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quinta-feira, 14 de abril de 2016

14 de Abril: São Justino, Mártir

14 de Abril 

São Justino

Mártir  



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Martirológio Romano: A Roma, na perseguição de Marco Antonino Vero [1] e Lucio Aurélio Cómodo [2], a paixão de São Justino, Filósofo e Mártir, o qual, tendo apresentado aos preditos Imperadores a sua segunda “Apologia”, na qual sustenta e defende valorosamente, com fortes argumentações a nossa Fé, acusado de ser Cristão pelas insídias do Cínico Crescènte, do qual havia denunciado a vida e nefastos costumes; em prêmio de sua invicta confissão recebeu o dom do Martírio. A sua festa se celebra no dia seguinte [3].

[1] Marco Aurélio, ou Cesare Marco Aurélio Antonino Augusto, um romano, foi Imperador de Roma de 161 a 180. Foi também filósofo e escritor. A pedido do Imperador Adriano foi adotado pelo Imperador Antonino Pio, a quem sucedeu (Cf. Wikipédia).
[2] Lúcio Aurélio Cómodo (português europeu) ou Cômodo (português brasileiro) Antonino (em latim: Marcus Aurelius Commodus Antoninus; Lanúvio, 31 de agosto, 161 - Roma, 31 de dezembro, 192) foi um imperador romano que governou de 180 a 192 (Cf. Wikipédia). [3] No Martirológio, a memória é no dia 13 de abril, e a festa no dia 14. Por isso, a Vita abaixo colecionada está no dia 13 de abril (N.d.E.).


  
  

Mártir e escritor apologeta Cristão, nasceu em Flavia Neapolis [4], na Samaria [5]. Sabe-se que era filho de Prisco Bacchio [6], um romano. A cidade foi fundada pelos Romanos após abafarem a insurreição dos Judeus e destruir o Templo em Jerusalém.   
 
[4] Flavia Neapolis - "nova cidade de Flávio" - é a atual da cidade de Nablus, uma importante cidade da Cisjordânia. Situada a aproximadamente 63 quilômetros ao norte de Jerusalém, Nablus foi a primeira capital do Reino de Israel. Fundada no ano de 72 pelos Romanos, situava-se a cerca de dois quilômetros a leste da antiga cidade bíblica de Siquém, tendo sido nomeada Flavia Neapolis em homenagem ao Imperador Vespasiano (Titus Flavius Vespasianus), fundador da dinastia Flávia. Em 636, depois de conquistada pelos árabes, a cidade foi por eles chamada Nablus, transcrição fonética do antigo nome romano. Os cruzados a chamaram de "Naples" (a etimologia de Nápoles, Itália, é a mesma: Neapolis). A cidade tornou-se um dos centros principais do Reino de Jerusalém até sua destruição pelos Cruzados, em 1202. Foi reconstruída pelos árabes (Cf. Wikipédia.   
[5] A Samaria atualmente situa-se entre os territórios da Cisjordânia e de Israel (Cf. Google).  
[6] Há versões que dizem que Prisco seria o pai de São Justino, e Bacchio o avô (Cf. "Analisi delle apologie di P. Giustino martire con alcune riflessioni", por Pietro Tamburini, Editora Daniel Berlendis, Bréscia, 1780, p. 4; e aqui)

