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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

E la barca vá... mas acordo, não! Imagine!!!

Por dever de ofício, publico as notícias seguintes, como as recebi. Sem comentários. Não vou perder meu tempo repetindo o que já disse à exaustão. Apenas fica como registro de MAIS UM PASSO. Para o acordo? Claro que não! Que absurdo! O acordo já teve, com cuspe na mão e tudo. É mais um passo para tentar lavar a cara e expor publicamente o que já é feito nos bastidores. Somente os idiotas (e, por isso, serão perdoados) e os dormidos (para estes não haverá perdão, porque a quem muito foi dado muito será cobrado) não sabem que a Neofrat já está em comunhão com Roma Apóstata. Até as pedras da Praça São Pedro já sabem e choram. 

No dia 23 de novembro de 2018, o site da Neofrat francês publicou a notícia de mais um encontro, sob nova direção, entre a Neofrat e Roma Apóstata (é ou não é, decidam-se!): https://fsspx.news/fr/news-events/news/rencontre-entre-le-cardinal-ladaria-et-abbe-pagliarani-22-novembre-2018-42396. Na internet tem várias versões em português e espanhol. Transcrevo, aqui, sem corrigir nem comentar, a tradução em português encontrada no site Capela Santo Agostinho (https://capelasantoagostinho.com/2018/11/23/reuniao-entre-o-superior-da-fsspx-e-o-cardeal-ladaria): 


Transcrevemos abaixo com tradução da FSSPX-Portugal o COMUNICADO DA CASA GERAL DA FRATERNIDADE DE SÃO PIO X, sobre a reunião entre o Cardeal Luís Ladaria Ferrer e o Sr. Pe Davide Pagliarani, em 22 de Novembro de 2018. 
*     *     * 
Na quinta-feira, 22 de Novembro de 2018, o Sr. Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, esteve em Roma para responder o convite de S. Eminência o Cardeal Luís Ladaria Ferrer, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele foi acompanhado pelo Sr. Pe. Emmanuel du Chalard. O Cardeal Luís Ladaria Ferrer foi assistido pelo Bispo Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. 
A reunião teve lugar nos escritórios da Congregação para a Doutrina da Fé, de 16:30 até 18:30. Pretendia-se permitir que o Cardeal Luís Ladaria Ferrer e o Sr. Pe. Davide Pagliarani se reunissem e trabalhassem juntos sobre a relação entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pio X, pela primeira vez desde a eleição de seu novo Superior Geral, em Julho passado. 
Durante a entrevista com as autoridades romanas, lembrou-se que o problema fundamental é de facto doutrinal, e que nem a Fraternidade nem Roma podem eludi-lo. É por causa desta divergência doutrinal irredutível que qualquer tentativa de desenvolver um projeto de declaração doutrinária aceitável para ambas as partes não tem sido bem-sucedida por sete anos. É por isso que a questão doutrinal permanece absolutamente primordial. 
A Santa Sé não diz mais nada quando afirma solenemente que o estabelecimento de um estatuto jurídico para a Fraternidade só pode ser feito após a assinatura de um documento de carácter doutrinal. 
A Fraternidade é, portanto, instado a retomar a discussão teológica, bem consciente de que o bom Deus não necessariamente pede-lhe conseguir convencer seus interlocutores, mas sim dar para a Igreja o testemunho incondicional da Fé. 
O futuro da Fraternidade está nas mãos da Providência e da Santíssima Virgem Maria, como evidenciado pela sua história, da sua fundação até hoje. 
Os membros da Fraternidade não querem nada mais do que servir a Igreja e cooperar eficazmente na sua regeneração, inclusive dando as suas vidas pelo seu triunfo, se for necessário. Mas eles não podem escolher nem o caminho, nem os termos, nem o momento do que pertence a Deus só. 
Menzingen, 23 de Novembro de 2018

E pode ser lida também na página da Neofrat portuguesa no Facebook, aqui, para quem gosta de ficar de mimimis acerca da fonte (a culpada é a fonte, não os traidores da Fé): 





Para quem prefere a versão em espanhol temos o site do Distrito Sul-Americano: https://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/comunicado-de-la-casa-general-encuentro-entre-el-card-ladaria-y-el-p-pagliarani.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fellay: segredos, conchavos, conluios e uma reconciliação "necessária"

Chegou até mim este artigo, publicado em Espanhol, com uma pequena resenha sobre um livro que foi publicado há quase um ano e ainda era desconhecido por aqui.

Interessante notar que este tal GREC é/era formado também por sacerdotes que eram da FSSPX e dela saíram (seja de vontade própria, seja expulsos) e que continuaram a participar de um grupo que tinha plena autorização do superior geral da FSSPX para “trabalhar”. E eu me pergunto: como assim? Um grupo que contava com afetos e desafetos e... continuava a funcionar? Até que ponto eram mesmo desafetos? Até que ponto a saída deles da FSSPX não havia sido orquestrada? Certo é que parece coisa de gente suja: pelo "elenco", pelos objetivos, pelos resultados. 

A resenha é sucinta demais, e espero mesmo que alguma alma caridosa que domine o Francês possa traduzir para o Português esse livro que, penso, colocará a nu a verdadeira fisionomia do superior geral que cada vez mais me parece não ser mesmo um filho de Monsenhor Lefebvre.

Giulia d'Amore



O GREC E A FSSPX: “Por uma necessária reconciliação”


“Gentiloup” do fórum “Un évêque s'est levé!” acaba de ler o livro de Padre Lelong[1] sobre o GREC[2] intitulado “Por uma necessária reconciliação”. Aqui está a análise que faz da leitura: 



Resenha do livro “Por uma necessária reconciliação”, promovido pelo GREC:


Acabo de ler o livro do Padre Michel LELONG, intitulado “Por uma necessária reconciliação” –Livro lançado em Dezembro de 2011.

É uma pequena obra de 159 páginas não muito emocionantes, mas de leitura rápida.

Expõe o que o GREC, Grupo de Reflexão Entre Católicos.

Este livreto resume o trabalho feito pelo GREC; é uma espécie de testemunho do autor que esteve desde o início de sua formação. Seu objetivo é o de trabalhar pela adesão da FSSPX à Roma conciliar, reconhecendo o Concílio. Contudo, este livreto esclarece, acidentalmente, os desvios nos quais caiu a cabeça da FSSPX e demonstra por que a reunião com a Roma conciliar pôde gangrenar tantos espíritos dentro da FSSPX.

