Uma nova tradição natalina
EVANGELHO DE SÃO LUCAS
Cap. IV 1 Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, partiu do Jordão, e foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
2 (onde esteve) quarenta dias, e era tentado pelo demônio. E não comeu nada nestes dias; e, passados eles, teve fome.
3 Disse-lhe, então, o demônio: “Se és filho de Deus, dize a esta pedra que se converta em pão”.
4 E Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra de Deus”.
5 E o demônio conduziu-o a um alto monte, e mostrou-lhe, num momento, todos os reinos da terra,
6 e disse-lhe: “Dar-te-ei o poder de tudo isto, e a glória destes (reinos), porque eles foram-me dados, e eu dou-os a quem me parece”.
7 “Portanto, se tu me adorares, todos eles serão teus”.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: “Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a Ele só servirás”.
9 E levou-o a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: “Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo”.
10 “Porque está escrito que Deus mandou aos seus Anjos que tivessem cuidado de ti, e que te guardassem”,
11 “e que te sustivessem em suas mãos, para não magoares o teu pé em nenhuma pedra”.
12 E Jesus, respondendo, disse-lhe: “(Também) foi dito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’.”
13 E, terminada a tentação, retirou-se dele o demônio até outro tempo.
SEGUNDA PARTE
MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA
14 Jesus voltou sob o impulso do Espírito para a Galileia, e a sua fama divulgou-se por todo o país.
15 E ensinava nas sinagogas deles, e era aclamado por todos.
16 Foi a Nazaré, onde se tinha criado, e entrou na sinagoga, segundo o seu costume, em dia de sábado, e levantou-se para fazer a leitura.
17 Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. E, quando desenrolou o livro, encontrou o lugar onde estava escrito:
18 “O Espírito do Senhor (repousou) sobre mim; pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, me enviou a sarar os contritos do coração”,
19 “a anunciar aos cativos a redenção, e aos cegos a recuperação da vista, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar o ano favorável do Senhor, e o dia da retribuição”.
20 E, tendo enrolado o livro, deu-o ao ministro, e sentou-se. Estavam fixos nele os olhos de todos (os que se encontravam) na sinagoga.
21 E começou a dizer-lhes: “Hoje cumpriu-se esta escritura que acabais de ouvir”.
22 E todos lhe davam testemunho, e admiravam-se da graça das palavras que saíam da sua boca, e diziam: “Não é este o filho de José?”.
23 E Ele disse-lhes: “Sem dúvida que vós me aplicareis este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo: todas aquelas grandes coisas que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze-as também aqui na tua pátria’.”
24 Ele, porém, disse-lhes: “Na verdade vos digo que nenhum profeta é (bem) recebido na sua pátria”.
25 “Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando foi fechado o céu durante três anos e seis meses, e houve uma grande fome por toda a terra”;
26 “e a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma mulher viúva de Sarepta, do território de Sidónia”.
27 “E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu; e nenhum deles foi curado (pelo profeta), senão Naaman Sírio”.
28 Todos os que estavam na sinagoga, ouvindo isto, encheram-se de ira.
29 E levantaram-se, e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até ao cume do monte, sobre o qual estava edificada a sua cidade, para o precipitarem.
30 Mas Ele, passando pelo meio deles, retirou-se.
31 Foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ali os ensinava aos sábados.
32 E espantavam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade.
33 E estava na sinagoga um homem possesso de um demônio imundo, o qual exclamou em alta voz,
34 dizendo: “Deixa-nos, que tens tu que ver conosco, ó Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem és, o Santo de Deus”.
35 E Jesus o repreendeu, dizendo: “Cala-te, e sai desse (homem)”. E o demônio, depois de o ter lançado por terra no meio (de todos), saiu dele, sem lhe fazer nenhum mal.
36 E todos se atemorizaram, e falavam uns com os outros, dizendo: “Que é isto, Ele manda com autoridade e poder aos espíritos imundos, e estes saem?”.
37 E a sua fama ia-se espalhando por todos os lugares do país.
38 E, saindo Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão. Ora a sogra de Simão estava com febre muito alta; e pediram-lhe por ela.
