. Haveremos, efetivamente, de dar conta não somente de nós, mas também das almas que nos tiverem sido confiadas, a não ser que lhes tivermos anunciado insistentemente a palavra da salvação.

Ouçamos, pois, mais atentamente o que nos é divinamente ensinado: "Ide, anjos velozes, a uma gente desolada".

Os sacerdotes são anjos, como se depreende de uma passagem da Escritura em que se afirma que "Os lábios do sacerdote são os guardas da sabedoria, e pela sua boca se há de buscar a lei, porque ele é o anjo do Senhor dos exércitos". Mal. 2, 7

Se somos, portanto, sacerdotes do Senhor, também somos, pelo mesmo ofício, seus anjos, isto é, seus mensageiros, e devemos anunciar ao povo as coisas que são de Deus.

"Ide, anjos velozes, a uma gente desolada".

Demonstra-se de dois modos que a natureza humana provém de Deus e que nEle possui suas raízes, conforme já o dissemos em outro lugar. Primeiramente, por ter sido criada à imagem de Deus, na medida em que pode conhecer a verdade; depois, por ter sido criada à Sua semelhança, na medida em que pode amar o bem. Segundo estes dois modos pode ser reconhecida como unida a Deus não apenas a criatura humana, como também a angélica, na medida em que pelo conhecimento contempla a Sua sabedoria e pelo amor frui de Sua felicidade. Por estes dois modos evita o mal, pois pelo conhecimento da verdade que possui desde a origem na divina imagem que lhe foi enxertada repele o erro e pelo amor da virtude que possui na semelhança divina odeia a iniquidade. Pela sugestão diabólica, porém, entrando a ignorância na natureza humana, e desarraigou-se no homem a raiz do conhecimento divino; sobrevindo também a concupiscência, arrancou-se a planta do amor.

Qualquer gente ímpia, portanto, afastada pela culpa dos bens divinos e celestes, plantada primeiramente no bem pelos dois bens precedentes, sobrevindo-lhe os dois males seguintes é corretamente apresentada e chamada de desolada do bem: "Ide, anjos velozes, a uma gente desolada".

E, deve-se notar, a palavra divina não diz apenas desolada, como também acrescenta "dilacerada", desolada por ter sido afastada do bem, dilacerada por ter mergulhado no mal. A natureza humana, efetivamente, depois que é afastada do bem, é imediatamente e de múltiplas maneiras dilacerada pelo mal, conduzida por diversos vícios e pecados à condenação. Alguns pelo orgulho, outros pela inveja, outros pela ira, outros pela acédia, outros pela avareza, outros pela gula, outros pela luxúria, outros pela usura, outros pela rapina, outros pelo furto, outros pelo falso testemunho, outros pelo perjúrio, outros pelo homicídio, outros contemplando a mulher para desejá-la, outros chamando `louco' a seu irmão, e por tantos outros vícios ou pecados, interiores e exteriores, os quais pela brevidade do presente não queremos nem podemos enumerar.

"Ide", portanto, "anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada", para que, pelo vosso ensino, torneis a unir o que foi dilacerado pelo mal, e replanteis o que foi desenraizado do bem. "Ide, anjos", ide "velozes", ide "a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro".

Todas as vezes, irmãos caríssimos, que o homem pela justiça conserva a nobreza, a elegância e a beleza de sua condição, verificamo-lo possuir uma aparência formosa. Quando, porém, pela culpa mancha em si mesmo o decoro da beleza, encontramo-lo imediatamente deforme e horrível, dessemelhante de Deus, tornado semelhante ao demônio.

E então? Nos dias de domingo e nas solenidades festivas o povo confiado aos vossos cuidados aflui à igreja, ajusta sua forma corporal, reveste-se com roupas mais ornamentadas e tingidas de diversas cores. Vós, talvez, contemplando homens e mulheres trajados de modo tão fulgurante, vos gloriareis de terdes tais súditos e de serdes seus prelados. Não é boa, porém, esta vossa glória se é nisto que vos gloriais e se o povo a vós confiado for encontrado desolado e afastado do bem, dilacerado pelo mal e terrível pelos diversos vícios e pecados. Prestai diligentemente atenção em suas vidas, considerai seus costumes, julgai a sua beleza segundo as coisas que pertencem ao homem interior e não segundo as que pertencem ao exterior, enrubescei e compadecei-vos deste povo que é vosso súdito, se tal o virdes como aqui ouvis, isto é, "uma gente desolada e dilacerada, um povo terrível, após o qual não há outro", porque talvez vossa seja a culpa, vossa a negligência, vossa a preguiça, por ele ser tal porque não lhe anunciastes os seus pecados e as suas impiedades.