Este grupo de reflexão foi fundado em 1997 com o objetivo de integrar a FSSPX à Roma modernista fazendo-a aceitar o Concílio Vaticano II.

Os fundadores são o casal Pérol: o Sr. Pérol[3] foi embaixador da França em Roma. E o Padre Michel Lelong, autor do livro, é também um fervoroso defensor do diálogo inter-religioso e do Concílio.

O objetivo do GREC não é ambíguo, está claramente definido ao longo do livro por diferentes protagonistas: “Interpretar o Vaticano II à luz da Tradição”, segundo a fórmula que João Paulo II deu a Monsenhor Lefebvre em 1978.

O Padre Michel Lelong está convencido das bondades do Concílio e, particularmente, das bondades de “Nostra Aetate”, ele que é um especialista do diálogo com os muçulmanos.

A ideia do senhor Pérol era fazer com os católicos tradicionais da FSSPX o diálogo que se pratica com as outras religiões e, portanto, lamentou que a FSSPX tivesse sido excluída.

O Padre Lorans[4], um dos quatro fundadores do GREC, é o porta-voz do distrito [da FSSPX] da França. Ele obteve de Monsenhor Fellay a autorização de dialogar “por uma necessária reconciliação”. Sempre esteve muito atento em manter Monsenhor Fellay a par dos avanços desse diálogo.

A meta deste grupo foi definida pelo Sr. Pérol pouco antes de sua morte: trata-se de “interpretar o Vaticano II à luz da Tradição”, o que Bento XVI viria a chamar de “hermenêutica da continuidade” em oposição à hermenêutica da ruptura. Uma hermenêutica da ruptura que comprovou Monsenhor Lefebvre após um longo caminho de tentativas de acordo com esta igreja conciliar. Ao final da jornada, só pôde comprovar que era impossível; dai as sagrações dos quatro bispos em 1988.

O grupo iniciou suas atividades como um pequeno comité ao redor da Senhora Pérol[5] e de Padre Michel Lelong, com o Padre Emmanuel du Chalard[6], “que não deixou de dar ao GREC um apoio tão discreto como atento”.

“Dois outros sacerdotes contribuíram de maneira decisiva à criação e, portanto, à vida de nosso pequeno grupo de reflexão entre católicos. Um deles, que já voltou a Deus, era o Padre Dominicano Olivier de la Brosse[7], o outro, o Padre Lorans da FSSPX. Eu (Padre Lelong) o conheci em 1997, durante uma refeição para a qual nos convidou a Sra. Pérol. Nesse dia nasceu o GREC” (p. 24).
Observação: Esta reunião foi realizada em Roma, na casa da Sra. Pérol.

-O Padre Olivier de la Brosse, falecido em 2009, foi porta-voz da Conferência dos Bispos da França.

-O Padre Lorans era porta-voz do distrito da França. Este último obteve de Monsenhor Fellay a autorização de dialogar “por uma necessária reconciliação” com este grupo.

Então, temos os quatro fundadores do GREC:
• Senhora Pérol,
• Padre Michel Lelong,
• Padre Lorans e
• Padre de La Brosse.

Nos meses seguintes, os diferentes protagonistas fizeram êmulos em suas respectivas comunidades.

Logo, as conferencias serão organizadas, mas sem grandes alardes, tinham que permanecer confidenciais.

“Quando nos encontrávamos na amizade, escreve o padre Michel Lelong, penso frequentemente em Gilbert Pérol que, ao participar ativamente do diálogo entre muçulmanos e cristãos, teve a ideia deste diálogo entre católicos” (p. 27).

Os Núncios Apostólicos sucessivos e outras diferentes personalidades da igreja conciliar apoiaram este grupo. Essas personalidades informavam regularmente ao Papa sobre o progresso do diálogo.

O superior do distrito da França da Fraternidade São Pedro, o padre Ribeton[8], se juntou ao grupo, assim como, um pouco mais tarde, fez o do (Instituto) Cristo Rei e Sumo Sacerdote etc.

Para abreviar este resumo, é preciso saber que a iniciativa do levantamento das excomunhões dos quatro bispos da FSSPX provém do GREC. Foi solicitada por causa do Jubileu do ano 2000. Em qualquer caso, é o que nos diz explicitamente o padre Lelong nesta obra citando trocas de e-mails entre este grupo, as autoridades romanas e o superior da FSSPX.

Têm-nos dito que a iniciativa veio da FSSPX, mas isso não é inteiramente verdade, porque a primeira iniciativa veio do GREC.

Sem cessar, se mencionam as palavras “plena comunhão”.

“Quanto a mim, por ter sido um sacerdote durante 50 anos, e por ter dedicado meu ministério às relações entre a Igreja e os muçulmanos, estou profundamente ligado aos ensinamentos do Concílio Vaticano II, e me esforço para que aqueles irmãos católicos que têm seguido Monsenhor Lefebvre e seus seguidores o conheçam e o compreendam” (Padre M. Lelong, p. 42).

Portanto, a mensagem é muito clara; que Monsenhor Fellay não se ponha a brincar de “virgens assustadas” pretendendo ter descoberto repentinamente, em 2012, por meio de uma correspondência do Papa, que se espera que a FSSPX reconheça o Vaticano II.

Isso estava claro desde o início das conversações com o GREC!

Em 6 de janeiro, o padre de la Brosse enviou uma correspondência ao Cardeal Castrillon Hoyos (Comissão Ecclesia Dei) para referir-lhe acerca do colóquio “Tradição e Modernidade”, organizado pelo GREC em 22 de novembro de 2003, em Paris:

“Monsenhor Philippe Breton, que a nosso pedido foi designado por Monsenhor Ricard, Presidente da CEF[9], como ‘Bispo referente’ deste grupo, participou da reunião e presidiu a oração de abertura; o Padre Lorans da FSSPX presidiu a oração final. (...) O objetivo do colóquio aparentemente foi atingido: católicos franceses de sensibilidades diversas e até opostas concordaram comprometer-se em um diálogo que não prejudica em nada uma reconciliação total. Isto está reservado aos superiores competentes – porém se tem a possibilidade, quando chegar o dia, que as instâncias de diálogo encontrem diante delas companheiros capazes de compreensão e de respeito mútuo (...). O número de participantes foi de 40 pessoas, todas foram convidadas a título individual pelos membros do grupo (...). Tem sido observada uma grande discrição, a pedido expresso de Monsenhor Ricard, com relação às nossas intenções. Nenhum jornalista profissional esteve presente na sala. Nenhuma informação ou comentário vazou nos dias seguintes, nem na imprensa católica e nem na laica”. (pp. 45-46).

