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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

20 de agosto: São Bernardo de Claraval

20 de agosto 

São Bernardo

Abade e Doutor da Igreja 
+ 1153

Grande propagador da Ordem Cisterciense
Abade de Clarvaux (Claraval)


http://sacragaleria.blogspot.com/2014/07/sao-bernardo-de-claraval.html
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São Bernardo, descendente de família da alta nobreza, nasceu em 1091 no Castelo Fontaines, perto da cidade de Dijon, na Borgonha. Era filho de Tezelin e de Aleth (Alice, Isabel), da casa dos Montbar. Era o terceiro de sete irmãos, o mais querido da mãe, que, devido a um sonho misterioso, o consagrou a Deus de um modo particular, e com esmerado cuidado o enveredou para uma vida cristã toda exemplar. Dos cônegos de Chatillon recebeu seu preparo linguístico e dialético. Tinha dezenove anos, quando perdeu a mãe.

De formosura singular, inteligente e de modos cativantes, o mundo estendeu seus tentáculos, para prendê-lo nas suas malhas. Instintivamente, Bernardo recuou. Seu amor era mais nobre, mais sublime. Dizem seus biógrafos que, esperando ele pelo começo da Missa da meia-noite, na véspera do Natal, apareceu-lhe o Menino Jesus, envolto num encanto e beleza celestiais, visão esta que o fez renunciar por completo ao amor mundano. Diferente dos seus irmãos que seguiram a carreira militar, Bernardo tratou de abandonar o mundo e obter admissão na Ordem de Citeaux, havia pouco antes fundada. Em 1112, entraram ele e mais 30 companheiros, entre estes um tio e quatro amigos, além de muitos outros jovens das suas relações. Tão forte era a influência que exercia sobre o espírito dos seus amigos mais chegados que as mães e esposas procuravam dele afastar os filhos e maridos, com receio de lhes serem arrebatados.

Na Ordem, sobremodo austera, era Bernardo o protótipo de renúncia e persistência. Embora de compleição fraca, se entregou aos rudes trabalhos no campo. Dia e noite, seu espírito se achava em oração ou meditação dos livros sagrados. Eram eles a fonte de seu saber teológico e da sua eloquência arrebatadora, que mais tarde havia de incendiar o coração dos seus ouvintes. Do seu excessivo rigor em observar as regras da Ordem, veio-lhe uma fraqueza permanente do estômago, que bastante lhe incomodou durante toda a vida. No entanto, não admitia exceção da regra monástica em seu favor.

Sempre e sempre se animava com a advertência: “Bernardo, para que vieste ao mundo?”. E com a meditação da Sagrada Paixão de Nosso Senhor. Ele mesmo afirma que no dia da sua “conversão”, engenhou um ramalhete das amarguras de Nosso Senhor e trouxe-o sempre preso ao coração. Por isso, a arte cristã o apresenta com uma cruz, uma lança e uma coroa de espinhos na mão, apertando-as carinhosamente contra o peito.

Bernardo tinha três anos de profissão quando foi nomeado abade na nova fundação de Clairvaux. O lugar inóspito, o terreno, o clima úmido e frio, exigiu árduos sacrifícios dos monges que, como pioneiros, foram destacados para aquele deserto, esconderijo de ladrões, bandidos e salteadores. Mais de uma vez foi ventilado o plano de abandonar aquela estação, e o jovem abade não se sentia com coragem de dirigir palavras de edificação e animação aos seus religiosos. Ele mesmo chegou a tal ponto de esgotamento que se viu forçado a passar algum tempo fora do convento para tratar de sua saúde, seriamente abalada.

As coisas, entretanto, mudaram. O trabalho dos monges produziu frutos inesperados, e Bernardo, testemunha que foi da dedicação, do heroísmo e do sofrimento de seus confrades, se convenceu da necessidade de mudar de sistema: Em vez de governar com todo o rigor de superior principiante e inexperiente, e de se deixar levar nos ímpetos de gênio fogoso, passou a condoer-se das fraquezas de seus discípulos e tratá-los com mais paciência e caridade.

Assim, podemos acreditar no que os biógrafos do Santo afirmaram: que 700 monges se sentiam bem sob o regime de seu abade, e, com confiança, alegria e contentamento, seguiam as suas ordens.

Bernardo teve a satisfação de dar o santo hábito a seu velho pai e ao irmão mais novo. Sua única irmã também disse adeus ao mundo e terminou seus dias no convento.

Coincide com esta fase da sua vida a manifestação do dom de milagres de São Bernardo: fruto, sem dúvida, de muito sofrimento e da continuada mortificação praticada em meio ao silêncio, oração e solidão.

A Ordem de Cister deve a São Bernardo, não só a sua conservação no espírito primitivo monástico, como também a sua propagação e estabelecimento em inúmeros Países do mundo. Esse intensivo movimento religioso não deixou de influenciar também outras Ordens, mais antigas, sim, porém necessitadas de uma renovação da disciplina interna. Estabeleceu-se uma amizade sincera se entre Bernardo e Pedro, o venerável abade do mosteiro beneditino de Cluny, que no fim da sua vida manifestou o desejo de se transferir para Clarvaux e lá terminar seus dias.