É considerado o maior apologista cristão grego do século II, fundou uma escola de Doutrina Cristã em Roma, e foi pregador e mestre itinerante de Filosofia. Das muitas Obras que lhe foram atribuídas, apenas duas Apologias e o Diálogo com o Judeu Trifão [7]
são reconhecidamente dele: 1. A “Primeira Apologia[8], endereçada ao imperador Tito Élio Adriano Antonio Pio Augusto César [9], e ao seu filho Veríssimo, o Filósofo, e a Lúcio, o Filósofo, filho natural de César, e ao filho adotivo Pio, amante do conhecimento, e ao Senado sagrado, juntamente com todo povo romano, redigida em Roma por volta de 155, protesta contra as perseguições não justificadas por qualquer crime que pudesse fundamentadamente ser atribuído aos Cristãos; também expõe as crenças e a vida deles. Termina com o célebre édito de Trajano [10] a Minicio Fundano [11]. 2. A “Segunda Apologia[12], muito mais breve, protesta contra o prefeito de Roma Quinto Lollio Urbico [13], tida por muitos como um simples apêndice da precedente. 3. O “Dialogo” trata de uma disputa com o Judeu Trifão, em Éfeso, e teria ocorrido pouco depois da insurreição dos Hebreu contra Adriano e citado na “Apologia primeira”; escrito por volta de 135. Justino começa, assim, a série de escritos contra o Judaísmo; também narra a sua conversão. Embora, segundo os críticos, em Justino falte um profundo sentido eclesiológico, suas Obras constituem uma das primeiras tentativas de sistematização intelectual e teológica da Fé Cristã concebida em harmonia com a Razão e a Filosofia. Teve como discípulo o futuro apologeta Taciano [14] e encontrou um duro e pérfido adversário no filósofo cínico Crescente [15] [16].  
[7] Identificado por muitos como sendo Rabbi Tarphon
[8] Veja a Primeira Apologia: aqui e aqui.
[9] Tito Élio Adriano Antonio Pio Augusto César conhecido como Antonino Pio, foi imperador romano de 138 a 161. Foi o quarto dos “cinco bons imperadores”, sucedendo a Adriano, que o adotara como filho. Pertencente à gens Aurélia, foi denominado "Pio" pelo fato de ter insistido na deificação de seu predecessor Adriano e pai adotivo. Antonino Pio manteve boas relações com o Senado, em contraste com o seu predecessor Adriano. O seu reinado, com o dos seus predecessores Trajano e Adriano, e o do seu sucessor Marco Aurélio, é conhecido como a Idade de Ouro do Império Romano (Cf. Wikipédia).
[10] O "Trajano" a que se refere o texto, não é o "Marco Úlpio Nerva Trajano", mas "Públio Élio Trajano Adriano", mais comumente chamado de Adriano. imperador romano de 117 a 138. Pertence à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos chamados "cinco bons imperadores" (Cf. Wikipédia).  
[11] Gaio Minìcio Fundano (lat. C. Minicius Fundanus). Cônsul em 107 d. C., governador da província da Ásia em 124. O Imperatore Adriano lhe endereço, em resposta a uma questão posta por seu predecessor Q. Licinio Silvano Graniano, um édito pelo qual os Cristãos deviam ser condenados através de um processo regular diante de um Tribunal, somente se houvesse certeza de que haviam cometido "qualquer coisa contra a lei" e se fosse algo grave. O édito de Adriano a Minìcio Fundano (conservado por Eusébio de Cesareia) é um dos principais textos para examinar a atitude do Império romano diante dos Cristianismo, nos dois primeiros séculos. Minìcio foi amigo de Plínio, o Jovem, e de Plutarco. (Cf. Enc. Treccani).
[12] Veja sobre a Segunda Apologia: aqui.
[13] Quinto Lólio Úrbico foi um general e político do Império Romano, entre outros governador da província romana de Britânia entre 139 a 142. Nesta época foi responsável pela construção da Muralha de Antonino (Cf. Wikipédia).
[14] Taciano, o Assírio (fl. ca. 120–180) foi um escritor do Cristianismo primitivo, um gnóstico e um teólogo do século II. O trabalho mais influente de Taciano foi o Diatessarão, uma paráfrase bíblica (ou "harmonia") dos quatro Evangelhos, que se tornou o texto padrão nas Igrejas Siríacas até o século V, quando ele perdeu o lugar para os Evangelhos da Peshitta (Cf. Wikipédia). 
[15] Crescente, ou Crescêncio, foi um filósofo cínico do século II (Cf. Google). 
[16] Filosofia Cínica ou Cinismo foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, discípulo de Sócrates, e como tal praticada pelos cínicos. Para os cínicos, o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a natureza. O Cinismo se espalhou durante a ascensão do Império Romano no século I, quase se tornando um movimento de massa, e, assim, os cínicos eram encontrados pedindo e pregando ao longo das cidades do Império. A doutrina finalmente desapareceu no final do século V. Por volta do século XIX, a ênfase sobre os aspectos negativos da filosofia cínica levou ao entendimento moderno de cinismo a significar uma disposição de descrença na sinceridade ou bondade das motivações e ações humanas, e como caracterização de pessoas que desprezam as convenções sociais. Para encorajar as pessoas a renunciarem aos desejos criados pela civilização e convenções, os cínicos empreenderam uma cruzada de escárnio antissocial e assim mostrar as frivolidades da vida social (Cf. Wikipédia).

