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quinta-feira, 27 de março de 2014

Cura Gay: a quem interessa dizer que não é possível?

Aprendendo que Deus Realmente me Ama


Testemunho Rob G
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Eu não escolhi ser gay, nem nasci gay. Pelo contrário, minha atração para outros homens foi algo que desenvolveu no decorrer dos anos, com muitos fatores que contribuíram para seu desenvolvimento.

Quando era uma criança, eu não sabia que meu pai me amava. Ele ficava muito tempo longe no trabalho e eu não o via muito. Minha necessidade por amor e afirmação não foram preenchidas, mas ele não tinha intenção de me magoar; sentia-me rejeitado e me fechei em relação a ele para não ser mais magoado. É claro que isto não resolveu meu problema de não ter minhas necessidades preenchidas – eu ainda estava com um buraco em meu coração. E enquanto sentia que ele não me afirmava em meu desenvolvimento como homem, deixando-o de fora, significava que eu não tinha mais um homem adulto a quem me apegar e com quem me identificar.

Quando era criança, geralmente estava sempre de lado, no que os garotos eram interessados. De certa forma, isso era devido à simples geografia. Do jardim de infância até o colegial eu morava longe de minha escola e dos meus amigos de classe e isso limitava amizades e atividade depois da escola. Na maioria das vezes eu apenas ia pra casa e brincava de "Lego" ou lia livros em meu quarto. Mesmo na escola, devido a minha falta de interesse e habilidade em esportes, acabava brincando fora de campo ou em posição parecida na aula de ginástica. Por causa de frequentes mudanças, fui transferido de escolas cinco vezes, ficando em três delas por um ano, ou menos; era difícil fazer amigos quando todas as outras crianças já se conheciam por muitos anos.

Em outras palavras, o fato de viver na periferia da vida foi devido a uma coisa simples e complexa chamada abuso sexual, que no meu caso aconteceu por ser tocado sexualmente por um homem adulto “amigo da família” quando eu tinha cinco anos, e por ser violentado por três colegas no início de minha adolescência.


O abuso me ensinou a ter medo de homens. Achei mais fácil ser amigo de garotas – que não eram interessadas em ser competitivas – do que garotos. O abuso destruiu meu senso de ser pessoal e o pouco de senso que havia de masculinidade. A mensagem que eu tinha era de que eu era sujo, alguma coisa a ser usada por outros.

O abuso me ensinou também que o caminho para estar mais perto de um homem era me envolver sexualmente com ele. Isso era, depois de tudo, o contexto no qual eu experimentava ter atenção e estar próximo. Na puberdade, vi no sexo uma forma de suprir minhas necessidades de amor e afirmação.

Desde que eu possa recordar tendo fantasias sexuais, elas foram apenas com homens.

No início do Ensino Médio, um dos garotos – particularmente um chamado Jimmy – às vezes me chamava de “bicha”. Eu entendia que isso era algo ofensivo, mas não sabia exatamente o que significava, nem que essa palavra poderia ser usada para descrever meus desejos. Faltavam apenas alguns meses para meu aniversário de dezenove anos quando entendi que a palavra “homossexual” era aplicada para meus pensamentos e desejos. Isso foi um grande choque pra mim, fiquei bastante depressivo, ficava de mal humor e dormia muito. Sempre me negava a responder quando alguém perguntava “como você está?”. Em duas ocasiões senti vontade de me matar. É claro que de certa forma eu ainda era a mesma pessoa, mas, por outro lado, agora tinha esse rótulo pregado em mim, agora sabia que os pensamentos que estavam em minha cabeça não eram os mesmos pensamentos que as outras pessoas tinham. Não era mais “apenas eu”.