39 E, inclinando-se para ela, ordenou à febre; e a febre deixou-a. E ela, levantando-se logo, servia-os.
40 Quando foi sol posto, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias, traziam-lhos. E ele, impondo as mãos sobre cada um deles, sarava-os.
41 E de muitos saíam os demônios, gritando e dizendo: “Tu és o Filho de Deus”; mas Ele, repreendendo-os, não lhes permitia dizer que sabiam que ele era o Cristo.
42 E, depois que se fez dia, tendo saído, foi para um lugar deserto, e as multidões O buscavam e foram até onde Ele estava; e O detinham, para que se não afastasse deles.
43 Mas Ele disse-lhes: “É necessário que Eu anuncie também às outras cidades o reino de Deus, pois para isso é que fui enviado”.
44 E andava pregando nas sinagogas da Galileia.
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EVANGELHO DE SÃO LUCAS
II — Baptismo e tentação de Jesus
Vida pública de Jesus
Cap. III 1 No ano décimo quinto do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes tetrarca da Galileia, e Filipe, seu irmão, tetrarca da Itureia e da província da Traconítida, e Lisânias tetrarca da Abilina;
2 sendo pontífices Anás e Caifás, o Senhor falou a João, filho de Zacarias, no deserto.
3 E ele foi por toda a terra do Jordão, pregando o batismo de penitência para remissão dos pecados,
4 como está escrito no livro das palavras de Isaías profeta: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas”;
5 “todo o vale será terraplanado, e todo o monte e colina será arrasado, e os caminhos tortuosos tornar-se-ão direitos, e os escabrosos planos”;
6 “e todo o homem verá a salvação de Deus”.
7 Dizia, pois, (João) às multidões, que vinham para ser por ele batizadas: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça?”.
8 “Fazei, portanto, frutos dignos de penitência, e não comeceis a dizer: ‘Temos Abraão por pai’. Porque eu vos digo que Deus é poderoso para suscitar destas pedras filhos de Abraão”.
9 “Porque o machado já está posto à raiz das árvores. E toda a árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada no fogo”.
10 E as multidões interrogavam-no, dizendo: “Que devemos pois nós fazer?”.
11 E, respondendo, dizia-lhes: “O que tem duas túnicas, dê uma ao que não tem; e o que tem que comer, faça o mesmo”.
12 E foram também publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: “Mestre, que devemos nós fazer?”.
13 E ele respondeu-lhes: “Não exijais nada além do que vos está fixado”.
14 Interrogavam-no também os soldados, dizendo: “E nós que faremos?” E ele disse-lhes: “Não façais violência a ninguém[1], nem denuncieis falsamente; e contentai-vos com o vosso soldo”.
15 E, estando o povo na expectativa (do Messias), e, pensando todos nos seus corações que talvez João fosse o Cristo,
16 João respondeu, dizendo a todos: “Eu, na verdade, batizo-vos em água, mas virá um mais forte do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia dos seus sapatos; Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (da caridade)”; [2]
17 “tomará na sua mão a pá, e limpará a sua eira, e recolherá o trigo no seu celeiro, e queimará as palhas num fogo inextinguível”. [3]
18 E pregava muitas outras coisas ao povo, instruindo-o.
19 Porém, Herodes tetrarca, sendo repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por causa de todos os males que tinha feito,
20 acrescentou a todos (os outros crimes) também este, de mandar meter João num cárcere.
21 Ora, aconteceu que, recebendo o batismo todo o povo, [foi] batizado também Jesus, e estando em oração, abriu-se o Céu.
22 e desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corpórea como uma pomba; e ouviu-se do Céu esta voz: “Tu és o meu filho dileto; em ti pus as minhas complacências”.