Era o tempo das Cruzadas, época da criação das Ordens Militares. Para algumas delas, Bernardo recebeu ordem de lhes elaborar uma regra.

Inegável foi sua influência sobre o espírito religioso, quer nos conventos, quer na sociedade. Considerado o primeiro entre os mestres místicos do seu tempo, seus escritos eram procurados de preferência. Seus discursos eram apreciadíssimos pela clareza na exposição da respectiva matéria, pelo ardor que sabia dar à sua palavra, e pela força comunicativa do amor de Deus que abrasava o coração.

São de sua autoria os comentários do “Livro dos Cânticos” e do “Salmo 90”, verdadeiros hinos triunfais do amor místico e entusiasmo religioso. Segundo São Bernardo, o fundamento da Mística é o conhecimento de Deus pelo amor que se lhe tem, o desejo de a Ele se unir, purificar o coração pelo desprezo do mundo, pela humildade e meditação, pela imitação de Cristo e o completo abandono em Deus. São Bernardo é o trovador do Amor eterno que se revelou em Belém e no Gólgota; é o poeta incomparável de Nossa Senhora, o cantor das maravilhas do Nome de Jesus.

Dos Santos Padres, não há quem alcance São Bernardo na interpretação do Divino Amor, na beleza da forma retórica, na doçura e no encanto da expressão. A Igreja honrou-o com o título de “Doutor melífluo” (Doctor Mellifluus).

A Idade Média, apesar de tão nobre e profundamente religiosa, apresentava graves defeitos, que não deixavam de ser uma ameaça à estabilidade da Cristandade. Havia a cisão no mais alto governo da Igreja, o cisma; muito abuso do poder temporal dos príncipes ao tratar seus súditos; muita arbitrariedade e presunção no setor das Ciências; bastante corrupção de costumes, e o grande perigo que vinha do Islã.

Todos estes maus espíritos encontraram em Bernardo um adversário forte e inflexível. O Santo fez três viagens à Itália no interesse de pacificação da igreja. Seu trabalho foi coroado de êxito. Levou os Príncipes Cristãos a reconhecer a legitimidade do Papa Inocêncio II; e, ao sucessor deste, Eugênio III, prestou os mais relevantes serviços.

O grande prestígio moral que o Santo gozava, legitima de sobra a atuação do reformador do espírito religioso entre o povo, da disciplina eclesiástica entre o clero, e dos costumes entre os grandes da Terra.

Em Roma havia chegado a desoladora notícia da destruição da cidade de Edessa pelos turcos, e o Papa Eugênio III ordenara uma nova Cruzada contra os terríveis inimigos do nome Cristão. Bernardo foi incumbido da pregação desta empreitada militar. O piedoso monge, em obediência a esta ordem, percorreu a França, a Renânia e o Sul da Alemanha. Por toda a parte foi recebido com entusiasmo e como que em triunfo. A sua eloquência arrebatadora, e, mais ainda, a santidade do pregador e os numerosos milagres que acompanhavam a sua atividade – entre estes curas maravilhosas e ressurreições de mortos – fizeram com que a alma do povo jubilosamente abraçasse a ideia de uma campanha cerrada contra o Islamismo.

Luís VII, da França, o rei Conrado e seu sobrinho Frederico de Hohenstaufen tomaram a Cruz, e seu exemplo foi seguido por grande número de príncipes e grandes senhores. No entanto, o resultado não correspondeu ao grandioso empreendimento. Por causa de desinteligências que surgiram entre os chefes e de traições dos Pulanos (descendentes dos Cruzados, nascidos no Oriente [essa informação não consegui confirmar, N.d.T.]), os exércitos reunidos foram dizimados pelos Turcos nos desfiladeiros do Tauro, não podendo tomar nem mesmo a cidade de Damasco, que já haviam sitiado.

Para o nosso santo, este fracasso significou uma grande humilhação. Papa Eugênio III morreu, e Bernardo colheu de todo o seu trabalho as mais acerbas críticas e censuras, como se fosse ele o causador da desgraça da Cruzada por ele pregada. Foi esta a paga que o mundo deu ao grande homem, ao maior gênio do século XII, ao incomparável guia do seu tempo.

Bernardo não se alterou em sua conduta espiritual e religiosa. A Deus deu toda a honra, e de bom grado aceitou para si a ingratidão e as maldições dos homens. Muito doente, saiu mais uma vez de seu querido Claivaux, no intuito de restabelecer a paz entre a cidade de Metz (Alsácia) e alguns fidalgos da região. Não mais resistiu. Mais morto do que vivo, voltou ao mosteiro, onde a 20 de agosto de 1153, rodeado de seus filhos espirituais, e na presença de alguns bispos, exalou sua belíssima alma.

O vale silencioso de Clairvaux se transformou em um vale de lágrimas e de suspiros, que de inúmeros corações se desprenderam. O corpo do santo teve seu último repouso na capela do mosteiro, aos pés do altar de Nossa Senhora, cujo delicioso trovador o santo de sua vida tinha sido.

Bernardo faleceu com 63 anos de idade. Foi canonizado em 1165 por Alexandre III; e, em 1830, por Pio VIII, declarado Doutor da Igreja.

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/crsb2008.htm.
  
Leia também: http://farfalline.blogspot.com/2014/08/mae-de-s-bernardo-de-claraval.html.

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