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domingo, 10 de maio de 2020

Sine Domenico non possumus!

Um vibrante e tremendo discurso do senador italiano Simone Pillon, da Lega Nord (a mesma de Matteo Salvini), no dia 9 de maio de 2020, bradando para que o Governo italiano, socialista, pare a perseguição criminosa aos católicos e libere "legalmente" as Missas. O vídeo está em italiano, com legenda em espanhol. A seguir, transcrevo a versão em português. Após o texto do senador Pillon, a legenda dos Mártires de Abitene




Sine Domenico non possumus! 







- A presidente da sessão do Parlamento: Senador Pillon, por favor. 

- Senador Simone Pillon: Grato, Excelência. Eu dizia, recordo a mim mesmo que o artigo 7º[1] da Constituição garante a independência e a recíproca soberania do Estado e da Igreja. E o artigo 19[2] de nossa Constituição garante a liberdade, para todos os cidadãos italianos, de professar livremente a Fé, de forma individual e associada[3] e de exercitar seu culto em privado e em público. Este é um artigo da Constituição. Estes artigos foram escritos com o sangue de Mártires que, em 2000 anos, preferiram a morte a renunciar aos Sacramentos. “Sine Dominico non possumus![4] gritavam os Mártires de Abitene[5], 49 cristãos martirizados por Diocleciano, no ano 304 d.C. O bispo deles obedeceu ao edito imperial e entregou os Textos Sagrados às autoridades, mas os fiéis, com o Presbítero Saturnino, continuaram a celebrar a Missa e, por isso, foram presos, torturados e assassinados. E todos, antes de morrer, disseram: “Sine Domenico non possumus!”. Bom, esses artigos da Constituição escritos com o sangue dos Mártires foram aniquilados[6] por um ato administrativo subordinado[7], um DPCM[8] de 8/3/2020, com o qual este Governo, na letra “i”[9], bloqueia qualquer possibilidade de celebrações religiosas com o povo. Se o tivesse feito um Governo de centro-direita, todos vós teríeis saído às ruas gritando ao escândalo pela lesão à liberdade religiosa, mas como sede vós que o fazeis, então vós podeis fazer tudo, inclusive, com um DPCM, contradizer as mais elementares liberdades religiosas que nós temos em nosso País. É a primeira Páscoa em 2000 anos sem Sacramentos. Vimos Sacerdotes denunciados como acontece na China... Missas interrompidas – quero aqui professar plena solidariedade a Dom Lino Viola[10] e a todos os párocos que viram interrompida a Missa por causa deste desgraçado DPCM. – Vimos pessoas defuntas queimadas como cães, sem funeral, encerradas em urnas sem nomes. Com pesar daquilo que, segundo Fóscolo[11], nos distinguia das bestas. Temos até mesmo um Fiorello[12] debochado que nos pede para rezar no banheiro. Não construímos, como cristãos, as catedrais para depois sermos trancados no banheiro para rezar. Aqueles que decidiram tudo isso, deixaram o povo italiano sem os Sacramentos justamente no momento mais difícil de sua História recente. Nem Mussolini, nem Hitler ousaram tanto! E vós o fizestes com a desculpa do vírus; e, no entanto, deixaram abertos os supermercados, as farmácias, e até mesmo as tabacarias, mas não as Missas! Reabriram as empresas, reabriram inclusive os banho e tosa dos cães, mas nada de Missas! Agora não tendes mais desculpas. Passastes duas Ordens do dia[13], uma no Senado, aprovada por esta sessão, no dia 8 de abril, e, ontem, uma Emenda na Câmara; e, apesar disso, ainda não se fala de Missas. Não somos cães, somos almas encarnadas, chamadas à vida eterna. Nos deixastes a comida para o corpo que morre, e nos tirastes a comida para a alma imortal! Se vós realmente quisesses teríeis encontrado o modo de garantir os Sacramentos e a segurança. A verdade é que este Governo tem uma alma profundamente anticristã. Não se compreende diversamente o motivo por que 14 pessoas podem ir à Missa se tiver um féretro, mas as mesmas 14 pessoas, se não houver um ataúde, não podem mais ir à Missa. Vós me entendeis? Beiramos o ridículo! Agora basta! Peço, Presidente, à senhora, no seu altíssimo papel institucional, que se faça intérprete, lhe suplico, do sentimento e da vontade de tantos cidadãos, das famílias italianas privadas do alimento da alma há mais de dois meses. Rogo-vos, intercedais junto a este Governo para que se reabra já, agora, a partir de hoje, a celebração pública dos Sacramentos; E isto não o digo como um apelo qualquer, mas o bom Deus, ou se preferem, para quem não crê[14] em Deus, a História sempre fez justiça com quem oprimiu o seu povo. Do Faraó a Diocleciano e todo o seu Império, até os ditadorezinhos, de uma banda e da outra[15]. Não gostaria que sucedesse o mesmo também a este Governo. Obrigado.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