23 E o mesmo Jesus, quando começou (o seu ministério), tinha cerca de trinta anos, filho, como se julgava, de José, o qual foi (filho) de Heli, que o foi [de] Matat,
24 que o foi de Levi, que o foi de Melqui, que o foi de Jane, que o foi de José,
25 que o foi de Matatias, que o foi de Amós, que o foi de Naum, que o foi de Hesli, que o foi de Nage,
26 que o foi de Maat, que o foi de Matatias, que o foi de Semei, que o foi de José, que o foi de Judá,
27 que o foi de Joana, que o foi de Resa, que o foi de Zorobabel, que o foi de Salatiel, que o foi de Neri,
28 que o foi de Melqui, que o foi de Adi, que o foi de Cosam, que o foi de Elmadam, que o foi de Her,
29 que o foi de Jesus, que o foi de Eliezer, que o foi de Jorim, que o foi de Matat, que o foi de Levi,
30 que o foi de Simeão, que o foi de Judá, que o foi de José, que o foi de Jona, que o foi de Eliaquim,
31 que o foi de Meléa, que o foi de Mena, que o foi de Matata, que o foi de Natan, que o foi de David,
32 que o foi de Jessé, que o foi de Obed, que o foi de Booz, que o foi de Salmon, que o foi de Naasson,
33 que o foi de Aminadab, que o foi de Arão, que o foi de Esron, que o foi de Farés, que o foi de Judá,
34 que o foi de Jacob, que o foi de Isaque, que o foi de Abraão, que o foi de Taré, que o foi de Nacor,
35 que o foi de Sarug, que o foi de Ragau, que o foi de Faleg, que o foi de Heber, que o foi de Sale,
36 que o foi de Cainan, que o foi de Arfaxad, que o foi de Sem, que o foi de Noé, que o foi de Lamech,
37 que o foi de Matusalem, que o foi de Henoch, que o foi de Jared, que o foi de Malaleel, que o foi de Cainan,
38 que o foi de Henós, que o foi de Set, que o foi de Adão, que o foi de Deus.
Novo Testamento. Tradução do Padre Matos Soares, 1950, pp. 2154-2156.
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EVANGELHO DE SÃO LUCAS
Cap. II — 1 Naqueles dias, saiu um édito de César Augusto, para que se fizesse o recenseamento de todo o mundo.
2 Este primeiro recenseamento foi feito por Cirino, governador da Síria.
3 Iam todos recensear-se, cada um à sua cidade.
4 E José foi também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, que se chamava Belém, porque era da casa e família de David,
5 para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6 E, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz.
7 E deu à luz o seu Filho primogênito[1], e o enfaixou, e o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
8 Ora, naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho.
9 E eis que apareceu junto deles um Anjo do Senhor, e uma claridade divina os cercou, e tiveram grande temor.
10 Porém o Anjo disse-lhes: “Não temais; porque eis que vos anuncio uma grande alegria, que terá todo o povo”.
11 “Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor”.
12 “E eis o (que vos servirá de) sinal: Encontrareis um menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura”.
13 E subitamente apareceu com o Anjo uma multidão de Milícia Celeste louvando a Deus, e dizendo:
14 “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, (objeto) da boa vontade (de Deus)”.
15 E, depois que os Anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: “Vamos até Belém, e vejamos o que é que lá sucedeu, e o que é que o Senhor nos manifestou”.
16 E foram com grande pressa, e encontraram Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura.
17 E, vendo isto, conheceram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino.
18 E todos os que ouviram se admiraram das coisas que lhes diziam os pastores.
19 Ora, Maria conservava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.
20 E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito.
21 E, depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado o Menino, foi-lhe posto o nome de JESUS, como lhe tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre (materno).
22 E, depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor,
23 segundo o que está escrito na lei do Senhor: “Todo o varão primogênito será consagrado ao Senhor”;
24 “e para oferecerem em sacrifício, conforme o que (também) está escrito na Lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos”.
25 Havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão, e este homem (era) justo e temente (a Deus), e esperava a “consolação de Israel”; é o Espírito Santo estava nele.
26 E tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte sem ver primeiro o Cristo (o Ungido) do Senhor.
27 E foi ao templo (conduzido) pelo Espírito (de Deus). E, levando os pais o Menino Jesus, para cumprirem segundo o costume da lei a seu respeito,
28 ele também o tomou em seus braços, e louvou a Deus, dizendo:
29 “Agora, Senhor, podes deixar partir o teu servo em paz, segundo a tua palavra”;
30 “porque os meus olhos viram a tua Salvação”,
31 “a qual preparaste ante a face de todos os povos”;
32 “luz para iluminar as nações, e glória de Israel, teu povo”.