Nascido no Paganismo, se tornou Cristão, recebendo o Batismo no ano 130, em Éfeso. Nos anos 131-132 está em Roma pregando o Evangelho aos pagãos, e defendendo os Cristãos com a verdade. Em Roma, eram acusados de “ateísmo” (isto é, subversivos, inimigos do Estado e de seus cultos). Após uma queda de braço com um Filósofo Cínico de nome Crescente, acaba preso sob a acusação de também ser ateu, e condenado à decapitação com seis companheiros de Fé.   


Foi martirizado em Roma quando era prefeito Quinto Giunio Rústico [17], e Imperador Marco Aurelio, entre o ano 150 e 163. Sua história e seu Martírio são atestados nos “Acta Sancti Iustini et sociorum”, cujo valor histórico é reconhecido unanimemente. A festa, estendida a toda a Igreja pelo Papa Leão XIII, é no dia 14 de abril. O lugar de sua sepultura é desconhecido, e a maioria de seus escritos se perdeu.  
[17] Quinto Giunio Rústico (100 – 170), ou L. Júnio Aruleno Rústico, ou Aruleno Rústico, ou também Júnio Rústico, foi um filósofo e político romano, expoente do Estoicismo. Provavelmente, neto de Aruleno Rústico (discípulo de Sêneca, morto por ordem de Domiciano), foi um dos grandes mestres do Imperador Marco Aurélio. Foi também cônsul em 133 e em 162, e membro do conselho urbano de Roma. De 163 a 167, foi prefeito da Urbe, daí que se pode determinar a morte de São Justino por volta de 165. Neste papel, presidiu os processos de teólogos cristãos Mártires, como São Justino (Cf. Wikipédia). 

Fontes:  

http://www.treccani.it/enciclopedia/santo-giustino
http://www.santiebeati.it/dettaglio/23200


Tradução, notas, grifos e links: Giulia d’Amore.  






A Vida de São Justino

Filósofo Mártir
Aos 13 de Abril

Foi em uma cidade da Palestina chamada Flávia Neapolis que nasceu São Justino, e seu pai se chamou Prisco Bacchio. Sendo Justino ainda uma criança pequena, era muito inclinado às Letras, e sempre andava na companhia de algum filósofo, e tendo ouvido alguns por vários dias, procurou outros, porque não os ouvia declarar coisas acerca de Deus, como desejava saber. Por isso, deixou os Filósofos Estoicos [18], ele se aproximou dos Peripatéticos [19], e, depois, afastando-se deles, passou aos Pitagóricos [20]. Estes lhe disseram que, antes de aprender qualquer coisa sobre Deus, precisava que aprendesse sobre Música, Astrologia, Geometria e outras artes liberais. Pareceu a Justino que a coisa ia ser demorada, por isso, deixando os Pitagóricos, começou a seguir os Platônicos [21], os quais começaram a elevá-lo nas ideias.   

[18] O Estoicismo é uma doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio; o único apto a experimentar a verdadeira felicidade. O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã (Cf. Google).   
[19] Peripatéticos (é a palavra grega para 'ambulante' ou 'itinerante', 'aquele que passeia') eram discípulos de Aristóteles, em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, caminhando enquanto lia e dava preleções, sob os portais cobertos do Liceu, conhecidos como perípatoi, ou sob as árvores que o cercavam. A Escola peripatética foi um círculo filosófico da Grécia Antiga que basicamente seguia os ensinamentos de Aristóteles, o fundador. Fundada em c.336 a.C., quando Aristóteles abriu a primeira escola filosófica no Liceu em Atenas, durou até o século IV (Cf. Wikipédia). 
[20] A Escola Pitagórica, fundada por Pitágoras, foi uma influente corrente da filosofia grega, pertencendo a ela alguns dos mais antigos filósofos pré-socráticos. Temistocléia foi a mestre de Pitágoras; ela era alta profetisa, filósofa e matemática. Outros pensadores importantes dessa escola: Filolau, Arquitas, Alcmeão; a matemática e física Teano, que foi, possivelmente, casada com Pitágoras, a filósofa Melissa. Esses pensadores manifestam ao mesmo tempo tendências místico-religiosas e tendências científico-racionais. A influência estende-se até nossos dias. A escola teve como ponto de partida a cidade de Crotona, sul da Itália, e difundiu-se vastamente. Trata-se da escola filosófica grega mais influenciada exteriormente pelas religiões orientais, e que por isso mais se aproximou das filosofias dogmáticas regidas pela ideia de autoridade. O símbolo da Escola Pitagórica era o pentagrama, uma estrela de cinco pontas. (Cf. Wikipédia).
[21] O platonismo é uma corrente filosófica baseada no pensamento de Platão. Indica a filosofia de Platão e da sua escola, isto é, os filósofos que viveram entre o século IV a.C. e a primeira metade do século I a.C. (Cf. Wikipédia).


