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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CONCÍLIO TRENTO - Sessão III - A PROFISSÃO DE FÉ

CONCÍLIO ECUMÊNICO DE TRENTO
Sessão III

Celebrada no tempo do Sumo Pontífice Paulo III,  
em 04 de fevereiro do ano do Senhor de 1546 

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A PROFISSÃO DE FÉ



Decreto sobre o Símbolo da Fé

Em nome da Santa e Indivisível Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, considerando este sacrossanto geral e ecumênico Concílio de Trento, consagrado legitimamente no Espirito Santo e presidido pelos mesmos três Legados da Sé Apostólica, a grandeza dos assuntos que tem que tratar, em especial dos conteúdos dos capítulos, primeiro aquele da extirpação das heresias, e outro da reforma dos costumes, por cuja causa principalmente foi congregado, e compreendendo também com o Apóstolo que não se tem que lutar contra a carne e sangue, senão contra os espíritos malignos nas coisas pertencentes à vida eterna, exorta primeiramente com o mesmo Apóstolo a todos e a cada um que se confortem no Senhor, e no poder da Virtude, tomando escudo da Fé, pois com ele poderão rechaçar todos os tiros do inimigo infernal, cobrindo-se com o manto da esperança e da salvação e armando-se com a espada da alma, que é a Palavra de Deus. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Definição de Fé pelo Concílio de Calcedônia

Este magno e universal Sínodo, reunido pela graça de Deus e pela vontade dos muito piedosos e muito cristãos nossos imperadores, os augustos Valenciano e Marciano, na Metrópole da Calcedônia da Bitinia, em Templo da Santa e vitoriosa mártir Eufêmia, define quanto segue:

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, confirmando a seus discípulos no conhecimento da Fé, disse; Dou-lhes minha paz, minha paz lhes deixo, para que nenhum dissentisse de seu próximo dos dogmas da piedade, e se demonstrasse verdadeiro o anúncio da verdade. E por quanto o maligno não cessa de obstaculizar, com seu joio, semeia-a da piedade e de procurar sempre algo novo contra a verdade, Deus, como sempre, provê ao gênero humano e inspirou um grande zelo a este nosso piedoso e fidelíssimo imperador, e chamou a si, desde todas partes, aos chefes do Sacerdócio, para que, com a graça do Senhor de todos nós, Cristo, afastássemos toda peste de engano das ovelhas de Cristo, e os restaurássemos com o alimento da verdade. O que fizemos, proscrevendo com voto comum as falsas doutrinas, e renovando nossa adesão à Fé ortodoxa dos Padres, pregando a todos o Símbolo dos 318 (padres de Nicéia), e reconhecendo como Padres próprios àqueles que acolheram esta síntese da piedade, e aquela dos 150 que se reuniram na grande Constantinopla e confirmaram também eles a mesma Fé (refere-se aqui aos Simbolos ou Credo de Nicéia e de Constantinopla).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quicumque vult

O Símbolo (ou Credo) Atanasiano (Quicumque vult) é um símbolo da fé que foi atribuído pela tradição cristã à Santo Atanásio (295-373), Arcebispo de Alexandria do Egito, contudo a teologia que transparece é a de Santo Ambrógio de Milão. O Símbolo Quicumque contém, em breves frases, a doutrina da fé na SS. Trindade e na Incarnação de Jesus Cristo, sobretudo visando combater o arianismo. Foi transmitido em grego e latim. Remonta ao século V ou VI, e é recitado no ofício da festa da SS. Trindade, desde o século IX, e no exorcismo contra o demônio. Na reforma de Pio X, se conservou o nome, por respeito à antiguidade do nome e em abono do “pai e regra da fé ortodoxa”, como os SS. Padres referiam-se a Santo Atanásio. (Piacenza, Regulaa, p. 134.) Por antonomásia, atanasiano é o mesmo que católico. Na liturgia da Igreja Católica Romana é recitado no ofício dominical de Prima. O Símbolo Atanasiano é uma Profissão de Fé, junto ao Símbolo (ou Credo) dos Apóstolos e ao Símbolo (ou Credo) Niceno-Constantinopolitano.