“Assim, graças ao apoio do Núncio Apostólico e também de padre Barthe[10], o Cardeal Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, se manteve informado de nossas atividades (...). A eleição de Bento XVI foi acolhida (...) com muita esperança (...). sabe-se, de fato, como, desde os primeiros meses de seu pontificado, o novo Papa quis encontrar Monsenhor Fellay; em seguida, dez declarações e tomou decisões que revelam claramente a sua vontade de restabelecer a unidade na Igreja por uma hermenêutica da “continuidade” e não “da ruptura”, em relação aos ensinamentos do Concílio Vaticano II” (pp. 48-49).

Depois do Motu Proprio de 2007, os organizadores do GREC enviaram novamente uma carta ao Papa para pedir-lhe de novo o levantamento das excomunhões.

Segue, a partir da página 55, uma narrativa das atividades do GREC e das personalidades de diferentes classes que passam a se envolver neste processo.

Após o encontro do Papa e Monsenhor Fellay em 2005, o GREC cresceu: pelo lado da FSSPX notamos, entre outros: o Padre [Grégoire] Celier, muito ativo, muito presente; Jacques Régis du Cray, e Marie-Alix Doutrebente etc.

N. DA R.: Muitos sacerdotes da FSSPX e não os menores (afora dos citados, que estão fortemente envolvidos), participaram dos trabalhos do GREC, muitas vezes, na qualidade de palestrantes. Alguns são mencionados no livro, outros não, mas conheço seu envolvimento. Prefiro não mencionar seus nomes, precisamente por não conhecer sua posição atual diante do acordo[11].

Foi então que os colóquios demonstram “convergências doutrinais e espirituais” entre as duas partes.

 “Aos 10 de junho de 2010, uma reunião do GREC estava destinada a dar o seu apoio ao Papa depois de ‘uma campanha da mídia particularmente injusta’, em torno ao Padre Matthieu Rouge, Reitor da Basílica de São Clotilde em Paris (...) e de Padre Lorans, encarregado da comunicação da FSSPX. Essa noite, graças aos comentários feitos pelos dois discursadores e ao debate que se seguiu, se percebeu como era esperada e desejada a reconciliação entre todos os católicos em torno do Papa Bento XVI e graças a ele. Para dar sua contribuição, foi durante o ano universitário 2010-2011 que o GREC dedicou suas reuniões ao Concílio Vaticano II, a Monsenhor Lefebvre e ao Motu Proprio Summorum Pontificum, com a participação de historiadores e de teólogos com pontos de vista diferentes” (p. 68).

“Enquanto escrevo estas linhas, se pode esperar que esses encontros conduzirão sem demora a um acordo. Mas, para isso, é necessário que a FSSPX compreenda que, se ela tem muito a dar à Igreja de Roma, também tem muito a receber. Para isso, é necessário que ela deixe de rejeitar em bloco o Vaticano II e que aceite suas grandes orientações, interpretando-as como o propõe atualmente o Santo Padre” (Padre Lelong, p 85).

Seguem os testemunhos de diferentes atores do GREC, sendo (pela FSSPX): o Padre Lorans, Marie-Alix Doutrebente e Jacques-Régis du Cray.

Um lugar muito importante é dado a Padre Aulagnier, quem começou desde antes da fundação do GREC, em 1992, a entabular o diálogo com os conciliares (nomeadamente com o padre abade de Randol[12], Dom de Lesquen[13]); isso aconteceu quando era superior distrito da França. Ele continuou com este papel mais tarde, quando se converteu em membro do IBP.

Tenho sido muito contente de iniciar, desde 1992, sendo superior do distrito da França da FSSPX, novos contatos com as autoridades eclesiais reconhecidas. Passando um dia por Randol (...) o padre abade Dom de Lesquen discutia com um jovem na praça do mosteiro. Sabendo o papel que desempenhou com Dom Gérard quando de sua abordagem de 10 de julho de 1988 com Roma, o abordei e lhe fali (...) da grande aproximação com Roma, de uma normalização da FSSPX com Roma (...)” (Padre Aulagnier, p. 104).

Para compreende o processo de adesão a Roma, é suficiente conhecer o trabalho subterrâneo deste grupo, cujos membros são cooptados...

Lembrete: Este livro foi publicado em dezembro de 2011.

Este livro é muito importante de conhecer para saber, no futuro, o que não deve se fazer: nenhuma discussão doutrinária em nenhum nível, enquanto Roma não se converta.

Este foi a ordem deixada por Monsenhor Lefebvre e que prevaleceu até o acordo fracassado de junho de 2012:

Nenhum acordo canônico sem o acordo doutrinário prévio.

Os inferiores não fazem aos superiores; a FSSPX, depois de um acordo canônico, se encontraria sob a autoridade do Papa modernista e das congregações conciliares.

A verdade não suporta o mínimo compromisso com o erro; este processo iniciado pelo GREC nada mais é do que uma busca por compromisso.

Como conclusão, tomemos as palavras do Padre Hewko:

“O Padre Ludovico Barrielle (tão reverenciado pelo arcebispo) comentou em 1982: ‘Escrevo isso para que sirva de lição para todos. O dia em que a FSSPX abandonar o espírito e as regras de seu Fundador, estará perdida. Além disso, todos os nossos irmãos que, no futuro, se permitam julgar e condenar ao Fundador e seus princípios, não duvidarão eventualmente de afastar a Fraternidade do ensinamento tradicional da Igreja e da Missa instituída por nosso Senhor Jesus Cristo”.

