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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Sexta-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: SEXTA-FEIRA





Morte de Jesus

“Et inclinato capite, tradit spiritum - E inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo. 19, 30).

Sumário - Contempla como, depois de três horas de agonia, pela veemência das dores, as forças faltam a Jesus; entrega o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira... Alma cristã, diz-me: não merece porventura todo o nosso amor um Deus que, para nos salvar da morte eterna, quis morrer no meio dos mais atrozes tormentos? Todavia, como são poucos os que O amam e muitos os que, em vez de O amarem, Lhe pagam com injúrias e ultrajes.

I. Considera que o Nosso amável Redentor é chegado ao fim da Sua vida. Amortecem-se-Lhe os olhos, o Seu belo rosto empalidece, o Coração palpita debilmente, e todo o Sagrado Corpo é lentamente invadido pela morte. Vinde, Anjos do Céu, vinde assistir à morte do Vosso Deus. E Vós, ó Mãe dolorosa, Maria, chegai-Vos mais próxima à Cruz, levantai os olhos para Vosso Filho, e contemplai-O atentamente, porque está prestes a expirar.

“Pater, in manus tuas commendo spiritum meum - Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito”. É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a Vontade divina. Foi como se dissesse: “Meu Pai, não tenho vontade própria; não quero nem viver nem morrer. Se é Vossa Vontade que Eu continue a padecer sobre a Cruz, eis-Me aqui, estou pronto para obedecer sobre esta Cruz; em Vossas mãos entrego o Meu Espírito; fazei de Mim segundo a Vossa vontade”. - Tomara que nós disséssemos o mesmo quando temos alguma Cruz, deixando-nos guiar pelo Senhor, conforme o Seu agrado. Tomara que o repetíssemos especialmente no momento da morte! Mas para bem o fazermos, então, devemos praticá-lo muitas vezes em nossa vida.

Entretanto, Jesus chama a Morte que, por deferência, não ousava aproximar-se do Autor da vida, e Lhe dá licença para Lhe tirar a vida. E eis que, finalmente, enquanto treme a Terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do Templo, eis que, pela veemência da dor natural, falha a respiração, Jesus abandona o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira: “Et inclinato capite, tradidit spiritum” - Parti, ó bela Alma do Meu Salvador, parti e ide nos abrir o Paraíso, fechado até agora, ide apresentar-Vos à Majestade divina, e alcançai-nos o perdão e a salvação.

As pessoas presentes, voltadas para Jesus Cristo, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplamo-No com atenção silenciosa, vêem-No expirar e, notando que não se move mais, dizem: “Morreu, morreu”. Maria ouve que todos o dizem, e Ela também exclama: “Ah, Filho meu, já morrestes; estais morto”.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Quinta-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: QUINTA-FEIRA





O dia do Amor

“Sciens Iesus quia venit hora eius, ut transeat ex hoc mundo as Patrem, cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos - Sabendo Jesus que era hora de passar deste mundo ao Pai, como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Io. 13, I).

Sumário - Embora Jesus Cristo em todo o curso de sua vida mortal nos tivesse amado ardentemente e nos tivesse dado mil provas do Seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo dos Seus dias, quis dar-nos a prova mais patente, pela instituição do Santíssimo Sacramento. Aí o Senhor Se faz, não só nosso constante companheiro, mas ainda nosso sustento e Se nos dá todo inteiro. Com muita razão, portanto, Santa Maria Magdalena de Pazzi chamava a Quinta-feira Santa o “dia do Amor”.

I. Um pai amoroso nunca patenteia melhor a sua ternura e o seu afeto para com os filhos do que no fim da sua vida, quando os vê em torno ao seu leito, aflitos e com os olhos em pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto de sua vida prestes a extinguir-se, abraça aqueles queridos do seu amor, exorta-os a serem sempre bons, imprime-lhes no rosto os mais ternos beijos, e, misturando as suas lágrimas com as dos filhos, lança-lhes a bênção. Depois, manda trazer o que de mais precioso possui e, dando a cada um uma última lembrança: “Tomai”, diz, “e lembrai-vos sempre do amor que vos tenho dedicado”.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Quarta-Feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: QUARTA-FEIRA



Quarta Dor de Maria Santíssima – Encontro com Jesus, que carrega a Cruz.

“Vidimus eum, et non erat aspectus, et desideravimus eum – Vimo-lo, e não havia nele formosura, e por isso nós o estranhámos” (Is. 53, 2).

Sumário - Consideremos o encontro que no caminho do Calvário teve o Filho com Sua Mãe. Jesus e Maria olham-Se mutuamente, e estes olhares são como outras tantas setas que Lhes trespassam o Coração amante. Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera havia de inspirar-nos compaixão. E não nos moverá à ternura ver Maria que vai após o Seu Cordeiro Imaculado, enquanto O conduzem à Morte por nós? Tenhamos compaixão d’Ela, e procuremos também acompanhar a Seu Filho e a Ela, levando com paciência a Cruz que nos dá o Senhor.

