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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"O sangue enche as nossas estradas, os nossos olhos, o nosso coração"!

Traduzirei assim que possível, não queria deixar passar batida essa carta das irmãs trapistas na Síria, à espera de ajuda e denunciando a ação do Maligno. Enquanto isso, o Bispo de Roma envia parabéns pelo fim do Ramadã aos que matam essas religiosas e os cristãos na Síria e no Egito e em todo o mundo. Essa carta nos faz lembrar de outra, já publicada aqui, das Pequenas Irmãs de Bagdá, de 2010.


Carta das quatro irmãs trapistas na Síria:

«O sangue enche as nossas estradas, os nossos olhos, o nosso coração»



Agosto 30, 201
3

«Vediamo la gente intorno a noi e pensiamo: “Domani hanno deciso di bombardarci”».


Oggi non abbiamo parole, se non quelle dei salmi che la preghiera liturgica ci mette sulle labbra in questi giorni: «Minaccia la belva dei canneti, il branco dei tori con i vitelli dei popoli… o Dio disperdi i popoli che amano la guerra…». «Il Signore dal cielo ha guardato la terra, per ascoltare il gemito del prigioniero, per liberare i condannati a morte»… «ascolta o Dio la voce del mio lamento, dal terrore del nemico preserva la mia vita; proteggimi dalla congiura degli empi, dal tumulto dei malvagi. Affilano la loro lingua come spada, scagliano come frecce parole amare… Si ostinano nel fare il male, si accordano per nascondere tranelli, dicono: “Chi li potrà vedere? meditano iniquità, attuano le loro trame. Un baratro è l’uomo, e il suo cuore un abisso”. Lodate il mio Dio con i timpani, cantate al Signore con cembali, elevate a lui l’accordo del salmo e della lode, esaltate e invocate il suo nome. POICHE’ IL SIGNORE E’ IL DIO CHE STRONCA LE GUERRE. “Signore, grande sei tu e glorioso, mirabile nella tua potenza e invincibile”».

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Martirio silencioso de Bagdá

Carta de duas Pequenas Irmãs de Bagdá

Eu encontrei no Blog do Marco Tosatti esta carta impressionante de Bagdá escrita por duas Pequenas Irmãs (ordem religiosa), testemunhas oculares do efeito do massacre islâmico perpetrado contra a comunidade sírio-católica (aqui a notícia de 31 de outubro pela agência AsiaNews). Parece-nos mesmo ler os documentos do segundo ou terceiro século da era cristã, que testemunham para nós o martírio dos primeiros cristãos. 

Essa carta, na sua clareza terrível, não pode não nos comover e deveria incentivar o Santo Padre, uma vez verificados os fatos, a declarar, logo, mártires da Fé e santos da Igreja católica estes irmãos siríacos que mesclaram seu sangue com aquele do sacrifício redentor que estavam celebrando.
Leiam e rezem:

Caros irmãos e irmãs em qualquer lugar,

Queremos começar esta carta agradecendo a todos por todas as mensagens de comunhão e de solidariedade que temos recebido. Há muitos desastres naturais neste momento no mundo que fazem muito mais vítimas do que aqui, mas a causa não é o ódio, e isso faz toda a diferença. Nossa igreja está habituada a golpes duros, mas é a primeira vez que recebeu um tão violento e selvagem, e, mais importante, é a primeira vez que isso acontece no interior de uma igreja, geralmente eles explodem bombas nos pátios das igrejas. A igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das três Igrejas sírio-católicas em Bagdá, a maioria daqueles que a frequentam são cristãos de rito siríaco original de Mossul ou de três aldeias siríaco-cristãs próximas de Mossul: Qaragosh de onde se originam as nossas irmãs Virgin Hanan e Rajah Nour; Bartolla e Bashiqa de onde vem Mariam Farah. Graças a Deus, nenhuma delas teve familiares mortos ou feridos gravemente.

A igreja foi tomada de assalto domingo dia 31 de outubro, após o meio dia, logo após a homilia do Padre Tha'er que celebrava a Missa. Padre Wasim, quem é filho de uma prima da irmã Lamia, confessava no fundo da igreja; padre Rafael estava no coro. Os agressores eram pessoas muito jovens (14-15 anos), sem máscaras, armados com metralhadoras e granadas e usando um cinturão de explosivos. Eles imediatamente abriram fogo, matando Padre Wasim que estava tentando fechar a porta da igreja, em seguida começaram a atirar a esmo, depois de ordenar as pessoas para se jogarem no chão, não se mover e não gritar. Alguns foram capazes de enviar mensagens com o telefone, mas depois os assaltantes estavam atirando em todos que viam usando o celular. Padre Tha'er, que continuava a celebrar, foi morto no altar, em suas vestimentas, seu irmão e sua mãe também foram mortos. Após aconteceu o massacre, não podemos contar tudo o que as pessoas nos disseram, até mesmo as crianças que choravam foram mortas. Algumas pessoas se refugiaram na sacristia e colocaram barricadas na porta, mas os atacantes subiram no telhado da igreja e lançaram granadas pelas janelas da sacristia, que estão no alto.

