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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Onde está o Homem?

ESTO VIR!

dom CURZIO NITOGLIA
12 de agosto de 2011



"A omissão dos bons aumenta a audácia dos maus" (Leão XIII).

"Para restarmos livres dentro, chegando a certo ponto da vida, devemos tomar sem hesitação o caminho da prisão. [...] Não morro nem se me matam". (G. Guareschi)

Procuro o homem


● A modernidade e a pós-modernidade destruíram primeiro a Religião (o Humanismo e o Renascimento com o cabalismo[1]; e o neo-paganismo/Protestantismo com o subjetivismo espiritual); depois a reta Razão (o Cartesianismo e o Idealismo com o relativismo e subjetivismo filosófico); daí a Sociedade Civil (a Revolução Inglesa, americana e francesa com o Democratismo, segundo o qual a Autoridade vem de baixo); depois a família e a propriedade privada, sobre a qual se rege a família (o Comunismo materialista e coletivista); finalmente, o próprio indivíduo (Niilismo pós-moderno com o ódio destruidor contra Deus e o ser "criado à Sua imagem e semelhança", isto é, o homem dotado de um intelecto e de vontade, e elevado gratuitamente à ordem sobrenatural, que o torna "Divinae naturae consors", II Petri[2]). Pio XII, em 1953, disse que a Revolta contra Deus teve um crescendo rossiniano[3]: começou primeiro com "Cristo sim, Igreja não; depois Deus sim, Cristo não; enfim, Deus está morto".

● O Niilismo filosófico enfureceu contra o que torna homem o homem: a razão, o livre-arbítrio, a verdade e a moralidade objetiva; desencadeando as paixões e os instintos desordenados que todo homem, depois do pecado original,  tem em si mesmo, mas que pode educar e orientar para o bem, com o esforço ascético e a vida espiritual ajudados pela Graça divina. A subversão niilista serviu-se da psicanálise, das drogas, da moda, da música, da mídia (televisão e cinema) e da imprensa, especialmente a frívola, sensacionalista e 'rosa'[4].

domingo, 26 de agosto de 2012

A Santa Missa e o dilúvio do Modernismo

"Que a Missa fosse em latim, então, e o povo não falasse latim, isso era parte do mistério da Missa, porque a Missa não falava ao nosso vizinho, mas falava a Deus"

