Desta vez meus escritores italianos contemporâneos preferidos (pelo estilo, não pela doutrina, porque ainda mais conservadores do que tradicionalistas, embora não "normalistas") não usaram da típica linguagem salpicada de humor sarcástico, colocaram o dedo na ferida. Não há católico que possa ouvir calado o que Bergoglio diz. Falo aqui do católico verdadeiro, não do "normalista" a que eles se referem no texto, para quem as coisas nunca foram tão normais, um papa nunca foi tão católico e nunca disse tanto a verdade, "embora com outras palavras"...
Mala tempora currunt...
Vamos ao texto. Incorporei as notas ao texto por ser mais prático. Incorporei também os links.
Quanto tenha custado a impressionante exibição de pobreza de que papa Francisco foi protagonista no dia 04 de outubro em Assis não foi divulgado. Claro que, em tempos em que está tão na moda a simplificação, somos tentado a dizer que a histórica jornada foi bem pouco franciscana. Uma partitura bem escrita e bem interpretada, se se quiser, mas privada do quid que fez único o espírito de São Francisco, o santo: a surpresa que desloca o mundo. Francisco, o papa, que abraça os doentes, que se aproxima da multidão, que diz piadas, que fala de improviso, que utiliza um Panda [carro popular da Fiat, na Itália – NdTª.], que larga os cardeais no almoço com as autoridades para ir sentar-se à mesa dos pobres era o que mais seguro havia de se esperar, e pontualmente aconteceu. Claro que com grande concorrência da imprensa católica e para-católica a exaltar a humildade do gesto, sem deixar de suspirar de alívio porque, desta vez, o papa falou sobre o encontro com Cristo. E da [imprensa] laica a dizer que, agora, sim, a Igreja se coloca em sintonia com os tempos. Tudo o que poderia desejar um titulista medíocre que tem pressa de fechar a edição do jornal, e seja-o-que-deus-quiser.
Não houve nem mesmo a surpresa do gesto clamoroso. Mas, até mesmo isso, teria sido coisa muito pequena, tendo em vista o que papa Bergoglio tem dito e feito em apenas meio ano de pontificado, que culminou na troca de piscadelas com Eugenio Scalfari e na entrevista a “Civiltà Cattolica”.
Mala tempora currunt...
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Bergoglio non vá!
| Bergoglio: a pasta surrada e a cruz de ferro |
Não houve nem mesmo a surpresa do gesto clamoroso. Mas, até mesmo isso, teria sido coisa muito pequena, tendo em vista o que papa Bergoglio tem dito e feito em apenas meio ano de pontificado, que culminou na troca de piscadelas com Eugenio Scalfari e na entrevista a “Civiltà Cattolica”.
