Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Garrigou-Lagrange. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Garrigou-Lagrange. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de setembro de 2015

COMO CONHECER NOSSO DEFEITO DOMINANTE?

Dos escritos do Padre Réginald Garrigou-Lagrange (1877-1964).

COMO CONHECER NOSSO DEFEITO DOMINANTE? 


Padre Réginald Garrigou-Lagrange
Em primeiro lugar, é evidente que importa muito conhecê-lo, e não ter quaisquer ilusões sobre este ponto. E esse conhecimento nos parece ainda mais necessário pelo fato de que o nosso adversário, o inimigo de nossa alma, o conhece muito bem e o usa para pôr a discórdia em nós e ao nosso redor. Na cidadela de nossa vida interior, defendida pelas várias virtudes, o defeito dominante é como o ponto fraco não defendido nem pelas virtudes teologais nem por aquelas morais. O inimigo das almas procura precisamente, em cada um de nós, o ponto fraco, facilmente vulnerável, e o encontra ligeiramente. É, portanto, necessário que também nós o conheçamos.  

Mas como discerni-lo? Nos principiantes é demasiado fácil, quando são sinceros. Mais tarde, porém, o defeito dominante torna-se menos óbvio, pois procura esconder-se camuflando-se como uma virtude; o orgulho toma, exteriormente, a veste da magnanimidade, e a pusilanimidade tenta se cobrir com o manto da humildade. É necessário, todavia, chegar a conhecer o defeito dominante, porque, se nós não o conhecemos, não podemos combatê-lo, e, se não o combatemos, não haverá em nós verdadeira vida espiritual.  

A fim de pode-lo discernir, devemos primeiro pedir a Deus a luz: “Senhor, fazei-me conhecer os obstáculos que coloco, de um modo mais ou menos consciente, à obra da graça em mim. Dai-me, depois, a força de eliminá-los, e se eu for negligente ao fazê-lo, dignai-Vos de eliminá-los Vós mesmo, mesmo que eu deva sofrer por isso”.   

domingo, 12 de agosto de 2012

A superioridade de São José sobre todos os outros Santos

Termino mais uma tradução exaustiva, mas apaixonante. E redescubro um São José jamais imaginado: tão denso, tão grandioso, tão forte e tão sofrido e angustiado e aflito. Realmente, permaneceu oculto por séculos, mais meus modestos quase cinquenta anos! E uma devoção totalmente nova eis que surge em meu pequeno e sedento coração!!! Quem é, de fato, este homem, que possibilitou que o "fiat" não ficasse por isso mesmo, entregue à maldade e à ferocidade humana, e se realizasse completamente na Cruz? Será ele o "menor" de que falava Nosso Senhor Jesus Cristo? Bò! Isso só o saberemos naquele Dia em que tudo será revelado... Até lá procurarei recuperar o tempo perdido, aprofundando e intensificando está devoção inesperada e divulgando-a a quem quiser ouvir! E mais não digo... E que venham as vertigens!
Ah! Sim, digo: Esta tradução é minha, custou noites sem dormir, então não copiem como se fosse obra de vocês. Ela está aqui, gratuitamente, para o bem de todos, não para lucro mesquinho. Não publiquem sem minha autorização expressa e sem a devida referência.  
Giulia d'Amore

 


A superioridade de 
São José
sobre todos os outros Santos

de Fr. Reg. Garrigou-Lagrange O.P.
(em “La Vie Spirituelle”, 1929, t. 19, pp. 662-683)


“Quem dentre vós for o menor, esse será grande”
(Luc. 9,48)

Clique e veja mais imagens
A doutrina pela qual S. José, depois de Maria, foi e ainda é mais unido a Nosso Senhor do que qualquer outro santo está cada vez mais se tornando a doutrina comum da Igreja. Esta não teme proclamar o humilde carpinteiro superior, em graças e beatitude, aos Patriarcas, a Mosés, o maior dos Profetas, a S. João Batista, e também aos Apóstolos, a S. Pedro, a S. João, a S. Paulo, e, enfim, a fortiori, superior em santidade aos maiores Mártires e aos máximos Doutores da Igreja. 

