Quadros angustiosos
Ó minha alma, por que é que te entorpeces sepultada em tanta sonolência? Por que resonas abismada em tão pesado dormir? Não te comovem as angustiosas lágrimas da Mãe que chora a morte tormentosa de seu Filho? Suas entranhas se liquefazem de dor ao contemplar-lhe as feridas de que está coberto, ó sim, minha alma! Por onde quer que olhares, tudo encontrarás tingido pelo sangue de Jesus. Vê, como jaz prostrado ante seu Pai, como o suor de sangue lhe banha todo o corpo. Vê como o prende qual ladrão, a horda selvagem! como o calca aos pés e lhe atira o laço às mãos e ao pescoço. Vê como ante Anás, cruel soldado com a pesada mão ousa imprimir sangrenta bofetada no rosto divinal! Não reparas como diante do soberbo Caifás ele sofre humilde mil impropérios, escarros e punhadas? Quando o ferem não retira a face, deixa que lhe arranquem a cabeleira e a veneranda barba. Olha como o carrasco, com azorrague fero, retalha os doces membros do teu Deus! Olha como os duros espinhos lhes trespassam as fontes sacratíssimas, e lhe riscam rios de sangue nas faces belas. Não vês como esfarrapados cruelmente os membros mal pode suster nos ombros o peso desumano? Repara como a ímpia dextra do algoz encrava no madeiro com pregos ponteagudos as mãos do inocente. Também repara como com agudos pregos no madeiro encrava, os pés imaculados. Olha como todo uma chaga, pende do lenho duro e lava no divino sangue as tuas fraudes. Olha a larga ferida do rasgado peito donde jorra um veio de água e sangue.
Compaixão da Mãe