Fonte: Non Possumus
Tradução e notas: Giulia d’Amore di Ugento




[1] Padre Michel Lelong, um “padre branco”, é descrito no Wikipédia como um padre católico especialista no diálogo islâmico-cristão. Podem ler mais aqui.
[3] Gilbert Pérol, embaixador em Roma (1988-1992). Foi casado com Huguette Pérol, escritora, teve três filho (Jean-Philippe, Jérôme e Hughes).
[4] Padre Alain Lorans, da FSSPX, diretor de DICI, órgão midiático da FSSPX.
[5] Madame Huguette Pérol, viúva do embaixador Gilbert Pérol.
[6] Emmanuel du Chalard de Taveau (1950) é sacerdote da FSSPX, diretor do ‘Courrier de Rome’ (versão francesa da revista Sì sì, no no) e foi um dos primeiros colaboradores de Mons. Marcel Lefebvre. Desde os primeiros anos na Itália, foi um dos mais importantes artífices da difusão da FSSPX em solo italiano. Desde então, sempre manteve relações informais com a Santa Sé em nome da Fraternidade, adquirindo um particular conhecimento dos diferentes eventos que caracterizaram a relação entre Roma e Ecône.
[7] Padre Olivier de la Brosse: biografia em francês.
[8] Padre Vincent Ribeton, superior do distrito da França da Fraternidade São Pedro. Wikipédia (Francês).
[9] Conferência Episcopal Francesa.
[10] Padre da Diocese d’Auch, teólogo e vaticanista francês. Foi ordenado padre por Monsenhor Lefebvre, mas foi, depois, expulso da FSSPX por sedevacantismo. Permenceu um período, segundo seus termos: em estado de “d'apesanteur canonique” até 2005, quando é regularizado pela Ecclesia Dei. Foi capelão da peregrinação "Una Cum Papa Nostro", organizada em Roma de 1º a 3 de novembro de 2012. Ensinou no IBP e atualmente no Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote.
[11] Precaução inútil, uma vez que no livro devem ter sido mencionados.
[12] Randol é uma Abadia beneditina, na França.
[13] Dom Eric de Lesquen é o “pseudo-padre da igreja Conciliar e abade da Abadia de Notre Dame de Randol que, de acordo com a revista Famille chrétienne de 07 de fevereiro de 2009, desempenhou ‘um papel-chave nos contatos com a FSSPX’. Dom Éric de Lesquen é ninguém menos que o irmão de Henry Lesquen que assumiu o controle da Radio Courtoisie depois de Jean Ferré, e que impôs uma verdadeira censura nessa rádio supostamente do "país real". Na realidade, os fiéis e o clero puderam constatar que as reuniões de todos os tipos ocorreram a seu critério, o louvor a Ratzinger-Bento XVI se desenvolveu sem obstáculos, e os padre Tanoüarn, Barthe, Celier e Lorans ocupam o terreno como representantes da Tradição, mas para ser honesto: promovido secretamente pelos círculos favoráveis à tomada de controle da FSSPX pela Roma modernista. Cf. “Une BOMBE: le concubinage doctrinal du Père Lelong avec l’erreur révèle la subversion de la FSSPX par le cercle du G.R.E.C.” – Item 11. Aliás, texto interessante de ser lido na íntegra.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mons. Marcel Lefebvre por Pe. Emmanuel du Chalard


Mons. Lefebvre visto por um seu colaborador próximo
por Marco Bongi


Apresentamos a síntese de um interessante colóquio com um dos primeiros colaboradores de Mons. Marcel Lefebvre. Padre Emanuel Du Chalard[1], conhecido por ser o pioneiro da presença da FSSPX na Itália e por sempre ter mantido contatos diplomáticos informais entre a Fraternidade e Roma, nos descreve alguns dos aspectos da personalidade do fundador, saindo, talvez pela primeira vez, de sua proverbial e humilde discrição.

* * *

Missa Pontifical em Albano.
À esquerda de Mons. Lefebvre: Dom Emmanuel
Pe. Emmanuel, o senhor foi um dos primeiros sacerdotes ordenados por Mons. Lefebvre após a fundação da FSSPX. Também lhe foi próximo por muitos anos. Pode nos descrever brevemente a sua personalidade na vida cotidiana, fora dos momentos públicos?

Antes de tudo, Mons. Lefebvre foi para nós um pai e um exemplo. Sempre atento a tudo, até mesmo aos menores detalhes. Queria que o seminário fosse simples, mas limpo e arrumado. Vivia no seminário como nós, seguia os mesmos horários, era sempre presente a todas as orações comunitárias, fazia suas refeições no refeitório com os seminaristas, nunca pedia algo especialmente para ele. Por outro lado, não gostava de favoritismos. Era muito atento às pessoas, sempre pronto a ouvir os seminaristas, podia-se visitá-lo em seu escritório quando se quisesse, parecia que nunca estava ocupado com outra coisa para fazer. Foi um exemplo de disponibilidade. Tinha sempre uma grande atenção com os hospedes, uma conversa agradável e gostava de humorismo ou de piadas. Transmitia uma sensação de alegria, assim como de paz e serenidade. Era um homem bom, mas era, sobretudo, um sacerdote e um Bispo próximo a todos. Para vê-lo ou marcar um compromisso com ele não era difícil: não tinha um secretário particular, se geria sozinho: compromissos, correspondência, organização de viagens.
Seu estilo de vida foi um exemplo para todos. E podemos serenamente afirmar que a Fraternidade São Pio X marcou seu estilo de vida mais sobre o exemplo de seu fundador do que o extraindo de seus ensinamentos.

Pode nos contar alguma anedota inédita que viveu ao lado de Mons. Lefebvre?