5 de junho: São Bonifácio, Apóstolo da Alemanha

São Bonifácio, Bispo e Mártir 
Apóstolo da Alemanha


PRECEDeus, que, pelo zelo do Beato Bonifácio, Vosso Bispo e Mártir, Vos dignastes chamar ao conhecimento de Vosso Nome uma multidão de povos, concedei, propício, que, enquanto celebramos sua solenidade, experimentemos também o seu patrocínio.  


Clique para ler a VIDA 

Clique para rezar a Ladainha de São Bonifácio

Clique para ler sobre a "árvore de Natal"


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

26 de Dezembro, memória de Santo Estevão - Indulgências!!

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NÃO PERCAMOS ESTA INDULGÊNCIA CONCEDIDA POR SÃO PIO X:

S.S. Pio X, com decreto de 3 de janeiro de 1914, concedeu 300 dias de indulgência para quem recitar a seguinte antífona com a sua oração, uma vez ao dia; e a indulgência plenária para quem rezar no dia 26 de dezembro e 3 de agosto (encontro das relíquias):


ANTÍFONA

Os Apóstolos elegeram Estevão levita, cheio de fé e de Espírito Santo, que os judeus apedrejaram enquanto ele rezava e dizia: “Ó Senhor, recebei o meu espírito e não imputeis a eles esta coisa como pecado”.

Pelos merecimentos e as orações de Santo Estevão: sejais propício, ó Senhor, ao povo Vosso. 


ORAÇÃO

Onipotente e sempiterno Deus, 
Que com o sangue do beato
Estevão levita acolhestes as 
Primícias dos Mártires, concedei,
Nós Vos rogamos, que seja nosso
Intercessor aquele que suplicou,
Também por seus perseguidores,
Ao Senhor nosso Jesus Cristo,
O qual convosco vive e reina
Nos séculos dos séculos. 
Assim seja.



Vide também: 

1. https://farfalline.blogspot.com/2014/12/santo-estevao-protomartir.html - 26 de dezembro
2. https://farfalline.blogspot.com/2015/08/encontro-das-reliquias-de-santo-estevao.html - 3 de agosto.
3. https://sacragaleria.blogspot.com/2018/12/santo-estevao-protomartir.html
4. https://precantur.blogspot.com/2018/12/santo-estevao-oracao-indulgenciada.html


sábado, 14 de julho de 2018

Os Mártires da Revolução Francesa

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Os Mártires da Revolução Francesa


“... É até um elenco tão vasto e tão admirável que hesitamos em destacar alguns dos episódios mais comoventes. Não será injusto dar sequer a impressão de que queremos fixar um palmares, um elenco de vencedores, quando em todas as páginas desse livro escrito com sangue brilham o heroísmo e a santidade? Padres, religiosos, religiosas, simples leigos, homens e mulheres, todas as condições sociais à mistura - mas certamente a maioria gente humilde, gente do povo -, foram às dezenas, às centenas, os que preferiram morrer a abjurar, apesar de, em muitos casos, abjurar fosse apenas um gesto exterior, mera formalidade. Como escolher entre eles? 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Condenação do Cardeal József Mindszenty


Aos 6 de fevereiro de 1949, os comunistas húngaros, depois de bárbaras torturas físicas e morais, e ao final de um processo-farsa, condenam ao ergástulo (prisão perpétua) o Eminentíssimo Cardeal József Mindszenty, Arcebispo metropolita de Esztergom e Primaz de Hungria, ilustre hierarca da Igreja do Silêncio.  