Esta doutrina foi ensinada por Gerson[1] e por S. Bernardino de Sena[2]. Torna-se cada vez mais difundida a partir do século XVI: é sustentada por S. Teresa, S. Francisco de Sales, Suarez[3], depois por S. Alfonso de Ligório[4] e muitos outros[5]. Finalmente, S.S. Leão XIII, na Encíclica Quamquam pluries, escreve: “É certo que a dignidade de Mãe de Deus é tão alta que nada pode haver de mais sublime; mas pelo fato de que entre a Beatíssima Virgem e José foi estreitado um vínculo conjugal, não há dúvida de que a essa altíssima dignidade, por força da qual a Mãe de Deus se eleva muitíssimos acima de todas as criaturas, Ele se aproximou mais do que ninguém. O matrimônio, de fato, é a forma mais elevada de sociedade e de amizade, à qual, por sua natureza, se une a comunhão de bens. Portanto, se Deus deu José em Esposo à Virgem, deu-Lho não só como companheiro de vida, testemunha da virgindade e tutor da honestidade, mas também como partícipe, em virtude do pacto conjugal, da excelsa grandeza dEla[6]. Pelo fato de que a dignidade de Maria “se eleva muitíssimos acima de todas as criaturas”, como é dito nesta encíclica, segue-se que o primado de S. José deve ser entendido não apenas no que diz respeito a todos os outros santos, mas também com relação aos Anjos? Não se o pode afirmar com certeza. Contentemo-nos de expor a doutrina, cada vez mais aceita na Igreja, que afirma que, entre todos os outros Santos, S. José é o mais elevado, no Céu, depois de Jesus e Maria. Ele está entre os Anjos e Arcanjos. Sua missão em relação à Sagrada Família fez dele o Patrono da Igreja universal, seu protetor e defensor. A ele, em certo sentido, é particularmente confiada a multidão dos cristãos de todas as gerações, como o provam a bela Ladainha que resume suas prerrogativas.  

Pretendemos lembrar, aqui, o princípio teológico sobre o qual se funda esta doutrina, cada vez mais aceita desde há cinco séculos, acerca do primado de S. José sobre todos os outros santos.


I. Uma missão divina excepcional requer uma santidade proporcional


quarta-feira, 4 de julho de 2012

A missa e a morte: Garrigou-Lagrange

clique na imagem para ampliar e imprimir
traduzido por judamore

 

A missa e a morte


Podemos aprofundar-nos, de modo abstrato e especulativo, na doutrina cristã e católica do sacrifício da missa; igualmente, podemos fazê-lo de modo concreto e vivido, unindo-se à oblação do Salvador de forma pessoal e, mais particularmente, fazendo por antecipação o sacrifício da própria vida, para obter a graça de uma morte santa. 

* * *

Mais que ninguém, Maria associa-se ao sacrifício de seu Filho, participando de todos os seus sofrimentos, na medida de seu amor por Ele.

Os santos ― em especial, os estigmatizados ― uniram-se extraordinariamente aos sofrimentos e méritos do Salvador, um São Francisco de Assis, uma Catarina de Sena, por exemplo; mas, quão profunda tenha sido tal união, fora contudo pouco em comparação a de Maria. Por um conhecimento experimental dos mais íntimos e pela grandeza de seu amor, Maria ao pé da Cruz penetrou as profundidades do mistério da Redenção, mais que São João, mais que São Pedro, mais que São Paulo. Ela penetrou ali na medida da plenitude de graça que recebera, da sua fé, do seu amor, dos dons de inteligência e sabedoria que possuía em grau proporcionado à sua caridade.

A fim de entrarmos um pouco nesse mistério, aprendendo dele lições práticas que nos permitam preparar-nos para uma boa morte, pensemos no sacrifício que devemos fazer durante nossa vida, em união com Maria, ao pé da Cruz.

Freqüentemente, exortamos os moribundos a fazer o oferecimento de suas vidas, para dar um valor de expiação, de mérito e de impetração aos seus sofrimentos derradeiros. Freqüentemente, os Soberanos Pontífices ― em particular, [São] Pio X ― convidaram os fiéis a oferecer por antecipação os sofrimentos ― quiçá atrozes ― do último instante, para assim bem se disporem a oferecê-los com um coração mais generoso à hora da morte.

Mas para que se faça, desde agora, o sacrifício de nossa vida, é mister fazê-lo em união com o sacrifício do Salvador perpetuado sacramentalmente no altar, durante a Missa, e em união com o sacrifício de Maria, Medianeira e Co-redentora. E para bem observar tudo o que tal oblação deve conter, convém lembrar-se aqui dos quatro fins do sacrifício: a adoração, a reparação, a suplicação e a ação de graças. Consideramo-las sucessivamente, examinando as lições que trazem.


Leitores