Mons. Lefebvre missionário em Angola
Eu não saberia dizer, mas posso afirmar que, quanto mais conhecia e visitava Mons. Lefebvre, especialmente no contexto romano, mais percebia que era realmente um grande homem de Igreja. Bem poucos tiveram uma experiência como a dele, amadurecida pelas responsabilidades recebidas. Conhecia a Cúria Romana e os seus mecanismos à perfeição. Praticamente, por uma razão ou outra, havia visitados todos os dicastérios vaticanos[2]. Não apenas conhecia bem a Igreja e seus problemas, mas tinha dela uma visão de fé e sobrenatural. Tudo isso fazia dele um eclesiástico de grande estatura.
O senhor acompanhou muitas vezes Mons. Lefebvre em suas visitas ao Vaticano. Com que ânimo eram vividos tais momentos, como se conciliavam nele o amor pela Roma Católica e o desejo de defender a doutrina de sempre, muitas vezes contrariada pelas mesmas autoridades?
Mons. Lefebvre consagrara sua vida à Igreja, a Roma, ao Papado, vivia para ela; e, para ele, servir a Igreja significava salvar as almas. Por isso, a crise pós-conciliar foi vivida por ele como um drama. O sentido missionário era inscrito profundamente na sua alma. Podemos dizer que sua reação diante da crise da Igreja foi determinada pela consciência de quais fossem as verdadeiras necessidades das almas. Se a Fé não é mais transmitida, as almas não podem se salvar.
Sempre me lembrarei de sua reação ao anúncio da primeira Jornada de Assis[3] em outubro de 1986. De passagem por Ecône, me encontrava em seu escritório e lhe falei o que se sussurrava sobre este projeto. Ele colocou a cabeça entre as mãos e disse, com um tom muito pesaroso: "é a destruição da missão". Era a sua alma profundamente missionária quem reagia.
Sempre constatei nele um grande respeito pela hierarquia eclesiástica. Talvez sua timidez e até mesmo este respeito faziam com que, se um Cardeal na conversa afirmava um erro ou dizia algo errado, geralmente Monsenhor calava-se e não falava mais. Para ele, era inconcebível que um homem de Igreja pudesse falar assim. E saindo da reunião, me dizia: "Mas como é possível que o Cardeal possa afirmar estas coisas!" Estava desconcertado.
Certamente, foi para ele uma tragédia encontrar-se em oposição a Roma e ao Papa. Ele, que por décadas fora encorajado pelo Papa por causa de seu apostolado na África, não concebia como não pudesse mais trabalhar no mesmo espírito e com o mesmo zelo. Algo havia mudado com o Concílio [Vaticano II]. Em tais situações, foi apenas a sua grande Fé a guiá-lo, e foi uma Fé vivida até o heroísmo. Pagou com sua pessoa.
Na Fé, de fato, há uma ordem. A Igreja está ao serviço da Verdade (Verdade sobrenatural); a Igreja é a guardiã da Verdade, não faz a Verdade e não pode mudá-la. Depois ela deve transmiti-la em sua integralidade. A Igreja está também ao serviço das almas, e tem a responsabilidade da salvação delas. Todo o resto deve ser ordenado em função da Fé e da salvação das almas.
Foram estes conceitos que guiaram Monsenhor Lefebvre nesses anos de dificuldades com Roma. Ele estava convencido de que um dia Roma agradeceria à Fraternidade por sua defesa da Fé e por todos os sacrifícios feitos. Eu, pessoalmente, estou convencido de que um dia a Igreja reconhecerá a Fé heroica deste Bispo.

O senhor esteve ao lado de Mons. Lefebvre também quando ele decidiu ordenar os quatro bispos da FSSPX. Como foram vivenciados aqueles dias? Qual foi o fato decisivo que o levou a essa difícil escolha?

Ao lado de Mons. Lefebvre, o padre Schmidberger
Não fui o único sacerdote a acompanhar de perto este momento delicado da existência de Monsenhor e da vida interna da Fraternidade. Penso que o padre Franz Schmidberger[4], que era então o Superior Geral [da Fraternidade], e os quatro [sacerdotes] que foram consagrados Bispos poderiam testemunhar melhor do que eu. Houve, essencialmente, três etapas para este caminho: a decisão de consagrar, quando fazê-lo e, finalmente, a consagração em si.
A primeira etapa foi longamente preparada com uma reflexão pessoal sobre a crise da Igreja. Muito provavelmente pediu pareceres a pessoas competentes e, acima de tudo, rezou muito. Sabe-se, por exemplo, que Monsenhor, por pelo menos um ano, levantou todas as noites para rezar durante uma hora diante do Santíssimo Sacramento, a fim de receber as graças necessárias para entender o que devia fazer. Ouvi-o dizer: "Poderia deixar as coisas como estão e, depois, o Senhor proveria pelo futuro da Fraternidade, mas o Senhor poderia me dizer no dia do Juízo: fez tudo o que podia como Bispo?". Em meu humilde parecer, seria errado pensar que Monsenhor tenha tomado esta decisão somente por causa da Fraternidade e do seu futuro.
Certamente, ele via, mais, a necessidade da Igreja em geral e ponderava, em consciência, que este passo era necessário para o retorno da Tradição, especialmente através da renovação de um sacerdócio autêntico.
Esta foi a primeira etapa e, uma vez tomada a decisão, houve para ele como que uma sensação de alívio, porque havia entendido com clareza que aquela era a vontade do Senhor.
A segunda etapa dizia respeito a quando proceder a tais consagrações episcopais. A solução do problema veio como resultado de uma sucessão de eventos. Antes, quis ainda tentar junto a Roma a possibilidade resolver o problema: reuniões com o Card. Ratzinger[5], depois a visita canônica com o Card. Gagnon[6], então a Comissão entre a Santa Sé e a Fraternidade e, finalmente, o famoso protocolo de 05 de maio de 1988[7].
Tudo isso, entretanto, não permitiria a Monsenhor continuar com serenidade a sua obra, mesmo reconhecendo que, no protocolo, a Santa Sé fazia concessões importantes, tais como o uso dos livros litúrgicos tradicionais.
Certamente, também, um fato não secundário era a sua idade avançada. Ele entendia que não podia mais continuar viajando, dar as Crismas e fazer as ordenações. E, então, tomou a decisão de consagrar quatro Bispos em 30 de junho de 1988.
A terceira etapa todos nós a conhecemos. Foi vivida com um pouco de tensão, devido a algumas ameaças e à grande multidão de jornalistas vindos de todo o mundo. 
Com a Princesa Pallavicini em Albano
Acrescento, a tal propósito, duas considerações. A primeira concerne à serenidade e à paz que acompanharam Monsenhor em todas as etapas, e que sempre soube comunicar àqueles que estavam por perto. A outra consideração diz respeito à sua determinação. Uma vez tomada uma decisão, nada o detinha. Antes das consagrações, ele recebeu muitas pressões por parte de Roma e de outros ambientes para que desistisse. Isso me lembra de como manteve o mesmo comportamento na conferência realizada em junho de 1977, em Roma, no palácio da Princesa Pallavicini[8]. Na época, houve uma forte pressão por parte da mídia italiana e por algumas visitas de diversas personalidades, mas nada e ninguém o haviam detido. Não era um homem precipitado nas suas decisões. Mas quando as decisões eram tomadas, especialmente se tinham sido sofridas, nada o detinha.