Para denunciar o sacrilégio, Sua Santidade o Papa Pio XII fez três áureos discursos ao Sacro Colégio diplomático e ao povo romano.  

Mindszenty morreu mártir aos 6 de maio de 1975. 

Fonte: Sassari Tridentina


      

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

¡Viva Cristo Rey y Santa María de Guadalupe!

VIVA CRISTO REI. 90 ANOS DA CRISTIADA, A GUERRA MEXICANA PELA RELIGIÃO QUE QUISERAM OCULTAR.




por María Fidalgo Casares[1], para Mundo Diario.  



Foto da época
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Crianças mártires, assaltos a trens, estradas de ferro povoadas de enforcados, indômitos guerrilheiros, brigadas de valentes mulheres com voto de silêncio, emboscadas em serras desérticas, Cavaleiros de Colombo[2] antimaçônicos, a Ku Klux Klan (KKK)[3] e as traições de um governo anticlerical são os fascinantes elementos de “A Cristiada” ou “Guerra Cristera” (1926-1929), a guerra religiosa mais dramática, sangrenta e desconhecida da História da América, que recém completa agora 90 anos. Uma tragédia que foi praticamente apagada dos livros de História. Seu grito de luta: “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe”

O famoso Emiliano Zapata[4] lutou com 10 mil homens, e Pancho Villa[5] com 20 mil, mas os desconhecidos Cristeros conseguiram mobilizar 50 mil combatentes, apoiados por todo um povo. Foi uma guerra pela liberdade que se converteu em um verdadeiro “martirológio[6], já que, nessa perseguição sangrenta e selvagem, centenas de religiosos e laicos católicos foram assassinados por sua fé. Um capítulo bélico recolhido em centenas de fotografias em preto e brancos, que surpreendem por sua força e magnetismo. 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

11 de maio: São Felipe e São Tiago, Apóstolos

11 de maio

São Felipe e São Tiago

Apóstolos

São Felipe era natural de Betsaida, na Galileia. Deus Nosso Senhor chamou-o aos apostolado no mesmo dia em que São Pedro e Santo André. 

Segundo Clemente de Alexandria, teria sido Felipe aquele Apóstolo que pediu ao Divino Mestre licença para sepultar o pai, e de Nosso Senhor recebeu a resposta: "Segue-me e deixa os mortos sepultarem os mortos".  

São Crisóstomo diz de São Felipe que fora casado e tivera algumas filhas. Obedecendo à voz do Divino Mestre, tornou-se Apóstolo. Tendo conhecido de perto a Jesus, convidou também Natanael a associar-se ao Messias. Três dias depois, acompanhou Nosso Senhor às bodas de Caná. Decorrido um ano, foi recebido entre os Apóstolos.  

Foi Felipe a quem, no dia da multiplicação dos pães, perguntou Jesus onde havia de arranjar comida para tanta gente. Certa ocasião, em que vieram alguns pagãos para ver Jesus, foram Felipe e André que os apresentaram ao Divino Mestre.  

sexta-feira, 29 de abril de 2016

29 de abril: São Pedro de Verona, Mártir

29 de abril 

São Pedro de Verona 

Mártir
1205-1252
   


Pedro de Verona, também conhecido como Pedro Mártir (Verona, ca. 1205 — Séveso, 6 de abril de 1252) foi um frade dominicano, inquisidor e Mártir italiano do século XIII. 

Seus pais eram hereges maniqueus (cátaros), adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani (ou Manes ou Maniqueu), caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal.

Entretanto, o único colégio que havia no local era Católico, e lá o menino, não só aprendeu as ciências da vida, como os caminhos da alma. Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos.  


Em Bolonha acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele foi logo aceito, recebendo a missão de evangelizar. Foi o que fez, viajando por toda a Itália espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges.

Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência, aguardou que Jesus determinasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade.

sábado, 23 de abril de 2016

23 de abril: São Jorge, Mártir

23 de abril

São Jorge 

Grande Mártir de Cristo e Carmelita (*)



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Promete Jesus Cristo, em São Mateus, que, quem O confessar e não se envergonhar d'Ele na Terra, Ele, da mesma forma, não se envergonhará dele no Céus, mas o confessará diante dos Anjos Santos e o louvará na presença do Pai Eterno pelos serviços recebidos, e rogará ao Pai que lhe renda o mérito [1]. Isto é que convém a todos os Mártires. Todos confessaram Jesus Cristo em Terra, e não se envergonharam de confessar por Deus um que morreu crucificado. Mas, particularmente, isto vem muito a propósito de São Jorge, Cavaleiro Ilustríssimo, o qual, encontrando-se na presença de Diocleciano, e de todo o Senado Romano, onde se discutia se era coisa conveniente perseguir Cristãos e apagar e suprimir o Nome de Cristo de sobre a Terra, e, concordando todos que assim se fizesse, ele somente tomou a defesa da honra de Deus contra todos, e confessou que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, e lamentou o Decreto e a deliberação que aí havia sido feita, pelo qual veio a perder a vida com tormentos atrozes e cruéis. A Vida e Martírio deste Santo foi escrita por Simeão Metafraste e por Pasicrate, familiar [2] do próprio Santo, o qual se encontrava presente a toda coisa. Daquilo que dizem estes dois, teceremos uma guirlanda, para que aqueles que desejam padecer por Jesus Cristo, a coloquem em suas próprias cabeças, vendo as muitas paixões [3] e crudelíssimos tormentos que São Jorge sofreu.   
[1] Mat. 10,32 e Luc. 12,8. 
[2] Categoria de servo. 
[3] Sofrimentos.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

14 de Abril: São Justino, Mártir

14 de Abril 

São Justino

Mártir  



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Martirológio Romano: A Roma, na perseguição de Marco Antonino Vero [1] e Lucio Aurélio Cómodo [2], a paixão de São Justino, Filósofo e Mártir, o qual, tendo apresentado aos preditos Imperadores a sua segunda “Apologia”, na qual sustenta e defende valorosamente, com fortes argumentações a nossa Fé, acusado de ser Cristão pelas insídias do Cínico Crescènte, do qual havia denunciado a vida e nefastos costumes; em prêmio de sua invicta confissão recebeu o dom do Martírio. A sua festa se celebra no dia seguinte [3].

[1] Marco Aurélio, ou Cesare Marco Aurélio Antonino Augusto, um romano, foi Imperador de Roma de 161 a 180. Foi também filósofo e escritor. A pedido do Imperador Adriano foi adotado pelo Imperador Antonino Pio, a quem sucedeu (Cf. Wikipédia).
[2] Lúcio Aurélio Cómodo (português europeu) ou Cômodo (português brasileiro) Antonino (em latim: Marcus Aurelius Commodus Antoninus; Lanúvio, 31 de agosto, 161 - Roma, 31 de dezembro, 192) foi um imperador romano que governou de 180 a 192 (Cf. Wikipédia). [3] No Martirológio, a memória é no dia 13 de abril, e a festa no dia 14. Por isso, a Vita abaixo colecionada está no dia 13 de abril (N.d.E.).


  
  

Mártir e escritor apologeta Cristão, nasceu em Flavia Neapolis [4], na Samaria [5]. Sabe-se que era filho de Prisco Bacchio [6], um romano. A cidade foi fundada pelos Romanos após abafarem a insurreição dos Judeus e destruir o Templo em Jerusalém.   
 
[4] Flavia Neapolis - "nova cidade de Flávio" - é a atual da cidade de Nablus, uma importante cidade da Cisjordânia. Situada a aproximadamente 63 quilômetros ao norte de Jerusalém, Nablus foi a primeira capital do Reino de Israel. Fundada no ano de 72 pelos Romanos, situava-se a cerca de dois quilômetros a leste da antiga cidade bíblica de Siquém, tendo sido nomeada Flavia Neapolis em homenagem ao Imperador Vespasiano (Titus Flavius Vespasianus), fundador da dinastia Flávia. Em 636, depois de conquistada pelos árabes, a cidade foi por eles chamada Nablus, transcrição fonética do antigo nome romano. Os cruzados a chamaram de "Naples" (a etimologia de Nápoles, Itália, é a mesma: Neapolis). A cidade tornou-se um dos centros principais do Reino de Jerusalém até sua destruição pelos Cruzados, em 1202. Foi reconstruída pelos árabes (Cf. Wikipédia.   
[5] A Samaria atualmente situa-se entre os territórios da Cisjordânia e de Israel (Cf. Google).  
[6] Há versões que dizem que Prisco seria o pai de São Justino, e Bacchio o avô (Cf. "Analisi delle apologie di P. Giustino martire con alcune riflessioni", por Pietro Tamburini, Editora Daniel Berlendis, Bréscia, 1780, p. 4; e aqui)

