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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aridez de espírito e tentações

Traduzi um texto lido no Reader, que penso seja útil não somente à moça que o originou. 

CONSOLAR UMA ALMA




Reproduzo uma carta que escrevi a uma moça que me confidenciou de sofrer certa aridez de espírito e, sobretudo, fortes tentações...

Caríssima irmã em Cristo,

(...) Já entendeu que torço muitíssimo por sua vocação religiosa, e, até que eu saiba que abandonou o mundo, lhe confesso que estarei sempre um pouco preocupado por temer que você possa “mudar de ideia”, como, infelizmente, ocorreu com outras pessoas que se deixaram enganar pelas lisonjas do mundo.

Encorajo-a perseverar no caminho do discernimento vocacional, para que possa entender com maior clareza a vontade de Deus para você. Eu, de minha parte, rogarei ao Senhor para que queira tomá-la toda para Si, fazendo-a se tornar Sua esposa. Frequentemente, os homens do mundo traem suas esposas, mas o bom Jesus nunca trai! Ele é Deus e é incapaz de fazer o mal.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Da aridez espiritual

A aridez espiritual


Diz São Francisco de Sales: "É um erro querer medir a nossa devoção através das consolações que experimentamos. A verdadeira piedade no caminho de Deus consiste em ter uma vontade resoluta de fazer tudo que Lhe agrada".

Deus une a Si as almas que Ele mais ama, através da aridez espiritual. O que nos impede a verdadeira união com Deus é o apego às nossas inclinações desordenadas. Por isso, quando Jesus quer atrair uma alma ao Seu perfeito amor, procura desprendê-la de todos os apegos aos bens criados.

Para afeiçoá-la aos bens espirituais, Deus lhe faz experimentar muitas consolações sensíveis. É tática do demônio, como o faz com principiantes, procurar fazê-lo perder a saúde com penitências indiscretas. Depois, vindo as doenças, poderá deixar não só as penitências, mas também a oração, a comunhão e todos os exercícios piedosos, e voltar à vida antiga".

O papel das consolações e da aridez na vida espiritual

A alma que se dá a Deus experimenta, a princípio, consolações sensíveis. O Senhor procura atraí-la e desprendê-la dos prazeres terrenos, para que ela vá se desapegando das criaturas e unindo-se a Ele. Contudo, pode unir-se a Ele seguindo um caminho errado, levado mais pelo gosto das consolações espirituais do que por uma verdadeira vontade de agradar a Deus. Engana-se, pensando que tanto mais O ama quanto mais gosto encontra nas devoções.

É um defeito universal de nossa fraca humanidade, procurar em tudo a própria satisfação. Não encontrando nestes exercícios o prazer desejado, deixa-os ou ao menos os reduz. Reduzindo-os de dia para dia, finalmente deixa todos. Esta desgraça acontece a muitas almas. Chamadas por Deus ao Seu amor começam a marchar no caminho da perfeição e avançam enquanto duram as consolações espirituais. Mas depois, quando elas acabam, abandonam tudo e voltam à vida antiga. É preciso persuadir-nos de que o amor de Deus e a perfeição não consistem em sentir consolações espirituais, mas em vencer o amor-próprio e fazer a vontade de Deus. Diz São Francisco de Sales: "Deus é digno de nosso amor, tanto quando nos consola como quando nos faz sofrer".

No tempo das consolações, não é grande virtude deixar os gostos sensíveis e suportar ofensas e contrariedades. No meio das alegrias a alma suporta tudo. Essa paciência nasce, muitas vezes, mais das consolações do que da força do verdadeiro amor a Deus.

(Santo Afonso Maria de Ligório)


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