É verdade que o encontro em Assis em 1986 representou um elemento importante que levou Mons. Lefebvre a decidir-se pelas consagrações episcopais?

Eu não diria que o encontro de Assis foi o elemento decisivo. Representava, mais, um sinal evidente, e à vista de todos, da gravidade da crise. Indicava, de fato, com clareza, onde podiam levar as novidades do Concílio Vaticano II. L'Osservatore Romano[9], na época, havia justificado Assis com o Concílio. Eis onde levavam a famosa liberdade religiosa e o ecumenismo do Concílio, para além de todas as interpretações artificiosas que quiseram dar a tal evento.
No final das contas, a crise atual leva à apostasia, e o que vivemos hoje a torna ainda mais evidente do que em 1988.

Mons. Lefebvre nunca lhe falou de seu encontro com Padre Pio? Alguns autores dizem sobre isso que, naquela ocasião, o santo de Pietrelcina repreendeu Mons. Lefebvre; outros negam. O senhor sabe algo mais?

Monsenhor era muito discreto sobre tudo o que tinha feito e silenciava. Mas sobre este ponto, nos precisou que o encontro foi muito breve. Pediu a Padre Pio[10] para rezar pelo capítulo geral da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, da qual ele era, à época, o Superior Geral. Estava, de fato, muito preocupado e pediu uma bênção. A resposta de Padre Pio foi: "é o senhor que deve me abençoar". Não houve outras palavras. Contra os boatos de que Padre Pio teria dito que Monsenhor estaria à origem de um cisma, pudemos ter o testemunho dos dois sacerdotes que o haviam acompanhado a San Giovanni Rotondo[11]. Tais testemunhos confirmam aquilo que Monsenhor sempre disse sobre este encontro.

Em visita à casa natal de São Pio X, em Riese
Mesmo nos momentos mais difíceis, Mons. Lefebvre manteve relações de amizade com alguns altos prelados. Pode nos dizer algo sobre isso, especialmente em relação a seu sucessor em Dakar, o Card. Thiandum, e ao Card. Siri?

Monsenhor sempre foi respeitado por muitos prelados de Roma. Por um lado, por causa dos cargos que havia ocupado: Arcebispo de Dakar[12], Delegado Apostólico para toda a África francesa, depois Superior Geral dos Padres do Espírito Santo, uma congregação que contava, então, com cinco mil membros. Ele cumpriu um trabalho enorme, é um fato que ninguém pode negar. Ele foi respeitado até porque era um homem íntegro, não chantageável[13], coerente e, além disso, muitos sabiam que, no fundo, ele tinha razão, enquanto eles não haviam tido a sua coragem, por questões de oportunidade. Ser criticado, injuriado, desprezado, humilhado, condenado, considerado fora da Igreja, excomungado e aceitar isso tudo por amor a Jesus Cristo e à sua Igreja não é dado a todos.
O Cardeal de Dakar, Mons. Thiandium[14] foi certamente um dos mais corajosos. Tinha uma grande admiração por Monsenhor, lhe devia tudo: sacerdócio, episcopado e também, podemos dizer, o cardinalato, a partir do momento em que, de certa forma, lhe tinha preparado o caminho. Não foi somente por isto que o Cardeal estimava Mons. Lefebvre; conhecia as suas qualidades e que o tinha visto à obra, em Dakar. Sei que o Cardeal interveio junto a Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II em favor de Mons. Lefebvre. Por ocasião do Sínodo sobre a família, havia arranjado um encontro entre o Card. Ratzinger, Mons. Lefebvre e ele mesmo. Houve também alguns encontros com o Card. Siri[15], mas eu não saberia dizer em que clima ocorreram.
Além disso, foi sempre recebido pelos Cardeais Oddi[16] e Palazzini[17].

Pelo que o senhor sabe, Mons. Lefebvre teve experiências místicas?

1980: Missa Pontifical em Veneza
Dom Emmanuel e Mons. Lefebvre
Se, por um lado, Monsenhor era certamente um homem muito aberto, amável e de fácil acesso, era, no entanto, muito discreto sobre o que havia feito, por exemplo, na África. Ele tinha prazer em contar histórias de aventuras na savana, mas não sobre o seu trabalho. Um dia perguntei à sua irmã carmelita, Madre Marie-Christiane[18], se ela sabia alguma coisa sobre o apostolado na África, ela me respondeu: toda vez que eu perguntei a meu irmão notícias sobre o que ele fazia como missionário ou Bispo, ele mudava de assunto.
Tendo sempre sido muito reservado sobre a sua pessoa, eu seria incapaz de dizer se ele teve experiências místicas. Sei com certeza que rezava muito, sobretudo quando tinha dificuldades para resolver, e sei, também, acerca daquele sonho na catedral de Dakar, sobre a restauração do sacerdócio a que alude no início do Itinerário Espiritual[19], livro que consideramos quase que seu testamento. Que tipo de sonho era, no entanto, não o sabemos.

Alguns jornalistas têm argumentado que Mons. Lefebvre, nos últimos dias de vida, estivesse angustiado e, em certo sentido, 'arrependido' de alguns de seus gestos. O senhor sabe disso? Quando foi a última vez que o senhor o viu?

Pelo que eu possa saber, Monsenhor nunca se arrependeu do que fez. Pessoalmente, eu tive a graça de passar uma semana com ele um mês antes de sua morte: três dias na Sardenha e mais três dias na Toscana. Eu o vi, ainda, no hospital em Martigny[20], por uma hora, uma semana antes de seu falecimento e antes da intervenção cirúrgica a que foi submetido. Posso testemunhar que era muito sereno, me falou sobre a Fraternidade, os fiéis, e, por várias vezes, ele até brincou.


Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.