"Ide", portanto, "anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro".

"Ide, anjos", porque é o vosso ofício. "Ide, velozes", para que a vossa demora não cause perigo.

"Ide a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro", para que pelo vosso ensino se alcance o remédio: "Não queirais sentar-vos no conselho da vaidade, nem associar-vos com os que planejam a iniquidade. Odiai a sociedade dos malfeitores, e não queirais sentar-vos com os ímpios". Salmo 25, 4-5

Alguém de vós poderá pensar silenciosa ou mesmo responder abertamente, dizendo: "Tu nos proíbes, pelo exemplo que nos colocas do Salmista, de nos dirigirmos a estes, mas é a estes que o Senhor nos encaminha quando nos diz: `Ide, anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro'".

Entendei, porém, que onde o Senhor diz: "Ide, anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro", Ele vos impõe aqui um ofício, e vos dá o preceito de ensinar aos ímpios; ali, porém, onde dissemos: "Não queirais sentar-vos no conselho da vaidade, nem associar-vos com os que planejam a iniquidade; odiai a sociedade dos malfeitores, e não queirais sentar-vos com os ímpios", aqui, digo, vos é continuamente negada a permissão para pecar com os ímpios.

"Ide", portanto, "anjos", para ensinar; não queirais ir para pecar. "Ide a um povo terrível", para que pela palavra da salvação o torneis de formosa aparência; não queirais ir, para que pela deformidade de seu pecado vos torneis a vós mesmos semelhantes a eles. Cristo comeu com os pecadores para associá-los consigo mesmo no bem, mas não comeu com eles para que se associasse com eles no mal. "Assim como Cristo o fêz, assim fazei-o vós também; assim como Ele não fêz, assim não o queirais vós fazer".

"Ide, anjos velozes".

Quão velozes? Tão velozes que "pelo caminho não saudeis a ninguém" (Luc. 10, 4), e, "se alguém vos saudar", "não lhe respondais". 2 Reis 4, 29.

Não que a salvação não deva ser anunciada a todos; por estas palavras o Espírito Santo quer dar a entender quão velozes e pressurosos importa que sejam os sacerdotes no anúncio da salvação, como se dissesse: "Prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, repreende, suplica, admoesta com toda a paciência e doutrina", 2 Tim. 4, 2 e "não queirais adiar a palavra dia após dia, de domingo a domingo, de solenidade a solenidade, mas que, ao menos nos domingos e nas solenidades festivas não vos seja suficiente celebrar somente as missas para o povo reunido na igreja segundo o costume. Não seja suficiente para o homem apostólico e para cada uma das ordens fazer um discurso genérico ou anunciar a festa da semana seguinte. Antes, castigai o povo sobre o mal, ensinai-o e formai-o no bem, declarai-lhes a pena que há de vir sobre os pecadores e a glória reservada aos justos".

"Ide, anjos; ide velozes". Se adiais de domingo a domingo pregar ao povo a palavra da salvação, quem saberá dizer se então estareis vivos, sãos ou presentes? E ainda que ocorra que estejais vivos, sãos ou presentes, quem saberá se alguém que antes estava presente estará então ausente e não mais ouvindo o bom conselho para a sua alma, surpreendido por uma morte inesperada e súbita, seja arrebatado para a pena eterna sem se ter lavado da sua culpa? Porventura de vossas mãos Deus não pedirá com justiça contas do sangue deste homem?

"Ide", pois, "anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro".

O que significa: `Depois do qual não há outro'? Porventura depois deste povo não haverá mais de nascer ou de viver quem faça o bem ou quem faça o mal? Certamente que não. O que significa, então, o `após o qual não haverá outro'? Significa que não haverá, diante do supremo juiz, ninguém pior, mais torpe pela culpa, mais terrível do que este. Três são os povos: o cristão, o judeu, e o pagão. Aqueles que no povo cristão são cristãos segundo o nome, mas que pela injustiça servem ao demônio, são mais terríveis que os judeus ou os pagãos, já que são piores pela iniquidade. De fato, quanto mais facilmente, ajudados pela graça, se quiserem, podem permanecer na justiça, tanto mais gravemente ofendem não querendo abster-se da culpa. Aquele a quem mais foi confiado, mais lhe será exigido. Quanto mais alto for o degrau, tanto maior será a queda, e mais pecou o demônio no céu, do que o homem no paraíso. Conforme no-lo ensina a Escritura, "Aquele servo, que conheceu a vontade de seu Senhor, e não se preparou, e não precedeu conforme a sua vontade, levará muitos açoites. O servo, porém, que não a conheceu, e fêz coisas dignas de castigo, levará poucos açoites". Luc. 12, 47-8

