17 de setembro
Festa da impressão das chagas de São Francisco de Assis
E como continuasse neste propósito, um anjolhe apareceu em grande glória, trazendoum cálice na mão esquerda e uma flechana mão direita. Enquanto Francisco se admiravacom esta visão, o anjo atravessou o cáliceuma vez com sua flecha, e imediatamente Franciscoouviu uma melodia tão doce que sua alma se encheu
de encantamento – o que fez que ele ficasseinsensível a toda sensação do corpo. Comoposteriormente contou a seus companheiros,caso o anjo passasse novamente a flecha pelo cálice, tinha dúvidasse a sua alma não teria deixado seu corpo por causa da doçura intolerável
(Segunda Consideração dos Sagrados Estigmas).
Francisco encontrou-se pela primeira vez com o Crucificado na pequena Igreja de São Damião. Num certo dia, conduzido pelo Espírito, entrou nessa Igreja e prostrou-se diante da imagem do Cristo crucificado que, movendo de forma inaudita os seus lábios, disse: “Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída” (2Cel 10,5). E, conta-nos Celano, que Francisco sentiu desde então uma inefável mudança em si mesmo, pois são impressos mais profundamente no seu coração, embora ainda não na carne, os estigmas da venerável paixão.
No entanto, foi ao ouvir o Evangelho acerca da missão dos apóstolos (Mt 10, 7-13), que Francisco compreendeu o real significado da voz do Crucificado, e imediatamente exclamou: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração” (1Cel 8,22). Assim, sob o toque ou o apelo de uma afeição, começou devotadamente a colocar em prática o que ouvira, isto é, distribuiu aos pobres todos os seus bens materiais, bem como renegou-se a si mesmo para que, exterior e interiormente livre, pudesse ir pelo mundo e anunciar aos homens a paz, a penitência e, enfim, o amor não amado de Deus.


