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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Advertências para uma jovem que está em dúvida do estado que tem que escolher

Irmã minha em Jesus Cristo: Disse-me que anda a pensar qual será o gênero de vida que deve abraçar. Vejo que vacila porque, por um lado o mundo convida-a escolher o matrimônio, e por outro Jesus Cristo convida-a a tomar o véu de religiosa num convento de observância.

Pense bem, pois da escolha que fizer deponde da sua eterna salvação. Por isso lhe recomendo muito encarecidamente que todos os dias peça a Deus a Sua santa graça e comece a fazê-lo hoje mesmo, ao começar a ler estas páginas, a fim de que o Senhor lhe conceda a luz e a fortaleza de que necessita para encolher aquele estado em que melhor seja assegurada sua salvação, e não tenha de se arrepender da escolha feita, durante toda a sua vida e por toda a eternidade, quando já não for tempo de emendar o seu erro.

Pense bem qual será para si o partido mais vantajoso e que a fará mais feliz e ditosa, se é ter por esposo um homem do mundo ou a Jesus Cristo, Filho de Deus e Rei do Céu; veja qual dos dois lhe parece melhor e eleja um deles. Treze anos tinha a virgem St. Inês quando, por sua grande beleza, se viu pretendida por muitos jovens, entre os quais estava o filho do Prefeito de Roma. Porém, ela, pensando em Jesus Cristo, que a queria para Si, respondeu: “Encontrei um Esposo melhor do que tu e do que todos os reis da terra, é justo que O não troque por outro”. E realmente preferiu gostosamente perder a vida em tão tenra idade a consentir em troca tão desigual, morrendo mártir por amor de Jesus Cristo. A mesma resposta foi dada pela Virgem St. Domitila ao Conde Aurélio, grande senhor de Roma, preferindo ser martirizada e queimada viva a abandonar Jesus Cristo. Como estão alegres e cheias de gozo no Céu, e assim viverão por toda a eternidade, estas virgens, por terem feito tão acertada escolha! Sorte assim tão feliz e ditosa tem o Senhor oferecida a todas as donzelas que para se consagrarem a Jesus Cristo abandonaram o mundo.


Examine bem, portanto, as consequências que se seguirão da escolha que fizer entre o mundo e Jesus Cristo. O mundo brinda-a com os bens da terra: honras, riquezas, prazeres, distrações. Jesus Cristo, pelo contrário, apresenta-lhe açoites, espinhos, opróbrios, cruz, pois foram estes os bens que desfrutou enquanto viveu no mundo. Mas, em troca, Jesus Cristo oferece os inapreciáveis bens que o mundo não pode dar, isto é, a paz do coração nesta vida e o paraíso na outra.

Demais, antes de se resolver por um ou outro estado, deve pensar bem que a sua alma é eterna, quer dizer, que depois desta vida, que tão depressa acaba, virá a morte que lhe abrirá as portas da eternidade, e ao entrar nela o Senhor lhe dará o prêmio ou o castigo que haja merecido pelas suas obras durante a vida. De maneira que, no lugar que depois da sua morte lhe for designado, seja feliz ou desgraçado, nele permanecerá por toda a eternidade. Se tiver a dita de se salvar gozará para sempre de todas as delicias e alegrias do paraíso; se, por infelicidade, se condenar, padecerá os eternos tormentos do inferno. Não se esqueça, portanto, de que todas as coisas deste mundo depressa acabam. Ditoso de quem se salva, infeliz de quem se condena!

Que jamais lhe saia do pensamento aquela admirável sentença de Nosso Salvador: “De que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se no fim perde a sua alma?”. Esta palavra levou já tantos jovens a encerrarem-se nos claustros e a retirarem-se para o deserto, e a tantas donzelas a abandonar o mundo para se consagrarem a Deus e terminar a sua vida com uma santa morte!