[1] NdTª.: Emmanuel du Chalard de Taveau (1950) é sacerdote da FSSPX, diretor do Courrier de Rome (versão francesa da revista Sì sì, no no), e foi um dos primeiros colaboradores de Mons. Marcel Lefebvre. Desde os primeiros anos na Itália, foi um dos mais importantes artífices da difusão da FSSPX em solo italiano. Desde então, sempre manteve relações informais com a Santa Sé em nome da Fraternidade, adquirindo um particular conhecimento dos diferentes eventos que caracterizaram a relação entre Roma e Ecône.
[2] NdTª.: Dicastério (do grego: δικαστης, juiz) é o nome dado aos departamentos de governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana. Entre os dicastérios estão: a Secretaria de Estado, as Congregações, os Tribunais, os Conselhos, os Ofícios, isto é a Câmara Apostólica, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, a Prefeitura dos assuntos econômicos da Santa Sé (Constituição Apostólica Pastor Bonus, art. 2, §1). Corresponde a Ministério na maioria dos Estados modernos.
[3] NdTª.: Encontro Inter-religioso de Assis. Em Outubro de 1986 e Janeiro de 2002, o Papa João Paulo II se reuniu em Assis (Úmbria - Itália) com líderes das grandes religiões do mundo para uma 'jornada ecuménica de reflexão pela paz'. Em Outubro de 2011, o Papa Bento XVI comemorou o 25º aniversário da 1ª Jornada de Assis, com mais um 'encontro', convidando, desta vez, além dos líderes das grandes religiões mundiais, também um grupo de ateus.
[4] NdTª.: Franz Schmidberger (1946 – Riedlingen, Alemanha) é um sacerdote alemão, da FSSPX. Formado em 1972 na Universidade de Munique, no mesmo ano entrou no Seminário de Ecône, onde foi ordenado sacerdote em 08 de dezembro de 1975. Posteriormente, ele ensinou no Seminário de Weissbad. Em 1978, fundou o Seminário de Zaitzkofen, na Alemanha, e foi nomeado Superior do Distrito de 1979. Em 1982, foi nomeado Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Em 1994, ele foi sucedido por Mons. Bernard Fellay, o atual superior. Atualmente, ele é o Superior do Distrito da Alemanha.
[5] NdTª.: Joseph Alois Ratzinger (Marktl am Inn, Alemanha, 1927), desde o dia 19 de abril de 2005 é o 266º Papa da Igreja Católica, como o nome de Bento XVI. Era, à época, Prefeito (1981-2005) da Congregação para a Doutrina da Fé.
[6] NdTª.: Édouard Gagnon (1918-2007) foi um cardeal canadense, presidente do Pontifício Conselho para a Família (1983-1990). Tornou-se cardeal em 1985, por João Paulo II.
[7] NdTª.: Este acordo, assinado pelo Card. Ratzinger e Mons. Lefebvre no dia 5 de maio de 1988, previa a regularização canónica da FSSPX, com sua transformação em Sociedade de Vida Apostólica e, ainda, a possibilidade de ordenação dum bispo entre os padres da Fraternidade. Contudo, no dia seguinte o acordo foi denunciado por Mons. Lefebvre, que percebeu que Roma não estava minimamente disposta a permitir que ele procedesse às ordenações episcopais na data que pretendia (o próximo dia 30 de Junho), nem, provavelmente, em nenhuma outra data, por causa das artimanhas com que o Vaticano tratava as negociações, pressionado especialmente pelos bispos franceses. Protocolo do acordo.
[8] NdTª.: Elvina Pallavicini (1914-2004), chamada a 'Rainha Negra', foi uma nobre italiana da grande e antiga família Pallavicini. Era considerada a líder da chamada 'Nobreza Negra' (grupo de nobres famílias italianas que continuaram fieis ao Papa quando o novo Reino da Itália tomou Roma e forçou o Papa a se confinar no Estado do Vaticano) de Roma, durante a segunda metade do século 20. A partir de 1977, a princesa liderará um grupo de nobres que dará suporte a Mons. Lefebvre. Manteve sua influência política até a sua morte.
[9] NdTª.: L'Osservatore Romano (O Observador Romano) é o periódico semioficial da Santa Sé. Faz a cobertura de todas as atividades públicas do Papa, publica editoriais escritos por membros importantes do clero da Igreja Católica e imprime documentos oficiais depois de autorizados. Seus lemas são: unicuique suum (a cada um o seu) e no praevalebunt ('os portões do Inferno' não prevalecerão) os quais estão impressos sob o título na primeira página.
[10] NdTª.: Francesco Forgione, Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968), foi um sacerdote católico italiano, da ordem dos capuchinhos, elevado a Santo pela Igreja Católica como São Pio de Pietrelcina. A sua festa litúrgica é celebrada dia 23 de setembro. Entre os sinais milagrosos que lhe são atribuídos encontram-se as estigmas, que duraram cinquenta anos (1918-1968) e o dom da bi-locação. Entre os muitos milagres, está a cura do pequeno Matteo Pio Colella de San Giovanni Rotondo, sobre o qual se assentou todo processo canônico que fizeram do frade São Pio.
[11] NdTª.: San Giovanni Rotondo, cidade da Província de Foggia, na Puglia (Itália). São Pio de Pietrelcina lá exerceu seu apostolado e está sepultado.
[12] NdTª.: Dakar (ou Dacar) é a capital e a maior cidade do Senegal, na península do Cabo Verde. Foi fundada pelos franceses em 1857. Senegal, na latitude do deserto do Saara, um país quase totalmente islâmico, muito difícil de se converter, onde Mons. Lefebvre não conhecia ninguém. De 1947 a 1962, Mons. Lefebvre foi Arcebispo de Dakar. Foi sagrado Bispo pelo cardeal Liénart, foi a Roma visitar o Papa Pio XII e receber suas ordens, e assim se foi a Dakar, na sua nova função. Durante dois meses, visitou todas as dioceses, todas as missões, sacerdotes, religiosas, congregações missionárias, e por fim, resolveu voltar à França para conseguir dinheiro e novos missionários. Voltou à África e construiu seu colégio secundário para homens, pois faltavam colégios para homens. Neste colégio formou novas vocações e novos pais de famílias. As instituições católicas, não apenas a Santa Missa, são necessárias. Era o método de Mons. Lefebvre. Sempre construía escolas, universidades, para estabelecer o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. No ano seguinte, em outubro de 1948, Mons. Lefebvre foi nomeado pelo Papa delegado Apostólico para toda a África Francesa. Teve de nomear quase 40 Bispos. Recolhia dinheiro e o distribuía com muito cuidado, evitando distribuí-lo para os periódicos modernistas. Assim, já na África tinha de combater contra os modernistas, que faziam revoluções em algumas dioceses. (fonte: Arcebispo de Ferro, Arcebispo de Lã).