Assim como no-lo é manifestado por esta sentença, assim também o Senhor repreendeu as cidades em que havia feito vários prodígios, pelo fato de não haverem feito penitência, dizendo: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido feitos os milagres que se realizaram em vós, há muito tempo eles teriam feito penitência em cilício e em cinza. Por isso eu vos digo que haverá menor rigor para Tiro e Sidônia no dia do Juízo do que para vós. E tu, Cafarnaum, elevar-te-ás porventura até o céu? Não, hás de ser abatida até o inferno. Se em Sodoma tivessem sido feitos os milagres que se fizeram em ti, ainda hoje existiria. Por isso vos digo que no dia do Juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma que para ti". Mat. 11, 21-24

Deste mesmo modo pode-se repreender também este povo de falsos cristãos, depravado por diversas impiedades, feito terrível, distante da divina semelhança da qual se afastou segundo a sua iniquidade: "Ai de ti, povo iníquo, povo mentiroso, povo apóstata, que pela tua má vida conculcas o Filho de Deus, que manchaste o sangue do Testamento em que foste santificado e fazes injúria ao Espírito da graça! Melhor seria para estes `não conhecer o caminho da justiça do que, depois de o terem conhecido, tornarem para trás daquele mandamento que lhes foi dado. De fato realizou-se neles aquele provérbio verdadeiro: `Voltou o cão para o seu vômito e a porca lavada tornou a revolver-se no lamaçal''(2 Pe. 2, 21-22)".

Como não vemos, portanto, que este povo não poderá ser pior do que si mesmo e que nenhum outro povo mau haverá de vir depois dele? Neste o peso dos males manifestado pela palavra profética já parece ter-se espalhado, pelo que se diz: "Ai de vós, os que ao mal chamais bem, e ao bem mal, que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo! Ai de vós, os que sois sábios a vossos olhos e, segundo vós mesmos, prudentes! Ai de vós os que sois poderosos por beber vinho, e fortes para fazer misturas inebriantes! Vós os que justificais o ímpio pelas dádivas, e ao justo tirais o seu direito!". Is. 5, 20-23

De todas estas coisas, irmão caríssimos, há muito mais que poderia ser dito, as quais temos que omití-las por causa da brevidade.

"Ide, anjos velozes, a um povo terrível, após o qual não há outro, a uma gente que espera e é pisada".

O que ela espera? A vossa palavra, o vosso exemplo, o vosso amparo e, pela vossa solicitude e pelo vosso serviço, o auxílio e o dom divino. Espera a vossa palavra, para que possa aprender; o vosso exemplo, para que dele receba a forma; o vosso amparo, para que seja defendido; por vossa solicitude e serviço, o auxílio e o dom divino para que possa ser libertado do mal e justificado no bem.

"E é pisada".

Quem a pisou? Todos os demônios, que continuamente dizem à sua alma: "Curva-te, para que passemos por ti". De fato, os maus, os que desprezam as coisas celestes, e se curvam para as terrenas, oferecem aos demônios o caminho para serem por eles pisados e atravessados.

Segue-se: "Cujos rios destroçaram sua terra".

Quem são estes rios que destroçam a terra dos que vivem mal? Onde os vícios fluem com impetuosidade, carregam consigo os maus aos tormentos. O que é a destruição da terra, senão a dissipação de qualquer virtude? Os rios, portanto, destroçam a terra dos maus quando os vícios lhes removem as virtudes. A soberba, de fato, remove a humildade, a ira remove a paz, a inveja a caridade, a acédia a exultação espiritual, a avareza a liberalidade, a luxúria a continência.

"Ide, anjos velozes, a uma gente desolada e dilacerada, a um povo terrível, após o qual não há outro, uma gente que espera e é pisada, cujos rios destroçaram sua terra".

"Naquele tempo", acrescenta logo em seguida Isaías, "será levada uma oferta ao Senhor dos exércitos por um povo desolado e dilacerado, por um povo terrível, após o qual não houve outro, por uma gente que espera e é pisada, cujos rios destroçaram a sua terra". Is. 18, 7

De que tempo nos fala o profeta? Daquele tempo em que tiverdes ido a este povo ao qual sois enviados e, pelo vosso ensino, o tiverdes curado dos males que já mencionamos. Que oferta então será levada ao Senhor? Uma oferta de gratidão, um holocausto entranhado e medular, um voto interior, que será levado ao lugar do nome do Senhor, ao monte Sião, isto é, à Santa Igreja.

