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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Em toda parte Deus dá o seu amor aos que lhe pertencem, por meio do Espírito Santo



É verdadeira caridade, é perfeito amor, o sentimento que demonstraste para com minha humilde pessoa, ó homem realmente santo, justamente abençoado e muito amado. Por intermédio de Juliano, um dos meus amigos, que regressava de Cartago, recebi tua carta. Ela trouxe até mim a luz da tua santidade; por ela, mais reconheci do que conheci a tua caridade para comigo. Porque esta caridade procede d'Aquele que, desde a origem do mundo, nos predestinou para Si; n'Ele fomos criados antes de nascer; Ele mesmo nos fez e somos Seus (Sl 99,3), Ele que fez tudo quanto havia de existir. Formados, pois, pela Sua presciência e ação, ficamos unidos antes mesmo de nos conhecermos, pelos laços da caridade, num mesmo sentimento e na unidade da Fé ou na fé da Unidade. Assim, antes ainda de nos vermos pessoalmente, já nos conhecemos por revelação do Espírito Santo.

Por isso, me felicito e me glorio no Senhor que, sendo o mesmo e único, em toda parte dá o Seu amor aos que lhe pertencem, por meio do Espírito Santo. Este amor foi derramado pelo mesmo Espírito em todo ser humano, e é semelhante à torrente impetuosa de um rio que alegra a Sua cidade. Nela fostes merecidamente colocado pela Sé Apostólica como chefe espiritual de seus cidadãos, com os nobres do seu povo (Sl 112,8). Eu também, que estava prostrado por terra, fui erguido por ela para tomar parte no mesmo ministério que o teu. Mais me alegra, porém, aquela graça que o Senhor me fez, ao preparar um lugar para mim no íntimo do teu coração e conceder-me a tua amizade. Assim, posso me gloriar com toda confiança no teu amor, que tão empenhadamente me mostraste com estes serviços, e que me obriga a corresponder com amor semelhante. 

Para que nada ignores a meu respeito, fica sabendo que fui por muito tempo um pobre pecador; e que, se fui retirado das trevas e da sombra da morte recebendo o sopro da vida, se pus as mãos no arado e comecei a carregar a Cruz do Senhor, preciso todavia do auxílio de tuas preces para perseverar até o fim. Será uma recompensa que irá juntar-se a teus méritos, se me ajudares, com esta intercessão, a carregar o meu fardo. Pois o santo que ajuda a quem trabalha, não ouso chamar-te simplesmente de irmão, será exaltado como uma grande cidade.

Enviamos à tua santidade um pão em sinal de unidade, que é também símbolo da indivisível Trindade. Digna-te aceitá-lo como uma bênção.

Das Cartas de São Paulino de Nola, Bispo e Confessor, século IV (Epist. 3 ad Alypium, 1.5.6: CSEL 29,13-14.17-18). 


22 de junho: São Paulino de Nola

22 de junho 

São Paulino de Nola

Bispo e Confessor  



Pagão de nobilíssima família, ainda jovem foi prefeito de Roma e senador. Casado com uma cristã, converteu-se e, de comum acordo com a esposa, renunciou a tudo e se tornou sacerdote. 

São Paulino de Nola nasceu no ano de 355, na cidade de Bordeaux, na França. Seu pai era um alto funcionário imperial, e toda a família ocupava posição de destaque na economia e na Corte.

Antes de tornar-se religioso, foi cônsul e substituiu o governador da Campânia (Itália). Nessa posição, manteve contato com o bispo Santo Ambrósio, de Milão, bem como com o jovem (Santo) Agostinho, que se tornara bispo de Hipona, os quais o encaminharam à conversão. Assim, aos vinte e cinco anos de idade Paulino foi batizado.


Um ano antes, tinha se casado com Terásia, uma cristã espanhola que também o influenciou a aprofundar-se nos ensinamentos do Evangelho. Quando perderam, ainda criança, o único filho, Celso, os dois resolveram abandonar de vez a vida social e abraçar a vida monástica. De comum acordo, dividiram as grandes riquezas que possuíam com os pobres e as obras de caridade voltadas para o atendimento de doentes e desamparados e se dirigiram para a Catalunha, na Espanha.

Pouco tempo depois, São Paulino de Nola, que se tornara conhecido e estimado por todo o povo, encaminhou ao bispo um pedido para que este o ordenasse Sacerdote. O que aconteceu, além de ser convidado a participar do clero local ou, se preferisse, ingressar no de Milão, mas recusou a ambos. Queria, de verdade, uma vida de monge recluso, por isso mudou-se para a Campânia, onde a família ainda tinha como propriedade o túmulo de um mártir, são Félix. Paulino começou a construir ali um santuário para o santo, e ao mesmo tempo fez levantar uma hospedaria para os peregrinos pobres. 

Em seguida, transformou um dos andares em mosteiro, e deu início a uma comunidade religiosa formada por ele, a esposa e alguns amigos [Nota do blog: esse tipo de comunidade não é mais autorizada]. A principal característica desses monges era a comunicação feita somente por meio de correspondência escrita. Foram cinquenta e uma cartas dirigidas aos amigos e personalidades do mundo cristão, entre eles Agostinho de Hipona.

São Paulino de Nola revelou-se um grande poeta, escritor e pregador, foi uma figura tão brilhante quanto humilde. Entretanto, a vida calma que almejara quando abdicou de sua condição de herdeiro político de bons cargos no Império Romano para levar uma vida pobre em dinheiro e poder, mas rica em fé e dignidade, terminaria em 409. Na ocasião, foi eleito e consagrado bispo de Nola, diocese de Nápoles; cargo que ocupou até morrer no ano 431, um ano após a morte do amigo e companheiro Agostinho, hoje também santo e doutor da Igreja.

Fontes: 

  1. http://qualosantododia.blogspot.com.br/2013/08/santo-do-dia-22-de-junho-sao-paulino-de.html. 
  2. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=A5B7E5BE-CAB5-C335-C8201ECA6C330E6B&mes=Junho2011. 


Leiam também esta "vida": 

  

Leia, dele, "Em toda parte Deus dá o seu amor aos que lhe pertencem, por meio do Espírito Santo": http://farfalline.blogspot.com/2016/06/em-toda-parte-deus-da-o-seu-amor-aos.html.


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