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terça-feira, 1 de outubro de 2013

SERÁ O HUMANISMO UMA RELIGIÃO?

Do livro “A Coisa”, publicado em 1929, de Gilbert Keith Chesterton


Nota: Este é aparentemente um texto de crítica literária, mas nas mãos de Chesterton ele se transforma num texto da mais refinada apologética católica. O autor identifica, agrupa e disseca um grupo poderoso e moderno de inimigos da Igreja. Ele mostra como este grupo, constituído dos intelectuais mais influentes, são hereges como o foram os protestantes do século XVI e os revolucionários do século XVIII. Mostra que a forma com que agem os hereges modernos é a mesma de seus “protótipos”, como Chesterton denomina os seus antepassados e, para terminar, ele nos brinda com a sua versão do dogma católico “Extra Ecclesiam nulla salus”.


Acabo de ler o livro “A Crítica Americana”, do Sr. Norman Foerster; espero que não seja desrespeito ao livro como um todo, que é uma série de detalhados estudos sobre pensadores americanos, se digo que sua parte principal se encontra no último capítulo; que propõe certo problema ou desafio ao pensamento moderno. O problema é se o que ele chama de humanismo pode satisfazer a humanidade. De seus outros tópicos seria fácil falar para sempre. Ele geralmente diz a coisa certa; ele às vezes diz a última palavra, naquele estilo sugestivo e provocativo que induz alguém a dizer uma palavra a mais. Em minha própria opinião sobre os autores por ele analisados, Whitman seria muito maior e Lowell muito menor. Sobre Emerson, ele parece sensível e justo; e Emerson certamente tinha distinção; mas justamente aquele tipo de árida distinção em relação a qual sempre temi ser injusto. Um puritano tentou ser pagão; e conseguiu ser um pagão que hesitava sobre se devia ir ver uma garota dançando. Todas estas questões são estimulantes, mas secundárias em relação à questão que tomarei a liberdade de abordar separadamente, e de tentar responder seriamente. Temo que respondê-la seriamente deva significar respondê-la pessoalmente. A questão é realmente se o humanismo pode desempenhar todas as funções da religião; e não posso evitar considerá-la em relação à minha própria religião. É justo dizer que o humanismo é muito diferente do humanitarismo. Seu significado, como explicado aqui, é o seguinte. A ciência e a organização modernas são, em certo sentido, excessivamente naturais. Elas nos arrebanham como animais selvagens, segundo a característica de hereditariedade e o destino tribal; elas prendem o homem à terra como uma planta, em vez de libertá-lo como um pássaro, para não dizer como um anjo. De fato, sua mais recente psicologia é mais inferior que o nível da vida. O que é subconsciente é sub-humano e, supostamente, subterrâneo: ou algo menos que terrestre. Esta luta pela cultura é, acima de tudo, uma luta pela consciência: o que alguns chamariam auto-consciência; mas, de qualquer forma, contra a mera subconsciência. Precisamos de uma reunião de coisas realmente HUMANAS; vontade que seja moral, memória que seja tradição, cultura que seja a frugalidade de nossos pais. Todavia, minha primeira obrigação é responder à questão a mim colocada; e eu a devo responder negativamente.

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