Ide, pois, anjos velozes, e ensinai ao povo terrível, cumpri o vosso ministério. Se assim o fizerdes, alcançareis para vós um bom lugar. Que a vós e a nós conceda esta graça aquele que nos promete também a glória, Jesus Cristo, Nosso Senhor, o qual vive e reina, por todos os séculos dos séculos
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CONTINUA NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

HUGO DE SÃO VÍTOR
Traduzidos do original latino da obra `Sermones Centum' constante na Patrologia Latina de Migne vol. 177 pgs. 899-1210

Índice
Prólogo
Sermo 4 - Sobre a Natividade da Virgem Maria.
Sermo 23 - Aos Sacerdotes reunidos em Sínodo.
Sermo 39 - Sobre a Cidade Santa de Jerusalém, segundo o sentido moral.
Sermo 56 - Sobre a Alma Obediente, segundo a história do Livro de Rute.
Sermo 57 - Sobre os Prelados e os Doutores da Igreja, segundo o mesmo Livro de Rute.
Sermo 60 - Sobre todos os Santos.
Sermo 61 - Sobre a Obra dos Seis Dias.
Sermo 70 - Sobre o dia de Pentecostes.
Sermo 84 - Sobre a perfeição e as alegrias da Igreja militante e triunfante, por ocasião da festa de Santo Agostinho.
Sermo 88 - Sobre o Mandamento do Amor.
Sermo 95 - Sobre a Mesa da Proposição descrita em Êxodo, em louvor das Sagradas Escrituras.
Sermo 100 - Por ocasião da festa da Santa Cruz.

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

HOMOSSEXUALISMO NA IGREJA: A RESPOSTA DE SÃO PIO V

Clique para ver mais imagens de São Pio V
A Igreja sabe bem o que fazer quando um sacerdote peca contra a natureza, seja com que for, criança ou adulto. São Pio V determinou a punição eclesiástica e civil! Esta Bula deve ser divulgada, e se exigir das autoridades eclesiástica seu cumprimento. Importante notar que o Santo Padre - um Santo da Igreja - afirma que esse crime é passível de contagio por causa da impunidade. Ou seja, os maus costumes são endêmicos! E não é de hoje que isso é sabido. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Perguntas do homem moderno: porque o Padre não se casa?

 Porque o Padre não se Casa?


Passemos à quarta objeção que nos atiram os maninhos de Lutero, julgando eles ser uma pedra formidável, capaz de esmagar um romano. Infelizmente a pedra não passa de uma formidável pena, que mostra apenas a ignorância e a falta de bom senso do seu autor.

O tal crente pede-me um texto que prove que os ministros da religião não devem se casar.

O negócio é sério. Parece que o crente quer servir de padrinho ou de escrivão de casamento... querendo casar até quem nem noiva conhece.

Homem, é um perigo! O crente pede apenas "um texto". Vou servir-lhes uns vinte pelo menos: textos da Sagrada Escritura, do bom-senso, da conveniência. Se não ficar convencido depois, não será falta de textos, mas falta de "cabeça".


I. Prova de bom senso


Comecemos pelo bom senso, que é a grande bússola da humanidade, dos protestantes e dos católicos.

Pois bem, o bom senso nos diz que o homem é livre de se casar ou ficar celibatário. É ou não é verdade, amigo crente?

Isso depende da vontade de cada um (1 Cor 7,37).

De sorte, continua São Paulo, que quem dá a sua filha em casamento, fez bem; mas quem não a da faz melhor (1 Cor 7,38).

Casa, pois, quem quer e quem pode, pois é preciso serem dois. Se pois existe tal liberdade, por que os padres não gozariam dela? Quem disse ao amigo crente que os padres tinham tanta vontade de se casar?

Eu, por mim, sei que nem tenho, nem nunca tive!

O sacerdócio católico não é obrigação para ninguém...

A Igreja não obriga ninguém a ser padre. O estado eclesiástico deve ser livremente escolhido. Aqueles o escolhem, é , pois, de espontânea vontade que o fazem, sujeitando-se aos sacrifícios que ele exige.

É somente depois de uns 12 anos de estudo que a Igreja exige o voto de castidade, podendo o candidato recusar ou continuar à vontade.

Tudo isso é simples como o dia. Há muitos homens e moças que não casam por interesse ou por medo ou falta de inclinação... e esta liberdade seria recusada ao sacerdote?

Está, pois, claro, amigo crente; o padre não casa porque prefere consagrar a Deus sua vida seu coração e seu corpo.

