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448º Aniversário da Bula Quo Primum Tempore, de São Pio V e o Missal Romano
O “Missal Romano” é o livro onde estão contidas as preces e leituras, os cantos e rubricas da Santa Missa. O Sacrossanto Concílio de Trento, em 1562, começou a cuidar da editio typica[1] do livro, mas depois se remeteu à diligência dos Papas. E, em 14 de julho de 1570, com a Bula “Quo primum”, São Pio V deu à Igreja a edição oficial. Exceto por algumas mudanças introduzidas nele por Clemente VIII, Urbano VIII, Leão XIII, São Pio X/Bento XV, e Pio XII e a adição de Missas dos novos santos, o Missal Romano, desde então, permaneceu idêntico.
1. Clemente VIII: Em 1604, 34 anos após a publicação do Missal de São Pio V, Papa Clemente VIII publicou, com várias mudanças, uma nova editio typica do Missal Romano, com o título de Missale Romanum, ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum, Pii Quinti Pontificis Maximi iussu editum, et Clementi VIII. auctoritate recognitum. Com base no título também a nova edição pode ser qualificada como Missal Romano Tridentino. O texto do cânon da Missa permaneceu o mesmo, mas as rubricas foram alteradas em diversos pontos. Em particular, apareceu uma nova indicação a respeito do momento sucessivo à consagração do cálice: as palavras Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis, que na Missa de Pio V eram ditas pelo sacerdote enquanto mostrava ao povo o cálice consagrado, passaram a ser pronunciadas durante a genuflexão do sacerdote, antes da elevação do próprio cálice. Entre outras mudanças, se pode mencionar que a benção no final da Missa, que no Missal de 1579 era dada pelo sacerdote com três sinais da cruz, passaria a ser dada com um único sinal da cruz, a menos que o sacerdote fosse um Bispo.
2. Papa Urbano VIII: Trinta anos depois, em 2 de setembro de 1634, Urbano VIII promulgou uma nova revisão do Missal Romano. A nova editio é chamada Missale Romanum, ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum, Pii V. iussu editum, et Clementis VIII. primum, nunc denuo Urbani Papae Octavi auctoritate recognitum. De registrar que não houve modificação no cânon da Missa.
3. Papa Leão XIII publicou, em 1884, uma nova editio typica, com poucas mudanças, fora a inclusão das Missas dos Santos acrescentadas depois de 1634: Missale Romanum ex decreto ss. Concilii Tridentini restitutum S. Pii V. Pontificis Maximi jussu editum Clementis VIII., Urbani VIII. et Leonis XIII. auctoritate recognitum.
4. São Pio X começou uma revisão que levou à publicação, em 25 de julho de 1920, por parte de seu sucessor, Papa Bento XV, do Missale Romanum ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum S. Pii V Pontificis Maximi jussu editum aliorum Pontificum cura recognitum a Pio X reformatum et Ssmi D. N. Benedicti XV auctoritate vulgatum. As novidades introduzidas nas rubricas formaram um novo capítulo com o título Additiones et variationes in rubricis Missalis.
5. Papa Pio XII reformou, em 1955, a liturgia da Semana Santa e da Vigília Pascoal; modificando não apenas o texto das preces, mas também a hora da celebração, estabeleceu que as funções da Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e da Vigília Pascal fossem celebradas na parte da tarde ou ao entardecer. Na celebração da Vigília Pascoal, Pio XII também introduziu oficialmente, pela primeira vez, o uso das línguas vernáculas modernas na liturgia eucarística. Sem publicar uma nova editio typica do Missal Romano, ele deu permissão para substituir o texto anterior pelo novo.