Tudo isso sugere que foi um ataque bem elaborado, e que tiveram ajuda de fora; como eles podiam forçar a barreira da polícia (na estrada que vai à igreja) e conhecer o caminho para chegar ao terraço, etc.? Eles metralharam também o equipamento de ar condicionado para que o gás, saindo, sufocasse aqueles que estavam perto. Eles metralharam a cruz, rindo e dizendo às pessoas: "Diga a Ele para salvar vocês". Então lançaram o apelo à oração: "Allau akbar, la ilah illa allahu…", e, finalmente, quando o exército estava prestes a entrar, se explodiram. O exército e a ajuda demoraram cerca de duas horas para chegar, assim como os americanos que sobrevoam de helicóptero, mas o exército não é treinado para lidar com estas situações, e não sabiam o que fazer. Porque levaram tanto tempo para chegar? Tudo estava acabado por volta das 10h30 - 11h da noite, durou muito e achamos que muitas pessoas morreram devido à perda de sangue e ferimentos. Após, os feridos foram levados a diferentes hospitais e os mortos ao necrotério.

As pessoas começaram a chegar para saber o que tinha acontecido e obter notícias de parentes, mas o acesso à igreja era proibido e as pessoas começaram a andar de hospital em hospital em busca de seus entes queridos. Temos visto pessoas que foram à procura de alguém até 4 horas da manhã para finalmente encontrar no necrotério. No dia seguinte, houve as exéquias na igreja caldeia próxima, a igreja estava cheia, era impressionante, havia quinze caixões alinhados no coro, as outras vítimas foram enterradas em seus povoados ou separadamente, conforme o caso. Havia representantes de todas as comunidades cristãs, do Governo, o nosso Patriarca falou, assim como o porta-voz do governo e um religioso, chefe de um partido islâmico, Moammar el Hakim. A oração foi realizada com grande dignidade e sem manifestações ruidosas. Padre Saad, responsável por essa igreja, ajudou as pessoas a rezar conforme chegavam, antes da cerimônia começar. Os dois jovens sacerdotes foram enterrados em sua igreja devastada. Há um cemitério sob a igreja, e antes de enterrá-los passaram os caixões pela igreja para que pudéssemos dizer-lhes adeus.

No início não sabíamos nada das vítimas, não conhecíamos ninguém diretamente, exceto Padre Raphael, um padre idoso; nós fomos ao hospital para visitá-lo e visitar os feridos que estavam lá. Eram as famílias que nos acompanharam de sala em sala, bem como as pessoas dos hospital que nos apontavam os feridos. Por acaso eram todos mulheres ou meninas, com ferimentos a bala, não era como uma explosão em que pode acontecer de perder um braço ou uma perna. Ficamos do lado delas, sem falar muito, eram elas que falavam ou suas famílias, cada uma revivia sua historia e a contava. Desde o começo do ataque que houve no domingo, na missa, membros de uma mesma família foram feridos ou mortos, alguns para proteger seus filhos. Impressionou-nos muito a calma e a fé deles enquanto contavam os eventos, nós sentíamos que eram pessoas que tinham vindo de outro mundo e que naquele momento lá (do ataque) nada importava mais do que o encontro bem próximo com o Senhor, não pensavam em nada mais, apenas rezavam, e isso durou cinco horas.

Na sexta-feira após o almoço, os jovens de muitas paróquias vieram para ajudar a varrer os restos e limpar um pouco, e, no domingo seguinte, 7 de novembro, todos os sacerdotes siríacos e caldeus de Bagdá que estavam disponíveis celebraram a Missa na igreja vazia e devastada sobre um altar improvisado; havia poucas pessoas, porque esta Missa não fora anunciada. Nós não fomos porque não sabíamos. Foi muito comovente. Houve um assombro de fé e de determinação, especialmente nos sacerdotes que restam em Bagdá e que dizem: querem nos caçar e exterminar, mas nós estamos aqui e aqui permaneceremos, depois de 14 séculos vocês não pode acabar com a gente. A história dos cristãos no Iraque é uma longa história de perseguição, de martírios, de cristãos expulsos e mandados embora. Pense na frase do Salmo 69: "Mais numerosos que os cabelos da cabeça são aqueles que me odeiam sem causa" e nós pensamos especialmente de Jesus, odiado sem razão alguma, enquanto passava e fazia o bem. Finalizamos esta carta com o grito de uma criança de três anos que viu matarem o pai e gritava: "chega, chega" antes de ser morto também. Sim, verdadeiramente com o nosso povo clamamos: basta.

Vossa irmãzinhas de Bagdá, Alice e Martina.

Fonte: Cantuale Antonianum
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

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