Santa Mônica: a criação do ideal da mãe cristã
Ricardo da COSTA
In: Grupos de Trabalho III — Antiguidade Tardia.
Rio de Janeiro: UFRJ, 1995, p. 21-35.
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Painel de Andrea del Verrocchio
(S. Spirito, Florence, séc. XV, detalhe) |
Tratar um tema histórico situado no âmbito da História das Mulheres possui inúmeros atrativos, e alguns problemas. De início, o universo feminino, por vezes tão ambíguo e indecifrável para nós, exerce fascínio exatamente por sua multiplicidade e riqueza. Como afirma Georges Duby, "E afinal, que sabemos nós delas?" (DUBY, s/d: 7). Quanto mais vivemos e convivemos com elas, mais nos apaixonamos, mais nos interrogamos e menos obtemos respostas. Isso nos oferece um mundo de possibilidades psico-afetivas; essa é uma estrada com um longo e sinuoso trajeto sem fim, mas que sempre adoramos percorrer e tentar decifrar.
Mas o que é a escrita da história senão um longo e sinuoso caminho decifratório de múltiplas possibilidades? Escrever sobre a mulher, ou melhor, sobre uma mulher, é como narrar uma antiga lenda a uma criança: inventamos e reinventamos a História, sob o deleite do olhar infantil que nos acompanha em seu leito.