A Santa Missa e o dilúvio do Modernismo

Il ritorno di Don Camillo (1953)
Fernandel interpreta Dom Camillo

"Veja [padre], é a coisa mais normal que há, não fizemos nada para que tudo isso começasse, continuamos a celebrar a Missa em Cahirciveen [Irlanda. NdTª.] da maneira que sempre fizemos, na forma como fomos educados a fazer. A Missa! A missa em latim, o sacerdote com as costas viradas para os fiéis, para que seja [através] dele que os fieis olhem o altar onde está Deus. Oferecer a Deus o sacrifício cotidiano da Missa. O pão e o vinho que se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, da maneira que Jesus disse a seus discípulos para fazerem na Última Ceia. "Este é o meu corpo e este é o meu sangue: fazei isto em memória de mim". Deus enviou Seu Filho para nos redimir. Seu Filho veio ao mundo e foi crucificado por causa de nossos pecados, e a Missa é a comemoração [Do latim COMMEMORÀRE (CUM+MEMORÀRE = lembrar juntos), chamar à memória, fazer menção, lembrar de modo bastante solene pessoas e fatos notáveis. Não comemoração no sentido de festa, banquete, alegria. NdTª.] da Crucificação, o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo por causa dos nossos pecados. A Missa significa o sacerdote e os fiéis que rezam a Deus, que assistem ao milagre pelo qual Jesus Cristo vem novamente entre nós; o Corpo e o Sangue sob forma de pão e de vinho lá, no altar. E a Missa é dita em latim, pois o latim é a língua da Igreja, a Igreja é Una e Universal, de modo que o católico poderia ir a qualquer igreja do mundo, aqui como em Tombuctu, na China, e ouviria a mesma Missa, a única Missa que havia no passado, a Missa em latim. Que a Missa fosse em latim, então, e o povo não falasse latim, isso era parte do mistério da Missa, porque a Missa não falava ao nosso vizinho, mas falava a Deus. A Deus Todo-Poderoso! Fizemos assim por quase dois mil anos, e em todo esse tempo a igreja foi um lugar onde as pessoas permaneciam tranquilas, respeitosas, era um lugar silencioso, porque Deus estava lá, Deus estava no altar, no Tabernáculo, sob a forma de hóstia e de cálice de vinho. Era a casa do Senhor, onde todos os dias se realizava o milagre cotidiano. Deus vinha entre nós. Um mistério. Ao contrário, esta nova missa não é mistério, mas uma piada, uma chatice, não fala com Deus, fala com o nosso vizinho: é por isso que é em Inglês, Alemão, Chinês e em qualquer outra língua que as pessoas falem na igreja. Dizem que é um símbolo, mas um símbolo de quê? É um espetáculo, eis o que é. As pessoas já o entenderam. E como! É por isso que sobem o monte Coom [perto de Cahirciveen], é por isso que eles vêm com aviões e navios, com carros lotados, as tendas armadas nos campos, que Deus os ajude, e é por isso que permanecem, mesmo que o céu venha abaixo, e quando o sino do Santo ressoa no momento da Elevação, quando o sacerdote se ajoelha e ergue a Hóstia - Sim, aquele bendito Salvador -, mantém no alto a Hóstia, Deus Todo-Poderoso, a comunidade se ajoelha às costas do sacerdote, se ajoelha para adorar o seu Senhor, sim, padre, se o senhor visse esta gente, com as cabeças descobertas, a chuva batendo no rosto, quando vêem a Hóstia erguida, aquele pedaço de pão não fermentado que, graças ao mistério e ao milagre da Missa, é agora o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, o nosso Salvador, bem, então, o senhor sentiria vergonha, padre, vergonha por querer varrer tudo isso e colocar em seu lugar o que o senhor coloca agora - canções, guitarras, abraços com o vizinho, representações teatrais e absurdos, tudo para atrair as pessoas para a igreja da mesma maneira que antigamente eram atraídas no salão paroquial para um jogo de bingo!"

Extraído de "Católicos", de Brian Moore (Ed. Lindau, 2012) (Capítulo 1 em Italiano, ou vide abaixo).



Citações: Luca Fumagalli
 
Fonte: RadioSpada 
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DA INTOLERÂNCIA CATÓLICA

Revisei e acrescentei as notas

A INTOLERÂNCIA CATÓLICA

Sermão pregado na Catedral de Chartres em 1841, pelo Cardeal Pie[1]



Meus irmãos (...),

Nosso século clama: "tolerância, tolerância". Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais que a franqueza, e eu aqui estou para vos dizer, sem disfarce, que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a Verdade, e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas antes de entrar no mérito, distingamos as coisas, convenhamos sobre o sentido das palavras para bem nos entendermos. Assim não nos confundiremos.

A tolerância pode ser civil ou teológica. A primeira não nos diz respeito, e não falarei que uma pequena palavra sobre ela: se a lei tolerante quer dizer que a sociedade permite todas as religiões ou porque, a seus olhos, elas são todas igualmente boas ou porque as autoridades se consideram incompetentes para tomar partido neste assunto, tal lei é ímpia e ateia. Ela exprime não a tolerância civil como a seguir indicaremos, mas a tolerância dogmática que, por uma neutralidade criminosa, justifica nos indivíduos a mais absoluta indiferença religiosa. Ao contrário, se a lei, reconhecendo que uma só religião é boa, suporta e permite que as demais possam se exercer por amor à tranquilidade pública, esta lei poderá ser sábia e necessária, se assim o pedirem as circunstâncias como outros observaram antes de mim (...).

Deixo, porém, este campo cheio de dificuldades e volto-me para a questão propriamente religiosa e teológica, em que exponho estes dois princípios: primeiro, a religião que vem do Céu é Verdade, e ela é intolerante com relação às doutrinas errôneas; segundo, a religião que vem do Céu é Caridade, e ela é cheia de tolerância quanto às pessoas.

Roguemos a Nossa Senhora para vir em nossa ajuda e invocar para nós o Espírito de Verdade e de Caridade: Spiritum veritatis et pacis. Ave Maria.

