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| Imaculada Conceição com Jesus e Deus Pai de Francesco Vanni - 1588 |
O elevadíssimo conceito, que da mulher nos inculca o Cristianismo, podemos entrever desde os primeiros capítulos da Bíblia, nesse estupendo Livro do Gênesis, assim chamado, como sabeis, porque nele se contém a gênese ou origem do mundo e de todos os seres.
Pasmosa é a superficialidade satisfeita, com que olham para esse e outros livros santos, alguns espíritos contagiados pela escola de Voltaire, onde o cânone fundamental da exegese consistia em lançar, sobre tão sagradas cartas, o descrédito e o ridículo. Não leem, não estudam, não meditam, e por isso desprezam e blasfemam. Os maiores sábios, ao contrário, aí se lhes depararam as mais supremas e castas delícias. Nesses estudos consumiram o viço da juventude e neles se lhes cobriram de cãs as frontes venerandas. Já não podiam viver sem essas lucubrações profundas, por onde sentiam reverberarem clarões de eternidade e do infinito. E, deveras, se depois de folhear alguns dos primores das letras profanas, abrimos essas páginas veneráveis, experimentamos a mesma impressão que nos empolga, quando, depois de contemplar um monumento da arte humana, por grandioso que seja, repousamos a vista e o pensamento na majestade dos montes ou na imensidade dos mares.
Pois nesse livro divino, e com a simplicidade adorável dum Deus falando a linguagem dos homens, é que se nos revela a história da criação do primeiro homem e da primeira mulher, com a tremenda catástrofe da queda original e do paraíso perdido. Bem conheceis tudo isso, e quero apenas pedir a vossa atenção para algumas circunstâncias que, em geral, por minúsculas e rápidas, passam despercebidas, e nas quais, entretanto, vejo prefigurada, de alguma forma, a grandeza primitiva da mulher e dos seus destinos.