[13] NdTª.: Neologismo, ainda não acatado pelos dicionários oficiais. 'Chantageável', que pode ser chantageado.
[14] NdTª.: Hyacinthe Thiandoum (1921-2004) foi um cardeal e arcebispo senegalês. Ordenado sacerdote (18/04/49) por Mons. Lefebvre, tornou-se seu sucessor na Diocese de Dakar de 1962 até 2000, quando se aposentou. Paulo VI o elevou ao cardinalato em 1976. Foi presidente da Conferência Episcopal Senegal-Mauritânia, membro-eleito do Conselho do Sínodo Mundial dos Bispos, presidente da Comissão Episcopal Pan-africana para a Comunicação Social. Participou do Concílio Vaticano II. Não podendo ir pessoalmente, por causa da idade e da saúde, enviou seu secretário, o Pe. Hyacinthe Dione, às exéquias de Mons. Lefebvre.
[15] NdTª.: Giuseppe Siri (1906-1898) foi um dos cardeais mais importantes da história da Igreja Católica do XX século. Arcebispo de Gênova por mais de quarenta anos, era considerado um dos prelados mais conservadores. No Concílio Vaticano II, foi membro da Comissão Preparatória Central e da Subcomissão das Emendas. Foi membro do Coetus Internationalis Patrum. (Grupo Internacional dos Padres [Conciliares]). Em 1962, tornou-se presidente da Conferência Episcopal Italiana. Em 1968, fez parte da comissão que revisou o Código de Direito Canônico. Os sedevacantistas lhe ofereceram apoio muitas vezes, mas ele sempre rejeitou, preferindo morrer em um estado de comunhão com o Catolicismo, como ele mesmo afirmou. Apoiou com todas as forças a permanência, na Igreja, dos sacerdotes de Lefebvre, que viam nele um ponto de referência seguro. Exigia o uso da batina e considerava seu abandono um sinal de infidelidade para com o ministério sacerdotal. Por quatro vezes foi tido como 'papável': 1958, 1963 e nos dois conclaves de 1978. Nos ambientes tradicionalistas, frequentemente é retomada a tese pela qual, no conclave de 1958, ele teria sido eleito Papa. Os numerosos fieis presentes em Praça São Pedro afirmavam que a tradicional fumaça da Capela Sistina fosse branca, o que sinalizava a escolha definitiva do novo Papa. Esta tese foi defendida, entre tantos, pelo jornalista norte-americano Paul L. Williams, que declarou ter examinado um dossiê do FBI, de 10/04/61, no qual os serviços secretos norte-americanos haviam sido informados de que o Card. Siri fora eleito Papa no dia 26 de Outubro de 1958. Em uma entrevista em 1988, Siri teria dito que estava arrependido de não ter aceitado a candidatura nos conclaves de que participou, por causa das consequências que advieram, e que pedia perdão a Deus por seu erro. Passou seus últimos dias em uma casa que lhe fora deixada de herança pela Condessa Carmela Campostano. Dizia-se que ele era 'prisioneiro' do Vaticano, não podendo deixar a mansão de Albaro (Gênova).
[16] NdTª.: Silvio Angelo Pio Oddi (1910-2001) foi um cardeal e arcebispo italiano. Arcebispo de Mesembria (Grécia) em 1953. Internúncio Apostólico em Egito em 1957. Núncio Apostólico na Béliga e Luxemburgo em 1962. Cardeal por Papa Paulo VI em 1969. Visitou o tumulo de Mons. Lefebvre, após sua morte, onde, segundo dizem, o teria agradecido.
[17] NdTª.: Pietro Palazzini (1912-2000) foi um cardeal italiano. Em 1985, foi-lhe atribuído o prémio Justos entre as Nações pelo Yad Vashem (Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto) pelo seu trabalho de salvação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Palazzini sempre defendeu que as suas ações decorreram de obras do Papa Pio XII. Entre 1980 e 1988, foi Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Autenticamente humilde, sempre avesso às frivolidades mundanas, rápido nos colóquios para chegar logo ao cerne da questão, Palazzini deve ser lembrado sobretudo pelo seu empenho com a tutela dos bens culturais da Igreja.
[18] NdTª.: Marie-Christiane du Saint-Esprit (1907-1997), irmã de Mons. Marcel Lefebvre. Foi a presença dela que tornou concreta a presença do Carmelo no movimento de Mons. Lefebvre. Em 1977, ela funda na Bélgica, em Quiévrain, o primeiro dos Carmelos que se sucederão na Fraternidade. A ideia dela era a de ter um carmelo ao lado de cada seminário que nascesse na FSSPX. Madre-Christiane morreu em 1997 no Carmelo tradicionalista belga do Sacré Coeur. Atualmente os Carmelos da Sociedade assistidos por padres da Fraternidade S. Pio X são os seguintes: Carmelo São José, em Brillon Wald (Alemanha); Carmelo do Sagrado Coração, em Quiévrain (Bélgica); Carmelo do Imaculado Coração de Maria, em Eynesse (França); Carmelo Maria Rainha dos Anjos, em Chexbres (Suíça); e Carmelo Santíssima Trindade, em Spokane (EUA).
[19] NdTª.: Itinerário espiritual segundo São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, 1989. Livro escrito por Mons. Lefebvre para uso dos sacerdotes e seminaristas da FSSPX. Em espanhol (Volta para Casa).
[20] NdTª.: Martigny (Valais) cidade Suíça, onde Mons. Marcel Lefebvre faleceu, em 1991. Visitaram o féretro, Dom Henri Schwery (Bispo local - Diocese de Sion), o Pe. Hyacinthe Dione (secretário do Card. Thiandoum) e o Arcebispo Edoardo Rovida (Núncio Apostólico suíço). Acredita-se que, por causa disto, a excomunhão tenha sido revogada pelo Núncio. Este fato foi esclarecido por Pe. Simoulin e por Mons. Williamson, que afirmam que não houve, na ocasião, a revoca da excomunhão.  

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