Operação Memória: A carta de Dom Rifan (Campos) a Dom Gerard (Le Barroux), em julho de 1988. Parece um dejá vu interminável. Grifos e notas nossos.
PREMONIÇÃO? Um dominó de santas almas que caíram na cilada da serpente! E ainda vem mais...
Barroux,3 de julho de 1988.
Caríssimo Dom Gérard Calvet
Laudetur Jesus Cristus !
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O Sr. Pe. Rifan, Pe. Schmidberger, Pe. Possidenti, Homero Johas, Mons. Lefèbvre e Dom Mayer em reunião, em 1983 |
A
amizade sincera que nos une, ao Sr. e ao Mosteiro do Barroux e do
Brasil, me leva a abrir-lhe um pouco os sentimentos do meu coração
sacerdotal. Creio que só o amor de Nosso Senhor, da Santa Igreja e das
almas nos move. Tomei conhecimento da visita dos enviados de Roma ao
nosso caríssimo Mosteiro do Barroux. Certamente vão propor acordos. Ao
estudar detalhadamente o caso de D. Lefebvre, pude constatar a
verdadeira cilada em que procuravam nos envolver. Eles não são
sinceros.
Eles o demonstraram: logo depois de
assinado o protocolo, eles já queriam mais: que reconhecêssemos os erros
que cometemos (doutrinários); a celebração de uma Missa nova em S.
Nicolás, etc... Vejamos o que aconteceu com D. Augustin! Começou apenas
se separando de nós. Agora já está dando a comunhão na mão! O caminho é
escorregadio. Começou apenas querendo a legalidade¹. Depois, teve que
receber o bispo para celebrar missa no Mosteiro. Terminou com a comunhão
na mão! Nosso Senhor mandou-nos unir a simplicidade da pomba à
esperteza da serpente.
Caríssimo
Dom Gérard, o amor que temos ao Mosteiro nos impele a pedir- lhe que
não faça esses acordos com quem não quer o bem da Igreja. O Cardeal
Gagnon declarou (eu li nos jornais do Brasil) que a tática do Vaticano
agora será tratar bem os Tradicionalistas a fim de separá-los de D.
Lefebvre. Dividir para vencer é claro: se ficarmos todos juntos, os
inimigos temerão e recuarão. "Vis unita fit fortior". Se houver acordo
da parte de qualquer um de nós, será o enfraquecimento geral da
Tradição. O melhor serviço que podemos prestar à Santa Igreja é
resistirmos juntos.
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Dom Rifan e o Bento XVI Agora, "eles" são sinceros? |
Foi
em nome dessa união que nós publicamos em nosso boletim "Heri et hodie"
o seu sermão "5 Razões para a sagração Episcopal", onde o Sr. nos conclama
a ter confiança em Dom Lefebvre. Como o seu artigo ajudou a aquietar os
ânimos! E ademais temos que olhar a situação da Igreja toda, e não
apenas resolver nosso caso particular. Seria uma traição à causa pela
qual juntos combatemos há tanto tempo. Tanto mais que eles confessaram a
tática insidiosa. Seria o cúmulo da a ingenuidade cairmos nesta
armadilha². Outrossim todos sabem que Deus reservou ao Sr. um papel
providencial na Igreja hoje. Todos conhecem o bem que Deus fez por seu
intermédio e por sua influência.
Caríssimo
D. Gérard é a Cristandade de amanhã que implora a sua firmeza.
Ajudai-nos, com o seu exemplo, a ficarmos firmes. Se o Mosteiro do
Barroux faz o tal acordo, o caro Dom Gérard já pensou na turbulência que
haverá nos meios tradicionalistas? E as divisões que ocorrerão dentro
do Mosteiro?³ No Brasil, a repercussão será péssima. O Mosteiro da Santa
Cruz poderá até desaparecer. Os fiéis de Campos lá não irão mais. Os
nossos padres não darão mais apoio. As vocações desaparecerão. E os que
lá estão talvez saiam todos. Seria uma desgraça! E depois de todo o
apoio dado pelos padres de Campos, de todo o esforço feito pelo Padre
Possidente pelas vocações no Mosteiro percorrendo com os monges toda a
diocese, uma traição destas seria uma decepção para toda a diocese de
Campos e para todo o Brasil.
Tenho
recebido muita correspondência do Pe. L. M. de Blignière e acompanhado o
seu retrocesso. A revista "30 Giorni" publicou um artigo sobre sua
nova posição mostrando como os Tradicionalistas podem se "converter" ao
progressismo. Não sei por que esse empenho dele em defender a liberdade
religiosa do Concílio, fazendo uma exegese tradicional do texto, se a
própria Roma o interpreta no sentido de "Assis". Pelos frutos se conhece
a árvore: a árvore boa não pode dar maus frutos. "Assis "é fruto da
"Dignitatis Humanae". O Ecumenismo atual, o indiferentismo religioso dos
Estados patrocinado pelo Vaticano, a laicização da sociedade, são
frutos da "Dignitatis Humanae". E o próprio Cardeal Ratzinger confessou
(em entrevista ao "Jesus") que a "Dignitatis Humanae" é o anti Syllabus!
E não se pode argumentar
pela ortodoxia, afirmando que, em outro lugar, se disse a verdade. É
preciso reconhecer que estamos lidando com Modernistas e com um Concílio
Modernista! São Pio X já os desmascarou na "Pascendi" quando disse: ao
lermos uma página deles temos a perfeita doutrina tradicional, mas ao
virarmos a página nos deparamos com a heresia. É bom lembrar o princípio
de que a pior moeda falsa é a que mais se parece com a verdadeira. E
tanto mais perigosa quanto mais se parece!
Caríssimo
Dom Gérard, peço-lhe desculpas por escrever tudo isso, mas foi a nossa
amizade sincera e o amor do nosso Mosteiro, que me levou a escrever tudo
o que escrevi. A hora é grave, continuemos unidos na oração e na
identidade de doutrina. Que o seu entusiasmo pela causa da Igreja
continue nos animando sempre.
Que Nossa Senhora da Santa Esperança nos guarde unidos no mesmo ideal.
Seu
In Jesus et Maria.
Pe. Fernando Arêas Rifan.
¹ O mesmo alerta que se faz agora.
² E, então, dom Rifan? E esse o adjentivo? Ingênuo?
³ Profético? Previsível... Agora, coincidentemente, as divisões aconteceram dentro da FSSPX.
Fonte
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