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sábado, 14 de dezembro de 2013

Arquivo Krahgate. Reflexões de Dom Curzio Nitoglia

OPERAÇÃO MEMÓRIA: just in case...

O CASO KRAH

Fatos e documentos ou mentiras e calúnias?


Massimilian Krah
     Mons. R. Williamson

O caso Williamson-Nahrath 2010

1) Em meados de novembro 2010, o bispo Richard Williamson decide de se fazer defender da acusação de revisionismo pelo advogado Wolfram Nahrath. Então, pede a seu primeiro defensor, o advogado Matthias Lossmann, se ele aceitaria defendê-lo junto com Nahrath. Lossman rejeita a proposta e Mons. Williamson retira-lhe o encargo.

2) Em 18 de novembro, o advogado Nahrath informa via fax à juíza Eisvogel que o advogado Lossmann renunciou ao encargo e que será ele (Nahrath) que defenderá Mons. Williamson.

3) Apenas 32 minutos após o envio da mensagem - por fax – de Nahrath à Dra. Eisvogel, a redação do semanal Der Spiegel liga ao advogado Nahrath e lhe pede explicações sobre sua futura defesa legal do de Mons. Williamson.

4) No dia 19 de novembro, o mesmo Der Spiegel publica a notícia segundo a qual o advogado Nahrath é um representante político do partido neonazista alemão, motivo pelo qual Mons. Williamson seria um filo-nazista. Na verdade, o partido nazista alemão é ilegal desde 1945, e Nahrath faz parte do Partido Nacional e Democrático (NPD), um partido de extrema direita, mas não nazista. Portanto


Krah e o sionismo

1) O advogado Lossmann havia sido escolhido em 2009 pelo advogado Krah para defender Mons. Williamson. Mas Krah, objetivamente (o coração ou as intenções subjetivas os perscruta somente Deus e a Ele deixo o julgamento) havia participado à campanha na mídia contra Mons. Williamson, estourada em 20 de janeiro de 2009, através de entrevistas dadas ao jornal radical-socialista Der Spiegel de orientação política muito semelhante à do semanário italiano L'Espresso do engenheiro Carlo De Benedetti.

2) Além disso, Krah é um militante do Partido Democrata Cristão (CDU), da chanceler alemã Ângela Merkel, um partido liberal, libertário, pró-aborto, pró-divórcio, pró-uniões livres e também das homossexuais, e, portanto, não certamente melhor, quanto à Fé e à Moral, do NPD ao qual pertence Nahrath. Veja Dresdner Union mit neuem Kreisvorstand.

3) O advogado Lossmann, escolhido por Krah para defender Mons. Williamson em 2009, pertence ao Partido dos Verdes (Die Grünen), que é, como na Itália, um partido de extrema esquerda de '68, pró-aborto, divórcio, homossexualidade, pedofilia, eutanásia, pior ainda, quanto a anticristianismo, que o Partido Nacional Democrático (NPD), ao qual pertence o dr. Nahrath.

4) Finalmente, e esta é a parte objetivamente mais interessante (não vou cuidar de todos os outros assuntos relacionados a este caso), Krah participou (contra factum non valet argumentum), em setembro de 2010, em Nova York, junto com ex-alunos da Universidade de Tel Aviv, a uma coleta para ajudar os estudantes judeus da diáspora a irem ao Estado de Israel para serem formados na Universidade de Tel Aviv; se podem ver as fotos de Krah e seus companheiros, descritos como israelitas. Veja Chelsea Gallery Party and Auction of Indulgences For Alumni and Friends.

Os fatos mencionados acima são descritos em um comentário publicado em dezembro de 2010 (EXCLUSIF: les dessous de l'affaire Williamson).

5) A resposta de Krah aos comentários suscitados chegou no final de Dezembro de 2010, publicada no site Ignis Ardens. É bastante esclarecedora e desconcertante. Desconcertante porque objetivamente ameaçadora: "Agora conheço aqueles que me caluniaram e eles verão...".