I. Medita São Boaventura que a Bem-aventurada Virgem passou a noite que precedera a Paixão de Seu Filho sem tomar descanso e em dolorosa vigília. Chegada a manhã, os discípulos de Jesus Cristo vieram a esta aflita Mãe: um a referir-Lhe os maus tratamentos feitos e Seu Filho na casa de Caifás, outro os desprezos que recebeu de Herodes, mais outro a flagelação ou a coroação de espinhos. Em suma, cada um dava a Maria uma nova informação, cada qual mais dolorosa, verificando-se n’Ela o que Jeremias tinha predito: “Non est qui consoletur eam ex omnibus caris eius – Não há quem a console entre todos os seus queridos”.

Veio finalmente São João e lhe disse: “Ah, Mãe dolorosa! Teu Filho já foi condenado à morte e já saiu, levando Ele mesmo a Sua Cruz para ir ao Calvário. Vem, se O queres ver e dar-Lhe o último adeus, em alguma rua, por onde tenha de passar”.

Ao ouvir isto Maria parte com João; e pelo Sangue de que estava a terra borrifada conhece que o Filho já por ali tinha passado. A Mãe aflita toma por uma estrada mais breve e coloca-Se na estrada de uma rua para Se encontrar com o aflito Filho, nada se Lhe dando das palavras insultuosas dos Judeus, que A conheciam como mãe do Condenado. – Ó Deus, que causa de dor foi para Ela a vista dos cravos, dos martelos, das cordas e dos outros instrumentos funestos da morte de Seu Filho! Como que uma espada foi ao Seu Coração o ouvir a trombeta que andava publicando a sentença pronunciada contra o Seu Jesus.

Mas eis que já, depois de terem passado os instrumentos e os ministros da justiça, levanta os olhos e vê, ó Deus!, um Homem todo cheio de sangue e de chagas, dos pés até à cabeça, com um feixe de espinhos na cabeça e dois pesados madeiros sobre os ombros. Olha para Ele, e quase não O conhece, dizendo então Isaías: “Vidimus eum, et non erat aspectus – Nós o vimos e não havia nele formosura”. Mas finalmente o amor Lho faz reconhecer; e o Filho, tirando um grumo de sangue dos olhos, como foi revelado a Santa Brígida, encarou a Mãe, e a Mãe encarou o Filho. Ó olhares dolorosos com que, como tantas frechas, foram então trespassadas aquelas almas amantes!

II. Queria a divina Mãe abraçar a Jesus, como diz Santo Anselmo; mas os insolentes servos A repelem com injúrias, e empurram para diante o Senhor aflitíssimo. Maria, porém, segue – muito embora preveja que a vista de seu Jesus moribundo Lhe causaria uma dor tão acerba que A tornaria Rainha dos Mártires. O Filho vai adiante, e a Mãe, tomando também a sua Cruz, no dizer de São Guilherme, vai após Ele, para ser crucificada com Ele.

Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera nos causaria compaixão. E não nos inspirará compaixão o ver Maria que vai após o Seu Cordeiro Imaculado, enquanto O levam a morrer por nós? Tenhamos compaixão por Ela, e procuremos também acompanhar o Filho e a Mãe, levando com paciência a Cruz que nos envia o Senhor. – Pergunta São João Crisóstomo: porque nas outras penas Jesus Cristo quis ser só, mas ao levar a Cruz quis ser ajudado pelo Cireneu? E responde: “Ut intelligas, Christi crucem non sufficere sine tua: Não basta para nos salvar só a Cruz de Jesus Cristo, se nós não levamos com resignação até à morte também a nossa.”

Minha dolorosa Mãe, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o vosso amado Filho levado à morte, impetrai-me a graça de levar também com paciência as Cruzes que Deus me envia. Feliz de mim se souber acompanhar-Vos com a minha Cruz até à morte! Vós e Jesus, sendo inocentes, levastes uma Cruz muito pesada, e eu pecador, que tenho merecido o Inferno, recusarei a minha? Ah, Virgem Imaculada, de Vós espero socorro, para sofrer com paciência as Cruzes.



MEDITAÇÃO DA TARDE



Jesus é crucificado entre dois ladrões.

“Crucifixerunt eum, et cum eoa lios duos, hinc et hinc, médium autem Iesum – Crucificaram-no e com ele outros dois, um de uma parte, e outro da outra, e no meio Jesus” (Io. 19, 18).

Sumário. Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a Cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava-Lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.

I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-Lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à Cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou-o apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-Lhe as vestes, pegadas ao Corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida, deitaram-No sobre a Cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de Si mesmo e pede-Lhe que o aceite, pela nossa salvação.

Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos e, trespassando as mãos e os pés de Nosso Salvador, pregam-No na Cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviam de pregos sem ponta para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. – Ó Mãos sagradas que com Vosso tacto curastes tantos enfermos, porque Vos trespassam agora sobre a Cruz? Ó Pés sacrossantos que Vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque Vos pregam com tanta dor nesse patíbulo?