Ele pensou que agora alcançaria o conhecimento de Deus, mas lhe ocorreu que, estando próximo ao mar, um Homem Forasteiro, que começou a argumentar com ele, o persuadiu, com fortíssimas e poderosas razões, de que, se ele quisesse ter grande e determinada notícia de Deus, deixando o estudo dos Filósofos, passasse a ler e estudar os Profetas; e dizendo-lhe ainda que, o que eles haviam escrito, não o haviam aprendido de seres humanos, mas do próprio Deus, que tudo lhes havia revelado e ensinado. E que aquela como Doutrina de Deus era certíssima. Depois de ter-lhe dito isto, e certificá-lo de que os Cristãos liam tais Livros, porque o Evangelho que lhes deu Jesus Cristo era conforme aquilo que os Profetas haviam escrito, desapareceu, e Justino não o podia ver mais.  

Maravilhado não pouco de tal aparição, começou a ler os Profetas, e gostava muito daquela lição. Também leu o Evangelho, e conheceu (mandando-lhe Deus luz do Céu) que eram conformes entre si. A isso se somou outra coisa que o fez se resolver totalmente a ser batizado e se fazer Cristão, e isto foi o fato de que ele via muitos Cristãos padecer a morte com grandíssimos tormentos por amor de Cristo. Ele considerava consigo mesmo que os Cristãos são gente sábia e prudente, e não são amigos da vanglória do Mundo; via que eles eram mansos e de bons costumes, e que viviam moralmente, e julgou que Deus não permitiria que essas pessoas fossem enganadas. A conclusão de seus pensamento foi esta: que a lei dos Cristão era a verdadeira, e assim aceitou o Santo Batismo [22]. Depois de ser batizado, tomou para si o cuidado de defender os Cristãos, e escreveu alguns livros, defendendo-os de todos que os contrastassem.  
[22] Aqui se vê, na prática, como a Fé é a adesão da razão às Verdades reveladas por Deus, pois não foram sentimentos que convenceram – e converteram – São Justino, mas a razão. O uso da razão (N.d.E.).

Disputou comum Judeu chamado Trifão, que era um grande douto, e naquela disputa induziu ao Judeus e a muitos outros a não ter má opinião sobre os Cristãos, como a tinham. Presumia-se que, se tivessem conversado ou disputado mais vezes com Justino, ele e os outros Judeus ter-se-iam convertido.  

Foi coisa certa que o Imperador Antonino Pio, por ler algumas de suas Obras, que ele fez em defesa dos Cristãos, mandou ordenar em Ásia, onde todos os dias se martirizavam muitos Cristãos, que cessasse aquela perseguição e não fossem importunados se não tivessem comprovadamente cometido algum crime.  