Faz parte da essência de toda verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, pode-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Compreendo e peço a liberdade de opinião nas coisas duvidosas: in dubiis, libertas. Mas logo que a Verdade se apresenta com as características certas que a distinguem - por isso mesmo que é verdade - ela é positiva, ela é necessária e por consequência ela é una e intolerante: in necessariis, unitas. Condenar a Verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se ela duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se ela admite com indiferença que se ponha a seu lado a sua própria negação. Para a Verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade. Quando se possui alguma coisa, é preciso defendê-la, sob pena de ser despojado dela bem cedo.

Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas, a intolerância está em toda parte porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. Que há de mais intolerante do que esta proposição: 2 e 2 fazem 4? Se vierdes me dizer que 2 e 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 e 2 fazem 4...

Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: "unus Dominus, una fides, unum baptisma". Há, no Céu, um só Senhor: unus Dominus. Esse Deus, cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: una fides. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja, cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: unum baptisma. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de Deus, produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à unidade hierárquica do sacerdócio: um Deus, uma fé, uma Igreja: unus Dominus, una fides, unum baptisma.

Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de Jesus Cristo, e o filósofo de Genebra[2] disse, falando do Salvador dos homens: "Não vejo que meu divino Mestre tenha formulado sutilezas sobre o dogma". Bem verdadeiro, meus irmãos: Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma, mas trouxe aos homens a Verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo; se alguém se recusa a comer a minha carne e a beber o meu sangre, não terá parte em meu Reino. Confesso que nisso não há sutilezas, há intolerância, há exclusão: a mais positiva, a mais franca. E mais, Jesus Cristo enviou seus Apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes, para estabelecer em toda a terra a única religião Cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do Dogma Católico. E, prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina vai incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz, mas a espada, e a acender a guerra não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família, e separar, pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão: Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma (...).

Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos Apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros, eram todos demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: Satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses, e o estudo de sua mitologia se ordena na mesma proporção que o da sua geografia. O triunfador que subia ao Capitólio[3] fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. Na maioria das vezes, em virtude de um Senatus-Consulto[4], os ídolos dos bárbaros se confundiam, a partir de então, com o domínio da Pátria, e o Olímpio nacional crescia como o Império.

Quando apareceu pela primeira vez, o Cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de algum valor com relação ao assunto presente) não foi logo repelido subitamente. O paganismo se perguntou se, ao invés de combater a nova religião, não lhe devia dar acesso ao seu solo. A Judéia tinha se tornado uma Província romana. Acostumada a receber e conciliar todas as religiões, Roma recebeu, a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judéia. Um imperador colocou Jesus Cristo, assim como Abraão, entre as divindades de seu oratório, assim como se viu mais tarde um outro César propor prestar-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do Profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, geralmente sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros serem colocados ao lado deles, com a chegada do Deus dos Cristãos, lançam um grito de terror e, sacudindo sua tranquila poeira, agitam-se sobre seus altares ameaçados: ecce Dominus ascendit, et commovebuntur simulacra a facie ejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo quando se percebeu que esse Deus novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando se viu que os Cristãos, dos quais se havia admitido o culto, não queriam admitir o culto da nação, ou seja, quando se constatou o espírito intolerante da Fé Cristã, é aí então que começou a perseguição.

Ouvi como os historiadores do tempo justificam as torturas dos Cristãos. Eles não falam mal de sua religião, de seu Deus, de seu Cristo, de suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles os censuram somente por não poderem suportar outra religião que não seja a deles. "Eu não tinha dúvidas, diz Plínio o jovem, apesar de seu dogma, que não era preciso punir sua teimosia e sua obstinação inflexível": pervicaciam et inflexibilem obstinationem. "Não são criminosos, diz Tácito, mas são intolerantes, misantropos, inimigos do gênero humano. Há neles uma fé teimosa em seus princípios, e uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos": apud ipsos fides obstinata, sed adversus omnes alios hostile odium. Os pagãos diziam geralmente dos Cristãos o que Celso dissera dos Judeus, com os quais foram muito tempo confundidos, porque a doutrina Cristã tinha nascido na Judéia. "Que esses homens adiram inviolavelmente às suas leis, dizia este sofista, nisto não os censuro; eu só censuro aqueles que abandonam a religião de seus pais para abraçar uma diferente! Mas se os Judeus ou os Cristãos querem só dar ares de uma sabedoria mais sublime que aquela do resto do mundo, eu diria que não se deve crer que eles sejam mais agradáveis a Deus que os outros".

Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os Cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo, e, como se dizia, o humor insociável de sua teologia. Se só se tratasse de um Deus a mais, não teria havido reclamações; mas era um Deus incompatível, que expulsava todos os outros: eis por que a perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi uma obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é outra que a história dessa intolerância. O que são os mártires? Intolerantes em matéria de Fé, que preferem os suplícios a professarem o erro. O que são os símbolos? São fórmulas de intolerância que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. O que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade de Fé.
Porque os Concílios? Para frear os desvios de pensamentos, condenar as falsas interpretações do dogma; anatematizar as proposições contrárias à Fé.

Nós somos então intolerantes, exclusivos em matéria de doutrina; nós disto fazemos profissão; nós nos orgulhamos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a Verdade, pois que a Verdade é Una, e consequentemente intolerante. Filha do Céu, a religião Cristã, descendo sobre a terra, apresentou os títulos de sua origem; ela ofereceu ao exame da razão fatos incontestáveis e que provam irrefutavelmente sua divindade. Ora, se Ela vem de Deus, se Jesus Cristo, seu autor, pode dizer: Eu sou a Verdade: Ego sum Veritas, é necessário, por uma consequência inevitável, que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta Verdade tal qual a recebeu do Céu; é necessário que ela repila, que ela exclua tudo o que é contrário a esta Verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar à Igreja Católica sua intolerância dogmática, sua afirmação absoluta em matéria de doutrina, é dirigir-lhe uma recriminação muito honrável. É recriminar à sentinela ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar à esposa ser muito delicada e exclusiva.

Nós ficamos muitas vezes confusos acerca do que ouvimos dizer sobre todas estas questões, até por pessoas de senso. A lógica lhes falta, desde que se trate de religião. É a paixão, é o preconceito que os cega? É um e outro. No fundo, as paixões sabem bem o que elas querem quando procuram abalar os fundamentos da fé, pondo a religião entre as coisas sem consistência. Elas não ignoram que, demolindo o Dogma, elas preparam para si uma moral fácil. Diz-se, com uma justeza perfeita: é antes o decálogo que o símbolo que as faz incrédulas. Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que elas se equivalem todas; se todas são verdadeiras, é porque todas são falsas; se todos os deuses se toleram, é porque não há Deus. E se se pode aí chegar, não sobra mais nenhuma moral incômoda. Quantas consciências estariam tranquilas, no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas suas rivais![5]

Jean-Jacques[6] foi, entre nós, o apologista e o propagador desse sistema de tolerância religiosa. A invenção, contudo, não lhe pertence, se bem que ele tenha ido mais longe que o paganismo, o qual nunca chegou a levar a indiferença a tal ponto. Eis, com um curto comentário, o ponto principal do Catecismo Genebrino[7], tornado infelizmente popular: todas as religiões são boas. Isto é, de outra forma, todas as religiões são ruins (...).

A filosofia do século XIX se espalha por mil canais sobre toda a superfície da França. Esta filosofia é chamada eclética, sincrética e, com uma pequena modificação, é também chamada progressiva. Esse belo sistema consiste em dizer que não existe nada falso; que todas as opiniões e todas as religiões podem se conciliadas; que o erro não é possível ao homem, a menos que ele se despoje da humanidade; que todo o erro dos homens consiste em crer possuírem exclusivamente toda a Verdade, quando cada um deles só tem um elo, e que, da reunião de todos esses elos, deve-se formar a corrente inteira da Verdade. Assim, segundo essa inacreditável teoria, não há religiões falsas, mas elas são todas incompletas umas sem as outras. A Verdadeira seria a religião do ecletismo sincrético e progressivo, a qual ajuntaria todas as outras, passadas, presentes e futuras: todas as outras, isto é, a religião natural que reconhece um Deus; o ateísmo que não conhece nenhum; o panteísmo que O reconhece em tudo e por tudo; o espiritualismo que crê na alma, e o materialismo que só crê na carne, no sangue e nos humores; as sociedades evangélicas que admitem uma Revelação, e o deísmo racionalista que a rejeita; o Cristianismo que crê no Messias que veio e o Judaísmo que o espera ainda; o Catolicismo que obedece ao Papa, o protestantismo que olha o Papa como o Anticristo. Tudo isto é conciliável. São diferentes aspectos da Verdade. Da união desses cultos resultará um culto mais largo, mais vasto: o grande culto verdadeiramente Católico, isto é, Universal, pois que abrigará todas as outras no seu seio.