Ninguém pode contestar-lhe esta liberdade, nem dizer que faz mal, pois segue o conselho de S. Paulo, que os protestantes não têm coragem de seguir: Digo, porém, aos solteiros e às viúvas que lhes é bom ficarem como eu (1 Cor 7,8). Cada um fique na vocação a que foi chamado (1 Cor 7, 24). O solteiro cuida das coisas do Senhor, mas o que é casado, das coisas do mundo (1 Cor 7, 32-33). Porém será mais feliz se ficar assim como eu; e também eu penso ter o espírito de Deus (1 Cor 7,40).

Eis o que diz o bom senso, apoiado sobre a Sagrada Escritura. Casar é bom... não casar é melhor.

O padre católico escolhe o que há de melhor...e o pastor protestante o que há de pior, como diz S. Paulo. Qual dos dois age melhor e mais acertadamente?

Consulte o bom senso e São Paulo no capítulo 7 da primeira epístola aos Coríntios. Ele não era protestante, mas uma das colunas da Igreja Católica, romana, e como tal era celibatário, como o são ainda hoje todos os sacerdotes católicos.

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II. O exemplo de Cristo


Vamos, amigo protestante, temos de percorrer ainda muitos textos. Citei apenas os textos do bom-senso, apoiado sobre textos de S. Paulo. Vamos agora ver um pouco de perto o próprio Evangelho e no Evangelho o exemplo do grande modelo que é Cristo.

Dize lá, se é bom ou ruim seguir o exemplo e as pisadas de Cristo? Se é ruim, então o amigo lance a sua bíblia ao fogo!... Se é bom, o amigo verificará que teve a língua comprida demais e a inteligência por demais curta.

Apenas uma pergunta: Jesus era casado ou não? Não o era. É, pois, permitido ficar celibatário e guardar a castidade. Deve até ser muito melhor que o contrário, pois sendo Deus, Jesus deve ter escolhido o que havia de mais perfeito.

Jesus era celibatário, era virgem, era a pureza perfeita. O sacerdote católico, que é o seu ministro, procura, o melhor possível, imitar o seu modelo divino, - procura ser puro, casto, virgem, e por isso fica celibatário – ama a todos em Deus, e não quer ser amado por ninguém, fora de Deus.

Os pastores protestantes, que se gabam de seguir em tudo a bíblia, afastam-se aqui, aliás como no resto, dos exemplos do Cristo. Em vez de andarem separados de tudo, só andam acompanhados de (uma ou mais) "pastoras" e de uma fila de "pastorinhos"e "pastorinhas".

Eu acho isso pouco evangélico, e pouco digno de um "ministro" do culto, de um "eleito", de um crente que já está salvo!... isto está tão longe dos exemplos daquele que disse: Eu vos darei o exemplo para que façais como eu fiz (Jo 13,15). Está bem longe do conselho de S. Paulo: Sede os imitadores de Deus como filhos queridos (Ef 5,1).

Nota bem, querido crente: Jesus não tinha mulher, nem filhos carnais. Era virgem, enquanto certos ministros bíblicos andam cercados de prole legítima e não legítima... mas... cala-te, minha pena, isso não se diz. Quem tem razão, Jesus ou o pastor protestante?


III. O exemplo dos Apóstolos


Não somente Jesus era celibatário, mas todos os apóstolos o eram. Os apóstolos são os primeiros sacerdotes, os primeiros bispos, ou ministros do culto.

Havia entre eles viúvos, até talvez casados, que, de mútuo consenso, deixaram a mulher para seguir o divino Mestre, conforme o conselho deste último: Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga (Mt 16,24) e ainda: Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá o valor aos pobres (Mt 19,21).

Cristo fala só em renúncia, cruzes e desprendimento; e nunca em mulher e filhos!... Quem sabe se o suave crente não interpreta este texto, dizendo que a cruz que eles devem carregar é a mulher ou os filhos!... Sendo assim, ele tem razão, e segue o Mestre carregando a mulher e os filhos nas costas. Que cruz, de fato, para um pastor protestante!

S. Pedro não o entendia assim e isso apesar de ter sogra... nem sequer perguntou a Jesus: Que hei de fazer com minha sogra, mulher e filhos? Nada disso! Exclama bem alto: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos, qual será o nosso galardão? (Mt 19,27).

E Cristo respondeu: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos ou irmãs, pai ou mãe, mulher ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá o cêntuplo e a vida eterna (Mt 19,29).

Que bomba, meu caro protestante! O divino Mestre aconselha a deixar tudo, até mulheres, filhos, por amor dele; e S. Pedro o faz, enquanto os ministros protestantes procuram antes de tudo a mulher. O sacerdote católico imita S. Pedro, enquanto o pastor bíblico imita Lutero.

