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domingo, 7 de outubro de 2012

Um sacristão e uma voz misteriosa

Na pequena cidade de Ostra-Brama, Polônia, há uma bela igreja onde, há séculos, se venera uma devota imagem de Nossa Senhora das Dores.

No mês de março de 1896, um forasteiro, falando polonês com sotaque russo, apresentou-se ao sacristão com dois grossos círios, dizendo que queria ardessem diante da milagrosa imagem até se acabarem.

Fiz promessa – disse – que fiquem acesos até amanhã depois da missa sem que se apaguem. Tenho um grande negócio, que amanhã se há de decidir e só me resta este tempo para recomendá-lo a Nossa Senhora. Se quiser, irei junto para colocá-los na igreja.

Eu o farei com gosto – replicou o sacristão
– mas o caso é que, quando se deixam luzes na igreja, tenho de passar a noite lá, por temor de um incêndio.

Sei – disse o desconhecido – mas por esse seu trabalho dou-lhe agora mesmo dois rublos.

A filha do sacristão preparou ao pai a ceia e roupas quentes, e o russo foi com ele acender os círios, rezou alguns minutos e foi-se embora.

O sacristão, uma vez sozinho, tocou as Ave-Marias, fechou as portas, rezou sua oração da noite, sentou-se numa cadeira, na sacristia, e logo começou a cochilar.

De repente ouve uma voz que lhe grita:

— Apaga, apaga os dois círios!

Assustado, levanta-se, olha pata todos os lados e não vê ninguém. Julga ter sido um sonho e torna a dormir; mas, pouco depois, desperta-o a mesma voz misteriosa:

— Apaga, apaga os círios!

Como não vê ninguém, para acabar com aqueles sonhos, acha que seria melhor apagar as velas; mas, lembrando de sua promessa e do dinheiro recebido, pôs-se a rezar o rosário até que, vencido pelo sono, adormece pela terceira vez.

Desta vez a voz desperta-o com mais força:

— Apaga, apaga depressa os círios.

Convencido afinal de que a voz vinha do alto, apaga os círios e fica tranquilo. Ao romper do dia toca as Ave-Marias, prepara o altar para a missa e começam a chegar os fiéis e também sua filha. Esta, terminada a missa, pergunta ao pai por que apagara os círios.

Inteirada do que acontecera, após a saída dos fiéis, levaram os círios para examiná-los, pois notaram que eram de um peso extraordinário.

O pai com uma faca foi rasgando a cera e no meio viu que o pavio penetrava num tubo e ferro. Suspeitando uma armadilha sacrílega, puseram os círios num barril de água e foram depressa avisar ao vigário e ao delegado de polícia.

Descobriram, então, que os dois tubos estavam carregados com dinamite e calculados para explodir precisamente à hora da missa.

Imagine-se a gratidão dos habitantes de Ostra-Brama para com Nossa Senhora por os haver livrado, com sua intervenção direta, do horrível atentado.


Tesouro de Exemplos, Pe. Francisco Alves, Editora Vozes (quando ainda católica!).


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domingo, 13 de novembro de 2011

Os Tesouros de Cornélio À Lapide

Cornélio a Lápide, Cornelius Cornelii a Lapide (nascido Cornelis Cornelissen van den Steen, 1567 – 1637) foi um jesuíta e exegeta flamengo (da cidade de Bocholt na Bélgica). Foi um dos nomes da Contrarreforma, também conhecida por Reforma Católica[1]. Cursou seus estudos de humanidades de filosofia nas Universidade de Maastrich e Colônia; começou a teologia em Douai, e logo estudou quatro anos na Universidade de Lovaina, onde foi admitido definitivamente na Companhia de Jesus em 15 de julho de 1592, e ordenado sacerdote em 24 de dezembro de 1595. Nesta universidade começou sua docência (de 1598 a 1616). Por seis meses ensinou filosofia, e logo hebreu e sagradas escrituras durante vinte anos. Seus Commentaria Bíblica para uso da pregação foram reeditados até o século XIX (Enciclopédia Delta Larousse. Rio de Janeiro: Ed. Delta S.A., 1962. 15 v.). Editou comentários a todos os livros da S. Escritura, com exceção do Livro dos Salmos e do Livro de Jó. Seus melhores comentários são de exegese do Pentateuco e às Epístolas de S. Paulo.
Atualmente, Cornélio à Lápide não um personagem muito lembrado na literatura pedagógica religiosa, mas, segundo Villoslada[2], no seu tempo “despontou como um exegeta de primeira categoria”, principalmente em sua terra, quando fez um trabalho monumental de recompilação de toda a exegese do seu tempo (LLORCA, Bernardino, S.J.; VILLOSLADA, R. Garcia, S.J.; MONTALBAN, F. S., S.J. Historia de la Iglesia Catolica: en sus cuatro grandes edades: antigua, media, nueva, moderna. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos – BAC, 1960. p. 1018-1049). Até hoje existe uma coleção da sua obra, em muitos volumes, no Convento de São Francisco da Bahia.

