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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Sobre os Fioretti II: Histórias edificantes sobre São Francisco de Assis

Como falamos no outro post sobre Fioretti, há outras acepções para esta palavra que, em italiano, significa "pequenas flores". Da primeira, tratamos no outro post, do dia 19 de janeiro. Agora trataremos da segunda: histórias edificantes, não necessariamente reais

Na literatura, os Fioretti são histórias transmitidas oralmente (tradição), sobre a vida e os milagres dos Santos, com o fim de edificar, elevar o espírito daqueles que venham a ler. O fato transmitido é uma “pequena flor”, e, quando estes fatos se multiplicam, formam uma espécie de coroa que orna a cabeça dos santos e se agrega à aureola que já possuem pela pratica do exercício das virtudes. São fatos sobre os quais nem sempre há uma documentação histórica, mas que o amor do povo para com os seus Santos transmite de geração em geração. 

O conjunto mais famoso de Fioretti é o de São Francisco de Assis: “florezinhas recolhidas no vasto campo da história franciscana, em primeiro lugar, daquele que de tal movimento foi promotor”.  No final, uma explanação sobre a Obra dos Fioretti de São Francisco. Em outro post, em 02 de fevereiro, falaremos sobre os mencionados (no post precedente) Fioretti de Papa Pio XII. Aguardem!   

Hoje, trago um texto chamado "Um tenro episódio de I Fioretti di san Francesco", do doutor Marco Papasidero (*), para ilustrar o que é um Fioretto de São Francisco. Ao texto.  




Um menino frade perseguindo para si a santidade de São Francisco 


Os "Fioretti di San Francesco" (em português, apenas "I Fioretti") são uma obra literária italiana, composta entre 1370 e 1390 - portanto, não particularmente próxima à sua morte, ocorrida em 1226 – que contém exemplos e acontecimentos da vida do Poverello d’Assisi. É subdividida em 53 capítulos, e, além de episódios que tem por protagonista o Santo, trazem também alguns sobre Santa Clara ou outros frades próximos a ele. 

A Obra, que não pode ser considerada propriamente histórica, mas a expressão da hagiografia fabulosa sobre o Santo, em particular por causa das imprecisões históricas e da relevante distância de sua vida, é contudo um agradável conjunto de acontecimentos edificantes ou interessantes, tanto que gozou de uma grande divulgação nos anos sucessivos à sua redação e ainda hoje tem uma certa difusão. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

AOS DOMINGOS NÃO SE FAZ PENITÊNCIA!

Postamos no dia 19 de janeiro um artigo sobre os Fioretti, pequenas renúncias por amor à Virgem, a Nosso Senhor Jesus Cristo ou ao Santo de devoção, escritas em um pedacinho de papel branco, queimado em seguida. Mas surgiu a dúvida se se pode fazer essa bela devoção aos Domingos (inclusive os da Quaresma) e Dias Santos. Encontrei um texto que fala especificamente sobre os Fioretti, mas se aplica a todas as penitências e mortificações. 


AOS DOMINGOS NÃO SE FAZ PENITÊNCIA! 



Sobre a proibição explicita de fazer Fioretti aos Domingos de Quaresma, temos testemunhos precisos a partir do século IV: “jejuar em dia de domingo é grande escândalo”, escreve Santo Agostinho, em 396, a Casulano (Carta 36,27), criticando esta práxis costumeira entre os que seguiam a heresia maniqueista (indicação, por outro lado, reportada, em sua essência, por muitos outros Padres da Igreja). 

Sempre do século IV, temos também a Constituição Eclesiástica dos Apóstolos(*), um escrito com tratados morais e prescrições canônicas, que afirma expressamente: “Se um membro do clero, em dia de Domingo, venha a ser surpreendido a jejuar, venha deposto; se for um leigo, seja excluído” (47,64). Fala-se genericamente de domingo, mas tais indicações eram aplicadas também no período da Quaresma.  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sobre os Fioretti I: Ato devocional

O QUE É UM FIORETTO?

Fioretto significa, em italiano, uma pequena flor, uma florzinha. Possui dezenas de acepções, as mais importantes são estas: 
sacrifício, voto, abstinência, ato de renúncia, promessa feita voluntariamente, por devoção, à Virgem ou a Nosso Senhor Jesus Cristo; o nome deriva da oferta de uma flor sobre o altar;   
- antologia de histórias edificantes, ainda que não seja real, tipicamente medieval; 
- pequena arma de ponta usada na Esgrima

Não trataremos da arma, porque não tem relevância alguma para nós. Sobre os Fioretti como "histórias edificantes", basta, por ora, saber que a mais famosa coleção de Fioretti é a de São Francisco de Assis, intitulada "I Fioretti". Não foi escrita por ele, mas por um hagiógrafo, bem depois de sua morte. O Papa Pio XII também possui os seus FiorettiFalaremos desse tipo de Fioretti em outros posts, nos dias 26/01 e 02/02. Aguardem!  

No assunto em tela, hoje, o Fioretto é, portanto, pequeno sacrifício, um compromisso, um propósito que se oferece a Nossa Senhora ou ao Senhor Jesus Cristo para agradá-los, exatamente como quando se oferece uma flor. Não é necessário fazer grandes coisas ou enormes sacrifícios para fazer nascer inúmeras florzinhas no Jardim de Deus! O Fioretto é oferecido a Maria e a Jesus sem outra razão que o amor. Não serve para pedir algo!  

O Fioretto é, portanto, um sinal de nosso amor por Jesus e Maria Santíssima. 

Santa Teresinha de Lisieux tinha uma imensa estima pelos Fioretti, e no final de sua vida dizia que gostaria de "ter ensinado a todas as almas estes pequenos meios que para mim se revelaram muito úteis". 

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