a) Esclarecedora porque, se tivesse sido de fato caluniado, Krah poderia ter respondido para esclarecer ou poderia recorrer aos tribunais para obter justiça, como era seu direito, e não às ameaças para intimidar ("vos conheço, vão ver");

b) porque Krah admite: "Em setembro, recebi um convite espontâneo de um amigo advogado para esta noitada muito agradável na Galeria Witzenhausen, onde conheci pessoas fantásticas vindas de Israel, Estados Unidos (judeus e não judeus), e alguns europeus que estavam em Nova York. Era uma normal reunião anual. E, naturalmente, houve uma festa de gala para a caridade. Foi o que houve";

c) Finalmente porque Krah não nega a coleta de fundos para a Universidade de Tel Aviv, que não é um simples bate-papo com hebreus, coisa perfeitamente lícita. Não é importante se o advogado Krah seja de origem israelita, o que conta é a Fé não a etnia. Krah se professa católico tradicionalista, e isso é basta. No entanto, a atividade filo-sionista, realizada por Krah, é uma ação lícita e legal em si, mas dificilmente conciliável, moral e dogmaticamente, com a profissão da Fé católica tradicional e pré-conciliar. Este é o ponto objetivamente relevante deste caso.

São Pio X (o Santo padroeiro dos tradicionalistas) respondeu, em 1904, a Theodor Herzl (o fundador do sionismo, 1896), que lhe havia pedido de reconhecer o movimento sionista e o eventual Estado de Israel: "Enquanto Israel não reconhecer Cristo como Messias e Deus, a Igreja não poderá reconhecer o sionismo e Israel". Assim, objetivamente, entre o catolicismo e sionismo há incompatibilidade e a dupla filiação não é lícita.

Atualidade do caso

1) Nestes dias ouvimos e lemos que se pretende denunciar à magistratura aqueles que se ocuparam do caso Krah.

2) Após o julgamento de Mons. Williamson, em 04 julho de 2011, na Alemanha, Maximilian Krah deu uma entrevista objetivamente caluniosa e ultrajante contra o bispo britânico.

"Mons. Richard Williamson tem um profundo problema de desconexão da realidade, a cada dois anos, com uma boa regularidade, acredita no fim do mundo (...). Penso que se poderia defini-lo um tipo extravagante (bizarro, estranho)" [1].

Extraído de: http://www.sueddeutsche.de/bayern/prozess-gegen-bischof-williamson-plaudernuebergaskammern-1.1116124: […]Uma comunidade de sacerdotes católicos dificilmente pode se distanciar muito de um de seus membros. Dizem que Mons. Richard Williamson seja um extravagante, um tipo com um profundo problema com o reconhecimento da realidade, o qual " a cada dois anos, com uma boa regularidade, acredita no fim do mundo". Isto disse segunda-feira passada em Ratisbonne Maximilian Krah, o administrador legal da Fraternidade na Alemanha, a proposito de Williamson, membro da mesma comunidade. No fim, resume: " Penso que se poderia defini-lo um tipo bizarro, credo". Assim o que havia sido idealizado como testemunho diante do tribunal provincial, foi, ao mesmo tempo, uma pública tomada de distância feita pela Fraternidade em relação a um seu coirmão decaído, sobre cuja ações teve que mais uma vez decidir um tribunal.[…]

Infelizmente, ninguém interveio, nem digo para defender Mons. Williamson, mas até mesmo para apaziguar os espíritos e convidá-los a uma maior educação no uso dos termos usados contra ele. Ninguém tomou distância das ofensas objetivas e públicas dirigidas por um fiel leigo católico-tradicionalista, como se afirma Krah, contra um bispo católico. Não é objetivamente correto.

3) Então, me sinto moralmente obrigado a tomar uma posição pública sobre este caso, não para fazer fofoca, nem processos às intenções, mas para tentar estabelecer a verdade objetiva dos fatos. Quero esperar que isto ainda seja legalmente lícito, pois moralmente não há dúvida. Espero alcançar êxito em meu propósito. Se eu estiver errado, me corrijam. Por isto escrevo publicamente. Se a denúncia que se ameaça ajuizar é feita para apurar a verdade do que foi escrito sobre Krah, essa é lícita. Se ele foi difamado deve ser ressarcido, caso contrário se reconheça a verdade dos fatos. Se aquele que ameaça com a denúncia foi caluniado, o recurso à justiça é de dever também para defender o seu bom nome, mas é gravemente incorreto trazer à baila a equiparação antissionismo/antissemitismo e o antijudaismo ou a instigação ao ódio racial, e denunciar como antissemita quem levantou a questão: se a dupla filiação ao sionismo e ao catolicismo tradicional[2] seja lícita. Agora só podemos esperar e torcer, sem especulações desnecessárias, que seja esclarecido este caso, o qual é objetivamente inquietante, e é melhor que seja resolvido.

