HOMILIA DE SÃO JOÃO DAMASCENO SOBRE A NATIVIDADE DE MARIA
A Festa da Natividade de Nossa Senhora desde muito cedo que foi celebrada no Oriente, e muitos textos dos Padres o atestam; este, que traduzimos, foi pronunciado em Jerusalém, na Igreja situada sobre o local da “Piscina Probática”, onde Jesus tinha curado o paralítico, e onde a tradição — atestada por alguns apócrifos — situava a casa de Joaquim e de Ana, o que vem a explicar certas alusões feitas ao longo do texto.
É um grande texto panegírico da glória de Maria, por d’Ela ter nascido o Salvador, com expressões que chegam a parecer ter sido produzidas em estado de êxtase. Usando dados do Antigo Testamento, dos Evangelhos e das Cartas, da tradição oral, de outros teólogos e da própria liturgia bizantina, o nosso Doutor passa em revista a importância, para a salvação e para a Igreja, do nascimento de Maria, louvando “en passant” os seus pais, Joaquim e Ana. Um ponto muito importante: chama e afirma — é dos primeiros a fazê-lo — Imaculada à Maria.
Sem deixar de fazer também todo o desfiar das tipologias de Maria presentes no Antigo Testamento, S. João Damasceno consegue louvar Nossa Senhora como poucos o fizeram, fornecendo a base patrística para muitas das afirmações acerca de Maria e do seu lugar no Mistério da Redenção do homem que mais tarde vieram a efetuar-se. A sua influência na Idade Média foi enorme, e pode mesmo se dizer que a intuição de base do Dogma da Assunção Corporal de Nossa Senhora ao Céu está já presente na obra do Damasceno.