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CREDO DE SANTO ATANÁSIO


em latim:
Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est, ut teneat catholicam fidem: Quam nisi quisque integram inviolatamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit. Fides autem catholica haec est: ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur. Neque confundentes personas, neque substantiam seperantes. Alia est enim persona Patris alia Filii, alia Spiritus Sancti: Sed Patris, et Fili, et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coeterna maiestas. Qualis Pater, talis Filius, talis [et] Spiritus Sanctus. Increatus Pater, increatus Filius, increatus [et] Spiritus Sanctus. Immensus Pater, immensus Filius, immensus [et] Spiritus Sanctus. Aeternus Pater, aeternus Filius, aeternus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres aeterni, sed unus aeternus. Sicut non tres increati, nec tres immensi, sed unus increatus, et unus immensus. Similiter omnipotens Pater, omnipotens Filius, omnipotens [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres omnipotentes, sed unus omnipotens. Ita Deus Pater, Deus Filius, Deus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres dii, sed unus est Deus. Ita Dominus Pater, Dominus Filius, Dominus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres Domini, sed unus [est] Dominus. Quia, sicut singillatim unamquamque personam Deum ac Dominum confiteri christiana veritate compelimur: Ita tres Deos aut [tres] Dominos dicere catholica religione prohibemur. Pater a nullo est factus: nec creatus, nec genitus. Filius a Patre solo est: non factus, nec creatus, sed genitus. Spiritus Sanctus a Patre et Filio: non factus, nec creatus, nec genitus, sed procedens. Unus ergo Pater, non tres Patres: unus Filius, non tres Filii: unus Spiritus Sanctus, non tres Spiritus Sancti. Et in hac Trinitate nihil prius aut posterius, nihil maius aut minus: Sed totae tres personae coaeternae sibi sunt et coaequales. Ita, ut per omnia, sicut iam supra dictum est, et unitas in Trinitate, et Trinitas in unitate veneranda sit. Qui vult ergo salvus esse, ita de Trinitate sentiat.

Sed necessarium est ad aeternam salutem, ut incarnationem quoque Domini nostri Iesu Christi fideliter credat. Est ergo fides recta ut credamus et confiteamur, quia Dominus noster Iesus Christus, Dei Filius, Deus [pariter] et homo est. Deus [est] ex substantia Patris ante saecula genitus: et homo est ex substantia matris in saeculo natus. Perfectus Deus, perfectus homo: ex anima rationali et humana carne subsistens. Aequalis Patri secundum divinitatem: minor Patre secundum humanitatem. Qui licet Deus sit et homo, non duo tamen, sed unus est Christus. Unus autem non conversione divinitatis in carnem, sed assumptione humanitatis in Deum. Unus omnino, non confusione substantiae, sed unitate personae. Nam sicut anima rationalis et caro unus est homo: ita Deus et homo unus est Christus. Qui passus est pro salute nostra: descendit ad inferos: tertia die resurrexit a mortuis. Ascendit ad [in] caelos, sedet ad dexteram [Dei] Patris [omnipotentis]. Inde venturus [est] judicare vivos et mortuos. Ad cujus adventum omnes homines resurgere habent cum corporibus suis; Et reddituri sunt de factis propriis rationem. Et qui bona egerunt, ibunt in vitam aeternam: qui vero mala, in ignem aeternum. Haec est fides catholica, quam nisi quisque fideliter firmiterque crediderit, salvus esse non poterit.

em português:
Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas, e três Pessoas em um só Deus.
Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo; igual a glória e co-eterna a majestade.
Tal qual é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
E, contudo, não são três eternos, mas um só eterno.
Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
E, contudo, não são três onipotentes, mas um só onipotente.
Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
E, contudo, não são três deuses, mas um só Deus.
Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
E, contudo, não são três senhores, mas um só Senhor.
Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são co-eternas e iguais entre si.
De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade.
Quem, pois, quiser salvar-se deve pensar assim a respeito da Trindade.

Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
Igual ao Pai, segundo a divindade; menor que o Pai, segundo a humanidade.
E, embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
Subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
E, quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna; e os maus, para o fogo eterno.
Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.








segunda-feira, 25 de julho de 2011

Catecismo: o Credo.