4) Até agora não quis me ocupar com este assunto, "cuja parte financeira, étnica e 'complotística' não acho objetivamente relevante". Esperei respostas convincentes, que dissipassem qualquer dúvida sobre a compatibilidade entre a Fé Católica e a ideologia sionística. Uma resposta veio de Krah, mas é uma intimidação mais do que uma resposta ou esclarecimento. Agora parece que se deseja responder. Esperamos e desejamos que seja feito corretamente e não persecutoriamente e que a verdade triunfe sobre a dúvida, que tanto mal fez e está fazendo aos católicos fiéis à Tradição apostólica e ao Magistério constante da Igreja, que a partir da Nostra Aetate (1965) reconheceu um crescendo rossiniano[3] de cessão ao judaísmo pós-bíblico. Se alguém quiser me denunciar por ter expressado estas preocupações sobre a coerência e a lhaneza de um certo modo de pensar e agir, que assim seja. "É melhor obedecer a Deus que aos homens" (Atos dos Apóstolos), que - se assim fosse – se afastam dos caminhos do Senhor.

Sancte Pie X, ora pro nobis!

d. CURZIO NITOGLIA
25 LUGLIO 2011

PS: Muitos dos "sites" mencionados neste artigo foram fechados, mas as notícias reportadas por estes foram avaliadas e encontradas objetivamente conformes à realidade. Se alguém encontrar alguma imprecisão peço que me faça notar. Serei o primeiro a tomar conhecimento e a retificar.

Dom Curzio Nitoglia





Tradução: Pale Ideas


Nota ulterior:

A Note on the Ignis Ardens Traditional Catholic forum has ensured 'Krahgate' is in the public domain. Bishop Fellay has acknowledged 'Krahgate': Ignis Ardens

* precisa ser cadastrado (gratuitamente) para acessar o arquivo do Ignis Ardens.



Mais informações sobre o lamentável e escandaloso caso no blog The Khragate file
 



[1] Retirado de: (Plaudern über Gaskammern). São Tomás de Aquino na Suma Teológica (II-II, qq. 72-75) trata das "injustiças que são feitas com palavras". Na questão 72, o Aquinate fala da "contumélia" ou seja da "injúria verbal" feitas não nas costas, mas "na cara". Ora, porque as palavras significam as coisas, elas podem causar muitos danos. A contumélia ou injúria verbal lesa a "honra". No artigo 2, São Tomás explica que a contumélia é pecado mortal. De fato (in corpore articuli), nos pecados de palavra deve ser considerado sobretudo com que disposições de ânimo nos expressamos, ou seja o fim da contumélia. Mas de per si a contumélia implica um comprometimento de honra ou moral do outro. Por isso, ela "é um pecado mortal" não menos do que o furto que detrai a riqueza material, enquanto a contumélia desonra a alma do próximo na sua moralidade. Padre Tito Centi comenta: "Daí advém a gravidade da contumélia, a qual propriamente é feita para destruir a honorabilidade moral, e implica a obrigação de reparar"': "ou o retorno de fama" (para a contumélia) e de bens de materiais (para o roubo), "ou a danação". No artigo 3, o Doutor Comum explica que em alguns casos é necessário rejeitar as contumélias e especialmente por dois motivos: primeiro, para o bem de quem insulta, para reprimir sua audácia para que não monte ainda mais em prepotência e presunção e reitere tais atos; segundo, "pelo bem de outra pessoa, se a pessoa que é ofendida detém um cargo público " (como é o caso de Sua Excelência Mons. Williamson ), onde a ofensa recairia sobre seu encargo episcopal e o desonraria. Então, quem é constituído em dignidade ou autoridade pública "deve defender estas" e não a sua pessoa, ou alguém deve fazê-lo por ele. Quem escuta a detração e a tolera sem reagir (defendendo a pessoa difamada) peca gravemente. Quando, no entanto, não reage, mesmo tendo a possibilidade, não porque gosta do pecado, mas por respeito humano ou por negligência, então peca apenas venialmente. (S. T., II-II, q. 73, a. 4, in corpore). Se se pode ser paciente ao tolerar a difamação para consigo mesmo, não é tolerável suportar a difamação do bom nome dos outros (Ivi, ad 1um). O escárnio do outro é pecado mortal, tanto mais grave quanto maior é o respeito devido à pessoa ridicularizada (q. 75, a. 2, in corpore). Ridicularizar um bispo é, objetivamente, muito grave.
[2] Observe que até mesmo Paulo VI não quis reconhecer explicitamente o Estado de Israel, e, implicitamente, a compatibilidade do sionismo com o cristianismo. Somente João Paulo II o fez, em 1993.
[3] Alusão à sinfonia de Rossini que "cresce" dramaticamente.



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