É considerado o maior apologista cristão grego do século II, fundou uma escola de Doutrina Cristã em Roma, e foi pregador e mestre itinerante de Filosofia. Das muitas Obras que lhe foram atribuídas, apenas duas Apologias e o Diálogo com o Judeu Trifão [7]
são reconhecidamente dele: 1. A “Primeira Apologia[8], endereçada ao imperador Tito Élio Adriano Antonio Pio Augusto César [9], e ao seu filho Veríssimo, o Filósofo, e a Lúcio, o Filósofo, filho natural de César, e ao filho adotivo Pio, amante do conhecimento, e ao Senado sagrado, juntamente com todo povo romano, redigida em Roma por volta de 155, protesta contra as perseguições não justificadas por qualquer crime que pudesse fundamentadamente ser atribuído aos Cristãos; também expõe as crenças e a vida deles. Termina com o célebre édito de Trajano [10] a Minicio Fundano [11]. 2. A “Segunda Apologia[12], muito mais breve, protesta contra o prefeito de Roma Quinto Lollio Urbico [13], tida por muitos como um simples apêndice da precedente. 3. O “Dialogo” trata de uma disputa com o Judeu Trifão, em Éfeso, e teria ocorrido pouco depois da insurreição dos Hebreu contra Adriano e citado na “Apologia primeira”; escrito por volta de 135. Justino começa, assim, a série de escritos contra o Judaísmo; também narra a sua conversão. Embora, segundo os críticos, em Justino falte um profundo sentido eclesiológico, suas Obras constituem uma das primeiras tentativas de sistematização intelectual e teológica da Fé Cristã concebida em harmonia com a Razão e a Filosofia. Teve como discípulo o futuro apologeta Taciano [14] e encontrou um duro e pérfido adversário no filósofo cínico Crescente [15] [16].  
[7] Identificado por muitos como sendo Rabbi Tarphon
[8] Veja a Primeira Apologia: aqui e aqui.
[9] Tito Élio Adriano Antonio Pio Augusto César conhecido como Antonino Pio, foi imperador romano de 138 a 161. Foi o quarto dos “cinco bons imperadores”, sucedendo a Adriano, que o adotara como filho. Pertencente à gens Aurélia, foi denominado "Pio" pelo fato de ter insistido na deificação de seu predecessor Adriano e pai adotivo. Antonino Pio manteve boas relações com o Senado, em contraste com o seu predecessor Adriano. O seu reinado, com o dos seus predecessores Trajano e Adriano, e o do seu sucessor Marco Aurélio, é conhecido como a Idade de Ouro do Império Romano (Cf. Wikipédia).
[10] O "Trajano" a que se refere o texto, não é o "Marco Úlpio Nerva Trajano", mas "Públio Élio Trajano Adriano", mais comumente chamado de Adriano. imperador romano de 117 a 138. Pertence à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos chamados "cinco bons imperadores" (Cf. Wikipédia).  
[11] Gaio Minìcio Fundano (lat. C. Minicius Fundanus). Cônsul em 107 d. C., governador da província da Ásia em 124. O Imperatore Adriano lhe endereço, em resposta a uma questão posta por seu predecessor Q. Licinio Silvano Graniano, um édito pelo qual os Cristãos deviam ser condenados através de um processo regular diante de um Tribunal, somente se houvesse certeza de que haviam cometido "qualquer coisa contra a lei" e se fosse algo grave. O édito de Adriano a Minìcio Fundano (conservado por Eusébio de Cesareia) é um dos principais textos para examinar a atitude do Império romano diante dos Cristianismo, nos dois primeiros séculos. Minìcio foi amigo de Plínio, o Jovem, e de Plutarco. (Cf. Enc. Treccani).
[12] Veja sobre a Segunda Apologia: aqui.
[13] Quinto Lólio Úrbico foi um general e político do Império Romano, entre outros governador da província romana de Britânia entre 139 a 142. Nesta época foi responsável pela construção da Muralha de Antonino (Cf. Wikipédia).
[14] Taciano, o Assírio (fl. ca. 120–180) foi um escritor do Cristianismo primitivo, um gnóstico e um teólogo do século II. O trabalho mais influente de Taciano foi o Diatessarão, uma paráfrase bíblica (ou "harmonia") dos quatro Evangelhos, que se tornou o texto padrão nas Igrejas Siríacas até o século V, quando ele perdeu o lugar para os Evangelhos da Peshitta (Cf. Wikipédia). 
[15] Crescente, ou Crescêncio, foi um filósofo cínico do século II (Cf. Google). 
[16] Filosofia Cínica ou Cinismo foi uma corrente filosófica fundada por Antístenes, discípulo de Sócrates, e como tal praticada pelos cínicos. Para os cínicos, o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a natureza. O Cinismo se espalhou durante a ascensão do Império Romano no século I, quase se tornando um movimento de massa, e, assim, os cínicos eram encontrados pedindo e pregando ao longo das cidades do Império. A doutrina finalmente desapareceu no final do século V. Por volta do século XIX, a ênfase sobre os aspectos negativos da filosofia cínica levou ao entendimento moderno de cinismo a significar uma disposição de descrença na sinceridade ou bondade das motivações e ações humanas, e como caracterização de pessoas que desprezam as convenções sociais. Para encorajar as pessoas a renunciarem aos desejos criados pela civilização e convenções, os cínicos empreenderam uma cruzada de escárnio antissocial e assim mostrar as frivolidades da vida social (Cf. Wikipédia).