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1. O Credo

O que é o nosso Credo?
É um admirável resumo da fé cristã. 

Porque os Apóstolos o compuseram e o ensinaram?
Eles o compuseram e o ensinaram para servir de base a todos os ensinamentos da religião e também para ser um memorial dos ensinamentos da Igreja para os fiéis.

E para o que mais?
Para ser para todos os fiéis um sinal de reconhecimento e uma marca para sempre inviolável  da unidade da fé que nos veio dos Apóstolos.

Que valor devemos dar ao Credo?
O maior valor; pois contém para nós as mais altas verdades do conhecimento às quais está ligada nossa salvação eterna.

O que há, sobretudo, de maravilhoso no Credo?
É o fato do Credo ser a luz tanto para os maiores gênios como para as crianças menorizinhas; é nele que todos vêm se saciar como numa fonte inesgotável de verdade.

2. Como se atinge a inteligência do Credo

Os Apóstolos, instruídos pelo Espírito Santo, acharam que a melhor maneira de ensinar a religião era o método histórico, e vemos que o seguiram na composição do Credo.

O que decorre disso para nós?
Decorre que devemos nos adaptar ao método apostólico, e moldar o nosso espírito para compreender o Credo.

Então, verdadeiramente, é o Credo uma história?
Sim, nada mais fácil de compreender.

E qual a história que está no Credo?
A historia do presente, a do passado, e a do futuro.

Então é bem maravilhosa?
Certamente, daí ser preciso que  entremos nessa história divina.

3. A historia presente no Credo
O que nos ensina o Credo sobre o presente?
Nos ensina grandes coisas sobre Deus, sobre a Igreja e sobre nós mesmos.

O que nos ensina sobre Deus?
Ensina primeiro o que é Deus, que são três pessoas em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

E o que mais?
Que Deus é Todo Poderoso, Criador e conservador do céu e da terra; que seu Filho único, Jesus Cristo Nosso Senhor, está sentado à direita do Pai no céu.

E sobre a Igreja?
Que ela é católica e que é santa.

E sobre nós mesmos?
Que temos por Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus, e que por ele entramos na comunhão dos Santos e encontramos a remissão dos pecados.

4. A historia do passado no Credo
O que nos ensina o Credo sobre o passado?
Tudo aquilo que mais nos interessa saber.

Quais são essas verdades?
A primeira é que Deus é o nosso Criador, já que é o Criador do céu e da terra.

E a segunda?
A segunda, que o Filho de Deus se fez homem por nós e nasceu da Virgem Maria.

E a terceira?
Que ele ressuscitou ao terceiro dia e que subiu ao céu.

5. A historia do futuro no Credo
O que nos ensina o Credo sobre o futuro?
Primeiramente que Nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, recompensando a cada um segundo suas obras.

E o que mais?
Que todos os homens ressuscitarão de carne e osso antes de se apresentar para o julgamento de Nosso Senhor.

Qual será a sentença do soberano Juiz?
Conduzirá à vida eterna os que dela forem dignos e condenará à morte eterna os que a merecerem.

Disso tudo que precedeu, como deduzir a maneira de dizer o Credo?
Devemos seguir o método histórico, quer dizer, ter no espírito:

1o Deus existindo antes de todos os tempos, Pai, Filho e Espírito Santo;
2o Deus criando o céu e a terra;
3o Deus enviando seu Filho único ao mundo para nossa salvação;
4o Repassar em nosso espírito os mistérios da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor;
5o Lembrando-nos da Igreja de quem somos filhos, dos bens que encontramos em seu seio e aqueles que esperamos na vida eterna.

É tudo?
Não, à essa revista histórica é preciso acrescentar o ato interior de fé, aderindo piedosamente a essas verdades divinas,  alegrando-nos de possui-las e preferindo-as a todas as coisas, já que são elas que nos levam a Deus.

Rezemos juntos o Credo:

Creio em Deus Padre, todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, um só seu Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos; subiu aos céus, está sentado à mão direita de Deus Padre todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém.


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