Contei a dois amigos íntimos o que estava acontecendo. Raymond respondeu que ele já sabia e que ele também era gay. Richard e eu estávamos sentados na cozinha quando lhe contei, tarde da noite, meus pais estavam dormindo no andar de cima. Foi um momento muito difícil, lembro-me de segurar um copo de vidro com muita força em minhas mãos,  tremendo com medo e emoção; quando eu consegui finalmente falar, Richard não ficou surpreso de ouvir que eu sofria com homossexualidade e me deu muito apoio.

Foi muito bom ter ambos: um amigo que sabia o que eu estava passando por estar em uma situação similar e um amigo heterossexual que estava ao meu lado. A maioria dos amigos a quem eu “me revelei” ao longo  dos anos foram, de fato, homens cristãos e apenas dois deles reagiram negativamente; os demais continuavam me amando e se relacionando comigo como eles faziam antes de saber sobre mim. Considero-me muito sortudo nesse sentido, pois eu conheço muitos gays e lésbicas que não tiveram a mesma compreensão, e aceitação incondicional como pessoa.

Nos meses seguintes eu consegui algumas informações por telefone de um centro de atendimento para gays e questionei se minhas crenças sobre o que a Bíblia diz estavam erradas. Depois de muito pensar, concluí  que a intenção de Deus para sua criação é um relacionamento de homem e mulher, unidos para a vida toda e qualquer coisa diferente desse padrão era errada. Não sabia até então que mudar era possível, mas decidi que mesmo que nada nunca mudasse em relação a minha sexualidade, seguir Jesus era minha primeira prioridade. Essa foi uma decisão difícil pra mim – eu sabia que isso significaria viver sozinho pelo resto de minha vida.

Naquele agosto, mudei-me para London, uma cidade em Ontário, Canadá. Na universidade, uma das primeiras pessoas que conheci foi um estudante de medicina cristão chamado Ron e nos tornamos amigos.

Demorou um bom tempo para confiar nele o bastante e lhe contar por que eu tava me sentindo tão deprimido. Quando lhe contei, nossa amizade continuou a mesma de antes. Muito mais tarde ele me contou uma história que tinha ouvido em uma de suas aulas, sobre um doutor alcoólico com dois filhos. Depois de sair do trabalho, esse doutor bebia tanto que fazia do momento de jantar em família uma experiência muito desagradável. Seus filhos então cresceram e um dia antes do jantar eles o amarravam no estúdio dele, sua esposa simplesmente achava que ele estava trabalhando até mais tarde. Aquele foi um juntar muito pacífico que há muito não tinham. Então os rapazes usaram o mesmo método nas noites seguintes.

Houve um momento que um vizinho percebeu uma luz acendendo e apagando e assim, descobriu o que estava acontecendo. O doutor foi encaminhado para um tratamento de alcoolismo. Como o professor de Ron disse, aquela foi uma maneira incorreta de lidar com a situação. De certa forma, essa história fazia sentido em minha própria experiência e me deu um grande senso de esperança.

Duas coisas aconteceram durante os anos entre ouvir essa história e começar a lidar com o abuso. Aprendi muito mais sobre homossexualidade, incluindo uma perspectiva alternada para aquelas que estavam geralmente disponíveis. Comecei a ver como as coisas que aconteceram afetavam o senso de quem eu era em termos de identidade de gênero e sexualidade, comecei a entender como minhas respostas ao que aconteceu, como deixar meu pai de fora quando eu me senti rejeitado, mais tarde afetou meu senso de quem eu era. Ficou claro que minhas fantasias sexuais sobre homens refletiam o abuso não resolvido de minha infância e era uma tentativa de me reconectar com a masculinidade que faltava em mim. Tentar ter o valor e a masculinidade dos outros homens era para mim uma “forma equivocada de lidar com a situação”.

Depois aprendi que Deus realmente me amava. Eu precisava muito saber em meu coração que importava para Ele e que Ele me amava como eu era. Eu não tinha que mudar primeiro ou resolver todos meus problemas; na verdade, não havia nada que eu pudesse fazer para Ele me amar mais do que Ele já me amava. Por ter crescido na igreja, eu sabia em minha mente que Deus me amava. Mas minha experiência com meu pai terreno, que eu sentia que não me amava, fez com eu não acreditasse em meu coração, que meu Pai Celeste não me amava.