Esta doutrina que qualificais de absurda, não é de minha invenção; ela enche milhares de volumes e de publicações recentes; e, sem que seu fundo jamais varie, ela toma, todos os dias, novas formas sob a caneta e sobre os lábios dos homens entre cujas mãos repousam os destinos da França. — A que ponto de loucura nós então chegamos? — Nós chegamos ao ponto onde deve logicamente chegar todo aquele que não admite o princípio incontestável que estabelecemos, a saber: que a Verdade é Una, e por consequência intolerante, exclusiva de toda doutrina que não é a sua. E, para juntar em poucas palavras toda a substância deste meu discurso, eu lhes direi: procurais a Verdade sobre a terra? Procurai a Igreja intolerante! Todos os erros podem fazer entre si concessões mútuas; eles são parentes próximos, vez que têm um pai comum: vos ex patre diabolo estis. A Verdade, Filha do Céu, é a única que não capitula.

Vós, pois, que quereis julgar esta grande causa, tomai para isto a sabedoria de Salomão. Entre essas diferentes sociedades para as quais a Verdade é um objeto de litígio, como era aquela criança entre as duas mães, quereis saber a quem adjudicá-la. Pedi que vos deem uma espada, fingi cortar e examinai as caras que farão os pretendentes. Haverá vários que se resignarão, que se contentarão da parte que vão ter. Dizei logo: essas não são as mães! Há uma cara, ao contrário, que se recusará a qualquer composição, que dirá: a Verdade me pertence e eu devo conservá-la inteira, eu jamais tolerarei que ela seja diminuída, partida. Dizei: esta aqui é a verdadeira mãe!

Sim, Santa Igreja Católica, vós tendes a verdade, porque vós tendes a unidade, e porque vós sois intolerante, não deixais decompor esta unidade.



[1] Louis-Edouard-François-Desiré Pie (1815-1880) foi um cardeal e bispo que nasceu em Pontgouin, na França. Foi ordenado padre em 1939 e em 1849 foi consagrado bispo por Mons.  Claude-Hippolyte Clausel de Montals. O Papa Leão XIII o elevou ao Cardinalato em 12 de maio de 1879. Morreu aos 18 de maio de 1880 com 64 anos de idade. Foi um dos principais lideres do ultramontanismo, tendo contribuído para o Concílio Vaticano I, em particular com a infalibilidade papal. Giuseppe Sarto se inspirará em sua obra (sermões, cartas pastorais, homilias, alocuções etc.), que encheu oito volumes (Oudin, Poitiers). Proferiu uma sentença que se tornou famosa, apesar de às vezes ser atribuída questionavelmente a André Malraux: “La France sera chrétienne ou elle ne sera pas” (A França será cristã ou não será). Fontes: Catholic Hierarchy, Wikipédia francesa.
[2] Refere-se a Jean-Jacques Rousseau, filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço, considerado um dos principais filósofos do Iluminismo e um precursor do Romantismo.
[3] O Capitólio (em italiano: Campidoglio), ou Monte Capitolino, é uma das famosas sete colinas de Roma. Do alto desta colina os generais triunfantes podiam contemplar a cidade pela qual lutavam. É atualmente a sede do governo municipal. O termo inglês capitol (palácio que hospeda a administração do governo) e o termo capital (cidade capital de um País) derivam do Monte Capitolino.
[4] Decreto com força de lei do antigo senado romano.
[5] Como uma profecia, fala, aqui, do Concílio Vaticano II.
[6] Refere-se mais uma vez a Rousseau.
[7] Referiria-se ao Catecismo Genebrino promulgado em 1870, no mini concílio secreto dos maçons, ou ao de Calvino, de 1542? Alguém saberia a resposta? Grata.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Documentos de todos os católicos

Textos originais de mais de 23000 documentos dos Sumos Pontífices, dos Concílios, dos Santos Padres, dos Doutores da Igreja, que floresceram desde o início dos tempos até Papa Bento XVI, nas principais línguas europeias.