Aconteceu que andava por Roma um Filósofo Cínico, chamado Crescente, homem ciumento, desonesto, mordaz, e que dizia muitas blasfêmias de Cristo. Justino se colocou contra ele, e, vendo que aquele não parava de falar mal dos Cristãos e de sua Lei, falou com o Imperador para que, por causa das palavras daquele, não se voltasse contra os Cristãos, e renovasse a perseguição. Fez-lhe ainda conhecer quem era Crescente, revelando-lhe ses vícios [23], para que não levasse em conta as palavras que um homem tão triste dissesse. Crescente foi avisado disso, e começou a perseguir Justino de tal forma que o fez prender e, por ordem do Senado, não tendo sido acusado de crime algum, a não ser o de ser Cristão, foi morto, e dessa forma conquistou a coroa do Martírio aos 13 de abril do ano do Senhor de 150, imperando o já citado Antonino Pio. Sobre São Justino escreveu Niceforo Calixto [24], no livro 2, cap. 32.   
[23] É lícito revelar os pecados dos outros, quando o exige o bem comum, para evitar que alguém cause dano a outrem. Mas é necessário discernimento, prudência e bom senso, porque a boa fama alheia é um bem precioso, e uma vez perdida dificilmente pode ser reparada (N.d.E.). 
[24] Niceforo Calixto (1256 – 1335), conhecido também como Niceforo Calixto Xanthopoulos, monge e historiador bizantino, o último dos historiadores eclesiásticos gregos. A sua Historia Ecclesiastica, em dezoito livros, narra acontecimentos desde o ano de 610. Para os quatro primeiros séculos, este autor dependeu largamente dos seus predecessores, Eusébio de Cesareia, Sócrates Escolástico, Sozomeno, Teodoreto e Evágrio Escolástico. O período final dos seus trabalhos, baseado em documentos que já não existem atualmente e a que tinha livre acesso, é de maior importância para os historiadores atuais. Também existe um índice de conteúdos de outros cinco livros, continuando a história da morte de Leão VI, o Sábio, em 911. Apenas um manuscrito da sua História é conhecido; foi roubado por um soldado turco da Biblioteca de Buda - é a porção ocidental da cidade de Budapeste, capital da Hungria, e está localizada na margem direita do rio Danúbio - durante o reinado de Matias Corvino da Hungria, e levado para Constantinopla, onde foi comprado por um Cristão, indo parar, posteriormente, na Biblioteca Imperial de Viena. Niceforo foi também o autor de listas de imperadores e patriarcas de Constantinopla, de um poema sobre a conquista de Jerusalém, e uma sinopse das Escrituras, tudo em poesia jâmbica (estilo literário grego); e comentários sobre poemas litúrgicos (Cf. Wikipédia).

Fonte: A Vida de São Justino, Mártir. In "Il Perfetto Leggendario della Vita e Fatti di N.S. Gesú Cristo e di tutti i suoi Santi", 1778, Edit. Francesco Sansoni, Veneza, p. 307. PDF in Google Book: https://goo.gl/jnld3f.


Tradução, notas, grifos e links: Giulia d’Amore.    




Leia, no Pale Ideas: 


  1. O Profeta Isaías, São Justino, o boi e o jumento de Bento XVI: http://farfalline.blogspot.com.br/2012/12/o-profeta-isaias-sao-justino-o-boi-e-o.html.
  2. Padres, Santos, Doutores da Igreja e escritores eclesiásticos condenam o homossexualismo: São Justino Mártir, in O homossexualismo condenado pela Sagrada Escritura e pela Tradição: http://farfalline.blogspot.com.br/2013/07/o-homossexualismo-condenado-pela.html.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O homossexualismo condenado pela Sagrada Escritura e pela Tradição

Já adiantando que, como cristã abomino o pecado, não o pecador, antes que me acusem de homofobia e preconceito, ou discriminação, saibam que burrice é enfadonha!

Homofobia, etimologicamente, significa "medo (fobia) do que é uniforme/igual (homo)"... E eu só tenho MEDO (temor) de Deus. Também tenho grandes e pequenos medos, como de barata, que é mais nojo do que medo. Mas não temo os homossexuais. E por quê os temeria? Não, não os temo, por isso não sou homofóbica. Mas tenho compaixão deles, porque o homossexualismo é uma cruz, que não deve ser fácil de carregar. E se por algum desígnio de Deus alguns - porque são uma minoria ínfima - são chamados a carregar essa cruz... devem fazê-lo na castidade e na pureza, abstendo-se de praticar atos contra a natureza e não cedendo aos instintos de perversão. Os que são afetos de homossexualismo (chamados erroneamente de homossexuais, outro neologismo sem fundamento na Etimologia!) contam com minha compaixão, mas o homossexualismo não! É um mal para a sociedade, seja porque priva a própria sociedade de um dos bens da família, que são os filhos, seja pelos efeitos nocivos na sociedade, tendo em vista que os maus costumes são contagiosos quando não combatidos, podendo induzir outros a seguir-lhes o exemplo.  

Depois, a questão do preconceito. Bem, o preconceito - julgar algo sem conhecer, sem saber do que se trata - não é, de fato, algo virtuoso, nem inteligente! E eu, de fato, não tenho preconceito algum, primeiro porque, como disse, abomino o pecado e não o pecador, segundo porque a respeito do assunto eu tenho um "conceito completo", não um pré-conceito!

E, por fim, a questão da discriminação é ridícula porque, como já disse duas vezes, eu abomino o pecado e não o pecador, não desejo o mal de um ser que luta contra um pecado tão grave! Apenas defendo os direitos de Deus que são superiores a quaisquer "direitos" que alguns seres humanos (que até 2010 eram considerados doentes mentais - com CID e tudo!) supõem ter. Então, poupem as pedras, porque essas carapuças eu não visto! Vamos ao texto. 