O que me ajudou em parte a ser curado nessa área foi separar “meus dois pais”. Isso me capacitou a amar meu pai terreno, vê-lo como um homem que tem muitas qualidades boas, juntas com suas falhas e um homem que foi um pai melhor para mim do que seu pai fora para ele. E pude ver meu Pai celestial mais claramente como aquele que sempre me amou e sempre estava lá para mim.

Saber que Deus realmente me amava me deu uma base sólida para que eu pudesse lidar com o abuso de minha infância. Quando eu comecei a trabalhar o primeiro incidente e depois o outro, eu comecei a ver as mentiras em que eu tinha acreditado. O abuso me mostrou que eu não era bom para nada; Deus me disse que eu sou muito precioso e que aquele abuso nunca deveria ter acontecido. O abuso me mostrou que eu era mal; Deus me disse que o que aconteceu não foi minha culpa.

Quando eu sofri a perda de minha infância e minha inocência, Deus me segurava e me confortava. Ele também colocou em minha volta um número de amigos que me ajudaram a passar por esse tempo doloroso. Um deles foi uma mulher chamada Wendy, que tinha sido minha colega por cinco anos.

Durante esses anos, uma boa amizade se desenvolveu e, quase sem saber, comecei a amar Wendy. Nós nos casamos em julho de 1991, não na crença errada de que casamento “cura” homossexualidade, mas por que eu verdadeiramente a amava e estava atraído por ela. Isso foi uma grande surpresa pra mim; eu não tinha expectativa de me casar, nem tinha sido atraído por mulheres antes.

Há três anos mais ou menos, eu comecei a trabalhar no incidente do abuso mais severo. Com dificuldade, eu contei a Wendy e a outro amigo, Don e lidei com alguns problemas relacionados. Agora eu percebo que há mais trabalho a fazer. Ainda sinto uma vergonha tremenda sobre as coisas que foram feitas a mim. Mas eu sei em minha mente que eu não sou mau.

Eu às vezes ainda me sinto mal sobre quem eu sou. Eu estou pouco a pouco começando a contar para mais pessoas sobre o que aconteceu quando eu fui abusado, tirando, dessa forma o poder de um segredo que tinha carregado por anos. Nem Garry, nem Dave, para quem eu contei recentemente, pensam menos de mim por causa disso. Suas respostas refletem a mim a forma como Deus me vê e que Ele não me culpa pelo o que aconteceu.

Costumava ser – mas não sou mais – exclusivamente homossexual. E agora sinto atração sexual por mulheres.

Acho meu relacionamento físico com Wendy muito satisfatório, sem necessidade de fantasias homossexuais para me satisfazer. Mas eu ainda experimento certa atração por homens, eu espero essa atração diminuir à medida que eu trabalho a vergonha do abuso e ganho maior senso de minha masculinidade.

Tenho que continuar buscando a Deus – eu preciso ter Sua verdade e Sua luz brilhando sobre as mentiras em que eu tinha acreditado por tanto tempo. Ele realmente sabe quem eu sou e tudo que Ele criou pra eu ser.

Espero ansiosamente por sua contínua revelação.

[oito meses depois]

Por muito tempo eu não tinha ideia do que fazer a respeito da vergonha que eu sentia. Foi apenas depois de ver uma entrevista na TV com uma oficial da polícia que tinha sido estuprada que eu soube o que precisava ser feito. Ela não tinha superado o que aconteceu a ela, até começar a quebrar o silencio e falar sobre sua experiência. Percebi, então, que também precisava contar para mais pessoas sobre o que aconteceu a mim.