Eu me proponho a traduzi-los para o Português, aos poucos, sobretudo os principais documentos da Fé Católica.




Omnium Paparum, Conciliorum, Ss Patrum, Doctorum Scriptorumque Ecclesiae qui ab Aevo Apostolico ad usque Benedicti XVI Tempora Floruerunt.



Sancto Alberto Magno Patrono Plorante ac Beata Semper Virgine Maria Intercedente, Spiritus Sancte, Veritatis Deus, Hunc Locum a Malo Defendere Digneris. 

             0033-0067- Petrus, Sanctus, Martyr
             0067-0076- Linus, Sanctus
             0076-0088- Anacletus I, Sanctus
             0088-0097- Clemens I, Sanctus, Martyr
             0097-0105- Evaristus, Sanctus, Martyr
             0105-0115- Alexander I, Sanctus, Martyr
             0115-0125- Sixtus I, Sanctus
             0125-0136- Telesphorus, Sanctus, Martyr
             0136-0140- Hyginus, Sanctus
             0140-0155- Pius I, Sanctus, Martyr
             0155-0166- Anicetus, Sanctus
             0166-0175- Soterius, Sanctus
             0175-0189- Eleutherius, Sanctus, Martyr
             0189-0199- Victor I, Sanctus, Martyr
             0199-0217- Zephyrinus, Sanctus, Martyr
             0217-0222- Callixtus I, Sanctus
             0222-0230- Urbanus I, Sanctus
             0230-0235- Pontianus, Sanctus, Martyr
             0235-0236- Anterus, Sanctus
             0236-0250- Fabianus, Sanctus, Martyr
             0251-0253- Cornelius, Sanctus, Martyr
             0253-0254- Lucius I, Sanctus
             0254-0257- Stephanus I, Sanctus
             0257-0258- Sixtus II, Sanctus, Martyr
             0260-0268- Dionysius, Sanctus
             0269-0274- Felix I, Sanctus, Martyr
             0275-0283- Eutychianus, Sanctus
             0283-0296- Caius, Sanctus
             0296-0304- Marcellinus, Sanctus
             0308-0309- Marcellus I, Sanctus
             0309-0310- Eusebius, Sanctus
             0311-0314- Miltiades (Melchiades), Sanctus
             0314-0335- Silvester I, Sanctus
             0335-0336- Marcus, Sanctus
             0337-0352- Iulius I, Sanctus
             0352-0366- Liberius, Sanctus
             0366-0383- Damasus I, Sanctus
             0384-0399- Siricius, Sanctus
             0399-0401- Anastasius I, Sanctus
             0401-0417- Innocentius I, Sanctus
             0417-0418- Zosimus, Sanctus
             0418-0422- Bonifacius I, Sanctus
             0422-0432- Caelestinus I, Sanctus
             0432-0440- Sixtus III, Sanctus
             0440-0461- Leo I, Magnus, Sanctus
             0461-0468- Hilarius, Sanctus
             0468-0483- Simplicius, Sanctus
             0483-0492- Felix III, Sanctus
             0492-0496- Gelasius I, Sanctus
             0496-0498- Anastasius II, Sanctus
             0498-0514- Symmachus, Sanctus
             0514-0523- Hormisdas, Sanctus
             0523-0526- Ioannes I, Sanctus, Martyr
             0526-0530- Felix IV, Sanctus
             0530-0532- Bonifacius II
             0533-0535- Ioannes II
             0535-0536- Agapetus I, Sanctus
             0536-0537- Silverius, Sanctus, Martyr
             0537-0555- Vigilius
             0556-0561- Pelagius I
             0561-0574- Ioannes III
             0575-0579- Benedictus I
             0579-0590- Pelagius II
             0590-0604- Gregorius I, Magnus, Sanctus
             0604-0606- Sabinianus
             0607-0607- Bonifacius III
             0608-0615- Bonifacius IV, Sanctus
             0615-0618- Adeodatus I, Sanctus
             0619-0625- Bonifacius V
             0625-0638- Honorius I
             0640-0640- Severinus
             0640-0642- Ioannes IV
             0642-0649- Theodorus I
             0649-0655- Martinus I, Sanctus, Martyr
             0655-0657- Eugenius I, Sanctus
             0657-0672- Vitalianus, Sanctus
             0672-0676- Adeodatus II
             0676-0678- Donus
             0678-0681- Agatho, Sanctus
             0682-0683- Leo II, Sanctus
             0684-0685- Benedictus II, Sanctus
