A BEATIFICAÇÃO DO MAL?
Por Júlio Loredo[1].
A notícia repercutiu em todo o mundo e foi comentada geralmente de forma positiva: Dom Helder Câmara, o Arcebispo Vermelho, o arauto das ditaduras comunistas, o promotor da revolução no Brasil para impor uma ditadura popular, o partigiano da Teologia da Libertação marxista, o defensor do aborto e do divórcio, o inimigo da “Humanæ Vitæ”, corre em direção às honras dos altares, por ter seu processo de beatificação já ultrapassado a “fase romana”.
É uma daquelas “canonizações mediáticas” infelizmente cada vez mais comuns na vida da Igreja de hoje[2]: tende-se a dar mais importância à ditirâmbica propaganda feita em torno do personagem por seus fãs[3], do que à sua doutrina e aos fatos concretos de sua vida, muitas vezes descurados ou deformados, senão quando excluídos[4]. É como se, em um processo penal, faltasse o contraditório[5], e, ao ditar a sentença, o Juiz se baseasse mais nos comentários da imprensa do que nos atos do processo.
Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), conhecido como Dom Helder[6], bispo auxiliar do Rio de Janeiro, e, depois, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é pouco conhecida[7]. As poucas notícias que filtram provêm de forjas propagandísticas tão desequilibradas que eu não hesito em as definir como beirando o ridículo. Recordo-me, à época de seu desaparecimento, em agosto de 1999, a mídia italiana competindo para ver quem lhe conferia o título mais sonoro: “Profeta dos pobres”, “Santo das favelas”, “Voz do Terceiro Mundo” , “Santo Helder da América” e assim por diante[8].
Militante filo-nazista