A primeira pessoa para quem eu contei foi Dave, o responsável pelos jovens em minha comunidade. Sabia que ele era de confiança por ter conversado com ele antes sobre outros problemas, mas ainda levou horas para ser capaz de lhe dizer que tinha sido violentado por um homem na frente de alguns de meus colegas no início de minha adolescência. Depois que deixei seu escritório, eu notei algumas coisas:

Primeira, não mais parecia ser um segredo tão horrível. Segundo, eu estava maravilhado de que ele – outro homem – me deu sua tarde inteira para me atender. E comecei a sentir raiva pelo homem que me estuprou.

Algumas semanas depois, eu perguntei a Dave uma questão importante: “Você acha que sou mau por causa do que aconteceu?”. Meu cérebro sabia a resposta certa para isso, mas meu coração não. Ele disse, “nunca passou pela minha mente que você poderia ser mau pelo que aconteceu”. Eu esperava Dave dizer que, por causa de tais e tais razões, ele não achava que eu era mau. Que isso nunca tinha passado por sua mente foi completamente inesperado, e Deus usou essa resposta para começar alcançar meu coração.

No final da primavera, eu contei para Gary, um amigo íntimo que esteve sempre comigo quando eu trabalhava alguns dos outros abusos. Eu fiz a ele a mesma pergunta. Ele não achava que eu era mau também.

Em julho eu tomei café com Richard, uma das primeiras pessoas a quem contei a respeito de minha luta a homossexualidade. Quando eu lhe contei esse segredo, não foi mais necessário perguntar se ele pensava que eu era mau. A verdade já tinha ido para meu coração e a vergonha se foi.

A raiva permaneceu ainda, assim como a dor e a mágoa por trás dela.

Em varias ocasiões eu era capaz de conectar esses sentimentos e sofrer a dor e perda que eu tinha experimentado muitos anos antes. Em meados do verão, percebendo que a raiva precisava ser trabalhada, pensei em fazer um rascunho para expressar o que eu sentia. A oportunidade para fazer isso veio no início de setembro, quando Don e eu fomos para uma cabana passar um fim de semana. Em preparação, trouxe comigo papel, marcadores coloridos e uma fotocópia da face do tal homem.

No sábado à tarde, comecei a sentir raiva e em minha raiva, comecei a imaginar o que eu faria com a cópia da fotografia, incluindo o que escrever nela e como a mutilar. Depois de alguns minutos de mutilar e rabiscar, o processo perdeu a força e comecei a chorar. Veio-me ao entendimento que isso era uma foto de uma pessoa de verdade – não uma pessoa legal, nem uma pessoa boa, mas um ser humano que é amado por Deus, assim como eu sou – e desejar coisas ruins a ele é tão errado quanto o que ele fez de ruim a mim. Fui capaz de perdoá-lo pelo mal que tinha me feito. Ver o seu lado humano também significava que seu poder sobre mim tinha ido embora. Sua definição de mim e de como um homem de verdade deveria ser perdeu seu significado e eu fui capaz de me conectar com minha própria masculinidade.

Eu tinha esperado muito tempo por isso. Por muitos anos, o garotinho dentro de mim tinha medo de homens e medo de ser um homem.

Sem afirmação de minha masculinidade e separado dela, tentei achar masculinidade em outros homens. Hoje não preciso mais disso. A dor e vergonha do abuso tinham sido resolvidas e saradas. Agora não parece mais estranho ver um homem adulto quando me olho no espelho. Não mais automaticamente penso em todos os outros homens como sendo mais altos do que eu; apenas aqueles que realmente são. E eu sei em um nível profundo que eu sou um homem, não por que eu me encontrei num padrão de alguém, mas por que Deus me criou para ser um homem, e em Seu amor caminhando comigo na longa jornada, me conectou a esta realidade.

Relato Extraído de Impulsionados pelo Amor Vol 02 - Closet Full


Visto em: http://www.closetfull.com.br/2014/02/aprendendo-que-deus-realmente-me-ama.html#more.


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