             0685-0686- Ioannes V
             0686-0687- Conon
             0687-0701- Sergius I, Sanctus
             0701-0705- Ioannes VI
             0705-0709- Ioannes VII
             0709-0709- Sisinnius
             0709-0715- Constantinus
             0715-0731- Gregorius II, Sanctus
             0731-0741- Gregorius III, Sanctus
             0741-0752- Zacharias, Sanctus
             0752-0752- Stephanus II
             0752-0757- Stephanus III
             0757-0767- Paulus I, Sanctus
             0767-0772- Stephanus IV
             0772-0795- Hadrianus I
             0795-0816- Leo III, Sanctus
             0816-0817- Stephanus V
             0817-0824- Paschalis I, Sanctus
             0824-0827- Eugenius II
             0827-0827- Valentinus
             0827-0844- Gregorius IV
             0844-0847- Sergius II
             0847-0855- Leo IV, Sanctus
             0855-0858- Benedictus III
             0858-0867- Nicholaus I, Magnus, Sanctus
             0867-0872- Hadrianus II
             0872-0882- Ioannes VIII
             0882-0884- Marinus I
             0884-0885- Hadrianus III, Sanctus
             0885-0891- Stephanus VI
             0891-0896- Formosus
             0896-0896- Bonifacius VI
             0896-0897- Stephanus VII
             0897-0897- Romanus
             0897-0897- Theodorus II
             0898-0900- Ioannes IX
             0900-0903- Benedictus IV
             0903-0903- Leo V
             0903-0904- Christophorus
             0904-0911- Sergius III
             0911-0913- Anastasius III
             0913-0914- Lando
             0914-0928- Ioannes X
             0928-0929- Leo VI
             0929-0931- Stephanus VIII
             0931-0935- Ioannes XI
             0936-0939- Leo VII
             0939-0942- Stephanus IX
             0942-0946- Marinus II
             0946-0955- Agapetus II
             0955-0963- Ioannes XII
             0963-0964- Leo VIII
             0964-0964- Benedictus V
             0965-0965- Leo VIII
             0965-0972- Ioannes XIII
             0973-0974- Benedictus VI
             0974-0983- Benedictus VII
             0983-0984- Ioannes XIV
             0985-0996- Ioannes XV
             0996-0999- Gregorius V
             0999-1003- Silvester II
             1003-1003- Ioannes XVII
             1003-1009- Ioannes XVIII
             1009-1012- Sergius IV
             1012-1024- Benedictus VIII
             1024-1032- Ioannes XIX
             1032-1045- Benedictus IX
             1045-1045- Silvester III
             1045-1046- Gregorius VI
             1046-1047- Clemens II
             1047-1048- Benedictus IX
             1048-1048- Damasus II
             1049-1054- Leo IX, Sanctus
             1055-1057- Victor II
             1057-1058- Stephanus X
             1059-1061- Nicholaus II
             1061-1073- Alexander II
             1073-1085- Gregorius VII, Sanctus
             1086-1087- Victor III, Beatus
             1088-1099- Urbanus II, Beatus
             1099-1118- Paschalis II
             1118-1119- Gelasius II
             1119-1124- Callixtus II
             1124-1130- Honorius II
             1130-1143- Innocentius II
             1143-1144- Caelestinus II
             1144-1145- Lucius II
             1145-1153- Eugenius III, Beatus
             1153-1154- Anastasius IV
             1154-1159- Hadrianus IV
             1159-1181- Alexander III
             1181-1185- Lucius III
             1185-1187- Urbanus III
             1187-1187- Gregorius VIII
             1187-1191- Clemens III
             1191-1198- Coelestinus III
             1198-1216- Innocentius III
             1216-1227- Honorius III
             1227-1241- Gregorius VIIII
             1241-1241- Caelestinus IV
             1243-1254- Innocentius IV
             1254-1261- Alexander IV
             1261-1264- Urbanus IV
             1265-1268- Clemens IV
             1271-1276- Gregorius X, Beatus
