Em razão do mais recente comportamento destemperado de Francisco, sites e a mídia católica e não católica se dedicaram a escrever a respeito, recordando episódios escandalosos anteriores similares, assim como outros totalmente opostos, como no tratamento amigável dispensado a abortistas, terroristas, genocidas etc. Escolhi este texto porque resume bem tudo isso e porque tem um estilo peculiar que se assemelha ao de meus escritores italianos preferidos, e ao meu.
Saindo da Basílica Vaticana, após o “Te Deum” do final de ano, a exuberância de uma fiel[2] suscitou uma reação bastante destemperada em seu augusto destinatário. E talvez o fato de ter se tratado de um motus primo primus – como é designado em termos Escolásticos[3] um gesto instintivo e não filtrado pela vontade – evidencia a sua gravidade, não no ato em si, mas naquele que o praticou.
Nenhum de nós é tão tolo ao ponto de pretender que uma pessoa tenha um comportamento sempre comedido e composto[4]: eu mesmo percebo que sou frequentemente alvo da ira ou da impaciência que, olhando friamente, condenaria sem pestanejar. E quem precisa lidar com o trânsito caótico da Cidade Eterna – incluindo os báratros[5] que se abrem nas ruas ou pelas calçadas – sabe bem que certos epítetos irrefreáveis brotam quase espontaneamente nos lábios, mas que, como tais, podem ser deixados de lado sem precisar correr ao Confessionário. Imagino, inclusive, que o fiaccheraio[6] e o médico ortopedista adotem terminologias diferentes, mais ou menos coloridas; assim como o verdureiro de Campo de’Fiori e o Oficial da Cúria recorrem a um enlóquio diferente quando estão a comentar sobre os horrores que o inquilino de Santa Marta[7] cotidianamente nos reserva. Digamos que, nessas situações, a natureza da pessoa se revela, em parte por exasperação e em parte porque certas situações provocam reações que fogem ao nosso controle. E certamente a fadiga também pode contribuir para afrouxar certos freios.
Não quero, portanto, me fingir escandalizado pelo ato em si, embora este seja obviamente inoportuno. O que me desconcerta não são os dois tapas solapados na fiel, nem a reação similar que testemunhamos anos atrás[8], quando o infeliz se viu merecedor inclusive de uma reprimenda verbal nada apropriada para um pontífice. Duvido que o “Pastor Angelicus”[9] tivesse reagido dessa maneira, embora eu não saiba dizer se outros Papas de temperamento mais sanguíneo teriam se distinguido de Bergoglio. Certamente – e isso eu creio que possa ser percebido por todos, especialmente por quem conhece pessoalmente o tipo – espanta o motivo da ação, ou seja, a afronta pessoal. Digo isso com muita tranquilidade, e após ter me interrogado como eu mesmo teria reagido em seu lugar.

“ET DABAT EI ALAPAS”[1] – UM COMENTÁRIO SOBRE AS REAÇÕES DESTEMPERADAS DE BERGOGLIO
Saindo da Basílica Vaticana, após o “Te Deum” do final de ano, a exuberância de uma fiel[2] suscitou uma reação bastante destemperada em seu augusto destinatário. E talvez o fato de ter se tratado de um motus primo primus – como é designado em termos Escolásticos[3] um gesto instintivo e não filtrado pela vontade – evidencia a sua gravidade, não no ato em si, mas naquele que o praticou.
Nenhum de nós é tão tolo ao ponto de pretender que uma pessoa tenha um comportamento sempre comedido e composto[4]: eu mesmo percebo que sou frequentemente alvo da ira ou da impaciência que, olhando friamente, condenaria sem pestanejar. E quem precisa lidar com o trânsito caótico da Cidade Eterna – incluindo os báratros[5] que se abrem nas ruas ou pelas calçadas – sabe bem que certos epítetos irrefreáveis brotam quase espontaneamente nos lábios, mas que, como tais, podem ser deixados de lado sem precisar correr ao Confessionário. Imagino, inclusive, que o fiaccheraio[6] e o médico ortopedista adotem terminologias diferentes, mais ou menos coloridas; assim como o verdureiro de Campo de’Fiori e o Oficial da Cúria recorrem a um enlóquio diferente quando estão a comentar sobre os horrores que o inquilino de Santa Marta[7] cotidianamente nos reserva. Digamos que, nessas situações, a natureza da pessoa se revela, em parte por exasperação e em parte porque certas situações provocam reações que fogem ao nosso controle. E certamente a fadiga também pode contribuir para afrouxar certos freios.
Não quero, portanto, me fingir escandalizado pelo ato em si, embora este seja obviamente inoportuno. O que me desconcerta não são os dois tapas solapados na fiel, nem a reação similar que testemunhamos anos atrás[8], quando o infeliz se viu merecedor inclusive de uma reprimenda verbal nada apropriada para um pontífice. Duvido que o “Pastor Angelicus”[9] tivesse reagido dessa maneira, embora eu não saiba dizer se outros Papas de temperamento mais sanguíneo teriam se distinguido de Bergoglio. Certamente – e isso eu creio que possa ser percebido por todos, especialmente por quem conhece pessoalmente o tipo – espanta o motivo da ação, ou seja, a afronta pessoal. Digo isso com muita tranquilidade, e após ter me interrogado como eu mesmo teria reagido em seu lugar.