Quando se toca apenas num nervo do corpo humano, é tão aguda a dor que causa desmaios e convulsões mortais. Quão grande não terá sido, pois, a dor de Jesus, quando Lhe traspassaram com cravos as mãos e os pés, partes cheias de ossos e nervos? – Ó meu dulcíssimo Salvador, quanto Vos custou a minha salvação e o desejo de ser amado por mim, miserável verme! E, ingrato como sou, tantas vezes Vos tenho recusado o meu amor e virado as costas!

II. Eis que levantam a Cruz com o Crucificado, e a deixam cair com força no buraco aberto no rochedo. Enchem-no em seguida com pedras e paus, e Jesus fica suspenso na Cruz entre dois ladrões até deixar a vida, como havia predito Isaías: “Et cum sceleratis reputatus est – Ele foi posto no número dos malfeitores”. Ó Deus, quanto padece na Cruz o Nosso Salvador moribundo! Cada parte de Seu Corpo tem as suas dores; e uma não pode aliviar a outra, porque as mãos e os pés estão pregados fortemente. Ó Céus!, a cada instante Ele sofre dores mortais. Ora faz firmeza nas mãos, ora nos pés, mas em qualquer parte que seja, sempre se Lhe aumenta a dor, porque o sacrossanto Corpo de Jesus Se apoiava nas próprias feridas.

Se, ao menos, no meio de tantas dores, os presentes se compadecessem de Jesus e o acompanhassem com as lágrimas na Sua agonia amargosa! Não; ao contrário, os Escribas e os Fariseus injuriaram-No e prorrompem em escárnios e blasfémias. E os algozes, feita a partilha das vestes de Jesus e tirada a sorte sobre a túnica, sentam-se indiferentes debaixo do patíbulo, esperando a morte do Salvador.

Minh’alma, no meio de Suas convulsões e de tantos opróbrios o Senhor pensava em ti e via que tu também um dia te havias de juntar a seus inimigos para Lhe tornar a morte mais dolorosa. Mas não desanimes por isso; chega-te humilhada e enternecida à Cruz, junta-te a Tua Mãe Maria e beija o altar no qual morre o Teu amantíssimo Redentor. Coloca-te a Seus pés e faz que aquele divino Sangue corra sobre ti. Roga ao Eterno Pai dizendo, mas em sentido diferente daquele com que o disseram os Judeus: “Sanguis eius super nos – O seu sangue caia sobre nós”. Senhor, venha sobre nós este Sangue, e lave-nos dos nossos pecados! Este Sangue não Vos pede vingança, como o sangue de Abel, mas pede para nós misericórdia e perdão. – Ó Mãe de dores, Maria, rogai a vosso Filho por nós. 



 


Amanhã, publicamos a meditação da Quinta-feira Santa. Acompanhe. 


       

terça-feira, 16 de abril de 2019

Terça-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: TERÇA-FEIRA



Jesus é coroado de espinhos e apresentado ao povo

“Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius – E entrançando uma coroa de espinhos lha puseram na cabeça" (Math. 27,29).

Sumário - Depois de terem açoitado a Jesus, os algozes, tratando-o como rei de comédia, atiram-Lhe sobre os ombros um manto de púrpura, colocam-Lhe um caniço na mão, e põem-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos, na qual batem fortemente com o caniço, afim de que penetre mais. O Senhor ficou reduzido a tão triste estado que Pilatos julgou que comoveria de compaixão os próprios inimigos só com apresentá-Lo. Contemplemo-Lo, também, e, pensando que foi tão maltratado por nosso amor, não tenhamos a crueldade de dizer com os Judeus: “Crucifigatur - Seja crucificado". 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Segunda-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: SEGUNDA-FEIRA



Jesus é levado a Pilatos, e a Herodes e posposto a Barrabás

“Et vinctum adducerunt eum, et tradiderunt Pontio Pilato pracsidi — E preso conduziram e entregaram ao governador Poncio Pilatos” (Math 27,2).

Sumário - Imaginemos ver Jesus Cristo que, em meio de uma multidão de gentalha insolente, é conduzido ao Tribunal de Pilatos, depois ao de Herodes e, afinal, novamente ao de Pilatos. Este, para livrá-lo, apresenta-O ao povo, juntamente com um ladrão e assassino; mas o povo responde: “Seja livre Barrabás, e Jesus seja crucificado”. Ó céus! Todas as vezes que pecamos fizemos o mesmo, pospondo nosso Deus a um vil interesse, a um pouco de fumo, a um vil prazer.

I. Ao amanhecer, os príncipes dos sacerdotes novamente declaram Jesus réu de morte, e depois conduzem-no a Pilatos, afim de que este o condene a morrer crucificado. Pilatos, tendo interrogado diversas vezes, tanto os Judeus como Nosso Salvador, reconhece que Jesus é inocente e que todas as acusações são calúnias. Sai, pois, para fora e declara que não acha em Jesus culpa alguma para condená-lo. Vendo, porém, que os Judeus se empenhavam sumamente em fazê-lo morrer, e ouvindo que Jesus era da Galileia, para tirar-se dos apuros “remisit eum ad Herodem” — “Devolveu-O a Herodes”. 

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