Nascido no Paganismo, se tornou Cristão, recebendo o Batismo no ano 130, em Éfeso. Nos anos 131-132 está em Roma pregando o Evangelho aos pagãos, e defendendo os Cristãos com a verdade. Em Roma, eram acusados de “ateísmo” (isto é, subversivos, inimigos do Estado e de seus cultos). Após uma queda de braço com um Filósofo Cínico de nome Crescente, acaba preso sob a acusação de também ser ateu, e condenado à decapitação com seis companheiros de Fé.   


Foi martirizado em Roma quando era prefeito Quinto Giunio Rústico [17], e Imperador Marco Aurelio, entre o ano 150 e 163. Sua história e seu Martírio são atestados nos “Acta Sancti Iustini et sociorum”, cujo valor histórico é reconhecido unanimemente. A festa, estendida a toda a Igreja pelo Papa Leão XIII, é no dia 14 de abril. O lugar de sua sepultura é desconhecido, e a maioria de seus escritos se perdeu.  
[17] Quinto Giunio Rústico (100 – 170), ou L. Júnio Aruleno Rústico, ou Aruleno Rústico, ou também Júnio Rústico, foi um filósofo e político romano, expoente do Estoicismo. Provavelmente, neto de Aruleno Rústico (discípulo de Sêneca, morto por ordem de Domiciano), foi um dos grandes mestres do Imperador Marco Aurélio. Foi também cônsul em 133 e em 162, e membro do conselho urbano de Roma. De 163 a 167, foi prefeito da Urbe, daí que se pode determinar a morte de São Justino por volta de 165. Neste papel, presidiu os processos de teólogos cristãos Mártires, como São Justino (Cf. Wikipédia). 

Fontes:  

http://www.treccani.it/enciclopedia/santo-giustino
http://www.santiebeati.it/dettaglio/23200


Tradução, notas, grifos e links: Giulia d’Amore.  






A Vida de São Justino

Filósofo Mártir
Aos 13 de Abril

Foi em uma cidade da Palestina chamada Flávia Neapolis que nasceu São Justino, e seu pai se chamou Prisco Bacchio. Sendo Justino ainda uma criança pequena, era muito inclinado às Letras, e sempre andava na companhia de algum filósofo, e tendo ouvido alguns por vários dias, procurou outros, porque não os ouvia declarar coisas acerca de Deus, como desejava saber. Por isso, deixou os Filósofos Estoicos [18], ele se aproximou dos Peripatéticos [19], e, depois, afastando-se deles, passou aos Pitagóricos [20]. Estes lhe disseram que, antes de aprender qualquer coisa sobre Deus, precisava que aprendesse sobre Música, Astrologia, Geometria e outras artes liberais. Pareceu a Justino que a coisa ia ser demorada, por isso, deixando os Pitagóricos, começou a seguir os Platônicos [21], os quais começaram a elevá-lo nas ideias.   