Onde estará a verdade? E qual dos dois segue melhor os ensinamentos de Cristo? Pobre homem, por que foste meter-te em um tal cipoal?... Em parte nenhuma do Evangelho se encontra que o ministro do culto deve casar-se; ao contrário, só se encontram conselhos de não o fazer.

Verdade é que o ministro protestante nada tem de sacerdócio, e nenhuma missão, nenhuma autoridade tem. Ontem negociante ou roceiro, vira de repente pastor; ontem tolo e sem letras, torna-se hoje ilustrado e iluminado. Em tais casos pode casar-se... é o seu direito... é bom até que case para não queimar, como diz S. Paulo (I Cor 7,9), porém é bom que se cale então e não lance a pedra ao sacerdócio católico, que faz o que ele não sabe fazer. É bom que o homem não toque mulher, diz o apóstolo (I Cor 7,1), com maior razão aquele que deve ser o modelo, o conselheiro e o guia dos homens: o sacerdote.

Tudo isso é tão claro e tão simples que se fica admirado de um homem que só jura pela Bíblia não ter lido e meditado isso cem vezes.

Abra os olhos, caro protestante, seja bastante franco para confessar que está fora da verdade, longe da verdade, e completamente afastado da sua Bíblia, ou melhor, da nossa Bíblia, pois a Bíblia é da Igreja católica e não dos protestantes, que só deveriam inspirar-se nos escritos do seu pai Lutero.


IV. O conselho de Cristo


O amigo protestante quer mais textos ainda? Pode ler em inteiro o capítulo 7 da I epístola de S. Paulo aos Coríntios.

Também S. Mateus tem trechos admiráveis e em nada protestantes (Mt 19, 10-20).

É o próprio Cristo que fala e responde aos discípulos e diz que "não convém casar".

Não são todos que compreendem esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado (Mt, 19,11).

Pois bem, isso é dado ao sacerdote católico e não é dado ao pastor protestante; prova de que Jesus Cristo dá graças ao sacerdote que ele não dá ao tal pastor.

O padre católico ama a Deus, sem dividir o seu coração com a mulher; - o pastor ama a sua pastora e as suas pastorinhas, de coração dividido, onde Deus nada tem. O padre católico procura agradar a Deus e o pastor protestante procura agradar à sua pastora. Repito-o: como homem particular o amigo protestante tem este direito; porém como "pastor" afasta-se do conselho do Mestre.

Mas continuemos o nosso estudo. Até agora provei que o sacerdote pode ficar celibatário; que faz bem ficando assim, que segue os conselhos de Jesus Cristo e anda nas pisadas do Mestre divino.

Será o bastante, entretanto quero dizer mais, para convencer plenamente meu bom crente, caso ele busque sinceramente a luz e a verdade.

O celibato é de conselho, não de preceito, senão o matrimônio seria um pecado, o que é falso; sendo um sacramento instituído por Jesus Cristo e por ele santificado na ocasião das núpcias de Caná. É o que fazia dizer a S. Paulo: Este sacramento é grande em Jesus Cristo e na Igreja (Ef 10, 32).

Texto que de novo é a condenação dos protestantes que se contentam com o contrato civil, vivendo deste modo amasiados.

Para o sacerdote, o celibato ou castidade, não é simples "conselho", mas um preceito eclesiástico.

A Igreja é uma sociedade de fiéis; em toda sociedade deve haver um chefe, um governo que tenha autoridade e poder para formular leis diretivas para essa sociedade.

Aqui, de novo, o protestantismo está fora de toda lei: quer formar uma sociedade sem chefe, um corpo sem cabeça.

Pois bem, o papa, chefe da Igreja católica, apoiado sobre os exemplos e conselhos de Jesus Cristo e dos apóstolos, formulou a lei que os sacerdotes não podem mais casar-se e se foram casados antes de receber as ordens sacras, não podem mais fazer uso do matrimônio.

Eis a lei que vigora na Igreja católica. Esta lei existe desde Jesus Cristo e os apóstolos e desde os primeiros séculos se faz menção dessa obrigação.

Tertuliano, que faleceu pelo ano de 222, diz que os clérigos são celibatários voluntários.

Eis a lei do celibato, caro protestante. Se o amigo for sincero, deve confessar que é uma grande e bela instituição, derivada do exemplo do próprio Cristo e seguida por todos os sacerdotes, desde os apóstolos até nossos dias...


V. Outra objeção protestante


Para provar que o padre devia casar-se, os amigos protestantes encontraram em S. Paulo um texto que lhe serve de cavalo de batalha.