Considere agora, por outro lado, a sorte mísera que terá cabido a tantas nobres damas, princesas e rainhas que houve no mundo: não lhes terão faltado nem honras, nem riquezas, nem servidores, nem vis aduladores. Porém, se tiveram a desgraça de se condenarem, de que lhes aproveitarão no inferno tantas riquezas entesouradas, tantos prazeres gozados, tantas honras desfrutadas? Servir-lhes-ão de tormento e angustia que hão de lhe despedaçar o coração eternamente, porque, apesar de Deus ser Deus, não poderá dar remédio algum à sua eterna ruína.

Examinemos agora, resumidamente, os bens que o mundo promete nesta vida aos seus seguidores e os bens que o Senhor concede aos que O amam e tudo abandonam por Seu amor.

O mundo promete muito, porém, quem ignora que ele é um traidor que promete e não cumpre? Mas, admitamos que cumpra as suas promessas, que bens podemos dele esperar? Bens da terra; mas não pode dar-nos a paz nem a felicidade que promete, porque todos os bens lisonjeiam a carne e os sentidos, porém, não podem satisfazer as aspirações da alma e do coração. A nossa alma foi criada por Deus unicamente para O amar nesta vida e depois gozar Dele na outra. Por isso, todos os bens deste mundo, todos os seus prazeres e grandezas andam à volta do nosso coração, mas não entram dentro dele, pois só Deus o pode encher.

Por esta razão Salomão chamava aos bens deste mundo vaidade e mentira, mais aptos a afligir do que a contentar a nossa alma. “Vaidade das vaidades e aflição do espírito”, lhes chamou ele. Com efeito, a experiência demonstra que, quantas mais riquezas possuem os ricos, mais angustiados e aflitos vivem.

Se o mundo satisfizer as ânsias do coração com os seus bens, as princesas e rainhas, às quais não faltam diversões, festas, banquetes, soberbos, palácios, carruagens, ricos vestidos, joias de valor inestimável, criados e servidores que as sirvam, e lhes fazem a corte, viveriam em perpétua paz e alegria. Mas, como se enganam os que assim pensam! Perguntai-lhes se gozam de verdadeira paz e se vivem felizes. Qual paz nem felicidade?! ... vos responderiam todas — a minha vida é um tormento, não sei o que é paz nem alegria. O mau procedimento dos maridos, os desgostos que a cada passo lhes dão os filhos, os ciúmes, os temores, as intrigas e dificuldades da sua vida enchem-nas continuamente de dissabores e amarguras.

Da mulher casada pode dizer-se que é mártir da paciência, se é que a tem, porque, se não entesourar esta virtude em seu coração, padecerá um martírio neste mundo, e outro, maior, na eternidade. Ainda que mais trabalhos não sofresse, bastarão as perturbações da sua consciência para atormentar sempre, pois, apegada, como vive, aos bens da terra, não encontra tempo para pensar na sua alma, não frequenta os Sacramentos, apenas se lembrará de se encomendar a Deus, e assim privada destes auxílios, que tanto ajudam a bem viver, cairá com frequência no pecado e continuamente será atormentada pelos remorsos da consciência. Donde resulta que todas as alegrias que o mundo lhe prometa se convertem em amarguras e sérios temores de se não salvar. Pobre de mim — exclamará—qual será a minha, sorte ao entrar na eternidade, vivendo como vivi, longe de Deus, caída no pecado, caminhando sempre de mal a pior? Quisera recolher-me a fazer oração, mas os cuidados da família e da casa — sempre em movimento — não me deixam, quisera assistir às devoções, confessar-me e comungar com frequência, ir muitas vezes à igreja, mas o meu marido opõe-se; acrescente-se a isto os cuidados de todos os dias, a educação dos filhos, as relações sociais e mil obstáculos que se levantam diante de mim. Apenas nos dias de preceito e a certas horas posso ir à Missa. Pobre de mim! Porque terei cometido a loucura de me casar? Não me teria sido melhor recolher-me a um convento para cuidar da minha santificação?