[18] O Estoicismo é uma doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio; o único apto a experimentar a verdadeira felicidade. O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã (Cf. Google).   
[19] Peripatéticos (é a palavra grega para 'ambulante' ou 'itinerante', 'aquele que passeia') eram discípulos de Aristóteles, em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, caminhando enquanto lia e dava preleções, sob os portais cobertos do Liceu, conhecidos como perípatoi, ou sob as árvores que o cercavam. A Escola peripatética foi um círculo filosófico da Grécia Antiga que basicamente seguia os ensinamentos de Aristóteles, o fundador. Fundada em c.336 a.C., quando Aristóteles abriu a primeira escola filosófica no Liceu em Atenas, durou até o século IV (Cf. Wikipédia). 
[20] A Escola Pitagórica, fundada por Pitágoras, foi uma influente corrente da filosofia grega, pertencendo a ela alguns dos mais antigos filósofos pré-socráticos. Temistocléia foi a mestre de Pitágoras; ela era alta profetisa, filósofa e matemática. Outros pensadores importantes dessa escola: Filolau, Arquitas, Alcmeão; a matemática e física Teano, que foi, possivelmente, casada com Pitágoras, a filósofa Melissa. Esses pensadores manifestam ao mesmo tempo tendências místico-religiosas e tendências científico-racionais. A influência estende-se até nossos dias. A escola teve como ponto de partida a cidade de Crotona, sul da Itália, e difundiu-se vastamente. Trata-se da escola filosófica grega mais influenciada exteriormente pelas religiões orientais, e que por isso mais se aproximou das filosofias dogmáticas regidas pela ideia de autoridade. O símbolo da Escola Pitagórica era o pentagrama, uma estrela de cinco pontas. (Cf. Wikipédia).
[21] O platonismo é uma corrente filosófica baseada no pensamento de Platão. Indica a filosofia de Platão e da sua escola, isto é, os filósofos que viveram entre o século IV a.C. e a primeira metade do século I a.C. (Cf. Wikipédia).


Ele pensou que agora alcançaria o conhecimento de Deus, mas lhe ocorreu que, estando próximo ao mar, um Homem Forasteiro, que começou a argumentar com ele, o persuadiu, com fortíssimas e poderosas razões, de que, se ele quisesse ter grande e determinada notícia de Deus, deixando o estudo dos Filósofos, passasse a ler e estudar os Profetas; e dizendo-lhe ainda que, o que eles haviam escrito, não o haviam aprendido de seres humanos, mas do próprio Deus, que tudo lhes havia revelado e ensinado. E que aquela como Doutrina de Deus era certíssima. Depois de ter-lhe dito isto, e certificá-lo de que os Cristãos liam tais Livros, porque o Evangelho que lhes deu Jesus Cristo era conforme aquilo que os Profetas haviam escrito, desapareceu, e Justino não o podia ver mais.  

Maravilhado não pouco de tal aparição, começou a ler os Profetas, e gostava muito daquela lição. Também leu o Evangelho, e conheceu (mandando-lhe Deus luz do Céu) que eram conformes entre si. A isso se somou outra coisa que o fez se resolver totalmente a ser batizado e se fazer Cristão, e isto foi o fato de que ele via muitos Cristãos padecer a morte com grandíssimos tormentos por amor de Cristo. Ele considerava consigo mesmo que os Cristãos são gente sábia e prudente, e não são amigos da vanglória do Mundo; via que eles eram mansos e de bons costumes, e que viviam moralmente, e julgou que Deus não permitiria que essas pessoas fossem enganadas. A conclusão de seus pensamento foi esta: que a lei dos Cristão era a verdadeira, e assim aceitou o Santo Batismo [22]. Depois de ser batizado, tomou para si o cuidado de defender os Cristãos, e escreveu alguns livros, defendendo-os de todos que os contrastassem.  
[22] Aqui se vê, na prática, como a Fé é a adesão da razão às Verdades reveladas por Deus, pois não foram sentimentos que convenceram – e converteram – São Justino, mas a razão. O uso da razão (N.d.E.).