Com a liberdade de interpretação individual, é claro que um texto pode ser interpretado diversamente, e até às vezes receber explicações diametralmente opostas.

O tal cavalo-de-batalha é o seguinte conselho de S. Paulo a Timóteo: Se alguém deseja o episcopado, deseja uma boa obra. Importa que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, sóbrio, prudente, conciliador, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar (I Tim 3, 1-2).

Eis a prova protestante de que o padre queira ou não queira, deve casar-se. Mas, diga-me, caro crente, como é que Cristo, que deixou a cada um a liberdade de casar-se ou de ficar celibatário, recusa este direito ao padre?

E que prova tal texto? Prova que o celibato não é de obrigação divina, mas sim de conselho. O Apóstolo não diz: É prescrito que o bispo seja casado; mas diz: Sendo ele casado, deve sê-lo com uma mulher só, excluindo deste modo a tal bigamia pública ou oculta... E esta última é infelizmente demais conhecida.

Ora, nunca a Igreja ensinou que o celibato era de ordem divina, mas sim de ordem eclesiástica.

O padre deve ser o pai espiritual de todos; de para isso, não deve ser o pai carnal de ninguém.

O padre deve ocupar-se das crianças dos outros para instruí-las, e para isso não deve ter filhos próprios.

O padre deve ser o conselheiro e o confidente de todos, e para isso deve viver independente de todos e de tudo.

Para tudo isso, o padre deve poder dispor do seu tempo, o que não poderia fazer, se tivesse mulher ou filhos.

O padre deve viver para a Igreja e para a religião, e não para a mulher e filhos.

O famoso texto de S. Paulo, longe de contradizer, confirma a doutrina exposta e mostra o que sempre temos repetido: que o celibato não foi exigido por Cristo; porém foi aconselhado, pela palavra e pelo exemplo, deixando Jesus Cristo à sua Igreja o cuidado de regular estes pormenores, conforme os tempos e os lugares.

É o bastante, pois a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, faz o que Deus lhe inspira, pois é infalível em suas decisões dogmáticas e morais: Quem vos escuta, escuta a mim e quem voz despreza, despreza a mim, disse Cristo (Lc 10,16).


VI. Católicos e protestantes


Com tudo isso está infinitamente acima dos exemplos dos lúbricos fundadores do protestantismo!

Lutero com suas três raparigas; Zwínglio com sua libertinagem; Calvino condenado por crime torpe, marcado nas costas com ferro em brasa, sinal de extrema infâmia; Henrique VIII degolando as suas seis mulheres, mostram bastante o que é o protestantismo: uma escola de devassidão e de revolta.

Pode haver protestantes bons; mas neste caso valem mais do que a religião que professam; enquanto o católico que praticasse completamente a religião seria um santo.

Eis confrontados os dois mistérios: o catolicismo e o protestantismo.

O sacerdote católico, seguindo os conselhos e os exemplos de Cristo e dos apóstolos, renunciando à família e ao conforto do lar, para consagrar-se ao serviço de Deus, e o pastor protestante, casado, cercado de filhos e procurando deixar uma pequena fortuna para eles, não praticando nenhuma das grandes virtudes, tão aconselhadas por Cristo a seus apóstolos, que são os primeiros sacerdotes e cujos exemplos devem servir de norma a todos os sacerdotes.

E os protestantes tem a ousadia de lançar pedras ao sacerdócio católico, pedindo-lhe textos que provem que não devem casar. Pobre gente! ... Tanta ignorância supina e tanto fanatismo cego! ... Seria melhor buscar textos que provem que Lutero, Zwínglio, Calvino e Henrique VIII, os pais do protestantismo, não são sujeitos libertinos, sem compostura, sem moral.

Tais textos serviriam, pelo menos, para lavar a mancha negra que macula o berço da reforma e a aponta a todas as gerações como uma obra imunda e revoltante. Se um protestante conhecesse a sua seita, a sua origem, a sua história, gritaria como os réprobos do juízo final: Montanhas, caí sobre nós, e outeiros, encobri-nos (Lc 19,40).


 
Livro: Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às objeções protestantes. Capítulo XI.  Pe. Júlio Maria de Lombaerde. VI Edição. Editora Vozes; págs: 99-108.

FONTE: http://obrascatolicas.blogspot.com.br/2013/01/luz-nas-trevas-respostas-irrefutaveis.html.

*

sábado, 30 de março de 2013

Sábado do Sacerdote

"Se eu encontrasse um anjo e um sacerdote, primeiro saudaria o sacerdote e depois ao anjo...”. S. Francisco de Assis

O Padroeiro de todos os Sacerdotes do mundo, O Santo Cura d’Ars, exemplo de sacerdote e de serviço à Santa Madre Igreja, repetia a seu Bispo: “Se quererdes converter vossa  diocese, será preciso tornar santos todos os vossos párocos”. 