33 E seu pai e mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
34 E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este (Menino) está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição[2]”.
35 “E uma espada trespassará a tua alma, a fim de se descobrirem[3] os pensamentos escondidos nos corações de muitos”.
36 Havia também uma profetiza, (chamada) Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; estava em idade muito avançada, e tinha vivido sete anos com seu marido, desde a sua virgindade.
37 E (tinha permanecido) viúva até aos oitenta e quatro anos; e não se afastava do templo servindo a Deus, noite e dia, com jejuns e orações.
38 Ela também, sobrevindo nesta mesma ocasião, louvava o Senhor, e falava dele a todos os que esperavam a redenção de Israel.
39 Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
40 O Menino crescia e se fortificava cheio de sabedoria: e a graça de Deus era com ele.
41 Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, no dia solene da Páscoa.
42 E, quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém, segundo o costume daquela festa,
43 acabados os dias (que ela durava), quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem.
44 E, julgando que ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e (depois) procuravam-no entre os parentes e conhecidos.
45 E, não o encontrando, voltaram a Jerusalém em busca dele.
46 E aconteceu que, três dias depois, o encontraram no templo sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
47 E todos os que ouviam estavam maravilhados da sua sabedoria e das suas respostas.
48 Quando o viram, admiraram-se. E sua Mãe disse-lhe: “Filho, porque procedeste assim conosco? Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição”.
49 E Ele disse-lhe: “Para que me buscáveis[4]? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?”.
50 E eles não entenderam[5] o que lhes disse.
51 E desceu com eles, e foi a Nazaré, e era-lhes submisso. E sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração.
52 E Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens.
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EVANGELHO DE SÃO LUCAS
INTRODUÇÃO
Cap. I — 1 Visto que muitos já empreenderam pôr em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram,
2 como no-las referiram os que, desde o princípio, as viram, e foram ministros da palavra;
3 pareceu-me (bom) também a mim, depois de ter investigado diligentemente tudo desde o princípio, escrever-te por ordem (a sua narração), excelentíssimo Teófilo[1],
4 para que conheças a verdade daquelas coisas em que foste instruído.
PRIMEIRA PARTE
I — Nascimento e vida oculta de Jesus
5 Houve no tempo de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias, e sua mulher era da descendência de Arão, e chamava-se Isabel.
6 E ambos eram justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor,
7 e não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos se achavam em idade avançada.
8 Sucedeu pois que, exercendo (Zacarias) diante de Deus as funções de sacerdote na ordem da sua turma,
9 segundo o costume do sacerdócio, tocou-lhe por sorte entrar no templo do Senhor a oferecer o incenso;
10 e toda a multidão do povo estava fazendo oração da parte de fora, à hora do incenso.
11 E apareceu-lhe o anjo do Senhor, posto em pé no lado direito do altar do incenso.
12 Zacarias, ao vê-lo, ficou perturbado, e o temor o assaltou.
13 Mas o anjo disse-lhe: “Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; e tua mulher Isabel te dará à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de João”;
14 “será para ti (motivo) de gozo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento”;
15 “porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinha nem (outra) bebida inebriante; e será cheio de Espírito Santo desde o ventre de sua mãe”;
16 “e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus”;
17 “e irá adiante dele[2] com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos, e os incrédulos à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo perfeito”.
18 E Zacarias disse ao anjo: “Como conhecerei (que) isto (acontecerá)? Porque eu sou velho, e minha mulher está avançada em anos”.
19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus; e fui enviado para te falar e te dar esta boa nova”.
20 “E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia, em que estas coisas sucedam, visto que não acreditaste nas minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo”.
21 Entretanto, o povo estava esperando Zacarias, e admirava-se de ver que ele se demorava (tanto tempo) no templo.
22 E, quando saiu, não lhes podia falar, e compreenderam que tinha tido no templo alguma visão, o que ele lhes dava a entender por acenos; e ficou mudo.
23 E aconteceu que, depois de terem acabado os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa;
24 e, alguns dias depois, Isabel, sua mulher, concebeu, e durante cinco meses esteve escondida, dizendo:
25 “Isto (é uma graça que) me fez o Senhor nos dias em que me olhou para tirar o meu opróbrio de entre os homens”[3].