Após esta breve biografia, informo que fui agraciada com um pequeno grande tesouro: os Tesouros de Cornélio à Lápide, que está em italiano. São noventa e quatro textos que irei traduzir e publicar, aos poucos, em ordem alfabética, seguindo a metodologia usada em um antigo livro: “Tesoros de Cornelio a Lapide”[3].  


A lista dos textos que consegui: 

    1. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Adulação e elogios
    2. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Agradecimento
    3. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Alegrias mundanas
    4. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Chagas - as cinco
    5. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Escândalo O
    6. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Escrúpulo O
    7. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Falsa confiança
    8. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Fuga das ocasiões próximas do pecado
    9. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Habito do pecado
    10. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Honra A
    11. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Humildade
    12. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Inferno
    13. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Inveja e ciúmes
    14. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (I)
    15. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (II)
    16. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (III)
    17. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (IV)
    18. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (V)
    19. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (VI)
    20. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (VII)
    21. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Jesus Cristo (VIII)
    22. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Juízo temerário.
    23. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Justiça A
    24. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Justos Os
    25. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Juventude
    26. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Lei de Deus A
    27. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Liberdade A
    28. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Língua A
    29. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Maledicência
    30. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Matrimonio
    31. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Meditação
    32. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Milagres
    33. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Morte do justo
    34. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Nada do mundo O
    35. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Nome de Jesus
    36. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Ódio O
    37. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Oração (I)
    38. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Oração (III)
    39. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Paciência
    40. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Padre O (I)
    41. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Padre O (II)
    42. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Padre O (III)
    43. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Padre O (IV)
    44. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Parábola do samaritano
    45. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Paraíso
    46. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pater Noster
    47. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pecado contra o Espirito Santo
    48. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pecado Mortal (I)
    49. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pecado Venial O
    50. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pecador
    51. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Penitencia
    52. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Perdão das injurias (I)
    53. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Perseguição
    54. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Perseverança
    55. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pobreza
    56. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Predestinação e pré-ciência
    57. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Presença de Deus
    58. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Presentes
    59. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Progresso e numero dos delitos
    60. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Progresso na virtude
    61. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Prudência A
    62. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Purgatório
    63. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Pusilanimidade A
    64. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Redenção A
    65. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Remorso
    66. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Respeito humano O
    67. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Ressureição
    68. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Retiro espiritual
    69. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Revolução
    70. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Riquezas
    71. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Riquezas verdadeiras
    72. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Sabedoria A
    73. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Santidade
    74. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Santos
    75. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: São José
    76. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Saúde
    77. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Sobriedade A
    78. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Solidão A
    79. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Submissão à vontade Divina
    80. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Temor de Deus
    81. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Tentações
    82. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Tradição
    83. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Uma coisa apenas é necessária
    84. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Unidade
    85. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Vaidade A
    86. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Vangloria A
    87. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Velhice
    88. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Verdade A
    89. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Virgindade
    90. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Virtudes As
    91. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Vitória A
    92. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Vocação
    93. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Votos
    94. Os Tesouros de Cornélio à Lapide: Zelo  

 Aguarde para breve a série. 


Giulia d'Amore di Ugento


[1] NdR: o movimento criado no seio da Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante iniciada por Lutero, a partir de 1517. Em 1545, a igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento estabelecendo, entre outras medidas, a retomada do Tribunal do Santo Ofício, a criação do Index Librorum Prohibitorum, com uma relação de livros proibidos pela Igreja e o incentivo à catequese dos povos do Novo Mundo, com a criação de novas ordens religiosas dedicadas a essa empreitada, incluindo aí a Companhia de Jesus. Outras medidas incluíram a reafirmação da autoridade papal, a manutenção do celibato, a criação do catecismo e dos seminários, a supressão de abusos envolvendo indulgências e a adoção da Vulgata como tradução oficial da Bíblia.
[2] Francisco Navarro Villoslada (1818-1895), escritor espanhol de ideologia tradicionalista e carlista. 
[3] Traduzido (1866) para a língua espanhola pelo catedrático de língua francesa, Dom Carlos Soler y Arqués, correspondente da Real Academia de História, da versão do Abade Barbier.

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