Pale Ideas. 



DESTRUIÇÃO DE SODOMA
LOT E A FAMÍLIA DEIXAM A CIDADE

 

A gravidade do pecado da  Homossexualidade


Todo ato de luxúria diretamente procurado e consumado é um pecado mortal. Mas há graus de maldade no pecado mortal, pois alguns têm maior gravidade que outros. Por exemplo, o adultério é mais grave que a simples fornicação, e o incesto mais grave que o adultério. Os pecados contra a natureza (homossexualismo, bestialidade) são ainda mais graves, porque contrariam não somente a finalidade própria do ato sexual, mas ainda a sua fisiologia. São "contrários à ordem natural do ato sexual como adequado à espécie humana" (Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 11). Em concreto, o pecado de homossexualidade é especialmente grave porque viola a ordem natural dos sexos, estabelecida por Deus na criação. Por isso, está classificado entre os pecados que bradam aos céus por vingança. A Sagrada Escritura o afirma explicitamente quando os anjos dizem a Lot: "Vamos destruir este lugar, pois é tão grande o clamor diante do Senhor contra os da cidade, que Ele nos enviou para destruí-la" (Gen. 19,13)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Profeta Isaias, São Justino, o boi e o jumento

O PROFETA ISAÍAS, SÃO JUSTINO, O BOI E O JUMENTO.



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Em seu novo livro sobre a infância de Jesus Cristo, Bento XVI, que o redigiu como escritor e não como Papa, comenta que o boi e o jumento não são mencionados nos Evangelhos. Realmente, não são! E isto gerou uma onda de comentários os mais desabonadores à Tradição milenar de confecção de Presépios.

Mas, o fato concreto e histórico é que os humildes animais passaram a fazer parte das representações (pinturas, esculturas etc.) do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir do século II, quando São Justino, Mártir e primeiro filósofo Cristão (vide abaixo), analisando o Capítulo I do Profeta Isaías, interpretou que, com Jesus, Israel conheceu o Criador, e, como o boi e o jumento são ali mencionados como os únicos que O tinham reconhecido, o Santo sugeriu inclui-los como símbolo dos que acolhem o Salvador.

É bom lembrar, inclusive, a representação organizada por São Francisco de Assis em Greccio, no Século XIII, que se espalhou por toda a Cristandade, onde os animais também eram figuras da cena.

*

Isaías é o maior dos Profetas. Embora não seja o primeiro em ordem de tempo, foi assim colocado nas Escrituras porque é digno de tal distinção pela sublimidade de suas revelações e de seu estilo.

Nascido e educado em Jerusalém, talvez de família aristocrática e ligada por parentesco à Casa Real, Isaías começou a profetizar muito jovem ainda, e seu ministério profético durou cerca de 50 anos.

Isaías viveu em tempos calamitosos. Foi nesse período que ele cumpriu seu ministério profético. É o mais eloquente de todos os Profetas. A sua linguagem é nobre, as suas expressões fortes e vivas. É o Profeta mais citado no Novo Testamento.

O fim principal de suas profecias é lançar em rosto aos Israelitas as suas infidelidades e anunciar-lhes os castigos de Deus, com a final Redenção consumada pelo Messias. Fala com tanta clareza de Jesus Cristo e da sua Igreja que, conforme diz São Jerônimo, mais parece Evangelista do que Profeta. O próprio Salvador aplicou a Si muitas profecias de Isaías, e os Evangelistas e os Apóstolos citam várias vezes o cumprimento delas em Jesus Cristo.

PROFECIA DE ISAÍAS, CAP. I - A INGRATIDÃO DO POVO ESCOLHIDO


Visão de Isaías, filho de Amós, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém nos dias de Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.

Ouvi, céus, e ouça ó terra, porque o Senhor falou: Eu criei filhos e os exaltei, mas eles se rebelaram contra Mim. O boi conhece o seu possuidor, e o asno, a manjedoura[1] do seu dono; mas Israel não Me conheceu, e meu povo não compreendeu. Ai da nação pecadora, povo carregado de iniquidades, vil semente dos filhos celerados! Abandonaram o Senhor, blasfemaram contra o Santo de Israel, e voltaram para trás[2] (quer dizer, voltaram para trás a fim de se entregaram novamente à idolatria abominável).