26 E, (estando Isabel) no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galilei, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um varão, que se chamava José, da casa de David; o nome da Virgem era Maria.
28 E, entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: “Deus te salve, cheia de graça[4]; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres”,
29 E ela, tendo ouvido estas coisas, turbou-se com as suas palavras, e discorria pensativa que saudação seria esta.
30 E o anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus”;
31 “eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de JESUS”.
32 “Este será grande, e será chamado ‘Filho do Altíssimo’, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; e reinará sobre a casa de Jacob eternamente”;
33 “e o seu reino não terá fim”.
34 E Maria disse ao anjo: “Como se fará isso, pois eu não conheço varão[5]?”.
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. E, por isso mesmo., o Santo, que há de nascer de ti, será chamado ‘Filho de Deus’.”
36 “Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril”;
37 “porque a Deus nada é impossível”.
38 Então, disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim a tua palavra”. E o anjo afastou-se dela.
39 E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá.
40 E entrou em casa de Zacarias, e saudou Isabel.
41 E aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo;
42 e exclamou em alta voz, e disse: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre”.
43 “Donde a mim esta dita, que a Mãe do meu Senhor venha ter comigo?”
44 “Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu ventre”.
45 “Bem-aventurada tu, que creste, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas”.
46 Então, Maria disse: “A minha alma glorifica o Senhor”[6];
47 “e o meu espírito exulta (de alegria) em Deus meu Salvador”.
48 “Porque lançou os olhos para a baixeza da sua serva;
Portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada”.
49 “Porque fez em mim grandes coisas aquele que é poderoso, e cujo nome é santo.”
50 “E cuja misericórdia (se estende) de geração em geração sobre aqueles que o temem”.
51 “Manifestou o poder do seu braço; dissipou aqueles que se orgulhavam nos pensamentos do seu coração”.
52 “Depôs do trono os poderosos, e elevou os humildes”.
53 “Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos”.
54 “Tomou cuidado de Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia”;
55 “Conforme tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre”.
56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses; e (depois) voltou para sua casa.
57 Completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e deu à luz um filho.
58 E os seus vizinhos e parentes ouviram (dizer) como o Senhor tinha assinalado com ela a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.
59 E aconteceu que, ao oitavo dia, foram circundar o menino, e chamavam-lhe Zacarias do nome de seu pai.
60 Porém, respondendo sua mãe, disse: “De nenhuma sorte, mas será chamado João”.
61 E disseram-lhe: “Ninguém há na tua geração que tenha este nome”.
62 E perguntavam por acenos ao pai do menino como queria que se chamasse.
63 E ele, pedindo uma tabuinha, escreveu assim: “O seu nome é João”. E todos ficaram admirados.
64 E logo se abriu a sua boca, e a sua língua (se desprendeu), e falava, bendizendo a Deus.
65 E o temor se apoderou de todos os seus vizinhos; e divulgaram-se todas estas maravilhas por todas as montanhas da Judeia;
66 e todos os que as ouviram, as ponderavam no seu coração, dizendo: “Quem julgais que virá a ser este menino? Porque a mão do Senhor era com ele”.
67 E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo, e profetizou, dizendo:
68 “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo”[7];
69 “e suscitou uma força[8] para nos salvar, na casa de seu servo David”.
70 “Conforme anunciou pela boca dos seus santos, de seus profetas, desde os tempos antigos”;
71 “que nos livraria de nossos inimigos, e das mãos de todos os que nos odeiam”;
72 “para exercer a sua misericórdia a favor de nossos pais[9], e lembrar-se do seu santo pacto”,
73 “segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão, de nos conceder”
74 “que, livres das mãos dos nossos inimigos, o sirvamos sem temor”,
75 “(andando) diante dele com santidade e justiça, durante todos os dias da nossa vida”.
76 “E tu, menino, serás chamado o ‘profeta do Altíssimo’; porque irás adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos”;
77 “para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, para (que obtenha) a remissão dos seus pecados”,
78 “pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, graças à qual nos visitou do alto o Sol nascente[10]”,
79 “para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte; para dirigir os nossos pés no caminho da paz”.