             1276-1276- Hadrianus V
             1276-1276- Innocentius V, Beatus
             1276-1277- Ioannes XXI
             1277-1280- Nicholaus III
             1281-1285- Martinus IV
             1285-1287- Honorius IV
             1288-1292- Nicholaus IV
             1294-1294- Celestinus V, Sanctus
             1294-1303- Bonifacius VIII
             1303-1304- Benedictus XI, Beatus
             1305-1314- Clemens V
             1316-1334- Ioannes XXII
             1334-1342- Benedictus XII, Venerabilis
             1342-1352- Clemens VI
             1352-1362- Innocentius VI
             1362-1370- Urbanus V, Beatus
             1370-1378- Gregorius XI
             1378-1389- Urbanus VI
             1389-1404- Bonifacius IX
             1404-1406- Innocentius VII
             1406-1415- Gregorius XII
             1417-1431- Martinus V
             1431-1447- Eugenius IV
             1447-1455- Nicholaus V
             1455-1458- Callistus III
             1458-1464- Pius II
             1464-1471- Paulus II
             1471-1484- Sixtus IV
             1484-1492- Innocentius VIII
             1492-1503- Alessandrus VI
             1503-1503- Pius III
             1503-1513- Iulius II
             1513-1521- Leo X
             1522-1523- Hadrianus VI
             1523-1534- Clemens VII
             1534-1549- Paulus III
             1550-1555- Iulius III
             1555-1555- Marcellus II
             1555-1559- Paulus IV
             1559-1565- Pius IV
             1566-1572- Pius V, Sanctus
             1572-1585- Gregorius XIII
             1585-1590- Sixtus V
             1590-1590- Urbanus VII
             1590-1591- Gregorius XIV
             1591-1591- Innocentius IX
             1592-1605- Clemens VIII
             1605-1605- Leo XI
             1605-1621- Paulus V
             1621-1623- Gregorius XV
             1623-1644- Urbanus VIII
             1644-1655- Innocentius X
             1655-1667- Alessander VII
             1667-1669- Clemens IX
             1670-1676- Clemens X
             1676-1689- Innocentius XI, Beatus
             1689-1691- Alexander VIII
             1691-1700- Innocentius XII
             1700-1721- Clemens XI
             1721-1724- Innocentius XIII
             1724-1730- Benedictus XIII
             1730-1740- Clemens XII
             1740-1758- Benedictus XIV
             1758-1769- Clemens XIII
             1769-1774- Clemens XIV
             1775-1799- Pius VI
             1800-1823- Pius VII
             1823-1829- Leo XII
             1829-1830- Pius VIII
             1831-1846- Gregorius XVI
             1846-1878- Pius IX, Sanctus
             1878-1903- Leo XIII
             1903-1914- Pius X, Sanctus
             1914-1922- Benedictus XV
             1922-1939- Pius XI
             1939-1958- Pius XII, Venerabiis
             1958-1963- Ioannes XXIII, Beatus
             1963-1978- Paulus VI, Servus Dei
             1978-1978- Ioannes Paulus I, Servus Dei
             1978-2005- Ioannes Paulus II
             2005-hodie- Benedictus XVI
             9999-9990- Sancta Sedes
             9999-9995- Antipapae
             9999-9996- Pontificorum Vitae
             9999-9997- Pontificorum Acta, Decretalia, Bullae Brevesque
             9999-9999- Enchiridion Symbolorum seu Denzinger 


Si est ex hominibus consilium hoc aut opus hoc, dissolvetur; si vero ex Deo est, non poteritis dissolvere.
Οτι εαν η εξ ανθρωπων η βουλη αυτη η το εργον τουτο καταλυθησεται ει δε εκ θεου εστιν ου δυνασθε καταλυσαι. 

Cooperatorum Veritatis Societas
© 2006 Cooperatorum Veritatis Societas quoad hanc editionem iura omnia asservantur.
Litterula per inscriptionem electronicam:     Cooperatorum Veritatis Societas
«Ubi Petrus, ibi Ecclesia, ibi Deus» Ambrosius ... «Amici Veri Ecclesiae Traditionalistae Sunt.» Divus Pius X Papa: «Notre Charge Apostolique»




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