As palavras deste Profeta, tão fortes e incisivas, não poderiam ser aplicadas aos homens de hoje? Quantas blasfêmias, quantas iniquidades, como são malvados os filhos que abandonaram sua Mãe, a Santa Igreja, ou que dentro dEla promovem a confusão e a desconfiança no meio do povo fiel! E este povo é realmente fiel?

Na Espanha, onde a tradição de confeccionar presépios é fortíssima, felizmente os Bispos incentivaram os espanhóis a continuar a montá-los... E com a presença do boi e do jumento!

Que São José e Maria Santíssima, a caminho de Belém, abram nossas inteligências e nossos corações para a Verdade contida nos Evangelhos e na Tradição bimilenar!

*

SÃO JUSTINO (100 -165), FILÓSOFO, MÁRTIR.


Seu lugar de nascimento foi “Flávia Neápolis” (atual Nablus), na Síria Palestina ou Samaria. A educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo.

Justino foi introduzido na Fé diretamente por um ancião que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre os profetas que vieram antes dos filósofos que profetizaram a vinda de Cristo. Assim, começou a lhe falar sobre Jesus. Falou o ancião a Justino sobre os Profetas que vieram antes dos filósofos e que falaram “como confiável testemunha da verdade”. Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus. Justino disse depois: “meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil”. Justino então “se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião cristã”.

São Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo, e ensinou a estudantes em Éfeso e depois em Roma. Escreveu as Apologias I e II[3] e Diálogo com Trifão[4].

A convicção de Justino da verdade do Cristo era tão completa, que ele teve morte de mártir sendo decapitado no ano 165 d.C.

Primeira Apologia, 67.66 – Texto de São Justino

“O verdadeiro pão descido do céu”: no Século II, uma das primeiras descrições da Eucaristia para além do Novo Testamento.

No dia a que chamamos dia do sol [domingo], nas cidades e nas aldeias todos os habitantes se reúnem num dado lugar. Leem-se as memórias dos apóstolos e os escritos dos Profetas, segundo o tempo de que se dispõe. Quando a leitura termina, aquele que celebra toma a palavra para chamar a atenção sobre os ensinamentos recebidos e para exortar ao seu seguimento. Depois levantamo-nos, e em conjunto apresentamos as intenções de oração. Seguidamente traz-se o pão, o vinho e a água. O presidente dirige ardentemente ao Céu súplicas e ações de graças, e o povo responde com a aclamação “Amém!”, uma palavra hebraica que quer dizer: “Assim seja”.

Chamamos este alimento “Eucaristia”, e ninguém o pode tomar se não acredita na verdade da nossa Doutrina e se não recebeu o banho do Batismo para a remissão dos pecados e a regeneração. Porque nós não tomamos este Alimento como se toma um pão ou uma bebida vulgar. Do mesmo modo que, pela Palavra de Deus, Jesus Cristo Nosso Salvador incarnou, tomando carne e sangue para nossa salvação, também o alimento consagrado pelas próprias palavras rezadas e destinado a alimentar a nossa carne e o nosso sangue para nos transformar, este Alimento é a carne e o sangue de Jesus incarnado: esta é a nossa Doutrina. Os Apóstolos, nas memórias que nos deixaram, a que chamamos os Evangelhos, transmitiram-nos a recomendação que Jesus lhes fez: Tomou o pão, abençoou e disse: ‘Fazei isto em minha memória; Isto é o meu corpo’. De igual modo tomou o cálice, abençoou-o e disse: ‘Isto é o meu sangue’. E só os deu a eles (Mt 26,26s; 1Co 11,23s)… É no dia do sol que nos reunimos todos, porque este é o primeiro dia, aquele em que Deus, para fazer o mundo, separou a matéria das trevas, e ainda o dia em que Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos mortos.
 Mais: São Justino e a Verdadeira Filosofia


Extraído e adaptado do blog "Heroínas da Cristandade".

[1] “præsepe”: manjedoura, estábulo, berço.
[2] Isaías 1,1-4. “visio Isajæ filii Amos quam vidit super Judam et Hierusalem in diebus Oziæ Joatham Ahaz Ezechiæ regum Juda. Audite cæli et auribus percipe terra quoniam Dominus locutus est filios enutrivi et exaltavi ipsi autem spreverunt me. Cognovit bos possessorem suum et asinus præsepe domini sui Israël non cognovit populus meus non intellexit. Væ genti peccatrici abalienati sunt retrorsum".

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