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sábado, 13 de abril de 2013

A Virgem Maria fala ao coração das moças

A Virgem Maria fala ao coração das moças


Tu sabes, minha filha, para que fim te criou Deus? E se o sabes, como tens podido desviar-te dele tão estranhamente? Certamente te não foi dado esse corpo com sua sensibilidade, seus dons de graça e de beleza, para fazeres dele um instrumento de escândalo e de pecado. Da mesma sorte te não foi dada esta alma, com suas nobres faculdades, inteligência, memória e vontade para estudar as vaidades do século, para conceberes imagens impudicas ou frívolas, para procurares o teu bem nas criaturas em lugar de o procurares no Criador.

Ah! que culpável abuso tens feito até ao presente dos benefícios do céu! Tu bem sabes, minha querida filha, para que fim Deus te criou. É para o conheceres, amares, e servires nesta vida, e por esse meio adquerires a glória eterna que te preparou na eternidade. Poderias acaso desejar fim mais nobre e sublime? Poderia Ele, não obstante a sua omnipotência, dar-t'o melhor? Não o tem os principes mais graduados e gloriosos da corte celeste; não o tenho eu mesma. Mas de que modo tens tu correspondido à bondade de Deus? Ah! se queres que eu seja para ti uma verdadeira Mãe, mostra-te para mim uma verdadeira filha: não degeneres dos meus exemplos. Desde o primeiro instante que a minha inteligência se abriu à razão, dediquei-me logo a Deus com a veemência de um coração ardente, e a chama feliz, que neste momento m'o abrasa, não mais se extinguiu.

Desde então, o meu pensamento foi fazer a vontade de Deus e tornar-me cada vez mais digna d'Ele. Mas tu, que tens feito? Ah! o teu primeiro desejo foi agradar o mundo, a tua aplicação foi seguir-lhe as máximas e costumes. Não tens conhecido Deus senão para o ofender. Gastaste a infância, que é a mais bela idade, - a idade da inocência - em puerilidades, em preocupações que fazem corar, em desobediências a teus superiores, em desprezo por teus inferiores e iguais. Tens-te deleitado desde então com as modas e vaidades. Tens as seguido sem compreender bem o mal que te acarretam. Fizeste delas um ídolo para conseguires ser tu própria um ídolo dos outros corações. Não sentes confusão alguma à vista de uma vida tão indigna de uma virgem cristã? Não te aflige teres-te desviado tão tristemente do fim para que foste criada?

Que engano é o teu, ó querida filha, se crês achar no mundo a felicidade que sonhas, mesmo quando tudo corresse conforme os teus desejos, as riquezas e grandezas do mundo não podem fazer-te feliz. O teu coração, apto a gozar um bem imutável e infinito, coração criado para um igual bem, nunca poderá estar satisfeito gozando apenas felicidades limitadas e passageiras.

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