Disputou comum Judeu chamado Trifão, que era um grande douto, e naquela disputa induziu ao Judeus e a muitos outros a não ter má opinião sobre os Cristãos, como a tinham. Presumia-se que, se tivessem conversado ou disputado mais vezes com Justino, ele e os outros Judeus ter-se-iam convertido.  

Foi coisa certa que o Imperador Antonino Pio, por ler algumas de suas Obras, que ele fez em defesa dos Cristãos, mandou ordenar em Ásia, onde todos os dias se martirizavam muitos Cristãos, que cessasse aquela perseguição e não fossem importunados se não tivessem comprovadamente cometido algum crime.  

Aconteceu que andava por Roma um Filósofo Cínico, chamado Crescente, homem ciumento, desonesto, mordaz, e que dizia muitas blasfêmias de Cristo. Justino se colocou contra ele, e, vendo que aquele não parava de falar mal dos Cristãos e de sua Lei, falou com o Imperador para que, por causa das palavras daquele, não se voltasse contra os Cristãos, e renovasse a perseguição. Fez-lhe ainda conhecer quem era Crescente, revelando-lhe ses vícios [23], para que não levasse em conta as palavras que um homem tão triste dissesse. Crescente foi avisado disso, e começou a perseguir Justino de tal forma que o fez prender e, por ordem do Senado, não tendo sido acusado de crime algum, a não ser o de ser Cristão, foi morto, e dessa forma conquistou a coroa do Martírio aos 13 de abril do ano do Senhor de 150, imperando o já citado Antonino Pio. Sobre São Justino escreveu Niceforo Calixto [24], no livro 2, cap. 32.   
[23] É lícito revelar os pecados dos outros, quando o exige o bem comum, para evitar que alguém cause dano a outrem. Mas é necessário discernimento, prudência e bom senso, porque a boa fama alheia é um bem precioso, e uma vez perdida dificilmente pode ser reparada (N.d.E.). 
[24] Niceforo Calixto (1256 – 1335), conhecido também como Niceforo Calixto Xanthopoulos, monge e historiador bizantino, o último dos historiadores eclesiásticos gregos. A sua Historia Ecclesiastica, em dezoito livros, narra acontecimentos desde o ano de 610. Para os quatro primeiros séculos, este autor dependeu largamente dos seus predecessores, Eusébio de Cesareia, Sócrates Escolástico, Sozomeno, Teodoreto e Evágrio Escolástico. O período final dos seus trabalhos, baseado em documentos que já não existem atualmente e a que tinha livre acesso, é de maior importância para os historiadores atuais. Também existe um índice de conteúdos de outros cinco livros, continuando a história da morte de Leão VI, o Sábio, em 911. Apenas um manuscrito da sua História é conhecido; foi roubado por um soldado turco da Biblioteca de Buda - é a porção ocidental da cidade de Budapeste, capital da Hungria, e está localizada na margem direita do rio Danúbio - durante o reinado de Matias Corvino da Hungria, e levado para Constantinopla, onde foi comprado por um Cristão, indo parar, posteriormente, na Biblioteca Imperial de Viena. Niceforo foi também o autor de listas de imperadores e patriarcas de Constantinopla, de um poema sobre a conquista de Jerusalém, e uma sinopse das Escrituras, tudo em poesia jâmbica (estilo literário grego); e comentários sobre poemas litúrgicos (Cf. Wikipédia).

Fonte: A Vida de São Justino, Mártir. In "Il Perfetto Leggendario della Vita e Fatti di N.S. Gesú Cristo e di tutti i suoi Santi", 1778, Edit. Francesco Sansoni, Veneza, p. 307. PDF in Google Book: https://goo.gl/jnld3f.


Tradução, notas, grifos e links: Giulia d’Amore.    




Leia, no Pale Ideas: 


  1. O Profeta Isaías, São Justino, o boi e o jumento de Bento XVI: http://farfalline.blogspot.com.br/2012/12/o-profeta-isaias-sao-justino-o-boi-e-o.html.
  2. Padres, Santos, Doutores da Igreja e escritores eclesiásticos condenam o homossexualismo: São Justino Mártir, in O homossexualismo condenado pela Sagrada Escritura e pela Tradição: http://farfalline.blogspot.com.br/2013/07/o-homossexualismo-condenado-pela.html.

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