E, ainda, nos deixou um conselho monumental: “A mais bela profissão do homem é amar e rezar”.

O Papa São Pio X dizia: “Um padre santo faz o povo santo; e um padre que não é santo podemos chamá-lo não de inútil, mas até de perigoso para o próximo”. 

E o Papa Pio XI afirmou: “Que imenso benefício é para o povo um sacerdote santo! Queríamos dizer que o próprio Deus não pode conceder benefício maior do que dar ao povo um sacerdote santo, um sacerdote segundo o coração de Deus...”. 

Os Santos Padres os Papas Pio XI e Pio XII, abençoaram e recomendaram à piedade de todos os fiéis a feliz ideia do zeloso sacerdote salvatoriano, sendo secundados por numerosos Cardeais, Arcebispos e Bispos de todo o orbe católico.


Na Quinta-Feira Santa, ganha-se indulgência plenária para cada  "Sábado do Sacerdote" rezado na intenção do Santo Padre, depois de confessar e comungar.



SÁBADO DO SACERDOTE

clique no link para rezar esta devoção preciosa

 
Lembre-se de rezar pelo sacerdote que o batizou, pelos que acompanharam seu crescimento moral e espiritual, pelo seu confessor, pelo seu diretor espiritual, e até por aqueles que o escandalizaram ou decepcionaram de alguma forma. Todos eles precisam de orações!
***

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

As Mãos do Sacerdote

O Venerável Mons. Marcel Lefebvre


* * *

As Bonitas Mãos de um Sacerdote


Nós precisamos delas no alvorecer da vida,
Nós precisamos delas, de novo, em seu fim;
Nós sentimos seu aperto cálido de verdadeira amizade,
Nós buscamos isso passando pelas desgraças da vida.

Quando chegamos a este mundo somos pecadores,
O maior de nós assim como o menor.
E as mãos que nos fazem puros como os anjos
São as bonitas mãos de um Sacerdote.

No altar, a cada dia os observamos,
E as mãos de um rei em seu trono
Não são iguais às deles em sua grandeza.
A dignidade delas permanece única.

Pois ali, no silêncio da manhã,
Antes do sol surgir do leste,
Lá Deus repousa, entre os puros dedos
das bonitas mãos de um Sacerdote.

Quando somos tentados e vagueamos
pelas sendas da vergonha e do pecado,
é a mão de um Sacerdote que nos absolve.
Não uma vez, mas várias.

E, quando estamos a tomar um parceiro para a vida,
Outras mãos podem nos preparar uma festa,
Mas as mãos que vão nos abençoar e unir
São as mãos bonitas de um Sacerdote.

Deus as abençoe e as mantenha todas santas,
Para a Hóstia que os seus dedos acariciam.
O que pode um pobre pecador fazer melhor
Do que rogar a Ele que os escolheu para abençoar?

Quando o orvalho da morte em nosso pálpebras estiver caindo,
Possam a nossa coragem e força serem aumentadas
Vendo sobre nós, em bênção,
levantadas
As bonitas mãos de um Sacerdote.
 


Padre Pio, beijando as mãos do
Venerável S.E.R. Mons. Marcel Lefebvre


Fonte: FSSPX/USA (página retirada do ar)
Tradução: Giulia d'Amore, para PALE IDEAS


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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quando se pensa...


Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote;

Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem São Miguel, nem São Gabriel, nem São Rafael, nem um dos principais daqueles que venceram Lúcifer pode fazer o que faz um sacerdote;

Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, realizou um milagre maior que a Criação do universo com todos os seus esplendores, ou seja, o de converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo, e que este portento, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia o sacerdote;

Quando se pensa em outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e o que liga no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante desliga Deus;

Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, um banqueiro, um médico, que um professor, porque ele pode substituir a todos e nenhum deles pode substituí-lo;

Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e não é nem um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas o próprio Cristo que está ali repetindo o maior milagre de Deus;

Quando se pensa tudo isto...

Compreende-se o afã que, em tempos antigos, cada família ansiava para que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

Compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia nas suas leis;

Compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

Compreende-se que um seminário ou um noviciado é mais que uma igreja, uma escola e um hospital;

Compreende-se que dar para custear os estudos dum jovem seminarista ou noviço é aplanar o caminho pelo qual chegará ao altar um homem que durante meia hora cada dia será muito mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será o próprio Cristo, sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

Hugo Wast

(Sim Sim Não Não, no. 64 - abril de 1998)





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