80 Ora, o menino crescia e se fortificava no espírito; e habitava nos desertos até ao dia da sua manifestação a Israel.
Novo Testamento. Tradução do Padre Matos Soares, 1950, pp. 2146-2151.
Notas do Padre Matos Soares:
[1] Teófilo. Esta palavra, que significa “amigo de Deus”, é o nome dum cristão ilustre, a quem S. Lucas dedicou o seu Evangelho.
[2] E irá adiante dele, isto é, será o precursor do Messias, tendo por isso o zelo e a força de Elias.
[3] A esterilidade era considerada, entre as mulheres judias, como um opróbrio e um castigo, pois excluía da bênção dada a Abraão (Gén., XXII, 17; XXX, 23).
[4] “Cheia de graça”. Estas palavras mostram que Maria tinha sido elevada a um altíssimo grau de santidade, santidade que, como afirmam os Santos Padres, é superior à de todas as criaturas. E a Igreja, confirmando esta verdade, definiu que Maria, cheia de graça, não foi manchada pelo pecado original [NdB: Dogma da Imaculada Conceição de Maria. Bula “Ineffabilis Deus”, Pio IX, 8 de dezembro de 1854. Link].
[5] “Não conheço varão”. Por estas palavras, vê-se que Maria Santíssima tinha feito voto de virgindade perpétua, o qual estava resolvida a observar, não obstante o matrimônio.
[6] O “Magnificat”, é o canto de alegria mais sublime que saiu dos lábios duma criatura. E em tudo digno da Mãe de Deus.
[7] Zacarias, por meio do cântico “Benedictus”, agradece a Deus a vinda do Messias para remir Israel.
[8] “Suscitou uma força”, um Salvador poderoso, o Messias, na descendência de David.
[9] “A favor de nossos pais”, que participarão dos benefícios da Redenção, sendo as suas almas tiradas do Limbo, e introduzidas na Glória.
[10] “O Sol nascente”, o Messias, luz de Mundo.
Agenda de Missas de Dezembro 2019
Rev. Padre Cardozo
De 1 a 19/12 – México
20 — Sexta — Contagem — 20h
21 — Sábado — Contagem — 20h
22 — Domingo — Contagem — 10:30
22 — Domingo — Congonhas — 19h
23 — Segunda — Congonhas — 10h
23 — Segunda — Barbacena — 19,30
24 — Terça — Barbacena — 8h
25 — Quarta — Contagem — 00h — Missa do Galo
25 — Quarta — Contagem — 11h — Missa da Aurora
25 — Quarta — Ipatinga — 20h — Missa de Natal
26 — Quinta — Ipatinga — 20h
27 — Sexta — Ipatinga — 20h
28 — Sábado — Ipatinga — 10:30 (volta a Contagem)
29 — Domingo — Contagem — 10:30
29 — Domingo — Pouso Alegre — 20h — Primeira Comunhão
30 — Segunda — Muzambinho — 19:30
31 — Terça — Poços de Caldas — 11h
31 — Terça — Pouso Alegre — 19h — Só Comunhão e benção com o Santíssimo
JANEIRO 2020
1º — Quarta — Pouso Alegre — 12h
Barbacena/MG
Sra. Helenice - (32) 9 9159-4913
Congonhas/MG
Rua Florença, 78, Jardim Vila Andreza
Sr. Paulo Henrique (31) 986052859
Contagem/MG - Missão Nossa Senhora das Graças
Rua Pinheiro, 35, Sapucaias III.
Sr. Eugênio (31) 9 8894-7208
Ipatinga/MG — Missão Cristo Rei
Rua Cardeal n. 920, Vila Celeste.
Sr. Marcos, (31) 98552-3814
Muzambinho – MG
Av. Américo Luz, 400, Apto 601 - 6º andar, Centro
Sra. Lucineire - (35) 9809-6362
Poços de Caldas/MG — Missão Santa Gema Galgani
Rua Dr Arthur Mendonça Chaves, n. 180, Bairro Santa Angela
sr. Marcos Antônio ou sra. Renata (35) 9 9168-0939
Pouso Alegre/MG — Missão São José
R. Ciomara Amaral de Paula, 290, Bairro Medicina.
sr. Dirceu (35) 9 9928-4713