Mas, de que servirão todas estas queixas e amargas lamentações senão para aumento das suas angústias, ao saber que já nada pode remediar da sua má escolha, estando, como está presa por mil laços ao mundo? E se termina a vida vergada ao peso de tantas inquietações, a sua morte será também triste e angustiada. Rodearão o seu leito de morte os seus familiares, o marido e os filhos, derramando lágrimas amargas que, longe de lhe servirem de consolação, lhe hão de causar maior aflição e, assim aflita, pobre de méritos e ansiosa pelo temor da sua eterna salvação, comparecerá perante o tribunal de Jesus Cristo, que a há de julgar.

Muito diferente será a morte da Religiosa que abandonou o mundo para se consagrar a Jesus Cristo. Sentir-se-á feliz na companhia de tantas Esposas do Senhor, numa cela solitária, longe do bulício do mundo e dos contínuos e próximos perigos que correm as pessoas que vivem no século.

Na hora da morte consolá-la-á o pensamento de ter passado os seus melhores anos dedicados à oração, à mortificação e a outros santos exercícios, como visitar o SS. Sacramento, confessar-se e comungar com frequência, fazer atos de humildade, esperança e de amor a Jesus Cristo. E embora o demônio não cesse de a perturbar com a recordação dos pecados da sua juventude, o seu divino Esposo, por cujo amor abandonou o mundo, saberá consolá-la e, então, cheia de confiança, morrerá abraçada a Jesus Crucificado que a levará consigo para o paraíso, a fim de viver em Sua companhia por toda a eternidade.

Minha irmã, já que vai escolher estado, seja aquele que desejaria eleger na hora da sua morte. Nessa tremenda hora, ao verem que tudo acaba, todos exclamam: Oxalá eu tivesse trabalhado para me santificar! Antes eu tivesse abandonado o mundo para me consagrar a Deus! Mas, agora, o que fizeram está feito e não têm outro remédio senão render a alma e apresentarem-se perante o tribunal de Cristo, que lhes dirá: “Vinde benditos de meu Pai, vinde gozar comigo para sempre”, ou então ouvirão estas palavras: “Apartai-vos de Mim e ide para o inferno para sempre”.

Agora, está ainda a tempo de escolher entre Jesus Cristo e o mundo. Se tomar o partido do mundo, não se esqueça de que cedo ou tarde se há de arrepender. Por isso, pense bem. De entre as mulheres que vivem no mundo, muitas se condenam. Nos conventos rara será aquela que se perde eternamente.

Encomende-se a Jesus Cristo e a Maria Santíssima para que lhe concedam a luz e as graças necessárias, a fim de eleger o caminho melhor para chegar à sua salvação eterna.

Se quiser fazer-se Religiosa deve estar resolvida a santificar-se, porque se pensa levar no convento, a exemplo de algumas religiosas, uma vida tíbia e imperfeita, de nada lhe servirá entrar em religião, pois, assim, depois de viver vida infeliz, terminá-la-á com uma morte desgraçada.

Enfim; mesmo no caso de sentir repugnância invencível pela vida do claustro não poss0 aconselhá-la a que abrace o estado do matrimônio, posto que S. Paulo a ninguém o aconselha, fora de um caso de pura necessidade, no qual, felizmente, não se encontra; então, permaneça, ao menos, em sua casa, trabalhando na sua santificação. Rogo-lhe que durante nove dias reze a seguinte oração:

“Senhor meu Jesus Cristo, que morrestes para me salvar, suplico-Vos pelos méritos do Vosso preciosíssimo sangue, que me concedais a luz e á força necessárias para escolher o estado que mais convenha à minha salvação. E Vós, ó Maria, Minha Mãe, alcançai-me esta graça com a Vossa poderosa intercessão”.

Santo Afonso Maria de Ligório (27/09/1696 - 02/08/1787), Bispo de Santa Ágata, Confessor, Doutor Zelosíssimo da Igreja, Fundador dos Missionários Redentoristas.


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